Deixar uma marca no nosso tempo como se tudo se tivesse passado, sem nada de permeio, a não ser os outros e o que se fez e se não fez no encontro com eles,
Editado por Eduardo Graça
terça-feira, maio 5
Integração
Estranha dança das medidas e discursos securitários e pró nacionalistas. No caso das sociedades europeias, e não só, se não se cuidar, em primeira linha, da integração dos estrangeiros caminharemos para a irrelevância demográfica. As tarefas da integração nunca, ou raramente, são colocadas na primeira linha das politicas, embora saibamos que são forte preocupação de quem está no terreno. Só a igreja católica assume um discurso coerente na abordagem do tema.
domingo, maio 3
Mãe
Reconheço o amor nos olhos que me olham com desmedida atenção enquanto durmo. Os olhos de minha mãe adoravam ter esperança no futuro no qual jogava a sua crença de ir mais longe. A primeira mulher da minha vida. A mais ousada na sua imprevisível arte de romper barreiras e chegar mais além. A fonte da força que me mantém de pé contra todas as adversidades. Uma mulher de um só homem que não era homem de uma só mulher. A fidelidade nascida da tradição que não da fraqueza ou da futilidade. A irreverência herdada da rudeza do campo, das agruras da natureza à força de puxar a besta e de encaminhar a água à raiz certa não fosse perder-se uma gota. A escola da escassez sonhando a fartura que havia de vir fruto do trabalho honrado. Não perder tempo chorando o tempo perdido. Fazer do tempo um passeio para espairecer e voltar ao arado da vida com sonhos lá dentro. A mulher que se fez a si própria descobrindo os outros e o que se pode e se não pode fazer com eles. Aceitar mudar e escolher o caminho da mudança. Tactear o caminho levando ao colo os seus amores. A primeira mulher que acreditou no caminho hesitante que me havia de fazer homem. Sem saber para onde ia ao certo. Nem ninguém sabia, ninguém nunca sabe, mas não duvidou que havia de chegar a um lugar onde brilharia o sol e sou capaz de a lembrar como a minha primeira mulher. Aquela que mais me amou, sempre me amou além do que a vida pode conter de riqueza material. Um dia ao fim de uma longa caminhada sem sequer saber dos meus males escolheu morrer nos meus braços. A mais sublime homenagem que alguém pode prestar a alguém. De súbito suavemente, na alegria da celebração da juventude, deixou para sempre a esfusiante tradição de me abraçar como se fosse a criança que para ela nunca deixara de ser. [21/1/2008]
Transparência
Eis uma causa pela qual vale a pena lutar, sem amarras a ideologias e preconceitos. A transparência. Ou seja, em palavras simples e diretas, à publicitação do património e interesses dos politicos e dirigentes da administração. Assim como do financiamento dos partidos politicos por pessoas e entidades não públicas. Não basta declarar, é necessário assegurar o acesso à informação de forma aberta. A campanha em prol da opacidade diz muito dos perigos da captura de poder por grupos de interesse mas também da erosão da democracia. As pessoas decentes não podem deixar passar em claro as manobras em curso que têm ramificações em todos os níveis do poder.
sábado, maio 2
Maio
Maio. No algarve de visita à terra para uns dias de férias. O jardim está florido de cores fortes, o cheiro ao jeito árabe ateneou por efeito da baixa da temperatura. Nas ruas o tempo corre com aparente calma nas vésperas de tempestades.
sexta-feira, maio 1
1 de maio
Hoje é dia de Maio, dizia-se no campo de meus avós, tão longe no tempo, tão perto na memória. Hoje passam 52 anos sobre a data em que se desfizeram muitas dúvidas acerca da natureza da revolução de Abril. Por toda a parte ressoaram os passos de milhões de manifestantes. Num repente um povo submisso parecia ter-se transformado num povo rebelde. Mas as revoluções só sobrevivem naqueles breves momentos de fusão em que tudo parece ser possível. Torga, apesar do seu cepticismo, vigilantemente crítico, escrevia, pouco tempo depois, no seu Diário: “Aveiro, 9 de Junho de 1974 – A caminho da Costa Nova, com a sensação de que os barcos navegam no meio dos milheirais.” E, ainda antes, a propósito das suas incursões pela política: “Coimbra, 1 de Junho de 1974 – Discurso num comício socialista. Ainda hei-de escrever meia dúzia de linhas a propósito da situação trágico-cómica de um poeta em bicos de pés num estrado cívico, a esforçar-se por estar à altura da sua reputação e ao mesmo tempo a saber que ninguém o ouve.” Jorge de Sena, na América, escreveu em 2 de Maio de 1974 o poema “Com que então libertos, hein?...”: “Falemos de política, / discutamos de política, escrevamos de política, /vivamos quotidianamente o regressar da política à posse de cada um /essa coisa de cada um que era tratada como propriedade do paizinho. /Tenhamos sempre presente que, em política, os paizinhos/ tendem sempre a durar quase cinquenta anos pelos menos. /E aprendamos que, em política, a arte maior é a de exigir a lua/ não para tê-la ou ficar numa fúria por não tê-la, / mas como ponto de partida para ganhar-se, do compromisso, /uma boa lâmpada de sala, que ilumine a todos. (…)". A fotografia, a preto e branco, sobreviveu 52 anos tal como alguns de nós que nela se podem rever. Eu continuei no quartel, como tantos outros, vigilantes, mas hoje arrependo-me de não ter saído à rua num dia assim. QUE VIVA O 1º DE MAIO!
