Deixar uma marca no nosso tempo como se tudo se tivesse passado, sem nada de permeio, a não ser os outros e o que se fez e se não fez no encontro com eles,
Editado por Eduardo Graça
quarta-feira, outubro 22
Balsemão
Confesso que estou cansado de eleições e dou por mim a desgostar dos cartazes com as caras de candidatos que vão encher o espaço público. Aprendi desde 25 de abril de 75 a gostar de eleições e a vibrar com elas, um método de escolha - um homem um voto - livre e secreto, com o qual muitos sonharam, e do qual Balssemão terá sido um dos maiores entusiastas. Morreu, era da geração do meu irmão, nascidos pelo meio dos anos 30, os anos da guerra civil espanhola e da mais dura ditadura salazarista - o PPD, o Expresso e SIC imortalizaram-no nos anais da democracia portuguesa - uma das mais representativas de todas as democracias da qual a principio desconfiei. Estava errado e de tudo se fez história que a nossa memória preserva, sem esquecer que foi o 25 de abril de 1974 que abriu as portas da liberdade, de todas as liberdades. Salvé Balsemão!
domingo, outubro 19
Arqueologia
Na minha terra por uns dias de fim de semana com sol e temperatura amena sento-mo na esplanada da Gardy. Nesta rua, a principal da cidade onde nasci, vivi uns largos anos e desde sempre conheci e frequentei a Gardy. Na rua defronte da esplanada passa sem parar uma multidão de turistas e nativos de todas as qualidades e feitios. Um mundo em movimento. Mesmo ao lado fica a sede do partido da extrema direita. Numa canteria defronte mantêm-se legivel o simbolo no MES uma inscrição de arqueologia urbana com mais de 50 anos. Causa-me boas sensações e trazer isto para aqui serve para reforçar que este é um espaço estritamente pessoal, de alguma forma, também arqueológico.
sábado, outubro 18
O PS hoje (2)
Olho para a imprensa nas suas diversas formas e são muitas as referências ao PS grande parte das vezes para o atacar. Tento encontrar o racional desta extensa e profunda incomodidade mas não é fácil. Agora mesmo vejo que o almirante toma soares como modelo de presidente. Na nossa sociedade cada vez mais sequestrada pela agenda da extrema direita, xenófoba e racista, os protagonistas precisam do PS para alimentar esperanças. O PS por ora precisa de resistir pois é nele que se reunem a história dos ideais da liberdade e as esperanças de um futuro de progresso económico e social. Mas precisa de mudar sem perder as raizes.
terça-feira, outubro 14
O PS hoje
Faz bem Carneiro em aproveitar esta semana, pós eleitoral, para definir com clareza as posições do PS face ao OE e às eleições Presidenciais. As posições dos outros partidos todos sabem bem quais são. Do PS até hoje não. Sabemos da orientação para a abstenção no OE viabilizando-o, tornando a posição da extrema direita a esse propósito irrelevante. O PS posiciona-se para se opor, espero, às propostas da direita em diversos campos, entre outros, da reforma da legislação laboral, da segurança social e, em geral, da defesa do estado social. A esquerda democrática encarnada pelo PS precisa de ganhar espaço e não precisa de depender de mais ninguém à esquerda, salvo situações excecionais, para ganhar músculo. Assim saiba congregar os seus amainando as rivalidades e ódios de estimação internos. Não sei se será capaz... Por fim apoiar a candidatura de Seguro à Presidência não por que não pudessem haver alternativas - todos baixaram bandeiras - mas por que é a única alternativa e pode, paradoxalmente, ser vencedora. Ou seja, o PS pode e deve, nas atuais circunstâncias e, provavelmente, sempre encarnar a radicalidade da moderação.
segunda-feira, outubro 13
Autárquicas
O meu sentimento destas eleições é o de que o voto buscou o equilibrio. Não se trata de bloco central, que bem poderá vir a ser, mas de reafirmar o PS como alternativa de centro esquerda. Este para mim o significado mais relevante destes resultados, ou seja, sinalizar que é possível evitar a bipolarização entre os extremos.
sábado, outubro 11
Nobel
Dois dias após ter tomado conhecimento do Nobel da literatura que lhe foi atribuido em 1957 Camus escreveu: “19 octobre.
