segunda-feira, agosto 21

O anúncio do calor

Calor abrasador. Quando sinto este bafo quente na rua, em lisboa, sei que ardem os campos de arvoredo por esse país fora. Além do desastre da destruição da natureza, seja qual for a sua estrutura física, os incêndios florestais põem a nu a pobreza que a longura dos campos, por vezes tão perto das cidades, em vão dá a ilusão de esconder. O desastre situa-se de ambos os lados da barricada, tal como nas guerras, pois um incêndio, afinal, não é mais do que uma batalha perdida de que sobram os escombros que o tempo removerá. Que me lembre nunca vi um incêndio florestal a não ser ao longe como no outro dia pelos lados de Canal Caveira visto da autoestrada do sul. Nem todos podemos ter acesso direto ao inferno na terra, nem sequer a encarar o diabo feito labareda vociferante. Como já tem sido dito, e escrito, por quem sabe o país paga, com regular falta de parcimónia, o preço pelo desprezo a que vota o tempo e pela gula endeusada do sucesso (lucro) imediato. Haja saúde!

quinta-feira, agosto 17

Verão Quente

Verão quente! Onde já ouvi esta frase? O mundo mediterrânico arde como se fosse uma terra maldita, em desertificação, abandonada pelo seu povo, ressequida, em boa parte a caminho de ser deserto. Incluindo o sul de Portugal. Alguns falam em terrorismo. Não creio. As mortes dramatizam. Mas os incêndios são recorrentes nestas regiões. Desde que escrevo nas redes sociais com regularidade, pelos finais de 2003, já escrevi inúmeras vezes acerca de incêndios florestais. Não conheço o suficiente do assunto para pronunciamentos de saber feito. Creio somente, por intuição, que a raiz da irrupção dos incêndios está na conjugação da seca com a desertificação humana. Como combater o fenómeno? Invertendo o ciclo da seca e da desertificação. Ocupar humanamente o território e irrigá-lo. Tudo são ideias que levam a politicas consideradas impossíveis ou mesmo utópicas. Esta arreigada descrença em mudanças profundas, assumidas coletivamente, assentes em politicas que valorizem modelos de organização coletiva (não coletivistas), é o travão a qualquer verdadeira mudança. Verão quente! Numa das suas primeiras obras, de juventude, Camus escreveu no capítulo “As amendoeiras”, de Núpcias, o Verão: (…) A primeira coisa é não desesperar. Não prestemos ouvidos demasiadamente àqueles que gritam, anunciando o fim do mundo. As civilizações não morrem assim tão facilmente; e mesmo que o mundo estivesse a ponto de vir abaixo, isso só ocorreria depois de ruírem outros. É bem verdade que vivemos numa época trágica. Contudo, muita gente, confunde o trágico com o desespero. “O trágico”, dizia Lawrence, “deveria ser uma espécie de grande pontapé dado na infelicidade”

terça-feira, agosto 8

Férias...

De regresso de umas curtas férias na terra, no meu caso no Algarve, quase retemperado de longos meses de trabalho extenuantes e pejados de dificuldades. Nas organizações são as pessoas o mais importante ativo mesmo que se anuncie, reiteradamente, o discurso do fim trabalho feito diretamente pelo homem. O tempo não tem parança. Nem a energia é inesgotável. As convicções autenticas não morrem. A vontade de participar não esmorece. O verão continua, as férias serão repartidas, imprevisíveis, tal como a vida em sociedade. Continuar a trabalhar, alongar o tempo todo o tempo.