quarta-feira, setembro 17

Nosso tempo, todos os tempos

Guerras guerra, desastres desastre, crimes crime, mentiras mentira, negócios negócio, mortes morte, à beira catástrofe, não terá sido sempre assim?

domingo, setembro 14

Achamento

Ontem reli este documento extraordinário,somente 35 páginas nesta edição, datado de 1 de maio de 1500, relato de um primeiro contato com uma realidade nova, surpreendente e esplendorosa aos olhos do cronista. Ao mesmo tempo ouvia notícias acerca do julgamento de Bolsonaro, o Brasil continua a ser um novo mundo pujante de luz e força criadora.

sexta-feira, setembro 12

Uma lição de história e humanidade, in Expresso

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) citou Jesus Cristo para dizer que não considera católicos quem se afirma crente e tem um discurso contra os imigrantes e contra o acolhimento. "Isso é o que, a mim, mais me custa entender em tudo isto", disse José Ornelas, confrontado com o facto de muito do discurso xenófobo, populista e anti-imigrantes invocar a fé católica e a matriz judaico-cristã da Europa. Numa conferência após o XVI Encontro de Bispos dos Países Lusófonos, José Ornelas citou o que respondeu Jesus Cristo aos seus contemporâneos que o acusavam de violar a fé judaica em que havia sido criado: "A resposta é 'não vos conheço'". "Não só precisamos de imigrantes, mas precisamos de evoluir" e deixar de ter uma "cultura de medo", algo que as leis propostas (da nacionalidade e estrangeiros) parecem acentuar, alertou José Ornelas. Nesta alteração prevista, "o que tem mais [nos diplomas] é proibição e a preocupação com o medo que se gerou", enquanto, em contrapartida, a redação proposta é "muito, muito parca naquilo que é o dever, a necessidade e o desafio da integração" dos imigrantes, um tema em que, "praticamente, o discurso desapareceu", considerou Ornelas. Contra os "populismos manipuladores" Já na terça-feira, representantes das igrejas católicas de língua portuguesa tinham contestado os “populismos manipuladores” que impedem o acolhimento, “num momento em que o mundo atravessa uma noite densa de escuridão”, causada pelas guerras e pela violência. Na abertura dos trabalhos do 16.º Encontro de Bispos Lusófonos, que decorreu esta semana em Lisboa, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), José Ornelas, recordou que a Igreja ensina que o próximo, “independentemente da raça, acento linguístico ou cultura”, é irmão de fé. Cabe à hierarquia contribuir para uma cultura que leve os governantes a “não cederem a populismos manipuladores, a serem verdadeiramente responsáveis no acolhimento e a saberem integrar os que chegam, na dignidade e na justiça”, acrescentou. “A colaboração das nossas Igrejas neste campo parece-me um tema crucial para o mundo de hoje e para preparar um futuro melhor para os nossos povos”, afirmou o dirigente português, na presença de representantes das Igrejas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe. Por seu turno, José Manuel Imbamba, presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, recordou que o encontro “acontece num momento em que o mundo atravessa uma noite densa de escuridão devido ao amontoar-se de tensões entre os Estados e de guerras, umas amplamente mediatizadas e outras esquecidas ou silenciadas, que se disseminam praticamente em todos os continentes, cujos horrores e crueldades bradam os céus”. “Essa cultura da violência tem provocado mortes indiscriminadas, movimentações forçadas de pessoas e famílias; tem produzido insegurança, incertezas e medos e tem lesado gravemente a dignidade da pessoa humana”, avisou o bispo. O também responsável da diocese angolana de Saurimo, alertou que se está “a agudizar ainda mais a crise do direito internacional, a pobreza, a injustiça social, o desrespeito pela vida e a proporcionar um ambiente em que a mentira vale mais do que a verdade, o mal vale mais do que bem” e que “os valores instrumentais valem mais do que os valores absolutos”. Perante esta crise de valores, “as Igrejas de expressão portuguesa pretendem ser pontes que unem” as sociedades dos vários países, procurando “fazer da hospitalidade um caminho indispensável para a promoção da cultura do encontro enriquecedor, do abraço acolhedor, da inclusão dignificante, do diálogo integrativo, da justiça restauradora, do amor renovador e da paz libertadora”, disse Imbamba. Por seu turno, José Ornelas criticou a tentativa atual da humanidade de construir uma Torre de Babel, “sem Deus”, um “projeto humano que quer fazer-se grande” e que impõe a mesma língua a todos, sem respeito da diversidade. Pelo contrário, defendeu uma “busca da internacionalidade e interculturalidade” que respeite os valores de cada comunidade, recordando que a Igreja tem procurado, “em cada época da história, criar unidade na diversidade”. O objetivo “não é conquistar o mundo, submetê-lo a um projeto único, humano”, mas “garantir a diversidade”, explicou. O também bispo de Leiria-Fátima reconheceu que a Igreja tem um passado sombrio no que respeita à relação com os países colonizados pela Europa. “A par do anúncio congregador e libertador, fraterno e universal da mensagem cristã”, o propósito da Igreja cobriu-se “também de sombras e foi contemporâneo silencioso e, por vezes, conivente, de crimes de abuso de poder e de atentado à dignidade das populações e culturas, de que a escravatura humana é escândalo e ferida, que não se pode esquecer”, afirmou o responsável da Igreja Católica portuguesa. “A verdade purificadora da memória comum é necessária para sarar feridas e criar um futuro de autêntica fraternidade”, acrescentou Ornelas, que também abordou os problemas das migrações e da mobilidade humana. “Esta mobilidade é objeto de muita discussão, manipulação e oportunismo, cuja fatura é paga pelos mais débeis, que andam à procura de vida digna para si e as suas famílias” e “é um tema que não pode passar ao lado das nossas preocupações”, disse. “A Igreja é peregrina por natureza: prepara-se para partir, acompanha os que partem, para que não caiam nas mãos de oportunistas e traficantes, e acolhe aqueles que chegam” e, no dia-a-dia, “tem de ser sempre um laboratório e um viveiro de convivências crioulas que geram novas parcerias e solidariedade humana e samaritana”, explicou.

