quarta-feira, janeiro 21

Ideias para o futuro 3


No dia da abertura da BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa) é interessante recordar que Portugal, apesar da sua pequena dimensão territorial e demográfica, ocupou em 2002, o 17º lugar mundial (10º lugar europeu) acolhendo 11,6 milhões de turistas estrangeiros, sendo França, Espanha e Itália, por esta ordem, os países líderes mundiais.
As receitas geradas pelo turismo, em Portugal, no ano 2002, atingiram os 6.260 milhões de euros, tendo crescido 2,2 %, face a 2001, a que correspondeu, um decréscimo de 4,1 % no número de turistas estrangeiros que visitaram o país.
Todos sabem que Portugal não pode apostar indefinidamente no turismo de massas, mas na qualidade e na inovação, criando programas e projectos turísticos de excelência, que permitam disputar os mercados emergentes e os segmentos com maior poder de compra dos mercados tradicionais.
O reconhecimento desta realidade não obsta, no entanto, a que surjam tentativas de impor projectos "turísticos" que ameaçam os parques naturais como, por exemplo, o da costa vicentina, ou regiões, ainda relativamente "pouco desenvolvidas", como o sotavento algarvio.
Para assumir, com eficácia, o desafio do crescimento contínuo e sustentável da actividade turística Portugal deve adoptar políticas transparentes nas áreas do ambiente, ordenamento do território e transportes, assim como um novo enquadramento institucional, retirando o turismo da tutela do Ministério da Economia, através da criação de um Ministério autónomo ou integrando-o no Ministério do Equipamento que tutele, entre outras áreas, os transportes e o ordenamento do território (modelo francês).
Só esse caminho permitirá que os poderes, público, privado e associativo, nas próximas décadas, coordenem esforços e articulem políticas, assumindo o turismo como uma actividade estratégica, decisiva no processo de desenvolvimento económico do país, no contexto do aprofundamento dos processos de integração europeia e de globalização.






terça-feira, janeiro 20

Tradução


Ainda as traduções que são como os amores na observação ágil de JPP no abrupto que, no fundo, nos diz que a primeira tradução da obra que nos chega ao conhecimento é, para nós, a mais marcante. É capaz de ser assim mesmo. Diria que o problema é não sermos capazes de entender todas as línguas. É uma lástima esta incapacidade, esta saudável incapacidade, que me faz lembrar uma frase de Camus (mais uma vez) que dizia que "a imortalidade é uma ideia sem futuro". Não vale a pena querer abranger todo o conhecimento, ser capaz de tudo comparar, acerca de todos os acontecimentos emitir opinião fundamentada … mas talvez valha a pena tentar.
Para que o tema da tradução não fique sem ilustração aqui está o poema "Autobiographia Literaria" de Frank O´ Hara, publicado pela Editora "Assírio & Alvim", traduzido por José Alberto Oliveira:

Quando eu era criança
brincava sozinho
num canto do pátio
da escola.

Eu odiava bonecas e
odiava jogos, os animais
eram inamistosos e os pássaros
levantavam voo e fugiam.

Se alguém me procurava
escondia-me atrás de uma
árvore e gritava "Eu sou
um órfão".

E agora aqui estou, o
centro de toda a beleza!
escrevendo estes poemas!
quem diria!

segunda-feira, janeiro 19

POEMA DE EUGÉNIO DE ANDRADE


No dia do seu 81º aniversário



A JORGE DE SENA,
NO CHÃO DA CALIFÓRNIA

É por orgulho que já não sobes
as escadas? Terás adivinhado
que não gostei desse ajuste de contas
que foi a tua agonia?
É só por isso que não vieste
este verão bater-me à porta?
Não sabes já
que entre mim e ti
há só a noite e nunca haverá morte?

Não te faltou orgulho, eu sei;
orgulho de ergueres dia a dia
com mãos trementes
a vida à tua altura
-mas a outra face quem a suspeitou?
Quem amou em ti
o rapazito frágil, inseguro,
a irmã gentil que não tivemos?

Escreveste como o sangue canta:
de-ses-pe-ra-da-men-te.
e mostraste como não é fácil
neste país exíguo ser-se breve.
Talvez o tempo te faltasse
para pesar com mão feliz o ar
onde sobrou
um juvenil ardor até ao fim.

