segunda-feira, julho 28

HARTZ

A Revista Digital Española de Poesía HARTZ, dirigida por RENÉ LETONA, reservou-me uma surpresa agradável. Na secção OTRAS APARICIONES surge uma breve, e simpática, resenha do meu livro artesanal “Primeiros Poemas”, realizado em parceria com a Isabel Espinheira. Os meus agradecimentos.
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PS NA FRENTE - APESAR DA CRISE


PS volta a subir nas intenções de voto
Depois de em Maio o PS ter caído para os valores mais baixos desde as últimas eleições legislativas, o Barómetro Político Marktest mostra em Julho uma nova subida das intenções de voto neste partido

[Uma sondagem da Católica, de meados de Julho, face-a-face, com base numa amostra maior, dava o PS com 40% e o PSD com 32%. Em qualquer caso, mesmo navegando por mares encapelados, o PS surge, em todas as sondagens, na frente. Pode perguntar-se: isto serve para quê? Para o mesmo que servem todas as sondagens: medir a temperatura do eleitorado e condicionar as expectativas. Se desse o resultado contrário, ou seja, o PSD à frente, a Dra. Manuela Ferreira Leite, embora a contra gosto, soltaria um ai!]
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domingo, julho 27

ATÉ QUANDO ABUSARÁS DA NOSSA PACIÊNCIA?


Este período de férias tem sempre este ingrediente requentado das diatribes do Dr. Alberto João Jardim. Mas este ano o dignitário da Madeira pode ser questionado acerca das razões pelas quais não se candidatou à liderança do PSD – nacional. Já quase toda a gente se esqueceu que, recentemente, tiveram lugar eleições para os órgãos dirigentes do PSD. Jardim posicionou-se para ser “empurrado” para a liderança do PSD (nacional) mas ninguém, do topo à base, se entusiasmou com a ideia. Foi uma pena. Jardim bem merecia ser alcandorado à liderança do PSD. Seria a última oportunidade de se sujeitar ao sufrágio popular, em eleições livres, democráticas e nacionais, recebendo, ao fim de mais de trinta anos, de forma civilizada, a resposta aos insultos que, impunemente, profere contra a democracia que o alimenta.
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sábado, julho 26

CAMUS - a fidelidade


Não se pode dizer que já não há piedade, não, deuses do céu, nós não cessámos de falar nela. Simplesmente, já não se absolve ninguém. Sobre a inocência morta pululam os juízes, os juízes de todas as raças, os de Cristo e os do Anticristo, que são, aliás, os mesmos, reconciliados no «desconforto».
Aquele que adere a uma lei não teme o julgamento que o reinstala numa ordem em que crê. Mas o maior dos tormentos humanos é ser julgado sem lei. Nós vivemos, porém, neste tormento.
Uma pessoa das minhas relações dividia os seres em três categorias: os que preferem não ter nada que esconder a serem obrigados a mentir, os que preferem mentir a não ter nada que esconder e, finalmente, os que amam ao mesmo tempo a mentira e o segredo. Deixo à sua escolha o compartimento que me convém.
Que importa, no fim de contas? As mentiras não conduzem finalmente à via da verdade? E as minhas histórias, verdadeiras ou falsas, não tenderão todas para o mesmo fim, não terão o mesmo sentido? Que importa, então, que sejam verdadeiras ou falsas se, nos dois casos, são significativas do que fui e do que sou?

Camus - A Queda (Sublinhados de Ana Alves) in Cadernos de Camus

[Um amigo, através de mensagem electrónica, dizia-me, a propósito do meu post 4000, atraiçoado pelo teclado, preparado para uma língua outra: E obra! Forca, forca camarada Graca! Venham mais 5…mil posts! Grande abraço. Calculo que produzir 5000 postas demorasse, ao meu ritmo, mais de cinco anos e o que posso prometer, por ora, é diminuir o ritmo de produção por uma simples e prosaica razão: férias. Como não sou fundamentalista de nenhuma causa não carregarei um portátil às costas por todos os lugares da peregrinação pela nossa terra. Além do mais preciso de ler, caso contrário desaprenderei de escrever!]
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sexta-feira, julho 25