quinta-feira, setembro 11

Sicários

Por estes dias não me sai da cabeça a referência, de autoria de Moedas, a sicários dirigida a dirigentes socialistas. Assassinos. Simplifico. Não pode ser engano pois em intervenções anteriores Moedas fez, por diversas vezes, referências que apontam no mesmo sentido. Hoje mesmo Tramp em reações ao atentado a um propagandista da extrema direita responsabilizou o discurso da esquerda pelo assassinato. Já muito se falou por estes dias, porventura de forma ligeira, acerca de Moedas e da sua postura politica. Tem razão de ser pois Moedas é na prática, na função de presidente da CML, uma das dez personalidades mais influentes na apolitica portuguesa. Como tantas vezes acontece desvaloriza-se a gravidade de um discurso politico que revela um populista radical de direita, encapotado. Tem todo o direito a exprimir o seu ponto de vista e a defender-se na arena pública, mas a mentira, por vezes arvorada na defesa da liberdade, mata a liberdade.

domingo, setembro 7

Guerra

Portugal não conta na guerra que está em curso. Sofrerá indiretamente as consequências, dependendo das orientações das potências europeias. Mas sempre será necessário acautelar o quinhão minimo de autonomia que a longa história reclama. A diplomacia tem a palavra e cuidado com os Açores sempre muito cobiçados em tempos conturbados.

quinta-feira, setembro 4

Aniversário

O meu pai Dimas nasceu no dia 4 de setembro, aniversário que nunca esqueço. A razão deve enraizar no afeto discreto que me dedicou, sem adornos nem exaltações.

segunda-feira, setembro 1

Setembro

1 de Setembro de 1943. Aquele que desespera dos acontecimentos é um cobarde, mas aquele que tem esperança na condição humana é um louco. Albert Camus, in Cadernos 2

sábado, agosto 30

Marcelo

Marcelo acerca de Trump disse o que todos pensam e falam, à vontade, ou à boca pequena. Falou numa inicitiva do PSD, partido do governo, que sempre pode responder à interpelação dos USA: não é para levar a sério, nem nós lhe damos importância, e segue a marinha ... mas...

terça-feira, agosto 26

Crimes, crimes, crimes ...