No que nos deixaste há de tudo,
desde o copo de água fresca
ao uivo de lobos acossados.
Há quem prefira ler-te os versos,
outros a prosa, alguns ainda
preferem o que sobre a liberdade
de ser homem
foste deixando por aí
em prosa ou verso, e tangível
brilha
onde antes parecia morta.

Às vezes orgulhavas-te
de ter, em vez de uma, duas pátrias;
pobre de ti: não tiveste nenhuma;
ou tiveste apenas essa
que te roía o coração
fiel às palavras da tribo.

Andaste por muito lado a ver se o mundo
era maior que tu - concluíste que não.
Tiveste mulher e filhos portuguesmente
repartidos pela terra,
e alguns amigos,
entre os quais me conto.
E se conta o vento.

Agosto, 1978









VÍCTOR CONSTÂNCIO - entrevista


A questão do envelhecimento da população tem sido abordada, no nosso país, de forma pontual, sem consequências práticas relevantes. Nem o discurso político nem os programas dos governos a consideram em todas as suas consequências. Vítor Constâncio, na entrevista hoje divulgada no Público, conseguiu ser bastante explícito: para combater o declínio da Europa é necessária a "disponibilidade dos países europeus para aceitarem mais imigrantes, implica que os europeus tenham de trabalhar mais anos do que hoje e supõe também um aumento da natalidade. As três coisas vão ser necessárias, se quisermos que a Europa não entre em declínio e tenha dificuldades crescentes para resolver os seus problemas sociais." Estas são questões estruturantes que exigem abordagens sérias e respostas determinadas de todas as forças sociais e políticas. Trata-se de uma questão nacional que deveria merecer um estudo integrado, multidisciplar e transversal que, a partir de um diagnóstico rigoroso, apontasse medidas a médio e longo prazo.

Cavafy-2


A minha referência a Constantino Cavafy suscitada pelo abrupto resultou do interesse pela obra do poeta que conheço, como leitor, na tradução de Jorge de Sena. Pelo que me têm dito alguns mais profundos conhecedores de Cavafy a melhor tradução será a de Marguerite Yourcenar e Constantion Dimaras na obra "Apresentação Crítica de Constantin Cavafy, seguida da tradução integral dos seus poemas" (Edições Gallimard, 1958). A minha apreciação acerca da qualidade das traduções em apreço não resulta, no entanto, de uma comparação mas da minha sensibilidade como leitor interessado. A obra de Cavafy merece, em qualquer caso, ser divulgada e se der origem a polémica tanto melhor. O mesmo se pode aplicar a Jorge de Sena ao qual pretendo continuar a dedicar bastante atenção e espaço. Uma das questões mais chocantes da nossa história, aliás, é o desprezo pelos grandes criadores - os fazedores de obra em todos os domínios - entre os quais se inclui Sena que, não esqueçamos, se exilou e, após a sua morte, ficou sepultado nos Estados Unidos.

domingo, janeiro 18

Turismo (mais uma vez)


Alguns inquéritos recentes revelam que os portugueses, em 2004, colocam a realização de viagens de lazer como primeira prioridade entre as suas expectativas de consumo. Surpreendente, ou talvez não, este indicador dá razão aqueles que, como nós, defendem a importância estratégica do turismo, e do lazer em geral, no desenvolvimento do país. Atente-se, entretanto, que esta é uma actividade recente, quer enquanto fenómeno social, quer cultural ou económico.
Foi em França, no ano de 1936, sob os auspícios do Governo da Frente Popular, logo seguida, no mesmo ano, pela Bélgica, que as "férias pagas" foram consagradas, sendo mesmo criado o Ministério dos Lazeres, resgatando para as políticas próprias dos regimes democráticos, o modelo de uma maior intervenção do Estado no domínio do que hoje entendemos ser o Lazer Social.
Após a segunda guerra mundial, este movimento foi precursor da democratização do Turismo, permitindo a milhares de trabalhadores e suas famílias descobrirem outros territórios, verificando-se uma autêntica transumância no mês de férias, materializando o que hoje conhecemos por "turismo de massas".
No entanto o apetrechamento do país para corresponder a este desafio coloca muitas questões que estão na ordem do dia sendo a mais relevante a do "desenvolvimento sustentável". O PR está preocupado com o tema e vai abordá-lo na Presidência Aberta, nos finais deste mês. Vamos tentar acompanhar essas preocupações, as questões que serão colocadas e as respostas do Governo e dos diversos parceiros, privados e públicos, com interesses nesta área de actividade.