CURSO DE MEDICINA NO ALGARVE

Nubar Alexanian

Um dia, ao jantar, ainda recentemente, um médico amigo deu-se ao trabalho de me explicar o processo de blindagem do acesso aos cursos de medicina. Trata-se, em breves palavras, de pura usurpação do poder por uma corporação ou, ainda mais fininho, por uma geração dentro dessa corporação. A manobra tem contornos dantescos, como tantas outras que ocorrem no nosso país, grotescos e irreais. Mas que existem, existem … Mariano Gago qualifica a situação a que se chegou de irresponsabilidade social: uma elite de médicos, estabelecidos na praça, com as suas ligações em rede, amarrando todos poderes, “secou” o acesso aos cursos de medicina. A ponta do iceberg, que todos podemos observar, em todo o esplendor, são as notas de acesso aos cursos de medicina que podem catrapiscar por aqui. Apesar das evidências do disparate, a roçar as raias do criminoso, a abertura de um curso de medicina na Universidade do Algarve, suscita vagas de comentários desprimorosos, ou mesmo insultuosos, comprovando a força social da corporação, ou de alguns dos seus ilustres membros, que mesmo com os pés para a cova, movem o céu e a terra para manterem a coutada protegida de intrusos que lhes estraguem o negócio. Talvez viesse a propósito ouvir uma palavrinha de Sua Excelência o Senhor Presidente da República acerca do tema. É muito simples: apoia Sua Excelência a expansão da oferta de vagas nos cursos de medicina? Apoia a abertura de um novo curso de medicina na universidade da sua região de origem?
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Generación Y

Aterrizaje forzoso a propósito das comemorações do 26 de Julho, em Cuba, por Yoani Sanchez. O ano passado, por esta data, eu estava lá ...
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BibliOdyssey

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quarta-feira, julho 23

COMBUSTÍVEIS - SEGURAMENTE MAIS PESADOS

Hoje ainda é quarta-feira, 23 de Julho, mesmo no final, véspera de um período tradicional de férias. Salvo uma gasolineira que fez uma baixa simbólica dos preços dos combustíveis todas as outras arrastam os pés mantendo-os ao nível que resultou da escalada dos preços do crude nos mercados internacionais. Conheço razoavelmente, por formação académica, a lei da oferta e da procura, as regras dos mercados, a função dos reguladores, modelos de formação de preços, os conceitos de monopólio, oligopólio e por afora. Em tempos gerou-se, entre os consumidores, um movimento inorgânico de repulsa pelo aumento galopante do preço dos combustíveis.

O consumidor final em sentido geral – cidadão ou empresa – recebeu um forte incentivo à abstenção do consumo pelo efeito preço. É um princípio básico: o preço de um bem aumenta o consumo do mesmo retrai-se. No caso dos hidrocarbonetos – gasolina e gasóleo, para o que nos interessa considerar – o aumento do preço no consumidor final resulta do aumento do preço a montante.

Os produtores, e todos os intervenientes do processo de transformação e comercialização do crude, incluindo especuladores, aumentaram os preços, e as suas vantagens, o que se repercutiu no preço do produto final. O consumidor protesta porque precisa de continuar a consumir, e resiste a alocar a esse consumo uma quota mais elevada do seu rendimento disponível ou, no caso de ser empresa, luta por atenuar a erosão das suas margens. Pressupondo, claro está, que o consumidor quer continuar a consumir por inércia ou pura necessidade de assegurar, por sobrevivência, a continuidade do seu negócio. Não esqueçamos a intervenção do governo que criou, sob a forte pressão de um ou outro lobby organizado, distorções à lógica de mercado.

Onde eu quero chegar é, obviamente, ao movimento que se gera quando o preço cai no produtor como tem acontecido nas últimas seis semanas. Segundo todos os dados disponíveis o mercado, neste caso, deixa de servir para justificar a lógica de fixação dos preços ao consumidor final o que não deixa de ser um fenómeno espantoso. Porque razões, quando caiem os preços do crude no mercado internacional, não caiem os preços dos mesmíssimos produtos no consumidor final? E porque razões ninguém protesta?