quarta-feira, abril 29
Greve geral - nunca menosprezar
“A revolução de 1905 principiou pela greve de uma tipografia moscovita cujos operários pediam que os pontos e as vírgulas fossem contados como caracteres na avaliação “por peça”.
O Soviete de Saint-Peterburgo em 1905 apela para a greve aos gritos de abaixo a pena de morte.”” Albert Camus, in Caderno nº 6.
terça-feira, abril 28
segunda-feira, abril 27
Transparência
Na véspera do meu aniversário com 52 anos de participação em eleições democráticas, tendo votado em todas, ponho em causa futuras participações se o financiamento dos partidos politicos por particulares não for publico, ou seja, se não for conhecida publicamente a identidade dos doadores e o valor das doações, seja qual for a sua natureza. ( A ilustração é um desenho do meu filhe em criança.)
domingo, abril 26
Interesses
Tantos anos após o 25A interrogo-me o que faz com que o debate acerca do património e interesses dos politicos e gestores da coisa pública, esteja tão intenso. E que dizer do financiamento dos partidos sendo o nosso regime de partidos. É irrisório e talvez mesmo grotesco. Tal como os apoios prometidos chegam devagar aos necessitados, quando chegam, (que culpa têm os gestores da coisa pública que sejam necessitados?), os que fazem as leis vacilam e dançam perante as suas próprias necessidades! As suas. Não brinquemos com a maioria que não tem nada para declarar!
sábado, abril 25
25 de abril - Liberdade
No dia 25 de Abril de 1974 em que a história, o imaginário e o simbólico se fundiram, num magna único, as raízes falaram mais alto. Uma das recordações mais fortes do 25 de Abril, que persistem em mim, foi a preocupações em telefonar, naquela manhã, do quartel onde ficara enclausurado, para casa de meus pais. Talvez seja incompreensível a persistência desta memória mas ela explica-se pelo facto de ter vivido, a maior parte da minha vida, longe da família, rodeado pela memória das paredes brancas, da luz do sul, dos cheiros da terra com vista para o mar. Das vozes e dos olhares que me viram crescer. Das ruas que conheço de cor e sou capaz de imaginar ao pormenor. Do rosto daqueles que são o rio no qual desagua o meu imaginário. Naquele momento mágico, a madrugada do 25 de Abril de 1974, em que o sonho de gerações de portugueses se transformou em realidade veio ao cimo das minhas preocupações o que, em regra, nunca constituía preocupação: falar com a família para lhes dar a boa nova, trocar uma palavra de regozijo, ofertar um cravo imaginado, abraçar o futuro, verter uma lágrima, agradecer a liberdade que me tinham oferecido mesmo antes dos cravos brilharem nos canos das espingardas. Reparei então como não somos nada sem as raízes que nos prendem ao chão das nossas origens. O 25 de Abril foi uma vertigem de libertação que ainda mais despertou em mim o gosto da participação cívica. Ganhei esse gosto pela iniciativa do meu irmão Dimas à época em que todos os pais hesitam acerca do destino dos seus filhos. Os gostos não são inatos. Não nascem connosco. São uma construção na relação com o mundo que nos rodeia. Sendo um filho tardio recebi dos meus pais a liberdade de escolher a minha vida e do meu irmão a discreta cumplicidade para que me afirmasse, no que quer que fosse, com respeito pelos princípios da liberdade e da democracia. O 25 de Abril foi a confluência de uma miríade de vontades libertadoras, um momento singular, que honraremos cultivando o gosto da liberdade. (Publicado em 23 abril de 2006).
