sexta-feira, abril 24

25 de abril - um percurso singular

O dia 24 de abril de 74 poderia ter sido um dia normal de primavera como o de hoje, mas revelou-se muito original. Eu sabia do que se estava a preparar. No quartel onde passava os dias corriam informações que não dava para desvalorizar. Foi nesse meio que soube que seria na próxima madrugada. Entre nós, milicianos no SMO, acordamos o que havia para acordar, o encontro decisivo seria na casa do António Cavalheiro Dias, com o João Mário Anjos além dos familiares diretos, a partir de determinada hora ao final da tarde. Entretando passei pela casa do Ferro para o avisar (estava a decorrer um jogo do Sporting na Alemanha de Leste), e deixado o aviso segui da Lapa para Benfica na direção do ponto de encontro. Não telefonei para mais ninguém que me lembre. A namorada em Chaves e a família em Faro. Não devo ter querido criar inquietação e falsas expetativas. A certa altura já tarde na noite fui acordado - decidi deitar-me no chão da sala e adormeci - com emoção, já tinha passado a primeira senha. Devemos ter aguardado pela segunda e partimos a caminho da segunda circular com intenção de entrar no quartel do Campo Grande (2ª GCAM). Após algumas voltas, a ver se havia movimento de tropas, formos surpreendidos na entrada do Campo Grande por uma coluna militar que mais tarde soubemos ser a comandada por Salgueiro Maia. Face a essa surpresa exaltante decidimos seguir a coluna tendo deixado o João Mário no quartel. Lá fomos nós até ao fim do percurso dela - Terreiro do Paço/Rua do Arsenal. Aí decidimos não ficar e fazer o caminho do nosso quartel. Fizemos mal. Foi um dia 24 de abril e uma madrugada de 25 singulares, a história é hoje bem conhecida. Que viva o 25 de abril!

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