Não se deixem tomar pela raiva - foi o que disse Biden quando visitou Israel logo depois do 7 de outubro. Uma mensagem que a direção politica atual do governo israelita não levou a sério. Os moderados estão reféns da extrema direita o que parece ser um carma que ganha foros de cidade. Os crimes sucedem-se sem parar ao serviço de uma ideia expansionista à semelhança de outros tempos, conduzindo sempre a impensáveis tragédias humanas. Nós por cá todos bem ...

domingo, agosto 24

Reformas

Muita gente já pensou, e alguma deve ter expressado, como o fenómeno dos incêndios impata na designada, e anunciada, reforma do Estado. O que está em causa, e se revela uma vez mais, é de como o Estado mostra as suas insuficiências, ou se ausenta, em áreas cruciais face às quais os cidadãos nele confiam. Seria pois uma boa ideia priorizar as mudanças necessárias em áreas como a organização do território (coesão), proteção civil e forças armadas (segurança) e agricultura (mar e florestas). O Estado tem por obrigação cuidar de todos por igual e em todo o lugar. (Na fotografia eu, e a minha família direta do lado da mãe, em pleno campo algarvio).

sexta-feira, agosto 22

Incêndios

Fui visitar o que escrevi ao longo dos últimos 22 anos nestas páginas acerca de incêndios. Muita coisa. Está tudo na mesma exceto a área ardida que aumentou. A governação em geral - governos, corporações e famílias - cada vez mais, abandonaram o interior sem regresso. O Portugal maritimo esmagou o Portugal continental.

segunda-feira, agosto 18

Federico Garcia Lorca - pelo aniversário do seu assassinato

Operación García Lorca - Cada ciudad tiene su propio vía crucis. En el caso de Granada, se trata de un camino sinuoso e inquietante: el que va desde la calle de la Duquesa hacia los alrededores de Alfacar. Fue allí donde se produjo, el 18 de agosto de 1936, el martirio del poeta Federico García Lorca junto a tres hombres más: el maestro Dióscoro Galindo y los banderilleros anarquistas Joaquín Arcollas Cabezas y Francisco Galadí.

sexta-feira, agosto 15

15 agosto

Os cronistas do século XVII puderam ainda consultar uma memória, hoje perdida, procedente do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, na qual se descreve a celebração de grandes festas em Coimbra no dia da Assunção da Virgem Maria ao céu, a 15 de Agosto de 1139, e nos dias seguintes. A solene missa desse dia foi celebrada por D. Bernardo, bispo da dioceses, e o sermão pregado por D. João Peculiar. Os eruditos modernos, como Rui de Azevedo e A. de J. da Costa, fiados na autoridade de Frei António Brandão, que menciona a referida memória, admitem a autenticidade desta informação. Depois de termos examinados os vários indícios que apontámos acerca das celebrações feitas em Coimbra por ocasião do regresso de Ourique, essa notícia só vem confirmar os elementos que descobrimos por via dedutiva. Tivesse ou não havido aclamação no campo de batalha, é lógico admitir que o povo de Coimbra quisesse também aclamar o vencedor e passasse a chamar-lhe rei. Não faltavam os motivos para isso.
In “D. Afonso Henriques” de José Mattoso, ”12 – Rei de Portugal”, pgs 120 e 126/127.

domingo, agosto 10

Incêndios

Os incêndios aí estão, com mais ou menos intensidade, como em todas os territórios mediterrânicos. Ocorrem no campo despovoado com ausência quase total de estruturas humanas, lembrando um modelo de desenvolvimento falhado. Sempre se fala de incendiários e estranho que a extrema direita ainda não tenha encontrado entre eles imigrantes. Nem entre o povo que desespera, nem entre os combatentes, nem nas imagens despudoradas das Tv s, nem nas notícias, nada de imigrantes.

sábado, agosto 9

NAGAZAKI - 80 ANOS

BOMBA ATÓMICA: “O mundo é o que é, isto é, pouca coisa é. Eis o que cada um pode concluir depois de ontem, depois de ouvir o formidável concerto que a rádio, os jornais e as agências de informação harmoniosamente acabam de difundir sobre a bomba atómica. Podemos concluir com efeito, entre os numerosos comentários entusiastas, que qualquer cidade de importância mediana pode ser totalmente destruída por uma bomba com o tamanho de uma bola de futebol. Vai ser preciso escolher, num futuro mais ou menos próximo, entre o suicídio coletivo e a utilização inteligente das conquistas científicas.” Albert Camus, in Atuais.