Effrayé par ce qui m´arrive et que je n´ai pas demandé. Et pour tout arranger attaques si basses que j´en ai le cœur serré. Rebatet (*) ose parler de ma nostalgie de commander des pelotons d´exécution alors qu´il est un de ceux dont j´ai demandé, avec d´autres écrivains de la résistance, la grâce quand il fut condamné à mort. Il a été gracié, mais il ne me fait pas grâce. Envie à nouveau de quitter ce pays. Mais pour où?
La création elle-même, l´art lui-même, sont détail, tous les jours et la rupture … Mépriser est au-dessus de mes forces. De toutes manières il faut vaincre cette sorte d´effroi, de panique incompréhensible où cette nouvelle inattendue m´a jeté. Pour cela …". Os ataques da extrema direita e dos comunistas (que havia abandonado) sucederam-se. Sempre é assim para aqueles que persistem, contra ventos e marés, na defesa da liberdade.
(**) – Crítico de extrema-direita que escreveu no Dimanche matin, a propósito da atribuição do Nobel a Camus, um texto no qual, por exemplo, se podia ler: “Desde a sua alegoria da Peste, já se diagnosticava em Camus uma arteriosclerose do estilo.”
quinta-feira, outubro 9
Paz
Seria uma perda de credibilidade brutal para o Nobel a atribuição do Nobel da paz a Trump. Nem sequer argumento. Espero que seja escolhida uma organização, ou personalidade, que verdadeiramente tenha pergaminhos reconhecidos na luta pela paz no mundo.
terça-feira, outubro 7
Autárquicas
Os resultadas das autárquicas serão o que cada um quiser. Umas eleições mais, tendo votado em todas já lhes perdi a conta. Em si próprias são uma coisa boa, uma boa opção esta da democracia representativa, depois de tantas dúvidas e ziguezagues após o 25 de abril. Por isso fico feliz no exercício do voto se bem que voto, quase invariavelmente, nos mesmos, ou seja no PS. O mesmo vai acontecer desta vez. Já sei que o PS será, perante a opinião publicada, derrotado. O seu score nas anteriores autárquicas foi tão alto que outra coisa não será de esperar. A extrema direita vai vencer, segundo a opinião publicada, pois nas anteriores quase não existia. O PSD vai resistir pois o poder pode muito. De resto são irrelevâncias para o obervador externo que não para os próprios. No fim: por cá todos bem.
domingo, outubro 5
República
Às 8,30 da manhã passava pela Rua do Ouro, em triunfo, a artilharia, que era delirantemente ovacionada pelo povo. As ruas acham-se repletas de gente, que se abraça. O júbilo é indescritível! A essa hora, no Castelo de S. Jorge, que tinha a bandeira azul e branca, foi içada a bandeira republicana. O povo dirigiu-se para a Câmara Municipal, dando muitos vivas à REPÚBLICA, içando também a bandeira republicana. (…) Vê-se muita gente no castelo de S. Jorge acenando com lenços para o povo que anda na baixa. Os membros do directório foram às 8,40 para a Câmara Municipal, onde proclamaram a República com as aclamações entusiásticas do povo. O governo provisório consta será assim constituído: presidente, Teófilo Braga; interior, António José de Almeida; guerra, Coronel Barreto; marinha, Azevedo Gomes; obras públicas, António Luís Gomes, fazenda, Basílio Telles; justiça, Afonso Costa; estrangeiros, Bernardino Machado. Governador Civil, Eusébio Leão. Em quase todos os edifícios públicos estão tremulando bandeiras republicanas. A polícia faz causa comum com o povo, que percorre as ruas conduzindo bandeiras e dando vivas à República. (Transcrito de O Século, quarta feira, 5 de Outubro de 1910, publicação de última hora.) Raúl Brandão, in Memórias “O meu diário” – Volume II Perspectivas & Realidades
sexta-feira, outubro 3
A devassa
Esta notícia do juiz devassado é da maior gravidade. É urgente que quem de direito esclareça ou exija esclarecimento acerca do que se passou. Escrevi aos meus amigos a propósito a seguinte mensagem: "É preciso não esquecer que a ditadura contou com a complacência ou apoio da maioria do povo incluindo elites, a pide foi tolerada, as prisões politicas idem, muitos oposicionistas deportados sem julgamento, um rosário sem conta de crimes ... impunes". Qualquer passo que se anteveja nessa direção não pode merecer quaiquer tipo de tolerãncia.