sábado, janeiro 17

Cavafy


O abrupto publica um poema de Cavafy (poeta grego, nascido em Alexandria, no Egipto, a 17 de Abril de 1863; morreu em Atenas, em 1933). O que não entendi foi a necessidade de JPP justificar a publicação do original em grego. Aqui se publicam o mesmo poema na tradução (melhor no meu ponto de vista) de Jorge de Sena, a nota que o acompanha e o poema que se lhe segue:

O mar pela manhã


Deixem-me estar aqui. Que também eu contemple,
um pouco, a natureza - o mar, nesta manhã,
o céu azul sem nuvens, de um e de outro a luz
onde se alonga amarelada praia.

Deixem-me estar aqui. Que eu pense que isto vejo
(não é que o vi um instante, quando aqui parei?)
Tudo isto só - e não, também aqui, visões,
memórias, e os espectros do prazer antigo.

(1915)

Eis a nota de Jorge de Sena escreveu, a propósito deste poema, inserta na edição "90 e mais quatro poemas", Edições ASA:

"Este poema de 1915, que Cafavy fez preceder imediatamente o seu primeiro poema explicitamente erótico, é, por isso e pelo que diz, extremamente interessante, para lá da beleza excepcional que é a sua. O mar e as praias de Alexandria reaparecerão, indirectamente, noutro dos poemas pessoais, no fim da vida, o nº 153. Mas o importante é a declaração, que a obra confirma, de quanto a Natureza, em si, não interessa a Cavafy (logo as suas visões se interpõem); e também o modo como o poeta se refere às aventuras do seu passado, tratando-as de "espectros", pois que é precisamente da realidade que vai dar a esses espectros, que a sua poesia pessoal erótica se vai imediatamente construir."

Já agora o poema erótico a que se refere a nota:

À porta do café


Algo que ouvi junto de mim desviou-
-me a atenção para a porta do café.
E vi o corpo esplêndido que parecia
como se o próprio Eros o fizera com perícia extrema -
modelando-lhe com prazer a simetria dos membros,
erguendo ao alto a estátua do seu torso,
modelando o rosto dele com afecto,
e do toque deixando dos seus próprios dedos
um jeito na testa, nos olhos, e nos lábios.

(1915)


O discurso dos assassinos


Ouve-se e não dá para acreditar. O actual governo democrático de Israel adopta as práticas mais odiosas do fanatismo. Num contexto, é certo, em que o fanatismo surge de todos os lados. Mas Israel é uma democracia. Os governos democráticos que adoptam como programa a morte dos adversários (ou mesmo inimigos) não são dignos de apreço. Essas práticas são próprias das ditaduras. Ou eram? Hoje Mário Soares, no Expresso, a propósito da morte de Bobbio, refere que este grande pensador italiano, em 1987, preconizava "o aprofundamento democrático, no plano internacional, no pressuposto (que hoje se revela incerto) de que são as ditaduras que fazem as guerras e as democracias que asseguram a paz…" Os governantes democráticos que adoptam como programa a humilhação dos povos, incluindo o seu povo, não são dignos de apreço. O mesmo se pode dizer daqueles governos, e governantes, que praticam a suprema hipocrisia de fazer crer que defendem o interesse da comunidade e a paz, fazendo a guerra, e a prática do bem, fazendo o mal. Mas também como dizia um clássico: "É verdadeiramente real fazer o bem e ouvir dizer mal de nós". Se no Médio Oriente se está a viver uma situação de guerra que seja declarada a guerra. Em qualquer circunstância, concordo com Camus que, num texto de Novembro de 1948, dizia: "mais vale uma pessoa enganar-se, sem assassinar ninguém e permitindo que os outros falem, do que ter razão no meio do silêncio e pilhas de cadáveres."