As grandes gasolineiras inventam, neste caso, mil e um argumentos para não descer os preços torneando a lógica de mercado. Mas para os subir invocaram o mercado, ou seja, o aumento dos preços nos mercados internacionais do crude. A autoridade reguladora da concorrência está calada que nem um rato. O governo reza pela baixa por puras razões de macro economia: o consumidor que se abstenha de consumir ou que pague o preço da época da carestia. Os agentes económicos – ou parte deles - já foram satisfeitos pela intervenção do governo através de benefícios especiais (transportadores, por ex.) ou liberalização dos preços dos serviços cobrados aos clientes (táxis, por ex.). O que não se entende é onde está o funcionamento do mercado que parece nunca existir em benefício dos consumidores!
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NAIDE GOMES - 7,04

Gomes the star as Europe sweeps the jumps in Stockholm

Posso estar enganado mas não vi uma única imagem animada deste salto em comprimento de Naide Gomes que, com 7,04 metros, passa a ser recorde nacional e iguala a melhor marca mundial do ano. Pormenores!
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A DEMOCRACIA (?) ITALIANA

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terça-feira, julho 22

4000

Esta é a posta nº 4000. Não se trata de uma celebração mas de um número redondo. Este blogue vai a caminho dos cinco anos de vida, é construído à unha, não tem fins mercantis, (aliás nunca recebi um cêntimo pela minha actividade de escriba); sou amador assumido; um optimista da vontade. A principal razão da persistência deste blogue, além do prazer que me dá construí-lo, é, simplesmente, a comunicação: saber que do outro lado está alguém que nos escuta, uma espécie de nova família alargada, uma comunidade, com a qual se ensaia a partilha de um espaço público reinventado. Ter como certo que o futuro não espera por nós….

Aproveito para revelar alguns dos meus blogues de culto que não figuram na lista de favoritos da direita (salvo seja!), e ainda uma fotografia, revelando a minha face, contra os anónimos, marchar, marchar! …
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Bleue



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segunda-feira, julho 21

MADDIE

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O PECADO NA BRASILEIRA


Pelo menos no tempo de aulas, frequentando o Liceu e morando na Rua de Santo António, eu entrava na Brasileira quase todos os dias. Na descida no caminho de casa no tempo do calor – e o tempo do calor durava muito tempo – entrava na Brasileira, passava pelo balcão, tomava na mão um copo de água fresca dos que repousavam em cima de uma bandeja, bebia-a sofregamente e desandava. Lembro-me do ambiente como se fosse hoje: dos empregados, do patrão, do ar fresco do interior, pelo menos para mim, e do fascínio dos gelados que não eram para comer a toda a hora, nem sequer todos os dias, mas somente nos dias de festa. Foi na Brasileira que, pela primeira vez, de forma vibrante, senti um revés na minha formação católica. Após uma cerimónia na Sé – não sei se o crisma se a comunhão solene – transgredi com as regras que me haviam, dolorosamente, sido ensinadas. Escapei-me sozinho – não sei porquê – dirigi-me à Brasileira e não resisti: comi o gelado que não deveria ter comido e assumi o sentimento de culpa que guardei bem guardado. A verdade é que, no momento, me reconciliei com a vida terrena caindo numa das suas armadilhas.
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Ciganos lançam ultimato

Ferdinando Scianna

Este processo mistura todas as vicissitudes dos processos de realojamento (vindos dos anos 80/90), questiona os princípios clássicos da integração social (tão caros à esquerda) e faz emergir as questões da criminalidade e segurança pública (transversal a todos os estratos sociais). Começa a dar a imagem de uma questão mal enquadrada pelas autoridades que pode vir a criar um problema de proporções imprevisíveis. Espera-se que não tenha que ser o primeiro-ministro a lançar mão à resolução do problema que se não compadece com simplificações administrativas pois não é tolerável que qualquer parte do território nacional não seja livre de ser frequentado, e habitado, por qualquer cidadão seja qual for o seu estrato social, etnia ou estado de alma.
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"The Dark Knight"

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BERLIM


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sexta-feira, julho 18

MENEZES VOLTA A ATACAR

Luís Filipe Menezes, para quem não se lembre, o anterior líder do PSD, passou à táctica de guerrilha. Tendo abandonado a liderança do partido sob uma chuva de críticas, em forma de campanha organizada, que sempre denunciou, e volta a denunciar, Menezes anunciou retirar-se para a pacatez da gestão do município de Gaia mas, a partir de hoje, tornou claro que está pronto para o combate pela liderança do partido. Senão qual o sentido do parágrafo com que encerra o artigo publicado no DN?