sexta-feira, abril 24
25 de abril - um percurso singular
O dia 24 de abril de 74 poderia ter sido um dia normal de primavera como o de hoje, mas revelou-se muito original. Eu sabia do que se estava a preparar. No quartel onde passava os dias corriam informações que não dava para desvalorizar. Foi nesse meio que soube que seria na próxima madrugada. Entre nós, milicianos no SMO, acordamos o que havia para acordar, o encontro decisivo seria na casa do António Cavalheiro Dias, com o João Mário Anjos além dos familiares diretos, a partir de determinada hora ao final da tarde. Entretando passei pela casa do Ferro para o avisar (estava a decorrer um jogo do Sporting na Alemanha de Leste), e deixado o aviso segui da Lapa para Benfica na direção do ponto de encontro. Não telefonei para mais ninguém que me lembre. A namorada em Chaves e a família em Faro. Não devo ter querido criar inquietação e falsas expetativas. A certa altura já tarde na noite fui acordado - decidi deitar-me no chão da sala e adormeci - com emoção, já tinha passado a primeira senha. Devemos ter aguardado pela segunda e partimos a caminho da segunda circular com intenção de entrar no quartel do Campo Grande (2ª GCAM). Após algumas voltas, a ver se havia movimento de tropas, formos surpreendidos na entrada do Campo Grande por uma coluna militar que mais tarde soubemos ser a comandada por Salgueiro Maia. Face a essa surpresa exaltante decidimos seguir a coluna tendo deixado o João Mário no quartel. Lá fomos nós até ao fim do percurso dela - Terreiro do Paço/Rua do Arsenal. Aí decidimos não ficar e fazer o caminho do nosso quartel. Fizemos mal. Foi um dia 24 de abril e uma madrugada de 25 singulares, a história é hoje bem conhecida. Que viva o 25 de abril!
quinta-feira, abril 23
25 de abril - Vitor Wengorovius
O mais brilhante tribuno do movimento estudantil durante a crise académica de 1961/62. Eu não tinha idade para o conhecer nessa época mas os testemunhos dos seus contemporâneos são eloquentes. Só o conheci como veterano no processo de criação do MES bastante antes do 25 de Abril. Era uma figura pujante de energia e criatividade, prolixo, solidário e desprendido. Era a personificação do excesso para seu prejuízo pessoal e benefício da comunidade. Um socialista católico puro e impoluto, crente e destemido, desprendido do poder e amante da partilha. Privei com ele, nele confiava em pleno, com ele aprendi a confiar, talvez a confiar demais. Não me arrependo de ter acreditado na luz que emanava da sua dedicação às causas utópicas que as suas palavras nunca eram capazes de desenhar até ao fim. As suas palavras perseguiam a realidade que se escapava como um permanente exercício de criação. Com ele fui a encontros clandestinos com o Pedro Ramos de Almeida, representante do PCP, buscando as alianças necessárias ao sucesso da luta anti fascista e nunca fomos apanhados pela polícia política. Ouvi horas das suas conversas, intervenções e discursos, aprendi a ouvir, aprendi a faceta fascinante do excesso da palavra (não só com ele) e sofri, em silêncio, o lancinante drama do seu percurso pessoal perdido no labirinto das rupturas intelectuais e sentimentais. Morreu a 27 de Fevereiro de 2005 mas viverá para sempre no coração daqueles que, verdadeiramente, o conheceram.
quarta-feira, abril 22
25 de abril - António Santos Júnior
No movimento operário de base destacou-se, emergindo das lutas da TAP, que antecederam o 25 de Abril, António Santos Júnior. Ele liderou um movimento de novo tipo, associando as reivindicações tradicionais do operariado urbano com os novos desígnios da participação do movimento operário na acção política.
Era um admirável homem de acção e de organização, persuasivo e generoso. Aliás Santos Júnior deveria ter discursado na grande manifestação, em Lisboa, do 1º de Maio de 1974, em representação do MES, mas foi boicotado em cima da hora (não sei ao certo o que se passou nos bastidores).
Foi nessa manifestação que surgiu, pela primeira vez, em público a sigla MES inscrita num pano onde se podia ler "Movimento de Esquerda Socialista - em organização".
Outros dois destacados activistas do movimento operário e sindical, com relevante participação no MES, foram Manuel Lopes (sindicalista que aderiu à CGTP) e o ideólogo das lutas da TAP, Jerónimo Franco.
(António Santos Júnior morreu no dia 27 de Janeiro de 2017. Segundo um camarada seu do movimento sindical de então, Jerónimo Franco, "sob a direcção de Santos Júnior as transformações atingiram tal amplitude que se iniciou uma nova era no sindicalismo português".)
terça-feira, abril 21
25 de abril - Mário Viegas
Mas o oficial miliciano mais fascinante do meu Quartel era o Mário Viegas. O seu estatuto no serviço militar era apropriado ao seu talento de actor.
Vivemos em comum aqueles momentos inesquecíveis em que a liberdade foi devolvida aos portugueses. Tinha por ele um natural fascínio que sempre me retribuiu até à sua morte prematura.
Por um daqueles dias entre o 25 de Abril e o 1 de Maio de 1974, se não erro, no Quartel do Campo Grande, assisti ao espectáculo mais extraordinário de toda a minha vida. Havia que festejar o que agora comemoramos com nostalgia. O refeitório foi transformado numa sala de espectáculos. Nele se reuniu toda a gente de serviço no quartel.