Luther King


Vi há dias, na TV, um documentário extraordinário acerca da vida de Luther King. Nunca tinha visto as imagens, ao vivo, do seu último discurso, um dia antes de ser assassinado. Faz arrepiar. É um discurso de uma força arrasadora, ao mesmo tempo, um profundo grito de desespero e um desafio à justiça dos homens. As forças ultra conservadoras americanas (terão sido?) não lhe perdoaram a escolha da via pacífica na defesa dos direitos do homem e dos mais fracos. É interessante saber que figuras como Luther King possam ter existido e lutado por causas. Com as suas forças e fraquezas. É ainda mais interessante sentir a necessidade de afirmar isto mesmo. Quem, nos nossos dias, pode defender a causa da paz no Médio Oriente? Os "inimigos" de Israel são pura e simplesmente terroristas? Quem estimula o radicalismo e o fanatismo? Onde estão as forças moderadas e sensatas da sociedade israelita? Quem são os fortes e os fracos naquele conflito? Desde os inícios do século XX os portugueses nunca viveram uma guerra no seu território europeu. É, aparentemente, uma coisa boa mas retira-nos capacidade crítica para falar acerca dos assuntos da guerra e da paz de forma verdadeiramente séria. Que é feito dos comentaristas fardados, e à paisana, que surgiam todos os dias nas nossas TVs a comentar os acontecimentos da guerra do Iraque? Que é feito dos nossos jornalistas no terreno? Que é feito dos nossos GNRs? Ouve-se o silêncio...

sexta-feira, janeiro 16

Cruzamentos


O turing-machine revela que o quase clandestino absorto, que sou eu, tem revelado um interesse explícito pelos Cadernos de Camus. O abrupto , idem aspas. Acontece que o Absorto já se identifica pelas iniciais EG e já revelou ao abrupto, directamente, o seu interesse pelo tema do blogismo avant la lettre de Camus. Quando considerar que chegou ao fim esta fase experimental tudo se esclarecerá no que respeita à autoria do absorto. Quando o abrupto tomar a iniciativa prometida logo veremos qual o destino da ideia do JPP acerca do trabalho em torno dos Cadernos. A ideia é dele e muito interessante.

Imigração (de novo)


Somos um país de imigração, no presente e no futuro. Se há uma entidade que reconhece a importância desta questão é a Igreja Católica que a vai abordar, uma vez mais, no 4º Encontro de Apoio Social ao Imigrante A imigração não é uma questão de opção ideológica, de modelo económico ou de estratégia política. É uma realidade objectiva que resulta da evolução demográfica. O que não quer dizer que acerca desta realidade não se perfilem diversas opções ideológicas, económicas ou políticas. Os números são avassaladores. O estudo do Observatório da Imigração revela que, por ano, Portugal precisa de cerca de 200.000 imigrantes. È necessário sublinhar que se trata de um fluxo anual de cerca de 200.000 imigrantes...esta é, pois, uma questão dura que condiciona mesmo o futuro do país. O Eurostat aponta para Portugal uma estimativa, em Janeiro de 2004, de 10.840.000 habitantes, comparável com 10.408.000, em Janeiro de 2003. Observa-se um saldo demográfico positivo mas que se ficou a dever à imigração, ou seja, à relação entre o crescimento natural em 2003 (diferença entre o n.º de nascimento e o n.º de mortes) que foi de 0,9 p/ mil habitantes e a migração líquida (diferença entre o n.º de imigrantes e o n.º de emigrantes) que foi de 6,1 p/ mil habitantes.

