domingo, abril 12

Seguro - um mês

Seguro será um presidente próximo das pessoas como mostrou neste primeiro mês de exercicio. O comentariado já começou a torcer o nariz. É demasiado pouco mediática esta postura, impacta nas pessoas mas não reverbera com estrondo nos écrans. seguro não deixa por mãos alheias a critica à propaganda do governo introduzindo nela um filtro poderoso de realidade. O magna de interesses que está por detrás da politica do governo tudo tentará para puxar Seguro para a irrelevância. Veremos o que acontece com os inúmeros diplomas que vão passar pela secretária de Seguro.

sábado, abril 11

Sempre a guerra

É horrivel assistir à guerra no sofá, o que nunca aconteceu com tamanha frequência e maldade. Sem falar das tareias de comentadores que nada sabem de guerra, mesmo sendo militares. A sensação é que a guerra não vai acabar mais por jamais o poder vir a ser exercido por pessoas normais.

quarta-feira, abril 8

Guerra sempre guerra

A guerra pode ser justa se servir para nos libertar da servidão. Resta saber o que é servidão, certamente ausência absoluta de liberdade. E o que é liberdade? Questão filosófica sempre discutida por vezes de forma exaltada. Entre uma democracia com defeitos e uma ditadura perfeita, escolho a democracia. Entre a liberdade absoluta própria dos ditadores que a tomam em exclusivo para si, e as escolhas livres do quotidiano do cidadão comum, escolho a vida comum. A questão de fundo da guerra é sempre a mesma com variantes. As oligarquias lutam pelo domínio dos recursos (riquezas) que as beneficiam em desfavor da maioria que morre em seu nome.

sexta-feira, abril 3

Guerra

“É sempre vão pretender quebrar um laço de solidariedade, apesar da estupidez e da crueldade dos outros. Não se pode dizer: “Ignoro-o”. Colabora-se ou combate-se. Nada é menos perdoável que a guerra e o apelo aos ódios nacionais. Mas uma vez surgida a guerra, é vão e cobarde querer afastar-se a pretexto de que se não é responsável. As torres de marfim acabaram. A benevolência é interdita. Por si própria e para os outros. Julgar um acontecimento é impossível e imoral se se está de fora. É no seio dessa absurda desgraça que se mantém o direito de a desprezar. A reacção de um indivíduo não tem qualquer importância. Pode servir para qualquer coisa mas nada a justifica. Pretender, por diletantismo, afastar-se e separar-se do seu ambiente, é dar prova da mais absurda das liberdades. Eis porque motivo era necessário que eu tentasse servir. E se não me quiserem, é igualmente necessário que eu aceite a posição do civil desprezado. Em ambos os casos estou no centro da guerra e tenho o direito de a julgar. De a julgar e de agir.” Albert Camus, in Caderno” n.º 3 (Abril de 1939/Fevereiro 1942). Para que se compreenda a problemática deste fragmento que muito me influenciou. Em Setembro de 1939, Camus está pronto para partir para a Grécia quando eclode a 2ª guerra mundial. Camus não quer escapar à guerra e apresenta-se como voluntário mas não é aceite devido à sua tuberculose.

quarta-feira, abril 1

Cartel

"Governador do BdP admite “comportamento ilícito” no “cartel da banca”, mas sacode responsabilidades para os tribunais", in Expresso. É hilariante próprio de uma boa tirada do Eça. A Banca foi condenada mas prescreveu. Ninguém assume responsabilidades e a banca goza com o pagode.

terça-feira, março 31

Inquisição

Há efemérides esquecidas como a do fim da inquisição. Na sessão de 31 de março de 1821, as Cortes Constituintes decretavam a extinção do Tribunal do Santo Ofício, instituição criada em Portugal em 1536, com o objetivo de julgar e punir os crimes contra a religião católica. Quantas pessoas morreram na Inquisição em Portugal? Os registos existentes mostram que, entre 1543 e 1684, a Inquisição condenou 19.246 pessoas em Portugal. Destas, 1379 foram queimadas e centenas morreram na prisão enquanto esperavam julgamento. Ao todo, em Portugal, o Santo Ofício fez mais de 40 mil vítimas, das quais, cerca de 2 mil foram mortas na fogueira.

segunda-feira, março 30

Habitação

"Sete em cada dez novos proprietários com crédito à habitação vão pagar a casa até aos 70 anos", in Expresso de um relatório do Banco de Portugal. Ainda não foi debatida a mais relevante razão da crise da habitação em Portugal: a banca. A oferta de habitação pública e cooperativa é residual; o mercado de arrendamento sem fôlego; reina a especulação e o negócio do crédito que tornou Portugal num país de proprietários endividados para toda a vida.

