Deixar uma marca no nosso tempo como se tudo se tivesse passado, sem nada de permeio, a não ser os outros e o que se fez e se não fez no encontro com eles,
Editado por Eduardo Graça
segunda-feira, janeiro 26
Votar é preciso (2)
Tempos estranhos estes em que vivemos. Afinal não serão sempre estranhos todos os tempos? Ofereci no outro dia um exemplar da "Carta do Achamento do Brasil", de Pero Vaz de Caminha, datado de 1 de maio de 1500, a uma pessoa improvável. Tempos estranhos aqueles! Neste tempo o fenómeno Seguro é muito interessante. Os criticos, de direita e de esquerd, veem a sua persona politica como vazia. Sem pensamento, sem obra e sem projeto. Como é possível um vazio preencher um vazio? Seguro surge nesta segunda volta a preencher o espaço vazio da direita democrática, vindo da esquerda democrática. Golpe de sorte? Talvez a necessidade urgente de forjar uma frente de oposição à autocracia emergente. Após o 8 de fevereiro alguma coisa vai mudar. Votar é preciso.
sábado, janeiro 24
Votar é preciso
Quando se fala no regresso ao passado, a metáfora dos 3 salazares, as pessoas da década de 40, os mais velhos, sentem-se enojados salvo os sobreviventes nostálgicos da ditadura. Pela minha parte continuo, sabe-se lá porquê, a enfrentar na ação a mentira, a negação da história e o ódio aos mais fracos, constatando que a extrema direita já está em parte no governo. A segunda volta das presidenciais é um momento histórico de importância não negligenciável para, através do voto em Seguro, reafirmar a recusa de qualquer deriva autoritária que a extrema direita anuncia. Votar é preciso.
sexta-feira, janeiro 23
Terramoto
A direita democrática corre o risco de ser engolida, de forma significativa, pela extrema direita a partir de 8 fevereiro. Fenómeno comum no nosso tempo por esse mundo onde ainda se disputam eleições livres. Com Seguro abre-se uma brecha que, havendo sentido de futuro, pode reconfigurar o panorama político partidário sem ser à custa do PS. Um pequeno terramoto?
terça-feira, janeiro 20
A hora da verdade
Muitas vezes na história os povos escolheram, através de eleições, autocratas, quantas vezes ditadores, que se perpetuaram no poder. Nestas presidenciais os cidadãos posicionam-se, como raras vezes acontece, face ao modelo de sociedade e ao modo de gerir o estado. Liberdade e democracia ou medo e autocracia. Uma escolha decisiva como se fosse um novo 25 de abril. O assunto é sério e julgo não estar a exagerar.
segunda-feira, janeiro 19
Presidenciais - novo capítulo
As presidenciais tiveram ontem o seu grande momento. Vitória folgada de Seguro e derrota pesada de M. Mendes, mal encaixada pela maioria de governo. A segunda volta, salvo aconteciemnto excêntrico, fará de Seguro Presidente. Falta votar e aceitar o declinio das emoções militantes em direção à criação de uma brecha na fortaleza das direitas. Nada pouco!
sexta-feira, janeiro 16
Para reflexão na véspera das presidenciais
"É verdade, o senhor conhece aquela cela de masmorra a que na Idade Média chamavam o «desconforto»? Em geral, esqueciam-nos aí para o resto da vida. Esta cela distinguia-se das outras por engenhosas dimensões. Não era suficientemente alta para se poder estar de pé, nem suficientemente larga para se poder estar deitado. Tinha-se de adoptar o género tolhido, viver em diagonal; o sono era uma queda, a vigília um acocoramento.”
In “A Queda”, Albert Camus.
quinta-feira, janeiro 15
Seguro
O voto é livre, qualquer um que se candidate pode vencer. Foi este o regime que saiu do 25 de abril e quase ninguém, hoje em dia, o contesta. Muitos não participam através do voto. Temo que a taxa de abtenção nestas presidenciais, apesar da oferta, seja elevada. Nas atuais circunstâncias o sistema politico, em defesa dos valores da liberdade e da democracia, carece de ser equilibrado. A direita não pode ficar a dominar todos os órgãos de soberania. Só Seguro está em condições de promover esse equilibrio. Razões há muitas para justificar o sentido de voto mas esta parece-me a mais forte.
terça-feira, janeiro 13
Contra a pena de morte sempre
In O Portal da História - «Vista do Patíbulo que se viu na Praça de Belém, a 13 de Janeiro de 1759». Museu da Cidade, Lisboa, Portugal. Gravura de autor anónimo.