Imaginem o elenco daquela festa improvisada: Carlos Paredes, Zeca Afonso e Mário Viegas. Todos mestres geniais na sua arte. A certa altura o Mário Viegas subiu para o tampo de uma mesa e a poesia brotou, em palavras ditas, como se diante de nós se revelasse um novo mundo ou tivéssemos da vida renascido.
segunda-feira, abril 20
25 de abril - Salgueiro Maia
Afinal o Capitão Salgueiro Maia era um homem de coragem. No confronto decisivo da Rua do Arsenal foi o sangue frio de Salgueiro Maia que tornou vitoriosa a revolução. A sua serenidade face à força inimiga obrigou a que o soldado atirador, sob ordens de um subordinado do brigadeiro, não fosse capaz de premir o gatilho. A serenidade do Capitão Salgueiro Maia, sabendo que tinha a sua cabeça na mira do atirador, congelou a situação.
Acredito pelo que presenciei que só a conjugação da coragem do Comandante da força revoltosa de Santarém, o desespero do comandante da força do regime e a recusa do soldado em disparar permitiram o desenlace feliz daquela situação que, no plano militar, era absolutamente desfavorável aos revoltosos.
Assim se decidiu o destino da revolução
domingo, abril 19
25 de abril - Agostinho Roseta
No movimento operário e sindical o activista mais importante do MES foi Agostinho Roseta, já falecido. Ele associava juventude (ou talvez melhor, jovialidade), capacidade teórica e sentido prático de organização, era persuasivo, sedutor e desprendido do poder. Morreu num 9 de Maio, muitos anos depois do MES ter sido extinto, na plena pujança das suas qualidades humanas e intelectuais. A sua morte prematura impediu que tivesse, muito provavelmente, exercido uma influência marcante, a partir de 1995, no movimento sindical (UGT) e no Partido Socialista.
sábado, abril 18
25 abril - Capitão Teófilo Bento
Quando eclodiu o 25 de Abril, cumpria serviço militar, como oficial miliciano, desde finais de 1971, no quartel do Campo Grande, em Lisboa. Nunca soube a razão de não ter sido mobilizado para uma das frentes da guerra colonial. O destino reservou-me passar quase três anos a ministrar instrução militar a recrutas de toda a sorte, alguns deles, por sinal, bem ilustres.
Foi o Capitão Teófilo Bento que me contactou no início de 1974 e não sei já como chegou até mim. Talvez tenha sido após o «Golpe das Caldas», em 16 de Março, pois, nesse dia, foi-me dada ordem para permanecer no quarto. Na manhã do dia seguinte, se bem me lembro, lá me mandaram sair. O golpe tinha fracassado.
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Falei, por esses dias, com o Capitão Teófilo Bento num carro estacionado próximo do 2º GCAM, no Campo Grande. Ele queria saber se havia algum oficial miliciano de confiança no Quartel-general de Lisboa.
Tratava-se, pelo que percebi, de um ponto fraco na rede dos militares que preparavam o golpe. Mas não havia um único miliciano de confiança, que eu conhecesse, em serviço no Quartel-general. Após este encontro fiquei com a certeza da inevitabilidade de que algo de sério ia acontecer.
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Estava, de facto, em marcha uma acção de envergadura para derrubar o regime. Mantive a maior descrição. Não falei a ninguém acerca desse encontro. Mas tomei as minhas providências. O ambiente era de medir forças dentro dos quartéis. Após o fracassado «Golpe das Caldas» todos os movimentos eram observados e o ar que se respirava estava povoado de ameaças.
sexta-feira, abril 17
Doadores
Passam-se coisas estranhas na nossa vida pública. O debate acerca da ideia de adoptar o secretismo aos doadores no seu apoio aos partidos é uma delas. A democracia não se compedece com tal ideia além de ser ilegal. Quem não quiser ser escrutinado não se candidate a cargos públicos. O melhor seria mesmo que o financiamento dos partidos fosse exclusivamente público. É o preço da democcracia.
quarta-feira, abril 15
Abril
"Abril.
Primeiros dias de calor. Sufocante. Todos os animais estão deitados. Quando o dia começa a declinar, a natureza estranha da atmosfera por cima da cidade. Os ruídos que nela se elevam e se perdem como balões. Imobilidade das árvores e dos homens. Pelas esplanadas, mouros de conversa à espera que venha a noite. Café torrado, cujo aroma também se eleva. Hora suave e desesperada. Nada para abraçar. Nada onde ajoelhar, louco de reconhecimento."
Albert Camus ---
[Nesta página da edição portuguesa dos Cadernos da "Livros do Brasil" escrevi, à mão, em frente a Abril: “3-1968-Faro-Cais”, datando, com precisão, a primeira leitura. O ambiente da Argélia natal de Camus tem algo a ver com o ambiente de Faro, a minha cidade natal. Devia ser o período das Férias de Páscoa. Curiosamente nas vésperas do “Maio de 68”.]
domingo, abril 12
Seguro - um mês
Seguro será um presidente próximo das pessoas como mostrou neste primeiro mês de exercicio. O comentariado já começou a torcer o nariz. É demasiado pouco mediática esta postura, impacta nas pessoas mas não reverbera com estrondo nos écrans. seguro não deixa por mãos alheias a critica à propaganda do governo introduzindo nela um filtro poderoso de realidade. O magna de interesses que está por detrás da politica do governo tudo tentará para puxar Seguro para a irrelevância. Veremos o que acontece com os inúmeros diplomas que vão passar pela secretária de Seguro.