quarta-feira, outubro 1
sábado, setembro 27
sexta-feira, setembro 19
Levar de vencida o medo
Vamos a ver. Ninguém se interessa pelos problemas, queixas ou anseios de ninguém. Existem exceções cada vez menos valorizadas. Como a maioria dos seviços, os públicos em primeiro lugar que a todos assistem. A ganância leva de vencida, o discurso predominante incentiva ao ódio. Todos os sinais são de regresso aos anos 30 do século passado. Como resistir? Muitos se interrogam. O voto é uma arma em democracia. Pode falhar e virar-se contra a própria democracia, mas não se pode desistir dela. E não ter medo! (Fotografia: manifestação em Lisboa nos dias posteriores à vitória dos aliados na 2ª guerra.)
quarta-feira, setembro 17
Nosso tempo, todos os tempos
Guerras guerra, desastres desastre, crimes crime, mentiras mentira, negócios negócio, mortes morte, à beira catástrofe, não terá sido sempre assim?
domingo, setembro 14
Achamento
Ontem reli este documento extraordinário,somente 35 páginas nesta edição, datado de 1 de maio de 1500, relato de um primeiro contato com uma realidade nova, surpreendente e esplendorosa aos olhos do cronista. Ao mesmo tempo ouvia notícias acerca do julgamento de Bolsonaro, o Brasil continua a ser um novo mundo pujante de luz e força criadora.
sexta-feira, setembro 12
Uma lição de história e humanidade, in Expresso
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) citou Jesus Cristo para dizer que não considera católicos quem se afirma crente e tem um discurso contra os imigrantes e contra o acolhimento.
"Isso é o que, a mim, mais me custa entender em tudo isto", disse José Ornelas, confrontado com o facto de muito do discurso xenófobo, populista e anti-imigrantes invocar a fé católica e a matriz judaico-cristã da Europa.
Numa conferência após o XVI Encontro de Bispos dos Países Lusófonos, José Ornelas citou o que respondeu Jesus Cristo aos seus contemporâneos que o acusavam de violar a fé judaica em que havia sido criado: "A resposta é 'não vos conheço'".
"Não só precisamos de imigrantes, mas precisamos de evoluir" e deixar de ter uma "cultura de medo", algo que as leis propostas (da nacionalidade e estrangeiros) parecem acentuar, alertou José Ornelas.
Nesta alteração prevista, "o que tem mais [nos diplomas] é proibição e a preocupação com o medo que se gerou", enquanto, em contrapartida, a redação proposta é "muito, muito parca naquilo que é o dever, a necessidade e o desafio da integração" dos imigrantes, um tema em que, "praticamente, o discurso desapareceu", considerou Ornelas.
Contra os "populismos manipuladores"
Já na terça-feira, representantes das igrejas católicas de língua portuguesa tinham contestado os “populismos manipuladores” que impedem o acolhimento, “num momento em que o mundo atravessa uma noite densa de escuridão”, causada pelas guerras e pela violência.
Na abertura dos trabalhos do 16.º Encontro de Bispos Lusófonos, que decorreu esta semana em Lisboa, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), José Ornelas, recordou que a Igreja ensina que o próximo, “independentemente da raça, acento linguístico ou cultura”, é irmão de fé.
Cabe à hierarquia contribuir para uma cultura que leve os governantes a “não cederem a populismos manipuladores, a serem verdadeiramente responsáveis no acolhimento e a saberem integrar os que chegam, na dignidade e na justiça”, acrescentou. “A colaboração das nossas Igrejas neste campo parece-me um tema crucial para o mundo de hoje e para preparar um futuro melhor para os nossos povos”, afirmou o dirigente português, na presença de representantes das Igrejas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe.
Por seu turno, José Manuel Imbamba, presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, recordou que o encontro “acontece num momento em que o mundo atravessa uma noite densa de escuridão devido ao amontoar-se de tensões entre os Estados e de guerras, umas amplamente mediatizadas e outras esquecidas ou silenciadas, que se disseminam praticamente em todos os continentes, cujos horrores e crueldades bradam os céus”.
“Essa cultura da violência tem provocado mortes indiscriminadas, movimentações forçadas de pessoas e famílias; tem produzido insegurança, incertezas e medos e tem lesado gravemente a dignidade da pessoa humana”, avisou o bispo.