Ser razoável

O mundo está a ferro e fogo. Por estes dias está a vencer a linguagem da força em desfavor do diálogo na busca do consenso. Ser somente razoável tornou-se ato de coragem.

quarta-feira, agosto 6

HIROSHIMA - 80 anos

Em 6 de agosto de 1945 os americanos lançaram a primeira bomba atómica (o Enola Gay), o seu "little boy", sobre Hiroshima. Os assassinos continuam a ensombrar a vida dos povos.

sexta-feira, agosto 1

Desconcerto

É sabido da investigação que quanto mais fracos são os sindicatos, menos frequentes e intensas as greves, maiores as desigualdades. Quando se pretende desiquilibrar o contrato social em beneficio do patronato limitam-se os direitos dos trabalhadores e descredilizam-se os sindicatos. Ou introduzem-se internamente fatores inibidoras da sua ação livre. Parece uma conversa antiga. Vem a propósito das noticias propaladas por dirigentes patronais no sentido de liberalizar os despedimentos e aumentar o horário de trabalho, em algumas condições, para as 60 horas semanais. Um desconcerto em busca de pôr termo à paz social.

quarta-feira, julho 30

Sacanagem

Grande parte das notícias que circulam nas redes e em sites são dirigidas a publicos vulneráveis, sub representados pelas instâncias de poder tradicionais. Não admira que os governos corram atrás desse mundo sem mostras de mudança. Lembrei-me das notícias plantadas para denegrir a imagem pública de Centeno...

quinta-feira, julho 24

Um erro politico monumental

A não recondução de Centeno é um erro politico monumental seja qual for a perspetiva. Em particular para o PSD porque rompe com um preceito não escrito de recondução, ainda para mais libertando Centeno para outras voos que, no futuro, pode sair caro à direita. Para o país porque se desperdiça talento dando um sinal de que a competência não resiste à voragem do poder. Não podemos ficar indiferentes a estes tristes episódios.

quarta-feira, julho 23

GAZA

Uma tragédia humana a que não se pode ficar indiferente. O governo de Israel, com a cumplicidade de boa parte da comunidade internacional, está a pisar todas as linhas vermelhas. É um projeto de expansão que sacrifica todos os principios humanitários.

domingo, julho 20

Venham mais cinco

Extraordinária exposição de fotografias, de fotógrafos estrangeiros, de entre o 25 de abril a novembro de 1975. Muitas delas não as tinha antes visto mas, no conjunto, são um retrato fiel e impressivo dos acontecimentos.

sábado, julho 19

Ordem

Há sempre muita gente bem intensionada, e boa, no dealbar das ditaduras. A narrativa é sempre a da necessidade de pôr ordem na casa. Mas para que essa narrativa colha é necessário que a desordem tome conta das ruas e dos espiritos. Será que hoje para o sucesso da dita basta a desordem instilada nas redes sociais?

quinta-feira, julho 17

Respeito

Chegou-me às mãos este livro versando acerca do campo da morte lenta do Tarrafal. O contato com as biografias breves, e fotografias pessoais, de todos os desterrados para este autentico campo de concentração, é fonte de uma profunda comoção. Os democratas têm que ter muito cuidado quando desconsideram, ou maltratam, as forças politicas que ainda hoje estão presentes na praça pública, em particular, os comunistas. Honra à sua memória.

quarta-feira, julho 16

Atenção

Convenhamos: grande parte das notícias que ocupam o espaço público são irrelevantes, evaporando-se passadas 24 horas. Assim com a maioria dos protagonistas politicos que raro deixam marca. Sempre será mais próprio do humano que sobrevive na selva mundana dar atenta primazia, e atenção solidária, aos que sofrem de privação dos meios de sobrevivência.Talvez esteja próximo da doutrina social da igreja, sendo agnóstico.

