quarta-feira, setembro 30

CRISTIANO

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AINDA IREMOS A TEMPO?



Ontem, de forma surpreendente, diga-se o que se disser, surgiu, em todo o seu esplendor, um presidente confessadamente anti-socialista mesmo quando os actuais dirigentes socialistas são considerados de direita pelos que, por sua vez, se consideram verdadeiros socialistas. Complicado? A prédica presidencial de ontem surge como um fenómeno raro, paradoxal e estranho à prática do exercício da função presidencial, no nosso ordenamento constitucional, que sempre, sem excepção, foi fiel ao princípio de que candidato à Presidência, independentemente das suas simpatias partidárias, após eleito, nem que seja por um voto, se torna Presidente de Todos os Portugueses. É este princípio que, inclusive, tem absorvido o impacto potencialmente devastador das derivas presidencialistas emergentes no fim dos segundos mandatos de todos os presidentes. Mas, no caso presente, Cavaco ainda nem chegou ao fim do seu primeiro mandato. Dormindo sobre o tilintar das espadas, cenário que me foi sugerido pelo exercício oratório das 20 de ontem, fiquei sensível a argumentos de futurologia que nunca tinha tomado a sério: será que o Presidente já se decidiu pela sua não recandidatura? E liberto da necessidade de congregar apoios para um futuro combate eleitoral se prepara para desferir um golpe que, em termos simples, consiste em fazer tábua rasa da maioria relativa do PS, em favor da minoria absoluta da direita? Será possível uma interpretação presidencial dos resultados eleitorais que valorize as maiorias conforme a predilecção partidária do presidente? Custa-me a crer mas é tal o desconforto que detecto na maioria das mentes pensantes que escrevo o que porventura deveria silenciar por uma questão de decoro e responsabilidade cidadã. Espero que impere o bom senso! Ainda iremos a tempo?
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UM DIA DE SOMBRAS

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terça-feira, setembro 29

ESTE DIA

Novembro – 32 anos*

A inclinação mais natural do homem é a de se aniquilar e toda a gente com ele. Quantos esforços desmedidos para ser apenas normal! E quão maior é ainda o esforço para quem tenha ambições, de se dominar e de dominar o espírito. (…)

*Certamente escrito no dia do seu 32º aniversário. Albert Camus (7 de Novembro de 1945.)
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ENDOIDOU?

Cavaco Silva acabou de fazer um exercício suicida. Desceu do lugar da mais alta dignidade institucional da República, para o qual foi eleito, à mesa do café para transmitir as suas opiniões pessoais aos portugueses. Ao que vinha, na qualidade de Presidente, tudo ficou por esclarecer. Nunca tal se tinha visto! Com seus defeitos e virtudes nunca qualquer outro Presidente da República alguma vez desceu tão baixo. A partir de hoje, se ainda restassem dúvidas, Cavaco Silva deixou de ser o Presidente de todos os portugueses para se tornar no líder da oposição ao PS.
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AH! OS SUBMARINOS.


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PORTUGAL - ALEMANHA: NEGOCIAR !


























Douglas Prince

Fausse victoire de Merkel, vraie faillite du SPD

Alemanha – eleições no mesmo dia que em Portugal. Uma nota breve para evidenciar as semelhanças e as diferenças. A CDU de Merkel obteve o 2º pior resultado eleitoral da sua história; o SPD o pior resultado desde a sua criação (em 1948). Na Alemanha, como em Portugal, os extremos subiram e minguou o centro, no sentido lato. Na Alemanha a coligação de governo, com uma CDU mais fraca, desloca-se para a direita, com a subida dos Liberais que acedem ao governo, substituindo o SPD. O futuro programa de governo deverá entrar em contramão com as orientações do G20. Como baixar impostos e, ao mesmo tempo, combater o deficit? Em Portugal a diferença de fundo está em que o PS, ao contrário do SPD alemão, governando sozinho e, apesar de perder a maioria absoluta, ganhou as eleições e vai formar governo, ao que tudo indica, minoritário. O PS, nas eleições portuguesas, saiu-se melhor que a CDU de Merkel e muito melhor que o SPD. Hoje o PS, em Portugal, enfrenta os desafios de um partido de poder, longe dos dramas de um partido de oposição, o que vai ocorrer com o PSD. No próximo futuro, a governabilidade e estabilidade política, dependem, acima de tudo, da capacidade de negociação do PS. E como estão enganados aqueles que pensam, e afirmam, que Sócrates não é capaz de ser um excelente negociador! Estou convencido exactamente do contrário!
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segunda-feira, setembro 28