sábado, abril 11
Sempre a guerra
É horrivel assistir à guerra no sofá, o que nunca aconteceu com tamanha frequência e maldade. Sem falar das tareias de comentadores que nada sabem de guerra, mesmo sendo militares. A sensação é que a guerra não vai acabar mais por jamais o poder vir a ser exercido por pessoas normais.
quarta-feira, abril 8
Guerra sempre guerra
A guerra pode ser justa se servir para nos libertar da servidão. Resta saber o que é servidão, certamente ausência absoluta de liberdade. E o que é liberdade? Questão filosófica sempre discutida por vezes de forma exaltada. Entre uma democracia com defeitos e uma ditadura perfeita, escolho a democracia. Entre a liberdade absoluta própria dos ditadores que a tomam em exclusivo para si, e as escolhas livres do quotidiano do cidadão comum, escolho a vida comum. A questão de fundo da guerra é sempre a mesma com variantes. As oligarquias lutam pelo domínio dos recursos (riquezas) que as beneficiam em desfavor da maioria que morre em seu nome.
sexta-feira, abril 3
Guerra
“É sempre vão pretender quebrar um laço de solidariedade, apesar da estupidez e da crueldade dos outros. Não se pode dizer: “Ignoro-o”. Colabora-se ou combate-se. Nada é menos perdoável que a guerra e o apelo aos ódios nacionais. Mas uma vez surgida a guerra, é vão e cobarde querer afastar-se a pretexto de que se não é responsável. As torres de marfim acabaram. A benevolência é interdita. Por si própria e para os outros. Julgar um acontecimento é impossível e imoral se se está de fora. É no seio dessa absurda desgraça que se mantém o direito de a desprezar. A reacção de um indivíduo não tem qualquer importância. Pode servir para qualquer coisa mas nada a justifica. Pretender, por diletantismo, afastar-se e separar-se do seu ambiente, é dar prova da mais absurda das liberdades. Eis porque motivo era necessário que eu tentasse servir. E se não me quiserem, é igualmente necessário que eu aceite a posição do civil desprezado. Em ambos os casos estou no centro da guerra e tenho o direito de a julgar. De a julgar e de agir.” Albert Camus, in Caderno” n.º 3 (Abril de 1939/Fevereiro 1942). Para que se compreenda a problemática deste fragmento que muito me influenciou. Em Setembro de 1939, Camus está pronto para partir para a Grécia quando eclode a 2ª guerra mundial. Camus não quer escapar à guerra e apresenta-se como voluntário mas não é aceite devido à sua tuberculose.
quarta-feira, abril 1
Cartel
"Governador do BdP admite “comportamento ilícito” no “cartel da banca”, mas sacode responsabilidades para os tribunais", in Expresso. É hilariante próprio de uma boa tirada do Eça. A Banca foi condenada mas prescreveu. Ninguém assume responsabilidades e a banca goza com o pagode.
terça-feira, março 31
Inquisição
Há efemérides esquecidas como a do fim da inquisição.
Na sessão de 31 de março de 1821, as Cortes Constituintes decretavam a extinção do Tribunal do Santo Ofício, instituição criada em Portugal em 1536, com o objetivo de julgar e punir os crimes contra a religião católica.
Quantas pessoas morreram na Inquisição em Portugal?
Os registos existentes mostram que, entre 1543 e 1684, a Inquisição condenou 19.246 pessoas em Portugal. Destas, 1379 foram queimadas e centenas morreram na prisão enquanto esperavam julgamento. Ao todo, em Portugal, o Santo Ofício fez mais de 40 mil vítimas, das quais, cerca de 2 mil foram mortas na fogueira.
segunda-feira, março 30
Habitação
"Sete em cada dez novos proprietários com crédito à habitação vão pagar a casa até aos 70 anos", in Expresso de um relatório do Banco de Portugal. Ainda não foi debatida a mais relevante razão da crise da habitação em Portugal: a banca. A oferta de habitação pública e cooperativa é residual; o mercado de arrendamento sem fôlego; reina a especulação e o negócio do crédito que tornou Portugal num país de proprietários endividados para toda a vida.
domingo, março 29
Tempo de trevas
Está escrito nas estrelas que teremos guerra cada vez mais alargada e intensa, as palavras não são suficientes para descrever o horror da guerra, nunca foram. Mesmo eleitos os politicos não geram confiança, os povos descreem e a religião volta a ser estandarte da guerra. O Papa hoje ergueu a voz contra os que usam a religião como arma de guerra. O ambiente geral não é amigo da paz. As ambições imperiais, de conqistas pela força, e o discurso do ódio ganham terreno. Está aberto um novo tempo de trevas.