quinta-feira, janeiro 15

Os Cadernos de Camus


A propósito das reflexões de JPP no abrupto acerca dos Cadernos de Camus (um blog avant la lettre) direi que sempre me interessou muito este tipo de literatura composta por um discurso fragmentado. A primeira referência escrita da minha leitura dos Cadernos de Camus data de 1968. Andava pelos meus 21 anos, mas essa leitura iniciou-se, certamente, antes dessa data. Tem algo a ver com o meu interesse, e participação directa, na actividade teatral. Na realidade aquele tipo de literatura está muito próxima do teatro e, em particular, de um certo tipo de cenas de teatro. Veja-se o teatro de Gil Vicente. Aliás Camus envolveu-se muito intensamente na actividade teatral, quer como dramaturgo, quer mesmo como "ajudante" de encenador das suas próprias peças. Lembra-me este tema uma outra leitura muito marcante para mim: "Roland Barthes por Roland Barthes". É sensivelmente o mesmo modelo de discurso fragmentado escrito como "uma espécie de gag, de pastiche de mim mesmo", como refere o autor e é, neste caso, uma obra muito mais recente e escrita num curto período de tempo, entre 6 de Agosto de 1973 e 3 de Setembro de 1974. Lembro-me de como apreciei também este livro mas os Cadernos de Camus são, no seu género, dificilmente igualáveis.

Alamal - Um projecto exemplar


A exposição da obra dos arquitectos Víctor Mestre e Sofia Aleixo na Ordem dos Arquitectos interessa-me muito pois integra, em lugar de destaque, o projecto da Pousada do Alamal, em Gavião, concelho do distrito de Portalegre.
O Centro Integrado de Lazer do Alamal foi inaugurado em 23 de Julho de 2001, como resultado de um protocolo celebrado entre o INATEL e a Câmara Municipal de Gavião.
Trata-se de um belíssimo equipamento de lazer, propriedade da Autarquia, sob gestão do INATEL, resultado da reabilitação da Quinta do Alamal, no qual se destaca a componente de alojamento, em parte, criada de raiz e, noutra parte, resultante da reabilitação de edifícios preexistentes num espaço que confina com o Tejo, frente ao Castelo de Belver.
Este projecto de arquitectura é um caso exemplar de integração de um conjunto de construções no meio envolvente fazendo conviver, de forma eficaz, a obra física com a natureza, respeitando o ambiente, sem abdicar do seu carácter utilitário destinado a ser usado pelo homem. Fui um entusiasta do modelo de parceria Autarquia/INATEL que permitiu que este projecto, que vale por si, se tornasse socialmente útil.
Gavião é, segundo dados de 2001, um dos 16 Concelhos mais envelhecidos do país, com mais de 400 idosos por 100 jovens.
Não estou seguro que o INATEL mantenha, no presente, a mesma filosofia de gestão deste tipo de equipamentos o que me merece uma observação atenta.
O projecto do Alamal é um caso exemplar de concretização de uma política de combate à desertificação do interior, criando emprego, gerando riqueza e alimentando a esperança de que seja possível tornar o nosso país mais justo, equilibrado e competitivo nos planos social e económico.


quarta-feira, janeiro 14

Um livro...simplesmente

A propósito da apresentação de um livro (a que ninguém atribui importância alguma) o Dr. Pedro Santana Lopes disse que não queria dizer nada acerca das presidenciais...neste semestre. O Primeiro Ministro disse que tinha aceite o convite, pois claro... o Dr. Portas disse que o país precisava de "autoridade e optimismo". Ouvi bem. Esta foi a única afirmação politicamente relevante. Dita com intencionalidade. "Autoridade", e não autoridade democrática, "optimismo" e não realismo. Não sei se alguém está verdadeiramente interessado, e tem capacidade, para questionar a deriva político/mediática do Dr. Pedro Santana Lopes e a sua ligação aos desígnios políticos futuros do Dr. Portas. Eles encarnam ambos o modelo dos políticos que nunca exercem, em pleno e a fundo, as funções para que foram eleitos mas que se mostram, sem subterfúgios, sempre interessados em saltar para "outro lugar". Não sei se estarei a ser injusto mas sei que o Dr. Jorge Sampaio, hoje Presidente da República, e antes Presidente da CM de Lisboa, nunca deixou transparecer, no exercício desta função, a aspiração ao exercício daquela outra. A função que lhe compete exercer, o Dr. Jorge Sampaio exerce-a, em cada momento, com determinação, honestidade e competência. Concorde-se, ou não, é um modelo de político que o país não pode dispensar. Esta questão do perfil pessoal e político do PR é uma questão de fundo. É cedo… É tarde… Por mais que se diga que ainda vêm longe as eleições presidenciais o Dr. Santana Lopes será a única hipótese de tornar o Dr. Portas maioritário…perceberam?