domingo, março 29

Tempo de trevas

Está escrito nas estrelas que teremos guerra cada vez mais alargada e intensa, as palavras não são suficientes para descrever o horror da guerra, nunca foram. Mesmo eleitos os politicos não geram confiança, os povos descreem e a religião volta a ser estandarte da guerra. O Papa hoje ergueu a voz contra os que usam a religião como arma de guerra. O ambiente geral não é amigo da paz. As ambições imperiais, de conqistas pela força, e o discurso do ódio ganham terreno. Está aberto um novo tempo de trevas.

sábado, março 28

O Estrangeiro

Hoje fui ver O Estrangeiro filme em exibição que muito me supreendeu pela positiva. Belo, captando o ambiente da obra de Camus na qual se inspira. Vale a pena. Transcrevo excerto de um texto de Maria Luisa Malato em resposta à velha questão de qual o livro que levaria consigo para uma ilha deserta: Ou talvez seja O Estrangeiro. Releio agora sem professor, admirando cada vez mais a conotação indelével das coisas ditas com simplicidade. Disseram-me seca a frase “Hoje, a mamã morreu”. Mas se assim fosse, porquê a ternura da palavra “mamã”? Tento variantes: “Hoje, a minha mãe morreu”, mais seco. “Hoje, a mãe morreu”: mais seco ainda? O que é hoje evidente em Meursault é o percurso iniciático de um homem que aprende a sair da indiferença que nunca foi absoluta. O Estrangeiro é a história do caminho que vai do “para mim tanto faz” ao “não” final, forma extrema de compromisso solitário. Ensinou-me que Camus não é um filósofo do absurdo, mas um filósofo anti-absurdo, na medida em que constrói os sentidos da vida a partir da consciência indelével do absurdo.

sexta-feira, março 27

Dia Mundial do Teatro

O dia 27 de março é consagrado como Dia Mundial do Teatro. Sempre assinalo esta data não por mera celebração de uma efeméride mas porque o teatro desempenhou um papel muito importante na minha vida. Na alta adolescência, por altura do meu 6ª ano do liceu, num tempo de trevas culturais, o meu irmão deve ter impulsionado a minha aproximação à atividade teatral. As relações com o Dr. Emílio Campos Coroa haviam sido estreitadas e daí deve ter resultado a minha integração no Grupo de Teatro do Circulo Cultural do Algarve - mais tarde "Teatro Lethes" - após ter já sido iniciado pelo Dr. Joaquim Magalhães nas atividades teatrais do liceu. Foi uma oportunidade de intensa sociabilização, aprendizagem da arte do teatro e exigente exercício de enfrentamento dos públicos. Muita entrada em cena, muito palco e fala e necessário conhecimento de dramaturgos de referência. Somente a minha saída da cidade de Faro para Lisboa me separou desta experiência que marcou a minha formação pessoal e cultural para sempre. Bem hajam aqueles que me impulsionaram e acompanharam nessa formalizável experiência teatral.

quarta-feira, março 25

Nos limites ...

A situação do mundo (e da politica no mundo) é catastrófica, no limiar da destruição fisica e dos valores humanistas. Como bem sabemos pairam no ar ventos de guerra com ameaças de generalização e quem sabe com utilização de armas de destruição em massa. A crise económica é inevitável cuja profundidade está por ver onde chega e como se estende no tempo. Ao contrário de todas as aparências admiro Guterres que mantem em final de mandato um discurso claro em defesa da paz. E já agora de condenação do esclavagismo. Honra lhe seja feita.

sexta-feira, março 20

Felicidade

Depois de concluída a especialidade fiquei a dar instrução militar, o tempo todo, no 2º GCAM, no Campo Grande, em Lisboa. Passaram-me pelas mãos muitas centenas de jovens soldados recrutas aos quais industriei, o melhor que sabia, na área da administração militar. Foram sucessivas "semanas de campo" e incessantes sessões de instrução de tiro na Carregueira. Estas davam-me um prazer especial com excepção do "lançamento de granadas". Assim correu o tempo, desde meados de Abril de 1972, até ao 25 de Abril de 1974. A minha vida fazia-se entre o quartel e encontros de conspiração com os amigos e activistas que haveriam de confluir no MES (Movimento de Esquerda Socialista). Tinha a cabeça povoada de todas as ilusões que resultavam das leituras libertárias e marxistas, liberais e heróicas, sonhadoras e utópicas de Huxley, Camus, Gramsci, Luckac, Lenin, Marx, Rosa Luxemburgo, Mao, José Gomes Ferreira, Aquilino, António José Saraiva... As ideias da democracia directa, das comunas, da plena participação popular, tinham-se sobreposto à realidade, bem mais prosaica, da democracia representativa. Os ecos próximos da experiência do Maio de 68, em França, tinha dado asas à utopia de que o caminho para a felicidade se poderia encontrar na revolta contra o poder burguês. O tempo das ilusões...

