sexta-feira, agosto 23

Tempo

No que respeita ao essencial de minhas preocupações nada mudou, de essencial, nos últimos tempos. A vida é mais importante que tudo o mais tornado as férias uma minudência. Haja esperança!

domingo, agosto 11

Domingo, de novo

De novo domingo de agosto, hoje com temperatura moderada e sol, veja-se bem, na véspera de uma greve de motoristas que ameaçam o abastecimento de combustíveis fósseis. Admirável, nas antípodas, a crónica de Tolentino Mendonça, no Expresso, acerca da vida... que é o meu tema de preocupação nos últimos tempos.

domingo, agosto 4

Domingo

Domingo de verão, um estranho verão.Início de semana. Como o dia a dia, semana a semana, ganha uma espessura especial com o sofrimento dos mais próximos que amamos. É preciso, como em tudo nas andanças da vida, resistir.

domingo, julho 28

Sinal de vida

Ao contrário de todas as aparências e evidências não abandonei este velho blogue à sua sorte. A data do último post coincide com acontecimentos da minha vida pessoal e familiar que me diminuíram a disponibilidade para escrever - salvo na esfera profissional. Nada mais senão isso. Aqui volto para dar sinal de vida e confirmar que vamos continuar por aqui.

sábado, junho 8

Humberto Delgado - pelo 61º aniversário das presidenciais de 1958



Pelo 61º aniversário do dia das Presidenciais de 1958. Crónica breve de uma visita ao Café Aliança na minha cidade de Faro a propósito da passagem pelo Algarve de Humberto Delgado em campanha eleitoral.

Visitei um dia destes o Café Aliança, na minha cidade de Faro, acompanhado pelo meu filho. Aproximei-me das mesas dos “habitués” e meti conversa:

“Eu vi-o entrar por aquela porta, isto estava cheio de Pides"; “Eu vi duas fotografias dele, uma naquela porta e outra aqui no café!”; “Eu estava, à época, em Olhão e vi a loucura que foi a sua recepção pelo povo!” As fotografias, até hoje, não apareceram mas isso pouco importa.

Foi no dia 3 de Junho de 1958, ao fim da tarde, que Humberto Delgado chegou a Faro: “Ao cair do dia, em Faro, esperava-o uma invulgar concentração de agentes da PIDE, por toda a cidade e no hotel onde ficou hospedado.” “ – Tive de me refrear para não me atirar a eles”, confessou. “O Café Aliança serviu de palco improvisado, numa grande barafunda de populares amontoados à entrada, a revezarem-se para ouvir e ver o candidato presidencial”.

No dia seguinte (4 de Junho) Humberto Delgado rumou a Portimão, visita que o seu neto descreve a traços largos e da qual destaco um detalhe:

“À porta do cemitério, também sobressaiu em arroubos de euforia uma operária conserveira, de seu nome Maria da Conceição Ramos Matias, que utilizou nesse dia as suas moedas de poupança para oferecer flores ao general. Gritou-lhe palavras de ordem de sabor comunista e, rebentando de emoção, impôs o seu desejo de lhe cantar sozinha o Hino nacional, até que, por estar tanto calor, lhe desmaiou nos braços.”

De regresso a Faro é assinalado um almoço tardio e a arrancada para visitar Olhão. Lembro-me da aglomeração de povo à beira dos passeios nas ruas de Faro, acontecimento absolutamente inédito, só comparável com a passagem de algumas procissões e, muito mais tarde, em 1966, aquando da chegada a Faro do bispo Júlio Tavares Rebimbas.

Ninguém sabia ao certo, nem os percursos, nem os horários do General em campanha, mas o meu pai encontrou o caminho, e o momento certo, para se integrar na comitiva que percorreu os nove quilómetros ente Faro e Olhão, que eu acompanhei, ainda criança, certamente, a bordo do Ford Prefect (LH-14-11) familiar. Lembro-me ainda de ter andado na rua, pela mão de meu pai, assistindo à calorosa recepção do povo de Olhão ao General.

Que estranho influxo de coragem atravessou o coração das gentes para que ousassem mostrar, publicamente, a sua dissidência, desafiando um regime político temido pela repressão que exercia sobre os seus opositores? Nesse mesmo dia, 4 de Junho de 1958, a comitiva seguiu para Tavira, Vila Real de Santo António, subindo depois na direcção de Beja cidade na qual a campanha havia de terminar, em apoteose.



sexta-feira, junho 7

6 de junho 1944

Pelos 75 anos do dia d, o.desembarque dos aliados na Normandia, no qual morreram mais de 120000, chove em Lisboa. O nazi fascismo foi vencido pela força das armas. Nunca esquecer suas vítimas e heróis anónimos de todas as raças, credos e nacionalidades. Viva a liberdade!

sábado, maio 25

VOTAR SEMPRE

Tenho escrito sempre na véspera de eleições desde que frequento estes espaços de comunicação - vulgo redes sociais - por dever de consciência. Faço parte daquele grupo de eleitores, que os especialistas na matéria devem qualificar de uma forma qualquer, fiéis a um ideário.

Nada que me incomode ou associe, de mim para comigo, a um qualquer imobilismo ou letargia acrítica. A propósito destas eleições europeias e de outras tenho-me lembrado, com frequência, da experiência de candidato, independente nas listas do PS, às eleições legislativas de 1985.

Ainda no decurso de um período de dura politica de austeridade, dirigida por um governo PS, nas vésperas da adesão à CEE, ser candidato foi mais do que uma maçada, foi um risco físico, à beira de apanhar pancada vinda de enfurecidos cidadãos que anunciavam a pior votação de sempre no PS. É como em tudo na vida, umas vezes em baixo outras em cima.

Para dizer que desde que o distinto MES acabou para as lides eleitorais, em presidenciais, legislativas e europeias, sempre votei no PS. Assim seja!

quinta-feira, maio 9

Não omito nada do meu gostar

Não omito nada do meu gostar


nem o sobressalto de descobrir um dia


que não queria nada do que quis.


Ofereço o tempo futuro todo


à descoberta da arte de transformar


amando o desconhecido ou quase que é


afinal o que é amar.



In Primeiros Poemas, dez 2007.


(No dia do Aniversário de minha mulher Guida.)