sábado, março 28
O Estrangeiro
Hoje fui ver O Estrangeiro filme em exibição que muito me supreendeu pela positiva. Belo, captando o ambiente da obra de Camus na qual se inspira. Vale a pena. Transcrevo excerto de um texto de Maria Luisa Malato em resposta à velha questão de qual o livro que levaria consigo para uma ilha deserta: Ou talvez seja O Estrangeiro. Releio agora sem professor, admirando cada vez mais a conotação indelével das coisas ditas com simplicidade. Disseram-me seca a frase “Hoje, a mamã morreu”. Mas se assim fosse, porquê a ternura da palavra “mamã”? Tento variantes: “Hoje, a minha mãe morreu”, mais seco. “Hoje, a mãe morreu”: mais seco ainda? O que é hoje evidente em Meursault é o percurso iniciático de um homem que aprende a sair da indiferença que nunca foi absoluta. O Estrangeiro é a história do caminho que vai do “para mim tanto faz” ao “não” final, forma extrema de compromisso solitário. Ensinou-me que Camus não é um filósofo do absurdo, mas um filósofo anti-absurdo, na medida em que constrói os sentidos da vida a partir da consciência indelével do absurdo.
sexta-feira, março 27
Dia Mundial do Teatro
O dia 27 de março é consagrado como Dia Mundial do Teatro. Sempre assinalo esta data não por mera celebração de uma efeméride mas porque o teatro desempenhou um papel muito importante na minha vida. Na alta adolescência, por altura do meu 6ª ano do liceu, num tempo de trevas culturais, o meu irmão deve ter impulsionado a minha aproximação à atividade teatral. As relações com o Dr. Emílio Campos Coroa haviam sido estreitadas e daí deve ter resultado a minha integração no Grupo de Teatro do Circulo Cultural do Algarve - mais tarde "Teatro Lethes" - após ter já sido iniciado pelo Dr. Joaquim Magalhães nas atividades teatrais do liceu. Foi uma oportunidade de intensa sociabilização, aprendizagem da arte do teatro e exigente exercício de enfrentamento dos públicos. Muita entrada em cena, muito palco e fala e necessário conhecimento de dramaturgos de referência. Somente a minha saída da cidade de Faro para Lisboa me separou desta experiência que marcou a minha formação pessoal e cultural para sempre. Bem hajam aqueles que me impulsionaram e acompanharam nessa formalizável experiência teatral.
quarta-feira, março 25
Nos limites ...
A situação do mundo (e da politica no mundo) é catastrófica, no limiar da destruição fisica e dos valores humanistas. Como bem sabemos pairam no ar ventos de guerra com ameaças de generalização e quem sabe com utilização de armas de destruição em massa. A crise económica é inevitável cuja profundidade está por ver onde chega e como se estende no tempo. Ao contrário de todas as aparências admiro Guterres que mantem em final de mandato um discurso claro em defesa da paz. E já agora de condenação do esclavagismo. Honra lhe seja feita.
sábado, março 21
sexta-feira, março 20
Felicidade
Depois de concluída a especialidade fiquei a dar instrução militar, o tempo todo, no 2º GCAM, no Campo Grande, em Lisboa. Passaram-me pelas mãos muitas centenas de jovens soldados recrutas aos quais industriei, o melhor que sabia, na área da administração militar. Foram sucessivas "semanas de campo" e incessantes sessões de instrução de tiro na Carregueira. Estas davam-me um prazer especial com excepção do "lançamento de granadas". Assim correu o tempo, desde meados de Abril de 1972, até ao 25 de Abril de 1974. A minha vida fazia-se entre o quartel e encontros de conspiração com os amigos e activistas que haveriam de confluir no MES (Movimento de Esquerda Socialista). Tinha a cabeça povoada de todas as ilusões que resultavam das leituras libertárias e marxistas, liberais e heróicas, sonhadoras e utópicas de Huxley, Camus, Gramsci, Luckac, Lenin, Marx, Rosa Luxemburgo, Mao, José Gomes Ferreira, Aquilino, António José Saraiva... As ideias da democracia directa, das comunas, da plena participação popular, tinham-se sobreposto à realidade, bem mais prosaica, da democracia representativa. Os ecos próximos da experiência do Maio de 68, em França, tinha dado asas à utopia de que o caminho para a felicidade se poderia encontrar na revolta contra o poder burguês. O tempo das ilusões...
quinta-feira, março 19
Pai
O meu pai Dimas era pessoa vertical e proba, assim o vejo tanto tempo passado. As gerações sucedem-se e hoje de madrugada nasceu a minha segunda neta que se vai chamar Mar. Uma notícia feliz no meio da desordem no mundo. Haja saúde.
domingo, março 15
Seguro (uma semana)
Estou convicto que Seguro presidente estará atento à questão social e que buscará informar-se para melhor avaliar e agir no âmbito das suas competências. Aliás somente com uma semana em funções já tomou iniciativas nesse sentido. Auguro que será consequente com as suas próprias convições colocando os seus poderes em defesa das causas e instituições desconsideradas e desvalorizadas pela direita conservadora ultraliberal. Aí encontrará muitas subtis reservas, senão oposição frontal, no sentido de tornar irrelevantes as suas palavras e ações. Reclama-se coragem!