quinta-feira, março 19

Pai

O meu pai Dimas era pessoa vertical e proba, assim o vejo tanto tempo passado. As gerações sucedem-se e hoje de madrugada nasceu a minha segunda neta que se vai chamar Mar. Uma notícia feliz no meio da desordem no mundo. Haja saúde.

domingo, março 15

Seguro (uma semana)

Estou convicto que Seguro presidente estará atento à questão social e que buscará informar-se para melhor avaliar e agir no âmbito das suas competências. Aliás somente com uma semana em funções já tomou iniciativas nesse sentido. Auguro que será consequente com as suas próprias convições colocando os seus poderes em defesa das causas e instituições desconsideradas e desvalorizadas pela direita conservadora ultraliberal. Aí encontrará muitas subtis reservas, senão oposição frontal, no sentido de tornar irrelevantes as suas palavras e ações. Reclama-se coragem!

quarta-feira, março 11

Seguro (2º dia)

O estado de graça de Seguro durou um dia. Exagero à parte, logo no ponto em que tinha tomado posição nos dias da campanha, diga-se "pacote laboral", lhe servem o dissenso. O governo, salvo se alguém enlouqueceu, reune os parceiros, no dia da sua posse, para tornar público o desacordo. Ou por outras palavras, os patrões, leia-se CIP, marcaram a agenda e hoje o primeiro encosta a CGTP à extrema direita que anunciou que vota contra e reduz a UGT a uma espécie de grupo anarco sindicalista. Para quê? Não se sabe. Talvez para mostrar que o PR não manda nada...

terça-feira, março 10

Seguro (1º dia)

O discurso de Seguro, em quem votei por convição, é próprio de um politico tradicional. Marcelo também o era à partida mas desmentiu rapidamente essa versão. A realidade vai impor limites à sua estimável vontade de consensos politicos alargados. Mas a afirmação dessa vontade conta muito e limita o impulso partidário para o dissenço e o ónus para a futura ausência de consensos fica do lado partidário. A sua afirmação critica face ao excesso de eleições em curto espaço de tempo é um risco se eleições forem precisas. É muita promessa de estabilidade e muitos se perguntam: estabilidade para quê? (Continua)

domingo, março 8

Marcelo (em março 2016)

A propósito destes primeiros dias da presidência de Marcelo Rebelo de Sousa notam-se sinais de perplexidade em todos os setores da nossa sociedade. Nem a direita nem a esquerda politicas são capazes de calibrar o discurso acerca do que já se conhece do desempenho do presidente. A única apreciação que não merece contestação: é diferente. Não é só uma questão de discurso. Aconteça o que acontecer mais tarde, mesmo após secarem as pétalas do estado de graça, Marcelo representa uma mudança na relação do presidente com o povo, da Presidência com o país. Marcelo executa uma politica que vai para além da rotina própria das instituições. Ele conhece a força da componente simbólica da função presidencial e da força dos símbolos na projeção externa de um país periférico com uma longa história universalista. E isso faz toda a diferença.

sábado, março 7

8 março - Dia Internacional da Mulher

A terra e o corpo eram o mundo possível; a terra penetrava os poros, tisnava a pele, sujava as feridas; a terra cantava sob a correria dos pés descalços; a terra e os corpos entoavam as canções de embalar e de trabalho, da eira ao arado, do varejo ao rabisco; olhava as mulheres como se fossem rainhas que um dia haviam de dançar mil danças rodopiando nos braços do seu par; via-as sempre a dançar em seus sorrisos e suas gritas; as mulheres do tempo de as ver somente com uma admiração que me vinha de dentro. Não sabia nada delas mas via-as e amava-as como se fossem a terra que segurava as minhas raízes ao chão da vida. [4/2/2008]

sexta-feira, março 6

Guerra, hipocrisia e mentira

Guerra, hipocrisia e mentira em doses cavalares. Não dá para ver e ouvir as noticias que correm sem uma sensação de nojo. Os pobres e as crianças morrem sem especial escândalo, nem forte condenação. De todos os lados chovem falsos argumentos para justificar a guerra. Deixaram de existir pacifistas com voz própria e intensa que se não deixem confundir com a horda populista seja qual for a sua cor. O Imperador velho e louco quer conquistar todas as riquezas do mundo. Um dia cairá como todos caíram sempre, mas não me saiem da cabeça as crianças mortas na madrassa iraniana bombardeada.