O também responsável da diocese angolana de Saurimo, alertou que se está “a agudizar ainda mais a crise do direito internacional, a pobreza, a injustiça social, o desrespeito pela vida e a proporcionar um ambiente em que a mentira vale mais do que a verdade, o mal vale mais do que bem” e que “os valores instrumentais valem mais do que os valores absolutos”.
Perante esta crise de valores, “as Igrejas de expressão portuguesa pretendem ser pontes que unem” as sociedades dos vários países, procurando “fazer da hospitalidade um caminho indispensável para a promoção da cultura do encontro enriquecedor, do abraço acolhedor, da inclusão dignificante, do diálogo integrativo, da justiça restauradora, do amor renovador e da paz libertadora”, disse Imbamba.
Por seu turno, José Ornelas criticou a tentativa atual da humanidade de construir uma Torre de Babel, “sem Deus”, um “projeto humano que quer fazer-se grande” e que impõe a mesma língua a todos, sem respeito da diversidade.
Pelo contrário, defendeu uma “busca da internacionalidade e interculturalidade” que respeite os valores de cada comunidade, recordando que a Igreja tem procurado, “em cada época da história, criar unidade na diversidade”. O objetivo “não é conquistar o mundo, submetê-lo a um projeto único, humano”, mas “garantir a diversidade”, explicou.
O também bispo de Leiria-Fátima reconheceu que a Igreja tem um passado sombrio no que respeita à relação com os países colonizados pela Europa.
“A par do anúncio congregador e libertador, fraterno e universal da mensagem cristã”, o propósito da Igreja cobriu-se “também de sombras e foi contemporâneo silencioso e, por vezes, conivente, de crimes de abuso de poder e de atentado à dignidade das populações e culturas, de que a escravatura humana é escândalo e ferida, que não se pode esquecer”, afirmou o responsável da Igreja Católica portuguesa.
“A verdade purificadora da memória comum é necessária para sarar feridas e criar um futuro de autêntica fraternidade”, acrescentou Ornelas, que também abordou os problemas das migrações e da mobilidade humana.
“Esta mobilidade é objeto de muita discussão, manipulação e oportunismo, cuja fatura é paga pelos mais débeis, que andam à procura de vida digna para si e as suas famílias” e “é um tema que não pode passar ao lado das nossas preocupações”, disse.
“A Igreja é peregrina por natureza: prepara-se para partir, acompanha os que partem, para que não caiam nas mãos de oportunistas e traficantes, e acolhe aqueles que chegam” e, no dia-a-dia, “tem de ser sempre um laboratório e um viveiro de convivências crioulas que geram novas parcerias e solidariedade humana e samaritana”, explicou.
quinta-feira, setembro 11
Sicários
Por estes dias não me sai da cabeça a referência, de autoria de Moedas, a sicários dirigida a dirigentes socialistas. Assassinos. Simplifico. Não pode ser engano pois em intervenções anteriores Moedas fez, por diversas vezes, referências que apontam no mesmo sentido. Hoje mesmo Tramp em reações ao atentado a um propagandista da extrema direita responsabilizou o discurso da esquerda pelo assassinato. Já muito se falou por estes dias, porventura de forma ligeira, acerca de Moedas e da sua postura politica. Tem razão de ser pois Moedas é na prática, na função de presidente da CML, uma das dez personalidades mais influentes na apolitica portuguesa. Como tantas vezes acontece desvaloriza-se a gravidade de um discurso politico que revela um populista radical de direita, encapotado. Tem todo o direito a exprimir o seu ponto de vista e a defender-se na arena pública, mas a mentira, por vezes arvorada na defesa da liberdade, mata a liberdade.
domingo, setembro 7
Guerra
Portugal não conta na guerra que está em curso. Sofrerá indiretamente as consequências, dependendo das orientações das potências europeias. Mas sempre será necessário acautelar o quinhão minimo de autonomia que a longa história reclama. A diplomacia tem a palavra e cuidado com os Açores sempre muito cobiçados em tempos conturbados.
quinta-feira, setembro 4
Aniversário
O meu pai Dimas nasceu no dia 4 de setembro, aniversário que nunca esqueço. A razão deve enraizar no afeto discreto que me dedicou, sem adornos nem exaltações.
segunda-feira, setembro 1
Setembro
1 de Setembro de 1943.