segunda-feira, julho 14

Resistir

As barreiras ideológicas diluiram-se, parece impor-se o uso da força no jogo da geopolitica, a verdade relativiza-se banalizando a mentira. Quantos dirigentes, militantes, eleitores dos partidos professam dos seus valores e principios fundadores? Quantos sociais democratas sabem do que se fala quando se fala de social democracia? E os socialistas de socialismo? As ideias politicas misturam-se, turvam-se, tornam-se salobras. As ideologias são devoradas pelas imagens instantâneas mas insisto nos livros que sob diversas formas vão resistir. E no culto dos heróis da liberdade.

sábado, julho 12

50 anos

Assinalo com júbilo a presença do PR nas cerimónias dos 50 anos da independência das ex colónias. Ninguém mais honra o compromisso do 25 de abril com o fim das guerras coloniais e a independância das colónias. Bem haja.

quarta-feira, julho 9

Imigração

Chovem os relatórios e estudos de entidades nacionais e internacionais que evidenciam a importância da imigração para a sustentabilidade demográfica e económica do país. Aqui como em todo o mundo. É a mobilidade da força de trabalho que mais contribui para a criação de riqueza. O patriotismo está do outro lado dos populismos.

segunda-feira, julho 7

Liberais

A disputa da liderança da IL anuncia-se com candidata única. Os liberais não sentem a vontade do exercício da plena liberdade de escolha.

sábado, julho 5

Centeno

É voz corrente que Centeno vai sair. Quem decide é o governo. Se Centeno não for reconduzido governador do BP será enviado um sinal errado à sociedade. Mais um.

sexta-feira, julho 4

Presidenciais

Quais os interessses que estão em jogo? Que ideias e valores? Basta que alguém ofereça confiança na defesa da liberdade - das liberdades civis. Não é fácil. Pão sem sal é que não.

terça-feira, julho 1

A propósito da situação atual

"São precisos holocaustos de sangue e séculos de história para provocar uma imperceptível modificação da condição humana. Tal é a lei. Durante anos tombam cabeças em série, reina o Terror, proclama-se a Revolução e consegue-se no fim substituir a monarquia legítima pela monarquia constitucional." Albert Camus, in "Cadernos" - Caderno nº 5 - Setembro 1945/Abril de 1948 - Livros do Brasil.

sábado, junho 28

"PSD deixará o PS escolher próximo Provedor de Justiça"

Esta manchete é uma vergolha no jogo partidário, assinalando a subalternização do PS, como se o futuro fosse unidirecional. Hoje predominam as forças conservadoras radicais, com laivos de extremismo, (onde já assistimos a isto!), amanhã outro galo cantará. Resta o tempo, até quando?, por vezes o tempo encurta ...

quarta-feira, junho 25

A propósito de Mark Rutte

"Os holandeses, oh!, são muito menos modernos! Têm tempo, repare neles. Que fazem? Ora bem, estes senhores vivem do trabalho daquelas senhoras. São, de resto, machos e fémeas, umas burguesíssimas criaturas que têm o costume de vir aqui, por mitomania ou estupidez. Em suma, por excesso ou falta de imaginação. De tempos a tempos, estes senhores puxam pela faca ou pelo revólver, mas não julgue que com muito empenho. O papel exige, eis tudo, e morrem de medo, disparando os últimos cartuchos. Posto o que, acho ainda mais moralidade neles que nos outros, aqueles que matam em família, pelo desgaste. Não notou ainda que a nossa sociedade está organizada neste género de liquidação? Já ouviu falar, naturalmente, daqueles minúsculos peixes dos cursos de água brasileiros que se lançam aos milhares sobre o nadador imprudente e o limpam, em alguns instantes, a pequenas bocadas rápidas, não deixando mais que um esqueleto imaculado? Pois bem, é essa a organização deles. «Quer uma vida limpa? Como toda a gente?» Dirá que sim, naturalmente. Como dizer que não? «De acordo. Vai ficar limpinho. Aqui tem um emprego, uma família, lazeres organizados.» E os dentes minúsculos cravam-se na carne até aos ossos. Mas sou injusto. Não é a organização deles que se deve dizer. Ela é a nossa, ao fim e ao cabo: é a ver quem limpará o próximo." Albert Camus, in A Queda