quinta-feira, março 5

O meu último post António Lobo Antunes (reproduzo, que viva!)

Pelo menos duas vezes vi o António Lobo Antunes num pequeno café/restaurante de telheiras a almoçar há pouco tempo. Enquanto comia ditava sem parar e a acompanhante escrevia, por vezes interrogava e, aparentemente distraído, prosseguia como se o fio da sequência se pudesse quebrar. Li o artigo que hoje ele publicou na “Visão”. É pungente anunciar o que é mais difícil de anunciar: “Suceda o que suceder, uma coisa tenho por certa: isto alterou, de cabo a rabo, a minha vida. Ignoro em que sentido, ignoro como. Sei que alterou. Santa Maria. O que farei daqui para a frente, se existir daqui para a frente?” (…) “Estão sempre a dar-me prémios e claro que tenho prazer nisso, não sou mentiroso nem hipócrita. Toda a gente foi muito simpática. e sem que eles sonhassem (sonhava eu) o cancro ratando ratando, injusto, teimoso, cego. Mói e mata. Mata. Mata. Mata. Mata. Levou-me tantas das pessoas que mais queria. E eu, já agora, quero-me? Sim. Não. Sim. Não – sim. Por enquanto meço o meu espanto, à medida que nas árvores da cerca uns pardais fazem ninho. A primavera mal começou e eles truca, ninho. Obrigado, Senhor, por haver futuro para alguém.” Da última vez que o vi, talvez em Fevereiro, achei-o quebrado, mas quantos de nós, tanta vez, não surgimos, aos olhos dos outros, como virtualmente mortos. A vida reserva-nos surpresas tristes mas a sombra não é mais do que um recorte da luz e a esperança o sol que nunca abandona as nossas vidas. Até os comentários à auto notícia da doença de António Lobo Antunes são, ao contrário do costume, decentes e encorajadores. Por mim associo-me às vozes da esperança. (A ilustração é um óleo de Teresa Dias Coelho).

domingo, março 1

Nada a acrescentar

A guerra progride e intensifica-se entre as grandes potências por interpostas vitimas. Guerras de conquista à maneira clássica por territórios, rotas e riquezas. Por cá vive-se como habitualmnte como se nada fosse, respirando-se o ar do "Estado Novo". Nada a acrescentar à distopia.

quarta-feira, fevereiro 25

Pelo 21º aniversário da morte do meu irmão Dimas

"As voltas da vida levaram a que meus pais viessem a adoptar, antes do tempo, o modelo quase perfeito da família nuclear. Um casal e dois filhos. Mas é interessante que já os pais de meus pais haviam gerado famílias pequenas: os meus avós paternos com três filhos e os maternos com dois. O modelo da família alargada havia ficado pelas gerações anteriores. O meu irmão Dimas nasceu onze anos antes de mim. Ele é contemporâneo dos inícios da guerra civil de Espanha e eu sou um “baby boomer” típico. Não sou capaz de imaginar a intensidade do impacto do meu nascimento tardio no equilíbrio familiar. Mas é um facto que o meu irmão não concluiu o liceu tendo os meus pais que buscar uma via alternativa para a sua formação. Por ruas e travessas chegaram a um caminho que deu certo. O meu irmão, ainda antes de 1955, partiu para o Porto para aprender, ao mesmo tempo, dois ofícios: óptico e gravador. Lembro o dia da sua partida. Naquela época a distância entre o extremo sul de Portugal e o Norte, entre Faro e o Porto, era incomensuravelmente maior do que é hoje. O meu irmão Dimas, com menos de vinte anos, instalou-se no Porto, tendo encetado a sua aprendizagem na “Óptica Retina”. Aprendeu bem todos os segredos dos ofícios a que se propôs dedicar-se o que lhe permitiu durante quase cinquenta anos fazer um percurso ascendente, à maneira de um “self-made-man”, que lhe havia de granjear prestígio profissional e social além de prosperidade económica. Como escrevi, por alturas da sua morte, prematura e injusta, é um caso de alguém que subiu a pulso na vida, com o esforço do seu trabalho, o apoio inicial dos pais, e uma forte exigência na qualidade do seu próprio desempenho pessoal e profissional. Os meus pais, forçados pelas circunstâncias da vida, com alegrias e amarguras, fizeram, em relação ao futuro dos filhos, o melhor que puderam. E, no essencial, acertaram. Ao mais velho uma profissão, ao mais novo um curso superior. Depois cada um que assumisse, com liberdade, o seu próprio futuro."