Em Lisboa, nos arrabaldes de Belém, o Duque de Aveiro e alguns membros da família dos Távoras foram publicamente executados, em 13 de Janeiro de 1759, por estarem implicados no atentado contra o rei D. José. A sentença foi aplicada de uma forma tão brutal e selvagem que foi muito criticada pela opinião pública internacional. Na gravura vê-se o patíbulo com os condenados a serem sentenciados e os seus carrascos; magistrados com as suas varas encarnadas e tropas de infantaria, com os seus tradicionais uniformes brancos com granadeiros de gorro de pele à direita da bandeira regimental, assim como de tropas de artilharia com os seus uniformes azuis. A legenda da gravura enumera os condenados.
segunda-feira, janeiro 12
Statement by Federal Reserve Chair Jerome H. Powell
Um acontecimento gravissimo para os USA e o mundo. Trump persegue o presidente da FED que se recusa a abdicar da sua liberdade e autonomia.
domingo, janeiro 11
Presidenciais
Uma nota mais acerca das eleições, neste caso presidenciais. Se as eleições forem livres, como ninguém contesta que são as que por cá se praticam, o resultado das mesmas deverá ser aceite por todos. Diferente é o sentido do voto de cada um. Por mim nunca votarei num candidato de direita - o único no qual votei foi em Marcelo para segundo mandato - pelo que, se os dois que passarem à segunda volta forem de direita, não votarei, ou votarei em branco. Neste caso será para mim uma novidade absoluta.
sexta-feira, janeiro 9
Pelo aniversário da morte do meu pai Dimas
Por aqueles dias da primavera de 1958 o meu pai perdeu o medo. Pegou-me pela mão e levou-me a ver a passagem por Faro de Humberto Delgado. Estávamos em plena campanha presidencial. Pela primeira vez, desde o imediato pós guerra, o poder de Salazar tremia.
Delgado era destemido, até à beira da loucura, segundo os seus detractores. A sua candidatura forçou à desistência de Arlindo Vicente, candidato apoiado pelo Partido Comunista. Humberto Delgado fez-se ao caminho e arrastou multidões até às urnas.
Eu também lá estive pela mão do meu pai. Seguimos de Faro para Olhão onde a recepção foi apoteótica. Nunca hei-de esquecer a mão quente de meu pai apertando a minha. Eu não sabia ainda o significado da palavra fascismo. Mais tarde Humberto Delgado foi assassinado pelos esbirros da PIDE.
Os assassinos morreram na cama. É revoltante. Tenho medo de sentir esta sensação de revolta perante a tolerância da democracia. Mas a tolerância, afinal, nunca é excessiva. Aprendi isso com o meu pai. Era um comerciante honrado. Morreu no dia 9 de Janeiro de 1992.
quarta-feira, janeiro 7
Seguro
A maior parte dos amigos com quem troco impressões sobre coisas da vida e da politica sempre acharam um pouco exotérica a minha convição de que Seguro poderá ganhar as presidenciais. Estamos a dez dias do voto e quero crer que essa hipótese está a ganhar terreno.
segunda-feira, janeiro 5
Guerra
Nas vésperas de uma guerra mundial desde há muito anunciada. A primeira ministra dinamarquesa diz que um ataque dos USA para anexar a Gronelândia será "o fim de tudo". Dá para perceber? Será que há margem para negociar?
domingo, janeiro 4
Camus - pelo aniversário da sua morte
Camus trabalhou assiduamente em O Primeiro Homem durante todo o ano de 1959. Em Novembro foi para Lourmarin para aí permanecer ate à passagem do ano; depois, em Paris, queria ficar com um teatro próprio e considerou também a hipótese de desempenhar o papel principal masculino no filme Moderato Cantabile baseado no conto de Marguerite Duras. O Natal passou-o com a família na casa da Provença e a família Gallimard passou com eles a festa do Ano Novo. A 2 de Janeiro a mulher de Camus teve de regressar a Paris com as crianças por causa do recomeço das aulas. Os Gallimard propuseram a Camus regressar de carro com eles no dia seguinte. Queriam ir calmamente e aproveitar para comer bem, pelo que previram dois dias para o regresso. A 4 de Janeiro o grupo em viagem almoçou em Sens, a cerca de cem quilómetros de Paris. Depois prosseguiram viagem pela estrada nacional, passando por uma série de pequenas aldeias. Próximo de Villeblevin, o carro derrapou sem razão aparente e chocou frontalmente contra uma árvore. À excepção de Camus, que ia sentado ao lado do condutor, foram todos cuspidos do carro: Michel Gallimard ficou gravemente ferido e foi levado para o hospital com a mulher e a filha que não mostravam ferimentos visíveis. Morreu poucos dias depois.
Camus fracturou o crânio e a coluna vertebral. Foi um tipo de morte violenta com que já tinha sonhado, uma morte, como Camus escrevera em 1951 nos Carnets, … em que se nos desculpem os gritos contra a dilaceração da alma. A isso contrapõe um fim longo e constantemente lúcido para que ao menos não se dissesse que eu fora colhido de surpresa.