terça-feira, junho 24

Assim começou Portugal

“Na era de 1166 [ano de 1128], no mês de Junho, na festa de S. João Batista, o ínclito Infante D. Afonso, filho do conde Henrique e da rainha D. Teresa, neto do grande imperador da Hispânia, D. Afonso, com o auxílio do Senhor e por clemência divina, e também graças ao seu esforço e persistência, mais do que à vontade e ajuda dos parentes, apoderou-se com mão forte do reino de Portugal. Com efeito, tendo morrido seu pai, o conde D. Henrique, quando ele era ainda criança de dois ou três anos, certos [indivíduos] indignos e estrangeiros pretendiam [tomar conta] do reino de Portugal; sua mãe, a rainha D. Teresa, favorecia-os, porque queria, também, por soberba, reinar em vez de seu marido, e afastar o filho do governo do reino. Não querendo de modo algum, suportar uma ofensa tão vergonhosa, pois era já então de maior idade e de bom carácter, tendo reunido os seus amigos e os mais nobres de Portugal, que preferiam, de longe, ser governados por ele, do que por sua mãe ou por [pessoas] indignas e estrangeiras. Acometeu-os numa batalha no campo de S. Mamede, que é perto do castelo de Guimarães e, tendo-os vencido e esmagado, fugiram diante deles e prendeu-os. [Foi então que] se apoderou do principado e da monarquia do reino de Portugal.” “Anais de D. Afonso, Rei dos Portugueses”, citado por José Mattoso, em “D. Afonso Henriques” que, de seguida, comenta: “Este texto mostra que o seu autor considerava a batalha [de S. Mamede, 24 de Junho de 1128] como o primeiro episódio da história portuguesa."

sábado, junho 21

Distância

Os partidos, todos os partidos, apresentam nas suas lideranças, e na ocupação dos cargos públicos, em exclusivo, homens brancos da classe média/alta. (As exceções são minimas e no presente quase nenhumas). Após as últimas eleições, o peso das mulheres, à revelia da regra estabelecida, diminuiu. Os trabalhadores por conta de outrem, assalariados, quase desapareceram, mesmo nos partidos de esquerda. Não se observa qualquer preocupação com um minimo de diferenciação etnico racial. Esta situação é transversal a todos os partidos. Não nos admiremos que os cidadãos se sintam cada vez menos representados e se alheiem da politica.

sexta-feira, junho 20

O habitual

Coisas simples: o calor aperta, os incêndios alastram; a guerra no médio oriente provoca o aumento do preço dos combustíveis; a banca ganha sempre; as forças de segurança estão infiltradas; a liderança do PS é fraca. O habitual. É quase sempre assim, nada vai mudar.

quinta-feira, junho 19

Degredo

Peguei novamente neste livro que me interessou e o Ludgero Pinto Basto me ofereceu. É extraordinária e emocionante a epopeia da resistência ao fascismo através do conhecimento das vidas, personalidades e experiência dos presos politicos a partir do derrube da 1ª República, com especial intensidade a partir dos anos 30. Aqueles degredados para Angra do Heroismo, cuja lista se apresenta de forma exaustiva, quase todos comunistas, devem estar todos mortos, mas a sua memória deveria ser preservada de forma publica e solene.

quarta-feira, junho 18

Averiguações preventivas

Coisas simples: "a averiguação preventiva" a PNS foi arquivada pelo MP. Foi cirurgica e de decisão rápida, agora que PNS já não ocupa função politica relevante. Faltam as outras ...

terça-feira, junho 17

Anjos e Marvão

Um dos acontecimentos mais marcantes a que assisti no período imediatamente a seguir ao 25 de Abril de 1974 foi o da recusa dos oficiais milicianos (João) Anjos e (Carlos) Marvão em comandar uma acção destinada a reprimir uma greve dos trabalhadores dos CTT. Na sequência dessa recusa foram presos. Na verdade a unidade militar na qual, no dia 17 de Junho de 1974, ocorreu esse acontecimento era aquela onde eu prestava serviço militar: o 2º Grupo de Companhias de Administração Militar (ao Campo Grande).