segunda-feira, fevereiro 23

4 anos de guerra

Amanhã passam 4 anos desde o inicio da guerra na Ucrânia, é impensável 4 anos de guerra, destruição e morte, ódio e retaliação, como sempre a juventude destroçada, e os pobres como vitimas principais. Não acredito nos senhores da guerra, são abomináveis os seus interesses e repugnantes os politicos que se curvam aos designios dos senhores da guerra. Nestes periodos suponho que os defensores da paz, da verdade e da justiça, sempre se revoltaram. Mas no nosso tempo são fracos os sinais dessa revolta.

sexta-feira, fevereiro 20

Os dias que passam

Confuso? De repente ao mesmo tempo que se promove, no desespero, a UGT ao esquerdismo irresponsável, em contramão com o quero posso e mando, abrem-se consultas com tudo e todos para a reconstrução de Portugal. Viva! O manicónio em todo o seu explendor.

quinta-feira, fevereiro 19

René Char - 14 de Junho de 1907/19 de Fevereiro de 1988

Este lugar é só um voto do espírito, um contra-sepulcro./ Na minha terra preferem-se as ternas provas da primavera e os pássaros mal-vestidos aos objectivos longínquos./ A verdade espera pela aurora à luz de uma vela. O vidro da janela não está limpo. Pouco importa ao atento./ Na minha terra não se fazem perguntas a um homem comovido./ Não há sombra maligna no barco soçobrado./

quarta-feira, fevereiro 18

Futebol?

Como está bem à vista de todos, desde há muito, o futebol é uma "escola de virtudes". Um dia alguém, com coragem, terá que pôr cobro ao antro de sujidade em que se transformou o futebol profissional.

domingo, fevereiro 15

Pelo 61º aniversário do assassinato do General Humberto Delgado

O General Humberto Delgado foi um distinto militar de carreira, apoiante do golpe militar do 28 de Maio, e da ditadura entre 1926 e o dealbar dos anos 50, tendo acabado por sacrificar a carreira, e a própria vida, no combate sem tréguas ao regime fascista, após a ruptura política com Salazar, a partir das eleições presidenciais de 1958, às quais se candidatou, como independente, por vontade própria. Foi ele o verdadeiro precursor do 25 de Abril de 1974 pois defendeu (quase sempre) que a ditadura só cairia através da acção militar, que haveria de ser protagonizada pelas forças armadas, apoiadas pelo povo, o que viria, de facto, a acontecer pouco menos de nove anos após o seu assassinato que ocorreu em 13 de Fevereiro de 1965. Delgado foi, politicamente, um liberal democrata, fortemente influenciado pela cultura anglófona, e pela sociedade americana (o que lhe valeu o magnífico epíteto de “General Coca Cola”) influências assumidas ao longo de várias missões profissionais – em representação do estado português - na Inglaterra, Estados Unidos e também no Canadá. Delgado foi um político que nunca deixou de ser General e de cuja áurea anti-salazarista a esquerda, do seu tempo, se quis apropriar sem, na verdade, partilhar das suas ideias e acções, que desprezava apodando-as, pelo menos, de aventureiras. O General Humberto Delgado foi atraído a uma cilada e assassinado pela PIDE, por espancamento, e não a tiro, com conhecimento de Salazar, que sempre encobriu este hediondo crime, sob as mais variadas artimanhas, no plano interno e da diplomacia, entrando, inclusive, em rota de colisão com Franco. O julgamento dos autores materiais do crime – que não dos seus autores morais que sempre foram poupados pela democracia – em Tribunal Militar – foi uma triste farsa que não permitiu apurar a verdade e muito menos punir os criminosos. Todo o processo desde o assassinato de Delgado, passando pelo encobrimento do crime, à descoberta dos corpos, à investigação judicial e perícias forenses, realizadas pelas autoridades espanholas, até à condução do processo judicial em Portugal, julgamento e recursos judiciais, constitui um caso exemplar que permite, nos planos político e judicial, entender muitos aspectos da realidade contemporânea portuguesa e as peripécias de processos que ainda correm os seus trâmites.