Menezes irá flagelar a liderança de Manuela Ferreira Leite com críticas tanta mais duras e certeiras quanto o PS, e Sócrates, se mantiverem confortáveis nas sondagens, descendo devagar mas não o suficiente para que o PSD ameace, de forma credível, a sua maioria nas eleições legislativas. Menezes torna-se um aliado de Sócrates partilhando ambos, cada um à sua maneira, um velho, e brilhante, lema de António Gramsci: “O nosso pessimismo aumentou, mas permanece vivo e cheio de actualidade o nosso lema: pessimismo da inteligência, optimismo da vontade”. (L´Ordine Nuovo, 4 de Março de 1921).
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NELSON MANDELA



Pelo 90º aniversário de Nelson Mandela Sequência de fotografias de Ian Berry

1961. Nelson Mandela.
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Nelson MANDELA, soon to become President MANDELA, at the election night victory celebration in the Carlton Hotel in Johannesburg. Here he receives a hug from Mrs Chris HANNI, widow of ex MK leader Chris HANNI, assassinated before the election.1994. The MK is the military wing of the ANC.
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Nelson MANDELA and F.W. DE KLERK. 1994.
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quinta-feira, julho 17

SARAMAGO NA "CASA DOS BICOS"

Jean Gaumy – Lisbon. October 1990

Não sou um apreciador entusiasta da obra e da personalidade de José Saramago. Mas há algo de incompreensível e irracional na posição daqueles que disseram não à cedência da "Casa dos Bicos" à Fundação José Saramago. Os que se opuseram, não só pela palavra como pelo voto, foram Carmona Rodrigues (ex-presidente da CML, apoiado pelo PSD) e, mais significativo, o próprio PSD. É esta uma consequência prática da política preconizada por Manuela Ferreira Leite seguindo o lema “não há dinheiro para nada”.

A importância desta decisão da CML, para a cidade de Lisboa e para o país, é tão óbvia que entra pelos olhos dentro de qualquer cidadão normal. A "Casa dos Bicos" – goste-se ou não da sua arquitectura – associada à biblioteca de Saramago e às actividades que a Fundação, certamente, desenvolverá, tornar-se-á uma referência cultural da baixa de Lisboa e do país. O essencial do investimento da CML neste projecto é de natureza imaterial e tem um valor cultural muito apreciável. O resto é mesquinharia.
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quarta-feira, julho 16

INFLAÇÃO - BOM RESULTADO (RELATIVO) PARA PORTUGAL

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NEIL YOUNG (PELO MEU FILHO MANUEL)


Apareceu em palco com um blazer salpicado de tinta verde fluorescente e logo se percebeu que aquilo não ia ser, à semelhança de bob dylan, uma deprimente espécie de concerto de um gajo envelhecido... Ao contrário de bob dylan, que se revelou uma múmia cansada destas andanças e mt arrogante, neil young revelou td a sua juventude do alto dos seus 62 anos.

Interacção qb, muitos saltos e grandes guitarradas deixaram os fãs realizados... sem medo nem vergonha do seu estatuto de "dinossauro" aproveitou-se dele tanto para apresentar o seu mais recente álbum como também para tocar todos os clássicos em grande estilo... (faltando apenas o "Hey Hey, My My"o que nos deixou tristes...)!

Com imensos instrumentos em palco todos os membros da banda foram rodando nos instrumentos estando assim o concerto em constante mudança...mantendo sempre a energia do público. Os pontos altos foram sem duvida o "Rockin' in the Free World" que pôs td o público a cantar e, para mim, "The Needle and the Damage Done"...

Neil terminou o concerto, como se esperava, com um cover dos Beatles no qual foi completamente à loucura destruindo a sua guitarra...por fim abandonou o palco entre muitos aplausos para dar lugar a Ben Harper!

[Segunda posta do meu filho Manuel desta vez acerca do concerto de Lisboa de Neil Young! – este é um fenómeno interessante: o gosto das novas gerações cruza-se, muitas vezes, com o das mais velhas!]
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BISBILHOTICE

Eric Percher

O meu coração balança entre o fascínio d´O admirável mundo dos ‘chips’ e o velho mundo das pegadas e impressões digitais. A devassa da nossa vida íntima está à mão de qualquer aprendiz de feiticeiro. Quando me aproximo de um terminal multibanco já sei que estou a ser filmado; quando meto a chave à porta de casa idem; quando estabeleço uma comunicação telefónica, pela rede fixa ou móvel, quando envio uma mensagem electrónica ou acedo a um site, sei que posso estar a ser vigiado! Para não falar das bases de dados da administração fiscal, dos bancos e por aí fora … Já li, há muito, os livros que anteciparam o “big brother”. Uma brincadeira de crianças … Mas ainda pior que todos os dispositivos mecânicos disponíveis para o homem se vigiar a si próprio é o “chip” que o homem incorpora na sua natureza que dá pelo nome de bisbilhotice (uma saudação para o Matias Alves!).
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ILDA