segunda-feira, junho 16

Guerra à porta

Os portugueses veem a guerra como uma realidade distante. Assistimos às cenas de guerras no sofá. Não há portugueses vivos que tenham sofrido os efeitos da guerra à porta de suas casas. Não conhecemos ao vivo os horrores da guerra na nossa rua, bairro, escola, vila ou cidade. Não sofremos dos seus efeitos destruidores na nossa vida, de familiares e de amigos. Temos sido poupados à guerra dentro das nossas fronteiras e julgamo-nos imunes às suas terríveis consequências. Nem se conhecem manifestos que expressem posições coletivas de repúdio pela guerra que, aparentemente, não nos diz respeito. Assistimos resignados à devastação de comunidades, e à morte de inocentes, com palavras e sentimentos de tristeza mas com tímidos gestos de solidariedade. Podemos dizer que sentimos, mas não expressamos, em sobressalto coletivo expressivo, a nossa indignação. Julgo não ser injusto se disser que reina entre os portugueses, perante uma real ameaça de generalização da guerra, um silêncio sepulcral. O mais que se comenta é o impacto económico como se estivéssemos imunes a qualquer estilhaço da guerra ao vivo. E aguardamos que nos caia no regaço alguma vantagem.

sábado, junho 14

Nativos

Coisas simples. Aquela rapaziada candidata à CM do Porto e adjacentes, que andou ao murro é imigrante? Ainda na inclita cidade, os atacantes da equipa que apoiava os sem abrigo, são imigrantes? E o murro no actor da Barraca? tem o selo imigrante? E por aí adiante, basta passar os olhos pela CMTV, CNN, NOW... Os poderes públicos são mansos para os indígenas para não ofender a portugalidade. Os criminosos estão à beira do poder ou já o alcançaram nalguns nichos... são todos nativos!

sexta-feira, junho 13

Fernando Pessoa- nasce em Lisboa (13 junho de1888)

“Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos. Atingirás assim o ponto supremo da abstenção sonhadora, onde os sentidos se mesclam, os sentimentos se extravasam, as ideias se interpenetram. Assim como as cores e os sons sabem uns a outros, os ódios sabem a amores, e as coisas concretas a abstractas, e as abstractas a concretas. Quebram-se os laços que, ao mesmo tempo que ligavam tudo, separavam tudo, isolando cada elemento. Tudo se funde e confunde.” “Livro do Desassossego” – Fernando Pessoa, aliás, Bernardo Soares, Ajudante de Guarda-Livros na Cidade de Lisboa

quinta-feira, junho 12

10 Junho

Passou o 10 de junho com discursos cerimoniais politicamente corretos.O país confronta-se com a sua face miguelista - a aspiração ao poder absoluto - que se confronta com o velho liberalismo de várias matizes. É uma história antiga. Pelo menos desde o século XVIII que este confronto marca a passagem do tempo. É dificil discernir, no nosso tempo, os desígnios dos "absolutistas". A sua ponta de lança tem no cerne a designada segurança dos nativos e a ameaça da portugalidade pelo afluxo de imigrantes que se instalam ou passam em trânsito após adquirirem a nacionalidade. Os nativos estão velhos e cansados e não dão sinais verdadeiros de pânico. Os negócios carecem de mão de obra barata que os nativos não almejam. Restam os arruaceiros que vociferam investindo encobertos pelas claques e pela redes sociais. Tudo visto e ponderado é tudo bastante ridículo. Quais os interesses que se encobrem nestas arruaças? Os verdadeiros interesses estão todos instalados ou em instalação a coberto dos poderes que supostamente são ameaçados. Os imigrantes não ameaçam nada nem ninguém. São os novos pobres e, ou os acolhemos a nosso serviço, ou morremos com eles. A força pública que arrecade os arruaceiros. (Estou a acabar de ler o longo romançe da Teresa Horta acerca da Marquesa de Alorna e está lá tudo na segunda metade do século XVIII.Pombal, D. Maria. D. João VI, o Intendente Pina Manique)... Fotografia - a Guida sentada no local onde foi enforcada a familia dos Marquezes de Távora-familiares diretos da Maria Teresa Horta.

segunda-feira, junho 9

Centeno

Centeno é uma das poucas figuras públicas, em exercício de funções, de reconhecido prestigio técnico e honorabilidade pessoal. Tomou parte da politica vindo da academia que não desdenhou para se afirmar na politica a partir da sua competência técnica. Será por isso que é tão atacado seja qual for a função que desempenhe. É o Portugal mesquinho no seu melhor. Basta ler os clássicos. O governo em funções tem uma boa primeira oportunidade para mostrar sentido de estado reconduzindo-o como governador do BP. A ver vamos.

domingo, junho 8

A Guerra

Convenhamos, a guerra está instalada aos bocados, como disse Francisco, a barbárie campeia, Gaza é uma tragédia humana inaceitável, a Casa Branca, sede do governo da maior potência, um manicómio, a Ucrânia um trágico campo de experiências militares e por aí adiante. A Europa vai investir na defesa, nós por cá todos bem...

sábado, junho 7

Bob nos prados de Verão da Normandia. O seu capacete coberto de goiveiros e ervas bravas.