sexta-feira, fevereiro 13

Tempos pungentes

As queixas são pungentes, os atingidos diretamente pelas calamidades, as pessoas, não sabem bem como reagir, pedem socorro, o governo mostra surpresa expõe as suas fraquezas. Duvida-se de quando será possível voltar às rotinas. A realidade mostra-se em todo o seu explendor, a miséria expõe-se, na frente ficam as entidades associativas próximas das comunidades, nas quais se incluem os bombeiros que são associações e outras que se reiventam na forma de voluntários. O governo atual, na peugada de outros, não valoriza estas entidades, que integram a economia social, e as organizações informais que todas não buscam lucros com a desgraça alheia (sei do que falo!). Essa realidade do outro lado do discurso moderno das reformas fundadas na inovação e inicitiva empreendedora. E o Estado, que falta faz! É tudo uma questão de equilibrio, do outro lado da propaganda. E reconstruir é uma oportunidade para fazer melhor e diferente. Para isso é preciso visão de futuro, vistas largas e forte vontade. Onde encontrar e como forjar essa força?

segunda-feira, fevereiro 9

A direita caótica

As presidenciais foram ganhas por Seguro, candidato improvável, de forma esmagadora. Por todo o mundo a notícia é de vitória do socialista moderado contra o populista candidato da extrema direita. O brilho das eleições que as TVs transmitem dando voz aos candidatos, comentadores e quejandos, colide com o negrume dos destroços e das vozes desesperadas das vitimas das tempestades. Avultam em imagens dois paises igualmente pobres, pequenos e periféricos. Por mais fervor do realismo patriótico de vencedor e vencido, juras de cooperação e apaziguamento, tudo ficará, no essencial, na mesma. Os pobres pagam a fatura da distância e indiferença do Estado, das grandes empresas, da banca, que nem vertem lágrimas, nem anunciam apoios correspondentes à celebrada responsabilidade social. Como na guerra a maiora esmagadora dos que morrem são os pobres. Seguro terá muitas dificuldades em ser ouvido por um governo do quero, posso e mando e ao arrepio do seu desejo de consensos poderá ver-se enredado numa luta de fações da direita, em ambiente de declinio do desempenho económico e financeiro do país. A direita vai entrar num periodo caótico. Logo veremos quem será o lider da direita que a ponha na ordem. Desconfio de quem seja!

Seguro venceu mas ...

Poucos acreditavam e Seguro venceu, como era expetável, por uma larga margem mas a extrema direita continua a subir. Quanto ao resto desde juras de estabilidade até ardores de cooperação a hipocrisia impera. Como é próprio da politica pura e dura nada será como prometido ... estejamos preparados para tudo.

sexta-feira, fevereiro 6

quarta-feira, fevereiro 4

Revolta do Algarve

No dia 4 de Fevereiro de 1927, rebenta a revolta no Algarve. Ao largo de Faro, a canhoneira Bengo, comandada pelo 1º tenente Sebastião José da Costa e tendo a bordo o comité revolucionário constituído ainda pelo Dr. Manuel Pedro Guerreiro e o Dr. Victor Castro da Fonseca, começa a bombardear a cidade de Faro. Estes seriam os principais elementos revoltosos que comandavam alguns militares da marinha, da GNR, elementos do regimento de caçadores nº 4, de Tavira e algumas dezenas de civis.

terça-feira, fevereiro 3

Tragédias

Foi hoje publicada uma Resolução do Conselho de Ministros (16/2026) que me toca particularmemnte. Ela concretiza uma decisão do governo, tornada pública em 28 de novembro, através da qual se procede à "exonoração da participação pública do estado" na CASES (Cooperativa António Sérgio para a Economia Social) a cuja direção tenho presidido. A meu ver um erro politico que deixa, pela primeira vez desde o 25 de abril, o setor cooperativo e social, previsto na CRP, sem uma entidade de natureza pública que lhe seja dedicada. Curiosa a coincidência da publicação desta RCM com a intensa atividade de entidades da economia social e de voluntariado, no apoio às populações após a tragédia dos últimos dias. São muitas tragédias em cadeia! Voltarei ao assunto mais tarde.

segunda-feira, fevereiro 2

Propaganda

A propaganda é também uma catástrofe que se abate sobre os cidadãos; quando os cidadãos sofrem por efeitos de catástrofe real a propaganda torna-se uma infâmia.

domingo, fevereiro 1

A neve

"Noite de 1 para 2 de Fevereiro de 1954. Digo eu que andava na memória à procura desta data há anos. Depois dessa noite nunca mais nevou no Algarve (nem no sul). Foi quando vi pela primeira vez nevar ainda não tinha 7 anos e recordo como se fosse hoje. O meu pai abençoou a neve, o frio, tudo, pois fazia o carvão depositado ao ar livre pesar mais”.