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terça-feira, julho 15

MICHELLE BRITO

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BANCO DE PORTUGAL - REVISÃO EM BAIXA


Foi tornado público o Boletim Económico Verão 2008 do Banco de Portugal. Como seria de esperar uma revisão em baixa da previsão de crescimento da economia, em 2008, desta feita, para 1,2%. Deixo, de seguida, os dois primeiros parágrafos da Conclusão:

As actuais projecções apontam para um fraco crescimento da economia portuguesa em 2008 e 2009, contemplando desta forma a interrupção do processo de recuperação gradual da actividade económica verificado nos anos anteriores, o qual tinha sido caracterizado por uma evolução mais favorável das exportações a partir de 2006 e por uma expressiva aceleração do investimento em 2007.

Na segunda metade de 2007, ocorreram vários choques de origem externa, nomeadamente a eclosão de uma turbulência sem precedentes nos mercados financeiros internacionais, associada a uma rápida e significativa reavaliação do risco pelos investi dores. As indicações mais recentes apontam para uma maior persistência desta situação de turbulência face ao inicialmente esperado, afectando em especial a evolução dos mercados de exportação e as condições de financiamento dos agentes económicos. Ao mesmo tempo, verificou-se uma intensificação do aumento do preço do petróleo nos mercados internacionais, para níveis historicamente elevados em termos nominais e reais.
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Não resisto a anotar este curioso subtítulo na notícia da RTP (on-line) acerca da previsão da inflação em Portugal e na Zona Euro (é o serviço público no seu melhor!):

Taxa de inflação superior à da Zona Euro
O governador do Banco de Portugal disse aos deputados que o país conquistou competitividade externa nos últimos nove meses, porque tem uma taxa de inflação inferior à da Zona Euro. Temos tido uma inflação mais baixa do que a área euro, o que acontece pela primeira vez”, disse Constâncio. Uma inflação mais baixa que a da Europa a 15 traduz-se “por um ganho de competitividade externa”, explicou na comissão de Orçamento e Finanças. Portugal mantém o ritmo de crescimento de preços inferior aos seus parceiros do euro desde Setembro de 2007, acrescentou Constâncio.
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MAU SENTIMENTO

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segunda-feira, julho 14

CAMINHOS DA MEMÓRIA (II)

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UM CONCERTO MEMORÁVEL (VISTO PELO MEU FILHO MANUEL)


As expectativas eram altíssimas...e foram ainda assim excedidas! Quando ao fim de varias horas de espera começou a soar a sirene e se viu a carismática estrela vermelha a subir pelo palco acima...começou-se a pressentir o que se ia passar ali..."sangue, suor e lágrimas"!

E assim foi: Abriram com "Testify" que gerou o caos e a anarquia total por entre o publico, a ponto do próprio Zack ficar surpreendido com a loucura que se vivia. Com Tom Morello a fazer magia com a guitarra e Zack de la Rocha cheio de energia seguiram-se 70 minutos de constante e brutal mosh...Tive lá bem no meio da loucura até começar a ver uns quantos guerreiros a ficar K.O. e aí pareceu-me que tava na altura de recuar um pouco para o bem da minha saúde.

Todos fomos surpreendidos com o entoar da internacional socialista ... que mais uma vez revelou a constante presença da política nos RAGE, que faz deles não só uma banda intervencionista como também "a voz da revolução"!

Num concerto em que o moshe e a guerra foram praticamente constantes é difícil escolher o momento alto da noite...mas para mim, e para muitos outros, foi "Killing in the name"! No fim todos se arrastaram exaustos para casa para ir recuperar das costas, das pernas e dos vários hematomas...

[Texto do meu filho Manuel a propósito de um concerto memorável.]
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"ops!"

Saiu o número inaugural da revista “ops!” de iniciativa da Corrente de Opinião Socialista, ou seja, para falar claro, da corrente de opinião liderada por Manuel Alegre. Uma boa ideia por vários motivos: - o debate é preciso; - nada pior para os governos do que o amorfismo dos partidos que os apoiam; - nada pior para a política do que o unanimismo; – nada pior para a democracia política do que o silenciamento das discordâncias ou divergências.

