terça-feira, maio 12

CONFINAMENTO

O confinamento, ou seja, uma espécie de reclusão em casa umas largas semanas, o trabalho a partir de casa, teletrabalho, tarefas domésticas associadas a esta realidade, correspondente redução drástica de saídas, uma mistura explosiva para a maioria, não tanto para mim. Desde há bastante tempo (dois anos e, mais fortemente, na segunda metade de 2019), que a minha vida social sofreu uma fortíssima redução, nos limites da reclusão. Uma doença grave de familiar próximo levou-me a dedicar todas as minhas energias, e dedicação, ao trabalho e ao desempenho de uma fórmula de cuidador informal.Tempos de profunda dor compensada pela solidariedade familiar e de uma profunda fé no futuro e nas virtudes da luta por uma vida feliz. assim antecipei as agruras dos tempos de confinamento e me habituei a ele. Como será o próximo futuro? Ninguém sabe ao certo.

terça-feira, abril 28

ANIVERSÁRIO

Tal como antes já se terá dito vezes sem conta nunca esperei chegar a esta idade. Tudo e nada, o previsível e o improvável, gente, paisagem, cor, impulso ardente, desgosto, vida e morte. Um tempo vivido em boa parte nos gloriosos anos do pós guerra (2ª), anos de paz e prosperidade relativa, atravessando revoltas e revoluções, e delas participando, uma raridade, inestimável privilégio, um mundo de emoções e sonhos de mudança. Presiguemos.

sábado, abril 18

QUE VIVA O 25 DE ABRIL!

Vai correndo por aí uma polémica séria acerca da celebração do 25 de abril com uma cerimónia da AR. Socorrendo-se da pandemia, e do medo que ela suscita, saudosistas do passado, dos tempos da "outra senhora", adeptos confessos, ou envergonhados, da tirania manifestam-se contra a celebração do dia da liberdade. Como sempre em épocas de crises agudas mesmo alguns democratas deslizam suavemente para o manto onde se acoitam os amantes da tirania. É um clássico. São os que dispõem daquela peculiar vocação de cheirar os ares do tempo buscando beneficiar do que julgam vir a ser um novo regime politico ou, no mínimo, um novo governo inclinado para a extrema direita. Ora ao que venho é para afirmar que as datas simbólicas que afirmam os valores da liberdade e da democracia (além de outras em que incluo as religiosas) têm que ser celebradas nos espaços próprios, no caso do 25 de abril, na AR. E assim será, sabendo-se que se está a tentar resgar um pacto que tem perdurado desde o 25 de abril no qual todas as forças politicas convergiam em torno da defesa da liberdade. Os próximos tempos serão de duras lutas, novamente, para assegurar que os seus detratores, e inimigos, serão derrotados. Que viva o 25 de abril!

quarta-feira, março 25

Superavite

No epicentro de uma crise sanitária sem precedentes que provocará um terramoto económico de consequências imprevisíveis o INE anunciou hoje um superavit nas contas do estado. É a primeira vez, em democracia, que tal acontece. No presente contexto este resultado é submerso pela crise atual mas não deixa de corresponder à realidade. Trata-se de um acontecimento da máxima importância em si mesmo pelo que contribui para a credibilidade do país no contexto internacional e pelo contributo para atenuar as consequências económicas e financeira da presente crise sanitária global. Ganhamos todos com este resultado e, seja qual for o destino que lhe esteja reservado, coloca Mário Centeno (e o governo socialista), na história por este cometimento ainda para mais de autoria de um governo de centro esquerda.

sábado, março 21

Dia Mundial da Poesia

Os dias evocativos valem o que valem. Foi em 2004 a primeira vez que publiquei neste blog um poema evocando o Dia Mundial da Poesia. Escolhi um poema que muito me marcou aquando da leitura inicial da obra poética de Jorge de Sena. Republico.

UMA PEQUENINA LUZ

Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una piccola ... em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a adivinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indefectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não iluminam também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui.
no meio de nós.
Brilha.

1950

Jorge de Sena
In Fidelidade (1958)

domingo, março 15

Anti vírus

Ao contrário da maioria dos países Portugal tem somente uma fronteira terrestre sendo a outra o Atlântico. Somos o país mais a ocidente, com as ilhas, sem conflitos fronteiriços. Tudo que respeita às fronteiras tem que ser negociado para manter a paz e o relacionamento de parceiros com a Espanha e com os aliados atlânticos. Somos apesar da dimensão uma potência marítima e, em nenhum caso, devemos tomar medidas unilaterais nem face a Espanha, nem a Inglaterra nem aos USA. O governo seja qual for não toma decisões sem ponderar todas as consequências. Deixem para o Trump a loucura de todos os possíveis sem olhar aos outros que será por aí que vai morrer politicamente.