QUE FAZER?



O PS ganhou as eleições. Parece um facto banal mas não é. Primeiro porque é difícil ganhar. É sempre difícil ganhar em provas públicas. Ganhar a aprovação dos cidadãos mesmo quando os cidadãos sentem que não podem ganhar tudo o que desejariam com o governo a que dão o seu aval. O PS ganhou. Na democracia é assim. Ganha quem tem mais votos. E devo sublinhar, pois essa é a minha convicção, que ganhou o líder do PS, José Sócrates. Uma prova difícil. Todos o dizem, ou talvez não. Mas os líderes políticos geram dinâmicas perversas, animosidades, ódios e paixões. Todos sem excepção mesmo aqueles que não chegam à chefia dos governos. Ainda mais quando acedem à sua liderança. Podem aparentar um espírito de bonomia ou de crispação, seja como for, decidir é um risco, desagrada a uns quanto pode agradar a outros. O que se passou nestas eleições deve-se muito à resistência de um líder que foi sujeito, e continuará a sê-lo, a pressões inimagináveis para que quebrasse e se perdesse ou se deixasse perder. Resistiu e venceu. Mas para que a realidade desta vitória se não deixe destroçar pela sua aparência precisa de ir além do seu próprio partido. O PS e o seu líder não podem mais, nos próximos tempos, deixar de suscitar um verdadeiro debate que promova uma reinvenção da esquerda. Não que tal fenómeno seja a panaceia para todos os males. Nem que se deseje por mero efeito de imitação do que se passa noutros países. Mas porque, a meu ver, é um dos ensinamentos destas eleições. O outro ensinamento é que o povo não quer, pelo menos por uns tempos, maiorias absolutas, muito menos poderes absolutos. Não quer o que quer que seja absoluto. O taxista de ontem pediu-me que lhe explicasse o que era uma maioria absoluta. Tendo compreendido a sumária explicação concluiu: pois sim, tudo é possível, mas sem maioria absoluta. Sócrates, o vencedor destas eleições, precisa, pois, para que a vitória a curto prazo não se transforme numa derrota a prazo médio, de escolher um caminho que lhe permita governar com uma maioria relativa. É difícil ganhar e ainda mais difícil governar, negociando e estabelecendo acordos, sem ficar prisioneiro das agendas populistas à esquerda e à direita (no caso, do BE e do PP). Entramos numa nova fase da nossa vida democrática. Será possível cerzir, de forma paciente, as alianças políticas que o povo, através do voto, parece ter exigido? À esquerda? À direita? Ao centro? Tudo depende do tempo, do modo e da vontade dos interlocutores. O pivô é Sócrates. Quem não entrar no jogo perde. E desde logo o Presidente da República.
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ELEIÇÕES LEGISLATIVAS

Primeiro Comentário - In Jumento e SIMPLEX
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domingo, setembro 27