Não é preciso concordar com todas as ideias que a revista veiculará para que concordemos com a sua criação. Esta é, por outro lado, uma revista digital o que representa uma não negligenciável inovação no panorama político nacional.

Alegre escreve a encerrar o seu curto editorial: “Todos somos responsáveis pelo nosso mundo e pelo nosso país. Chegou a hora de resistir ao condicionalismo e à colonização ideológica. A hora de sermos nós próprios e de propormos soluções que se baseiem nos valores e não nos interesses que confiscaram o Estado e minam a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas. Hora de resistir, debater e de assumir e divulgar a nossa opinião socialista.”

Todos podemos estar de acordo com ideias gerais mas seria muito útil que Manuel Alegre, em breve, esclarecesse o conceito de “condicionalismo e colonização ideológica” assim como indicasse quais os “interesses que confiscaram o Estado e minam a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas”. Para princípio de debate …
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D. ANTÓNIO FERREIRA GOMES

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sábado, julho 12

MEU POEMA


Meu poema é um silêncio aceso
que me alumia o caminho da fala
e se derrama na palavra escrita
à mão teclada ou manuscrita

Meu poema só existe quando escapa
ao exacto momento que o suscita
e nada mais tem para dizer
senão o que a própria mão lhe dita

15/3/2008

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora. Este é o último poema desta série que foi publicada no Caderno de Poesia.]
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sexta-feira, julho 11

JORGE DE SENA (HOMENAGENS)

Jorge de Sena

Em El descanso, Fidel Castro homenageando a sua amizade com García Marques, omite Saramago, no dia em que a Fundação Saramago homenageia Jorge de Sena. Do mal, o menos mas vá lá saber-se o que Sena seria capaz de pensar, e escrever, se fosse vivo, acerca desta homenagem. Aqui há uns anos atrás propus que fosse dado o nome de Jorge de Sena à nova sede do INATEL no Porto que assim ficou a chamar-se CASA JORGE DE SENA. Muitos se interrogaram, e interrogam, acerca da razão de ser de tal homenagem. Paciência! O ministro da cultura, ontem, comprometeu-se a diligenciar para trazer o espólio de Jorge de Sena para Portugal. Mas o que seria uma verdadeira homenagem a Jorge de Sena, e um acto de coragem, seria o Estado português reparar as injustiças que lhe fez e trazê-lo de volta a Portugal. Mas acerca disso ninguém fala. A Pátria continua a viver na penumbra de todos os medos!
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CAMINHOS DA MEMÓRIA

Pano de fundo do I Congresso do MES (Aula Magna da Cidade Universitária de Lisboa)

Hoje nos Caminhos da Memória: I Congresso do MES - algumas reflexões tardias
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O ESTADO DA NAÇÃO


Li, atentamente, o discurso que o primeiro-ministro proferiu hoje no Parlamento porque atribuo relevância ao debate político em geral e, em particular, quando se trava nos momentos em que os governos enfrentam crises graves. Para o que me havia de dar! Para falar, ou escrever, concordar ou criticar, é necessário conhecer minimamente as matérias sobre as quais se fala ou se escreve. Parece elementar, mas não é!

O discurso do primeiro-ministro está bem construído. Defende os aspectos centrais da política do governo, como seria de esperar, reconhece a crise mundial, com forte incidência nacional, que se pode sintetizar como “3º choque petrolífero”, é determinado e corajoso, quanto baste, e apresenta, de forma clara e perceptível para o comum dos cidadãos, medidas de natureza social que se resumem numa frase quase no final do discurso:

Não seria de esperar que o primeiro-ministro, num debate deste tipo, se arriscasse a tocar todas as matérias do arco da governação mas parece-me que ficou aquém das expectativas quanto, pelo menos, à abordagem das matérias da economia, com um desejável enfoque nas pequenas e médias empresas, assim como na reforma da justiça cuja “marcha lenta” condiciona, de forma brutal, o “ambiente envolvente” do desenvolvimento socioeconómico do país.

Mas o mais relevante na minha apreciação do “estado da nação”, certo que apreciei de forma positiva o discurso, é a distância entre as intenções anunciadas e a capacidade para as concretizar de forma adequada à realidade concreta da nossa sociedade.

O governo não se resume à figura do primeiro-ministro, nem as políticas dos governos se resumem a discursos e anúncios. Há uma miríade de dirigentes intermédios, a todos os níveis da administração, e uma multiplicidade de decisões e processos de trabalho, altamente exigentes, cuja qualidade de execução tem estado muito aquém das boas ideias, intenções e propostas do primeiro-ministro.