6 de Junho de 1944. Neste dia, 81 anos atrás, os aliados desembarcaram nas praias da Normandia. É o princípio do fim da ocupação nazi da Europa. Morrem, em poucos dias, muitos milhares de soldados das forças libertadores e das forças ocupantes. Os relatos hoje retomados, em toda a sua dimensão heróica e trágica, engrandecem os vencedores e os valores da liberdade. Camus por estes dias escreveu no seu Caderno: "Criação corrigida. O carro de assalto que se volta e se debate como uma centopeia. Bob nos prados de Verão da Normandia. O seu capacete coberto de goiveiros e ervas bravas. Cf. Relatório da comissão inglesa no Times sobre atrocidades. O jornalista espanhol de Suzy (pedir o texto) (crianças mostravam-lhe os cadáveres, rindo). Duche frio no coração durante uma hora. Fala-se durante o dia da possibilidade de comer uma sopa de leite à noite porque isto faz urinar várias vezes durante a noite. Que os W.C. ficam a cem metros do prédio, que faz frio, etc. - Ao entrarem na Suíça, as mulheres deportadas dão gargalhadas ao verem um enterro: - "É assim que tratam os mortos, aqui!" - Jacqueline. - Os dois rapazes polacos a quem obrigam a queimar, aos catorze anos, a sua casa, estando os pais lá dentro. Dos catorze aos dezassete anos, Buchenwald. - A porteira da Gestapo instalada em dois andares de um prédio da rua Pompe. De manhã, trata da casa no meio dos torturados. "Nunca me ocupo do que fazem os meus inquilinos." - Jacqueline no regresso de Koenisberg a Ravensbruck - 100 quilómetros a pé. Numa grande tenda dividida em quatro. São tantas as mulheres, que não podem deitar-se no chão, a não ser encaixando-se umas nas outras. A disenteria. Os W.C. a cem metros. Mas é preciso passar por cima dos corpos e até pisá-los. Faz-se ali mesmo. - Aspecto mundial no diálogo entre a política e a moral. Perante esse aglomerado de forças gigantescas: Sintes (…). - X. deportada, libertada com uma tatuagem sobre a pele: serviu durante um ano no campo dos S.S. de …". In "Cadernos II" (Caderno nº 4 - Janeiro 1942 - Setembro 1945), Albert Camus, Edições Livros do Brasil

quinta-feira, junho 5

Estado social

O Estado Social é uma grande conquista das sociedades ocidentais (e não só) impulsionado pelo movimento socialista e sindical, com forte salto e expressão no pós guerra (1945). Pelas razões históricas conhecidas, Portugal não acompanhou esse movimento senão após 1974. O acesso generalizado à educação, aos cuidados de saúde e à segurança social, são as pedras angulares do Estado Social, conquistas do movimento socialista e sindical, após o 25 de abril. Não é uma pequena coisa mas o cerne do modelo social dominante no nosso país. Quem melhor o defende? Os próprios beneficiários que aceitam o papel do Estado, o imposto progressivo, o voto livre, o modelo político da democracia representativa. Não há Estado social sem democracia, ou seja, liberdade de escolha a todos os níveis da sociedade. Qualquer cedência a derivas autoritárias, mesmo quando aparentam a defesa de um Estado forte, é um risco de queda na desordem da arbitrariedade dos vendedores de ilusões.

domingo, junho 1

Fidelidade

Há pessoas com imagem de politicos que passam a vida a trair os seus partidos. É uma vantagem e atributo da liberdade. Viram ao sabor do vento, desconhecendo o sentido da palavra fidelidade. Rui Rio é um desses politicos, com notoriedade, mas há muitos outros. Desprezíveis.