segunda-feira, janeiro 5

Guerra

Nas vésperas de uma guerra mundial desde há muito anunciada. A primeira ministra dinamarquesa diz que um ataque dos USA para anexar a Gronelândia será "o fim de tudo". Dá para perceber? Será que há margem para negociar?

domingo, janeiro 4

Camus - pelo aniversário da sua morte

Camus trabalhou assiduamente em O Primeiro Homem durante todo o ano de 1959. Em Novembro foi para Lourmarin para aí permanecer ate à passagem do ano; depois, em Paris, queria ficar com um teatro próprio e considerou também a hipótese de desempenhar o papel principal masculino no filme Moderato Cantabile baseado no conto de Marguerite Duras. O Natal passou-o com a família na casa da Provença e a família Gallimard passou com eles a festa do Ano Novo. A 2 de Janeiro a mulher de Camus teve de regressar a Paris com as crianças por causa do recomeço das aulas. Os Gallimard propuseram a Camus regressar de carro com eles no dia seguinte. Queriam ir calmamente e aproveitar para comer bem, pelo que previram dois dias para o regresso. A 4 de Janeiro o grupo em viagem almoçou em Sens, a cerca de cem quilómetros de Paris. Depois prosseguiram viagem pela estrada nacional, passando por uma série de pequenas aldeias. Próximo de Villeblevin, o carro derrapou sem razão aparente e chocou frontalmente contra uma árvore. À excepção de Camus, que ia sentado ao lado do condutor, foram todos cuspidos do carro: Michel Gallimard ficou gravemente ferido e foi levado para o hospital com a mulher e a filha que não mostravam ferimentos visíveis. Morreu poucos dias depois. Camus fracturou o crânio e a coluna vertebral. Foi um tipo de morte violenta com que já tinha sonhado, uma morte, como Camus escrevera em 1951 nos Carnets, … em que se nos desculpem os gritos contra a dilaceração da alma. A isso contrapõe um fim longo e constantemente lúcido para que ao menos não se dissesse que eu fora colhido de surpresa. O corpo de Camus foi depositado em câmara-ardente no salão da Câmara de Villeblevin e na manhã seguinte transladado para Lourmarin. Dois dias após o acidente realizou-se o funeral. Na frente do cortejo funerário iam Francine Camus, o irmão de Camus e René Char. Não levaram o caixão para a igreja, mas directamente para o cemitério que ficava a alguma distância, frente à casa de Camus. Aí tem Camus a sua campa entre as dos aldeões, de igual tamanho e com uma simples pedra.” In Camus, de Brigitte Sändig Circulo de Leitores

sábado, janeiro 3

quinta-feira, janeiro 1

Presidenciais

Só três candidadtos presidenciais podem aspirar a vencer: Gouveia e Melo, Marques Mendes e A. J. Seguro. Seguro vencerá se os candidatos apoiados pelos partidos de esquerda desistirem ou, melhor para todos, se os eleitores deles desistirem.

segunda-feira, dezembro 29

Conselho de quê?

É no minimo estranho, senão reprovável, a realização de reunião do Conselho de Estado nas vésperas de eleições presidenciais. Seja qual for a agenda o simples facto de 2 dos seus membros serem candidadtos presidenciais bastaria para Marcelo ficar quieto. Temos que estar preparados para tudo...

sábado, dezembro 27

Guerra

A guerra da Ucrânia é uma guerra da rapina através da qual as potências (Rússia e USA aliadas) lutam pelo domínio de territórios e suas riquezas. No meio os pobres morrem na guerra como sempre acontece em todas as guerras. A guerra acabará quando aquela aliança se desfizer pela queda de um dos ditadores... ou dos dois...

quinta-feira, dezembro 25

Ninguém parou

"Ninguém parou. Quatro meses após um vídeo viral de agressão a uma mulher perante o filho, o processo foi suspenso e o agressor libertado. Este é o tema do Além dos Títulos, onde se questiona como o sistema permite que uma vítima desacompanhada juridicamente, sob pressão, apague a indignação coletiva com uma assinatura". Magnifico e corajoso texto de João Massano, bastonário da ordem dos advogados, acerca de um crime de violência doméstica. A mensagem que passa é a de que a justiça funcionou, rápida em todas as instâncias, como se reclama, mas se a vitima perdoar e o criminoso se arrepender, sem mais, o crime passa de público a privado,, com uma criança de 9 anos pelo meio, regressando-se ao velho provérbio, "entre homem e mulher não metas a colher" ...

quarta-feira, dezembro 24

Sena - um episódio

Vim para o algarve neste natal como é costume o equivalente a vir para a terra nesta caso Faro igual a si própria e antes de embarcar fui à estante e tirei um livro ao acaso saiu o "Diários" de Jorge de Sena que de Sena tenho muitos e para surpresa minha vejo-o muito sublinhado a lápis que quer dizer ter sido atentamente lido mas trouxe-o na mesma e a páginas tantas no meio de relatos hilariantes com personagens das nossas artes e também da politca daqueles tempos dou-me conta de no dia 8 de novembro de 1953 Sena relatar a sua ida ao voto pois naquele dia o regime realizou eleições para a AN e ele quiz saber como era "apenas para fazer o número que será necessário falsificar a esta tropa fandanga ..." e mais à frente no dia 21 surge o relato de uma audiência com o ministro do Ultramar pois Sena trabalhava na JAE com cargo de reponsabilidade e meteu na cabeça fazer conferências na India portuguesa claro está e a coisa estava dificil e vai daí para se ver como o manicónio já existia naquele tempo eis este relato da audiência: "Entrámos. Façam favor de se sentar. Sentámo-nos à beira do sofá, entre aqueles apainelados e a pintura do Fausto Sampaio que pende, naquele ministério, de todos os desvãos. Ele, muito napoleónico no tamanho, de poltrona. - Ora façam favor de falar. Entreolhámo-nos e aventámos que estávamos ali para o ouvir a ele. - Não, não [eu] é que estou aqui sentado para os ouvir. Em que pé está o problema? E nós contámos-lhe que nos requisitava para isso e não estava, é claro, em pé nenhum. - Mas que estão os senhores aqui a fazer? E eu: - estamos porque Vexª nos mandou cá vir às 7 para nos receber. O jogo dos disparates kafkianos prosseguiu- - Mas então são ambos da JAE? E das Pontes? Então não há diferença nehuma de especialização? Vão pois os dois para se acompanharem um ao outro? Explicamos as razões pelas quais o Couvreur nos propusera, e eu acresecentei que, salvo erro, ele mesmo fizera a sugestão de uma palestras... E ele, logo: - mas na India não é como cá! Não é um qualquer que vai ali fazer uma conferência! E põs-nos na rua ... " (O Ministro do Ultramar era Sarmento Rodrigues).