Um comandante determinado pode não ser suficiente para levar à vitória, ainda para mais numa conjuntura adversa, um exército pejado de oficiais incompetentes, que se comprazem em dar tiros nos pés ou se atropelam no afã de apresentar trabalho, assegurando lugares e prebendas, sem cuidar de administrar as políticas com a parcimónia, ousadia e eficácia que o “estado da nação” exige.

[Uma nota de rodapé para o novo líder do PSD em cujas inflexões discursivas se insinuam, sem desprimor, ecos da inconfundível e melíflua voz de Salazar.]
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quinta-feira, julho 10

A (IN) JUSTIÇA FISCAL

Miguel Rio Branco

A injustiça fiscal – que consiste numa administração fraca para com os fortes e forte para com os fracos – vai contribuir para o afundamento do governo socialista e da sua liderança. Pelo que conheço não há volta a dar! As iniquidades são mais do que muitas e flagrantes! A falta de sentido de justiça e a desproporcionalidade das sanções – na área fiscal – aplicadas a muitos milhares de cidadãos honestos e a empresas no limiar da sobrevivência – ou que já nem sequer existem – é, ao que parece, irreversível. O governo socialista assume-se, cada vez mais, nas questões que tocam a vida quotidiana dos cidadãos e das empresas, como uma espécie de produto “marca branca”. E em política, como em tudo, a perda de identidade, em particular nas questões de justiça, paga-se cara. A ver vamos como dizia o cego!
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GUERRILHEIRO SENTIMENTAL

Vi, de longe, Eurico de Figueiredo, um exilado, na verdadeira acepção da palavra e também da política contemporânea (como o compreendo!) numa visita a Cuba, faz agora um ano. Viajamos em grupos diferentes e não nos chegámos a falar. Encontrei-o mais tarde numa exposição de pintura e mostrou-me o seu desencanto com o que havia visto e sentido naquela viagem. No tempo de todos os desencantos é um bálsamo ser confrontado com este título: “Guerrilheiro Sentimental”. [A partir daqui.]

quarta-feira, julho 9

fazer tudo o que se exige a um homem fazer.


Não posso deixar mais tempo esta folha em branco por assinalar com um rabisco qualquer, o desejo de participar, estar presente, testemunhar, o medo da folha em branco, por esquecimento de nela assinar a palavra, uma palavra, qualquer palavra, o desejo de pertencer a um espaço, comunidade, lugar, escrever depressa, sem errar, sem entrar no trilho da escrita automática de que tenho ouvido falar e da qual às vezes sinto que passo mesmo a rasar, como agora, cansado, ao fim da noite, com a cabeça a tombar no teclado, num último estertor de energia, no fim do dia, cansado, como o meu pai se devia sentir cansado no fim do seu tempo, MANTENDO A VONTADE DE SE MOSTRAR DIGNO, RECOLHENDO-SE, REZANDO, REGRESSANDO AO TEMPO DAS ÁRVORES DE FRUTOS EM CUJA SOMBRA DESFRUTAVA DE TODO O TEMPO DO MUNDO, PARA PENSAR COMO FUGIR À MISÉRIA E CRIAR FAMÍLIA, QUE CRIOU, como tantos homens e mulheres do seu tempo que aprendi a admirar, DEIXANDO-ME A MIM QUASE PARA O FIM, como me sinto ligado a todas as tradições que os meus em mim depositaram sem saber e interrogo-me se serei capaz de legar a mesmo doce áurea de uma vida impoluta de fazer tudo o que se exige a um homem fazer. 8/7/2008

[Transcrito do Diário]
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O AUTOMÓVEL ELÉCTRICO

A construção do automóvel 100% eléctrico vai mesmo avançar. Em Portugal foi hoje formalmente apresentado o projecto da parceria Nissan-Renault, após a Dinamarca (o primeiro país da UE que entrou em recessão técnica) e Israel. Resta saber onde será construído o carro eléctrico: talvez em Marrocos (mais certo no Japão). Sócrates tenta colocar Portugal na linha da frente das soluções energéticas do futuro. Perguntará atónita a Dra. Manuela: haverá dinheiro para um investimento destes? E estudos custo/benefício? É um novo mundo que se abre à nossa frente e, sem prejuízo dos mesmos, há mais vida para além dos estudos!
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