quarta-feira, março 11
Seguro (2º dia)
O estado de graça de Seguro durou um dia. Exagero à parte, logo no ponto em que tinha tomado posição nos dias da campanha, diga-se "pacote laboral", lhe servem o dissenso. O governo, salvo se alguém enlouqueceu, reune os parceiros, no dia da sua posse, para tornar público o desacordo. Ou por outras palavras, os patrões, leia-se CIP, marcaram a agenda e hoje o primeiro encosta a CGTP à extrema direita que anunciou que vota contra e reduz a UGT a uma espécie de grupo anarco sindicalista. Para quê? Não se sabe. Talvez para mostrar que o PR não manda nada...
terça-feira, março 10
Seguro (1º dia)
O discurso de Seguro, em quem votei por convição, é próprio de um politico tradicional. Marcelo também o era à partida mas desmentiu rapidamente essa versão. A realidade vai impor limites à sua estimável vontade de consensos politicos alargados. Mas a afirmação dessa vontade conta muito e limita o impulso partidário para o dissenço e o ónus para a futura ausência de consensos fica do lado partidário. A sua afirmação critica face ao excesso de eleições em curto espaço de tempo é um risco se eleições forem precisas. É muita promessa de estabilidade e muitos se perguntam: estabilidade para quê? (Continua)
domingo, março 8
Marcelo (em março 2016)
A propósito destes primeiros dias da presidência de Marcelo Rebelo de Sousa notam-se sinais de perplexidade em todos os setores da nossa sociedade. Nem a direita nem a esquerda politicas são capazes de calibrar o discurso acerca do que já se conhece do desempenho do presidente. A única apreciação que não merece contestação: é diferente. Não é só uma questão de discurso. Aconteça o que acontecer mais tarde, mesmo após secarem as pétalas do estado de graça, Marcelo representa uma mudança na relação do presidente com o povo, da Presidência com o país. Marcelo executa uma politica que vai para além da rotina própria das instituições. Ele conhece a força da componente simbólica da função presidencial e da força dos símbolos na projeção externa de um país periférico com uma longa história universalista. E isso faz toda a diferença.
sábado, março 7
8 março - Dia Internacional da Mulher
A terra e o corpo eram o mundo possível; a terra penetrava os poros, tisnava a pele, sujava as feridas; a terra cantava sob a correria dos pés descalços; a terra e os corpos entoavam as canções de embalar e de trabalho, da eira ao arado, do varejo ao rabisco; olhava as mulheres como se fossem rainhas que um dia haviam de dançar mil danças rodopiando nos braços do seu par; via-as sempre a dançar em seus sorrisos e suas gritas; as mulheres do tempo de as ver somente com uma admiração que me vinha de dentro. Não sabia nada delas mas via-as e amava-as como se fossem a terra que segurava as minhas raízes ao chão da vida. [4/2/2008]
sexta-feira, março 6
Guerra, hipocrisia e mentira
Guerra, hipocrisia e mentira em doses cavalares. Não dá para ver e ouvir as noticias que correm sem uma sensação de nojo. Os pobres e as crianças morrem sem especial escândalo, nem forte condenação. De todos os lados chovem falsos argumentos para justificar a guerra. Deixaram de existir pacifistas com voz própria e intensa que se não deixem confundir com a horda populista seja qual for a sua cor. O Imperador velho e louco quer conquistar todas as riquezas do mundo. Um dia cairá como todos caíram sempre, mas não me saiem da cabeça as crianças mortas na madrassa iraniana bombardeada.
quinta-feira, março 5
O meu último post António Lobo Antunes (reproduzo, que viva!)
Pelo menos duas vezes vi o António Lobo Antunes num pequeno café/restaurante de telheiras a almoçar há pouco tempo.
Enquanto comia ditava sem parar e a acompanhante escrevia, por vezes interrogava e, aparentemente distraído, prosseguia como se o fio da sequência se pudesse quebrar.
Li o artigo que hoje ele publicou na “Visão”. É pungente anunciar o que é mais difícil de anunciar: “Suceda o que suceder, uma coisa tenho por certa: isto alterou, de cabo a rabo, a minha vida. Ignoro em que sentido, ignoro como. Sei que alterou. Santa Maria. O que farei daqui para a frente, se existir daqui para a frente?” (…)
“Estão sempre a dar-me prémios e claro que tenho prazer nisso, não sou mentiroso nem hipócrita. Toda a gente foi muito simpática.
e sem que eles sonhassem
(sonhava eu)
o cancro
ratando ratando, injusto, teimoso, cego. Mói e mata. Mata. Mata. Mata. Mata. Levou-me tantas das pessoas que mais queria. E eu, já agora, quero-me? Sim. Não. Sim. Não – sim. Por enquanto meço o meu espanto, à medida que nas árvores da cerca uns pardais fazem ninho. A primavera mal começou e eles truca, ninho. Obrigado, Senhor, por haver futuro para alguém.”
