domingo, fevereiro 19

Um dia - vai para muitos anos ...

A propósito de notícias recentes que colocaram nas primeiras páginas as memórias de Cavaco, reproduzo grande parte de um post antigo - de novembro de 2005:

Um dia – vai para muitos anos – estava a assistir a uma aula do dito cujo no meio da maior das contestações que é possível imaginar – devia ser de finanças públicas que era (e é) a sua única especialidade – ele explicava a coisa com base no exemplo da ilha onde a comunidade era reduzida a um humano, ou a um casal de humanos, já não me lembro muito bem.

Estávamos fartos, como os jovens estão sempre fartos de formalismos e trejeitos autoritários, se forem jovens normais, claro, quando o dito a propósito de uma reivindicação, certamente exagerada, como são todas as reivindicações dos jovens, disse uma mentira cuja já não me lembro qual foi.

O homem, naquele momento, revelou-se, a meus olhos e ouvidos, um mentiroso compulsivo, e apossou-se de mim um desassossego fulminante que deu no que deu, ou seja, numa refrega forte e feia que o fez vacilar e, dizem, cair desmaiado mas eu não vi, ou já não me lembro, pois me debatia nos braços de quem me susteve os ímpetos.

Quem estava presente e assistiu à cena, digna de um filme de acção, a preto e branco, género série B, sabe melhor do que eu descrevê-la, que já mo têm feito, mas eu não acredito em nada do que se passou, passa e passará, com o dito cujo desde a ocorrência do infausto acontecimento.

Fiquei em estado de amnésia intermitente face à criatura – que sofre do mesmo mal mas do ramo político – e fiquei possuído por uma descrença, em geral, acerca do saber dos professores e, ainda mais, dos métodos por eles utilizados. É um clássico na matéria mas, graças a Deus, há excepções.

Toda esta prédica é para dizer que me preocupa, ligeiramente, ter de me assumir como concidadão da mentira elevada à mais alta dignidade do estado.

A pobrezinha da Nação merece melhor, na mais alta magistratura, que mais não seja, alguém, do cuja verdade sempre se possa duvidar, mas que assuma a política pelos cornos, sem vergonha e com coragem, elevando-se ao nível do que ela é, a mais nobre arte de transformar o homem e o mundo.

Desculpai o desabafo. A bem da Nação. Aos 14 de Novembro de 2005.

segunda-feira, fevereiro 13

HUMBERTO DELGADO

13 de Fevereiro de 1965 – A minha homenagem à memória do General Humberto Delgado pelo 52º aniversário do seu assassinato.

sexta-feira, fevereiro 10

TEMPOS CINZENTOS

Escrever faz-me falta mas são demasiados os dias cheios de tarefas a que me obrigo estreitando a margem para o exercício da escrita. O tempo em que vivemos, ou a perceção dele, é cinzento (escuro)repleto de ameaças, as mais agrestes das quais são a mentira que esmaga a verdade e a tirania que ameaça a liberdade. Somos cada vez mais obrigados a desconfiar de tudo o que mexe à nossa volta e de todos os que se cruzam no nosso quotidiano. Instituições que ao longo de gerações foram pilares da confiança dos cidadãos na vida em comunidade deixaram de ser confiáveis. Acredito no futuro mas o exercício de acreditar tornou-se uma tarefa hercúlea. Anunciam-se tempos de guerra, assuma a forma que vier a assumir. Como diz o povo: temos que estar preparados para tudo!

quinta-feira, fevereiro 2

Um tempo novo

Criei este blog em 2003 e nele tenho colocado opinião que só a mim responsabiliza, imagens, música, uma imensidão de peças, mas nunca senti um tão intenso sentimento de insegurança e de medo pelo futuro. Adensam-se os sinais de guerra. Basta esta perceção para nos tentar a mudar o tom da intervenção que está ao alcance da nossa inteligência e sensibilidade. Para aqueles que toda a vida lutaram pela dignidade nas relações humanas, a todos os níveis, pela liberdade no sentido mais amplo, pela paz, tolerância e concórdia entre os povos e as nações, pela defesa da democracia, vive-se um tempo de dúvidas e incerteza, como nunca antes sentimos em nossas vidas. Não há outra atitude a tomar, face a todos os perigos deste tempo novo, se não a de nos mantermos firmes na defesa dos mesmos valores humanistas de sempre, sem vacilações nem desfalecimento.