O corpo de Camus foi depositado em câmara-ardente no salão da Câmara de Villeblevin e na manhã seguinte transladado para Lourmarin. Dois dias após o acidente realizou-se o funeral. Na frente do cortejo funerário iam Francine Camus, o irmão de Camus e René Char. Não levaram o caixão para a igreja, mas directamente para o cemitério que ficava a alguma distância, frente à casa de Camus. Aí tem Camus a sua campa entre as dos aldeões, de igual tamanho e com uma simples pedra.”
In Camus, de Brigitte Sändig
Circulo de Leitores
sábado, janeiro 3
quinta-feira, janeiro 1
Presidenciais
Só três candidadtos presidenciais podem aspirar a vencer: Gouveia e Melo, Marques Mendes e A. J. Seguro. Seguro vencerá se os candidatos apoiados pelos partidos de esquerda desistirem ou, melhor para todos, se os eleitores deles desistirem.
segunda-feira, dezembro 29
Conselho de quê?
É no minimo estranho, senão reprovável, a realização de reunião do Conselho de Estado nas vésperas de eleições presidenciais. Seja qual for a agenda o simples facto de 2 dos seus membros serem candidadtos presidenciais bastaria para Marcelo ficar quieto. Temos que estar preparados para tudo...
sábado, dezembro 27
Guerra
A guerra da Ucrânia é uma guerra da rapina através da qual as potências (Rússia e USA aliadas) lutam pelo domínio de territórios e suas riquezas. No meio os pobres morrem na guerra como sempre acontece em todas as guerras. A guerra acabará quando aquela aliança se desfizer pela queda de um dos ditadores... ou dos dois...
quinta-feira, dezembro 25
Ninguém parou
"Ninguém parou. Quatro meses após um vídeo viral de agressão a uma mulher perante o filho, o processo foi suspenso e o agressor libertado. Este é o tema do Além dos Títulos, onde se questiona como o sistema permite que uma vítima desacompanhada juridicamente, sob pressão, apague a indignação coletiva com uma assinatura". Magnifico e corajoso texto de João Massano, bastonário da ordem dos advogados, acerca de um crime de violência doméstica. A mensagem que passa é a de que a justiça funcionou, rápida em todas as instâncias, como se reclama, mas se a vitima perdoar e o criminoso se arrepender, sem mais, o crime passa de público a privado,, com uma criança de 9 anos pelo meio, regressando-se ao velho provérbio, "entre homem e mulher não metas a colher" ...
quarta-feira, dezembro 24
Sena - um episódio
Vim para o algarve neste natal como é costume o equivalente a vir para a terra nesta caso Faro igual a si própria e antes de embarcar fui à estante e tirei um livro ao acaso saiu o "Diários" de Jorge de Sena que de Sena tenho muitos e para surpresa minha vejo-o muito sublinhado a lápis que quer dizer ter sido atentamente lido mas trouxe-o na mesma e a páginas tantas no meio de relatos hilariantes com personagens das nossas artes e também da politca daqueles tempos dou-me conta de no dia 8 de novembro de 1953 Sena relatar a sua ida ao voto pois naquele dia o regime realizou eleições para a AN e ele quiz saber como era "apenas para fazer o número que será necessário falsificar a esta tropa fandanga ..." e mais à frente no dia 21 surge o relato de uma audiência com o ministro do Ultramar pois Sena trabalhava na JAE com cargo de reponsabilidade e meteu na cabeça fazer conferências na India portuguesa claro está e a coisa estava dificil e vai daí para se ver como o manicónio já existia naquele tempo eis este relato da audiência: "Entrámos. Façam favor de se sentar. Sentámo-nos à beira do sofá, entre aqueles apainelados e a pintura do Fausto Sampaio que pende, naquele ministério, de todos os desvãos. Ele, muito napoleónico no tamanho, de poltrona. - Ora façam favor de falar. Entreolhámo-nos e aventámos que estávamos ali para o ouvir a ele. - Não, não [eu] é que estou aqui sentado para os ouvir. Em que pé está o problema? E nós contámos-lhe que nos requisitava para isso e não estava, é claro, em pé nenhum. - Mas que estão os senhores aqui a fazer? E eu: - estamos porque Vexª nos mandou cá vir às 7 para nos receber. O jogo dos disparates kafkianos prosseguiu- - Mas então são ambos da JAE? E das Pontes? Então não há diferença nehuma de especialização? Vão pois os dois para se acompanharem um ao outro? Explicamos as razões pelas quais o Couvreur nos propusera, e eu acresecentei que, salvo erro, ele mesmo fizera a sugestão de uma palestras... E ele, logo: - mas na India não é como cá! Não é um qualquer que vai ali fazer uma conferência! E põs-nos na rua ... " (O Ministro do Ultramar era Sarmento Rodrigues).
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