Da última vez que o vi, talvez em Fevereiro, achei-o quebrado, mas quantos de nós, tanta vez, não surgimos, aos olhos dos outros, como virtualmente mortos. A vida reserva-nos surpresas tristes mas a sombra não é mais do que um recorte da luz e a esperança o sol que nunca abandona as nossas vidas.
Até os comentários à auto notícia da doença de António Lobo Antunes são, ao contrário do costume, decentes e encorajadores. Por mim associo-me às vozes da esperança.
(A ilustração é um óleo de Teresa Dias Coelho).
domingo, março 1
Nada a acrescentar
A guerra progride e intensifica-se entre as grandes potências por interpostas vitimas. Guerras de conquista à maneira clássica por territórios, rotas e riquezas. Por cá vive-se como habitualmnte como se nada fosse, respirando-se o ar do "Estado Novo". Nada a acrescentar à distopia.
quarta-feira, fevereiro 25
Pelo 21º aniversário da morte do meu irmão Dimas
"As voltas da vida levaram a que meus pais viessem a adoptar, antes do tempo, o modelo quase perfeito da família nuclear. Um casal e dois filhos. Mas é interessante que já os pais de meus pais haviam gerado famílias pequenas: os meus avós paternos com três filhos e os maternos com dois. O modelo da família alargada havia ficado pelas gerações anteriores.
O meu irmão Dimas nasceu onze anos antes de mim. Ele é contemporâneo dos inícios da guerra civil de Espanha e eu sou um “baby boomer” típico. Não sou capaz de imaginar a intensidade do impacto do meu nascimento tardio no equilíbrio familiar.
Mas é um facto que o meu irmão não concluiu o liceu tendo os meus pais que buscar uma via alternativa para a sua formação. Por ruas e travessas chegaram a um caminho que deu certo. O meu irmão, ainda antes de 1955, partiu para o Porto para aprender, ao mesmo tempo, dois ofícios: óptico e gravador.
Lembro o dia da sua partida. Naquela época a distância entre o extremo sul de Portugal e o Norte, entre Faro e o Porto, era incomensuravelmente maior do que é hoje. O meu irmão Dimas, com menos de vinte anos, instalou-se no Porto, tendo encetado a sua aprendizagem na “Óptica Retina”.
Aprendeu bem todos os segredos dos ofícios a que se propôs dedicar-se o que lhe permitiu durante quase cinquenta anos fazer um percurso ascendente, à maneira de um “self-made-man”, que lhe havia de granjear prestígio profissional e social além de prosperidade económica.
Como escrevi, por alturas da sua morte, prematura e injusta, é um caso de alguém que subiu a pulso na vida, com o esforço do seu trabalho, o apoio inicial dos pais, e uma forte exigência na qualidade do seu próprio desempenho pessoal e profissional.
Os meus pais, forçados pelas circunstâncias da vida, com alegrias e amarguras, fizeram, em relação ao futuro dos filhos, o melhor que puderam. E, no essencial, acertaram. Ao mais velho uma profissão, ao mais novo um curso superior. Depois cada um que assumisse, com liberdade, o seu próprio futuro."
segunda-feira, fevereiro 23
4 anos de guerra
Amanhã passam 4 anos desde o inicio da guerra na Ucrânia, é impensável 4 anos de guerra, destruição e morte, ódio e retaliação, como sempre a juventude destroçada, e os pobres como vitimas principais. Não acredito nos senhores da guerra, são abomináveis os seus interesses e repugnantes os politicos que se curvam aos designios dos senhores da guerra. Nestes periodos suponho que os defensores da paz, da verdade e da justiça, sempre se revoltaram. Mas no nosso tempo são fracos os sinais dessa revolta.
sexta-feira, fevereiro 20
Os dias que passam
Confuso? De repente ao mesmo tempo que se promove, no desespero, a UGT ao esquerdismo irresponsável, em contramão com o quero posso e mando, abrem-se consultas com tudo e todos para a reconstrução de Portugal. Viva! O manicónio em todo o seu explendor.
quinta-feira, fevereiro 19
René Char - 14 de Junho de 1907/19 de Fevereiro de 1988
Este lugar é só um voto do espírito, um contra-sepulcro./
Na minha terra preferem-se as ternas provas da primavera e os pássaros mal-vestidos aos objectivos longínquos./
A verdade espera pela aurora à luz de uma vela. O vidro da janela não está limpo. Pouco importa ao atento./
Na minha terra não se fazem perguntas a um homem comovido./
Não há sombra maligna no barco soçobrado./
quarta-feira, fevereiro 18
Futebol?
Como está bem à vista de todos, desde há muito, o futebol é uma "escola de virtudes". Um dia alguém, com coragem, terá que pôr cobro ao antro de sujidade em que se transformou o futebol profissional.
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