O VOTO


Já votei, já votamos. Sendo assim posso dizer que votei, em todas as eleições nas quais foi possível votar, desde 1965. É não só um dever mas, muito para além do dever, um prazer. Na minha mesa de voto deparei-me com um grande fila a que já não estava habituado. Muita gente por todo o lado. Pude concluir, de forma empírica, que a abstenção deverá baixar em relação às últimas legislativas. A participação eleitoral, segundo os dados das 12 horas, deverá ser superior nestas legislativas face às anteriores. O ambiente social era pacato, convivial, o que mais me convence que a nossa democracia amadureceu. Sejam quais forem os resultados, grande democracia a nossa! Apesar dos velhos do Restelo!
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O PS VAI GANHAR - MAIS TARDE FALAMOS.
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sexta-feira, setembro 25

SONDAGENS (QUADRO FINAL)


Todos sabemos que as sondagens não votam. Mas existem. Encorajam uns e desencorajam outros. Criam expectativas e conformam decisões. Não vale a pena esconjurá-las quando os seus resultados nos são desfavoráveis, nem endeusá-las quando nos favorecem. Valem o que valem. E quer-me parecer que valem bastante. É este o quadro síntese das mais recentes sondagens realizadas a propósito das eleições legislativas de domingo. E este um dos mais importantes espaços de reflexão acerca das mesmas. Para mais tarde comparar.
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REFLEXÕES FINAIS (II)


As imagens criadas pelo autor João Coisas apenas poderão ser utilizadas em blogues sem objectivo comercial, e desde que citada a respectiva origem.

As sondagens apontam para um bom resultado eleitoral do PS nas legislativas de domingo [Quadro final no Margens de Erro]. Coloco no campo improvável das surpresas absolutas a hipótese de qualquer partido alcançar a maioria absoluta. Com todas as reservas – sondagens são sondagens - o que é, para mim, um bom resultado eleitoral para um PS vencedor? É obter um número de deputados superior ao somatório dos deputados do PSD e do PP. Neste cenário um governo minoritário do PS correrá menos riscos pois só poderá ser derrotado pela convergência dos votos dos deputados da direita (PSD+PP) com os votos dos deputados do BE e/ou do PCP. Por razões de governabilidade, ou seja, de estabilidade política, é desejável, hoje mais do que nunca, que o PS obtenha uma vitória eleitoral por uma diferença confortável. Por isso voto PS!
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REFLEXÕES FINAIS (I)


A direita clama contra a censura que põe nos outros para esconder a sua vernácula vocação censória. É um velho e conhecido truque que, quase sempre, resulta nos momentos de desencanto. Se ascenderem ao poder os “impolutos”, e impunes, herdeiros do Miguelismo contemporâneo, acharão crime em tudo mesmo no que, para honrar os princípios da honra republicana, tenham feito os seus adversários para defender a liberdade e, por consequência, os defender também a eles. Cuidemos, pois, de prevenir esse risco votando no Partido Socialista.
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quinta-feira, setembro 24

O ANÚNCIO DA VISITA DO PAPA

A história é simples de contar. A Presidência da República anunciou hoje a visita a Portugal, no próximo ano, do Papa. Fê-lo no site oficial da Presidência da República. Pouco depois foi possível verificar o incómodo da Igreja Católica Portuguesa por não ter tido oportunidade de se associar ao anúncio daquela visita. A Conferência Episcopal Portuguesa divulgou uma notícia que mostra todo o seu desconforto e que culmina assim:

Interessante aquela expressão aludindo às eleições e às confidências que “passam por muitas pessoas”. A Presidência da República parece, na verdade, perturbada, neste período eleitoral, pelo menos na área da comunicação.
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"Já não há empate técnico."



Apresenta-se AQUI o quadro actualizado das últimas sondagens respeitantes às eleições legislativas de domingo. O responsável da INTERCAMPUS, que divulgará hoje uma sondagem realizada para a TVI/RCP, levanta uma ponta do véu: “Já não há empate técnico”.
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TRÊS LEITURAS


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SONDAGENS DERRADEIRAS (I)


[Vamos aguardar os resultados das restantes sondagens tomando em consideração a curiosidade de ter sido uma sondagem da Marktest a única que acertou nos resultados das eleições europeias.]
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