Chico Buarque, Portugal (1967) - Ensaio e entrevista

sábado, janeiro 31

Desenrasca

Perante o desastre queriam empatia? Ao governo, nem todo para ser justo, não lhe interessa, como primeira prioridade, as pessoas. A reforma do estado impera para o retirar em favor dos privados mas quando a tormenta assoma, ai jesus, o estado, o estado fica curto e grosso. A comunidade suspeita e balança entre a histeria do populismo e o desespero do desamparo. É o desenrasca!

sexta-feira, janeiro 30

As águas da extrema direita

Uma análise rápida e espero que precipitada. O PSD não apoia nenhum dos candidatos presidenciais em disputa. Um assume-se como social democrata, independente, vindo do PS. Poucas dúvidas existem acerca do seu posicionamento. Outro pertence à área da extrema direita, populista, reconhecidamente integrado na corrente internacional que tem vindo a ganhar cada vez mais relevância. O PSD oficial não apoia nem um, mem outro, afirmando uma posição neutral. Os sociais democratas não apoiam o candidato social democrata, embora oriundo da familia socialista. A conclusão é que o PSD oficial talvez navegue nas mesmas águas da extrema direita populista e há muitas evidências que assim seja. Vamos ver o resultado daqui a uns tempos.

segunda-feira, janeiro 26

Votar é preciso (2)

Tempos estranhos estes em que vivemos. Afinal não serão sempre estranhos todos os tempos? Ofereci no outro dia um exemplar da "Carta do Achamento do Brasil", de Pero Vaz de Caminha, datado de 1 de maio de 1500, a uma pessoa improvável. Tempos estranhos aqueles! Neste tempo o fenómeno Seguro é muito interessante. Os criticos, de direita e de esquerd, veem a sua persona politica como vazia. Sem pensamento, sem obra e sem projeto. Como é possível um vazio preencher um vazio? Seguro surge nesta segunda volta a preencher o espaço vazio da direita democrática, vindo da esquerda democrática. Golpe de sorte? Talvez a necessidade urgente de forjar uma frente de oposição à autocracia emergente. Após o 8 de fevereiro alguma coisa vai mudar. Votar é preciso.

sábado, janeiro 24

Votar é preciso

Quando se fala no regresso ao passado, a metáfora dos 3 salazares, as pessoas da década de 40, os mais velhos, sentem-se enojados salvo os sobreviventes nostálgicos da ditadura. Pela minha parte continuo, sabe-se lá porquê, a enfrentar na ação a mentira, a negação da história e o ódio aos mais fracos, constatando que a extrema direita já está em parte no governo. A segunda volta das presidenciais é um momento histórico de importância não negligenciável para, através do voto em Seguro, reafirmar a recusa de qualquer deriva autoritária que a extrema direita anuncia. Votar é preciso.

sexta-feira, janeiro 23

Terramoto

A direita democrática corre o risco de ser engolida, de forma significativa, pela extrema direita a partir de 8 fevereiro. Fenómeno comum no nosso tempo por esse mundo onde ainda se disputam eleições livres. Com Seguro abre-se uma brecha que, havendo sentido de futuro, pode reconfigurar o panorama político partidário sem ser à custa do PS. Um pequeno terramoto?

terça-feira, janeiro 20

A hora da verdade

Muitas vezes na história os povos escolheram, através de eleições, autocratas, quantas vezes ditadores, que se perpetuaram no poder. Nestas presidenciais os cidadãos posicionam-se, como raras vezes acontece, face ao modelo de sociedade e ao modo de gerir o estado. Liberdade e democracia ou medo e autocracia. Uma escolha decisiva como se fosse um novo 25 de abril. O assunto é sério e julgo não estar a exagerar.

segunda-feira, janeiro 19

Presidenciais - novo capítulo

As presidenciais tiveram ontem o seu grande momento. Vitória folgada de Seguro e derrota pesada de M. Mendes, mal encaixada pela maioria de governo. A segunda volta, salvo aconteciemnto excêntrico, fará de Seguro Presidente. Falta votar e aceitar o declinio das emoções militantes em direção à criação de uma brecha na fortaleza das direitas. Nada pouco!

sexta-feira, janeiro 16

Para reflexão na véspera das presidenciais

"É verdade, o senhor conhece aquela cela de masmorra a que na Idade Média chamavam o «desconforto»? Em geral, esqueciam-nos aí para o resto da vida. Esta cela distinguia-se das outras por engenhosas dimensões. Não era suficientemente alta para se poder estar de pé, nem suficientemente larga para se poder estar deitado. Tinha-se de adoptar o género tolhido, viver em diagonal; o sono era uma queda, a vigília um acocoramento.” In “A Queda”, Albert Camus.

quinta-feira, janeiro 15

Seguro

O voto é livre, qualquer um que se candidate pode vencer. Foi este o regime que saiu do 25 de abril e quase ninguém, hoje em dia, o contesta. Muitos não participam através do voto. Temo que a taxa de abtenção nestas presidenciais, apesar da oferta, seja elevada. Nas atuais circunstâncias o sistema politico, em defesa dos valores da liberdade e da democracia, carece de ser equilibrado. A direita não pode ficar a dominar todos os órgãos de soberania. Só Seguro está em condições de promover esse equilibrio. Razões há muitas para justificar o sentido de voto mas esta parece-me a mais forte.

terça-feira, janeiro 13

Contra a pena de morte sempre

In O Portal da História - «Vista do Patíbulo que se viu na Praça de Belém, a 13 de Janeiro de 1759». Museu da Cidade, Lisboa, Portugal. Gravura de autor anónimo. Em Lisboa, nos arrabaldes de Belém, o Duque de Aveiro e alguns membros da família dos Távoras foram publicamente executados, em 13 de Janeiro de 1759, por estarem implicados no atentado contra o rei D. José. A sentença foi aplicada de uma forma tão brutal e selvagem que foi muito criticada pela opinião pública internacional. Na gravura vê-se o patíbulo com os condenados a serem sentenciados e os seus carrascos; magistrados com as suas varas encarnadas e tropas de infantaria, com os seus tradicionais uniformes brancos com granadeiros de gorro de pele à direita da bandeira regimental, assim como de tropas de artilharia com os seus uniformes azuis. A legenda da gravura enumera os condenados.

segunda-feira, janeiro 12

Statement by Federal Reserve Chair Jerome H. Powell

Um acontecimento gravissimo para os USA e o mundo. Trump persegue o presidente da FED que se recusa a abdicar da sua liberdade e autonomia.

domingo, janeiro 11

Presidenciais

Uma nota mais acerca das eleições, neste caso presidenciais. Se as eleições forem livres, como ninguém contesta que são as que por cá se praticam, o resultado das mesmas deverá ser aceite por todos. Diferente é o sentido do voto de cada um. Por mim nunca votarei num candidato de direita - o único no qual votei foi em Marcelo para segundo mandato - pelo que, se os dois que passarem à segunda volta forem de direita, não votarei, ou votarei em branco.
Neste caso será para mim uma novidade absoluta.

sexta-feira, janeiro 9

Pelo aniversário da morte do meu pai Dimas

Por aqueles dias da primavera de 1958 o meu pai perdeu o medo. Pegou-me pela mão e levou-me a ver a passagem por Faro de Humberto Delgado. Estávamos em plena campanha presidencial. Pela primeira vez, desde o imediato pós guerra, o poder de Salazar tremia. Delgado era destemido, até à beira da loucura, segundo os seus detractores. A sua candidatura forçou à desistência de Arlindo Vicente, candidato apoiado pelo Partido Comunista. Humberto Delgado fez-se ao caminho e arrastou multidões até às urnas. Eu também lá estive pela mão do meu pai. Seguimos de Faro para Olhão onde a recepção foi apoteótica. Nunca hei-de esquecer a mão quente de meu pai apertando a minha. Eu não sabia ainda o significado da palavra fascismo. Mais tarde Humberto Delgado foi assassinado pelos esbirros da PIDE. Os assassinos morreram na cama. É revoltante. Tenho medo de sentir esta sensação de revolta perante a tolerância da democracia. Mas a tolerância, afinal, nunca é excessiva. Aprendi isso com o meu pai. Era um comerciante honrado. Morreu no dia 9 de Janeiro de 1992.