Aquele que desespera dos acontecimentos é um cobarde, mas aquele que tem esperança na condição humana é um louco. Albert Camus, in Cadernos 2
sábado, agosto 30
Marcelo
Marcelo acerca de Trump disse o que todos pensam e falam, à vontade, ou à boca pequena. Falou numa inicitiva do PSD, partido do governo, que sempre pode responder à interpelação dos USA: não é para levar a sério, nem nós lhe damos importância, e segue a marinha ... mas...
terça-feira, agosto 26
Crimes, crimes, crimes ...
Não se deixem tomar pela raiva - foi o que disse Biden quando visitou Israel logo depois do 7 de outubro. Uma mensagem que a direção politica atual do governo israelita não levou a sério. Os moderados estão reféns da extrema direita o que parece ser um carma que ganha foros de cidade. Os crimes sucedem-se sem parar ao serviço de uma ideia expansionista à semelhança de outros tempos, conduzindo sempre a impensáveis tragédias humanas. Nós por cá todos bem ...
domingo, agosto 24
Reformas
Muita gente já pensou, e alguma deve ter expressado, como o fenómeno dos incêndios impata na designada, e anunciada, reforma do Estado. O que está em causa, e se revela uma vez mais, é de como o Estado mostra as suas insuficiências, ou se ausenta, em áreas cruciais face às quais os cidadãos nele confiam. Seria pois uma boa ideia priorizar as mudanças necessárias em áreas como a organização do território (coesão), proteção civil e forças armadas (segurança) e agricultura (mar e florestas). O Estado tem por obrigação cuidar de todos por igual e em todo o lugar. (Na fotografia eu, e a minha família direta do lado da mãe, em pleno campo algarvio).
sexta-feira, agosto 22
Incêndios
Fui visitar o que escrevi ao longo dos últimos 22 anos nestas páginas acerca de incêndios. Muita coisa. Está tudo na mesma exceto a área ardida que aumentou. A governação em geral - governos, corporações e famílias - cada vez mais, abandonaram o interior sem regresso. O Portugal maritimo esmagou o Portugal continental.
segunda-feira, agosto 18
Federico Garcia Lorca - pelo aniversário do seu assassinato
Operación García Lorca - Cada ciudad tiene su propio vía crucis. En el caso de Granada, se trata de un camino sinuoso e inquietante: el que va desde la calle de la Duquesa hacia los alrededores de Alfacar. Fue allí donde se produjo, el 18 de agosto de 1936, el martirio del poeta Federico García Lorca junto a tres hombres más: el maestro Dióscoro Galindo y los banderilleros anarquistas Joaquín Arcollas Cabezas y Francisco Galadí.
sexta-feira, agosto 15
15 agosto
Os cronistas do século XVII puderam ainda consultar uma memória, hoje perdida, procedente do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, na qual se descreve a celebração de grandes festas em Coimbra no dia da Assunção da Virgem Maria ao céu, a 15 de Agosto de 1139, e nos dias seguintes. A solene missa desse dia foi celebrada por D. Bernardo, bispo da dioceses, e o sermão pregado por D. João Peculiar. Os eruditos modernos, como Rui de Azevedo e A. de J. da Costa, fiados na autoridade de Frei António Brandão, que menciona a referida memória, admitem a autenticidade desta informação. Depois de termos examinados os vários indícios que apontámos acerca das celebrações feitas em Coimbra por ocasião do regresso de Ourique, essa notícia só vem confirmar os elementos que descobrimos por via dedutiva. Tivesse ou não havido aclamação no campo de batalha, é lógico admitir que o povo de Coimbra quisesse também aclamar o vencedor e passasse a chamar-lhe rei. Não faltavam os motivos para isso. In “D. Afonso Henriques” de José Mattoso, ”12 – Rei de Portugal”, pgs 120 e 126/127.
domingo, agosto 10
Incêndios
Os incêndios aí estão, com mais ou menos intensidade, como em todas os territórios mediterrânicos. Ocorrem no campo despovoado com ausência quase total de estruturas humanas, lembrando um modelo de desenvolvimento falhado. Sempre se fala de incendiários e estranho que a extrema direita ainda não tenha encontrado entre eles imigrantes. Nem entre o povo que desespera, nem entre os combatentes, nem nas imagens despudoradas das Tv s, nem nas notícias, nada de imigrantes.
sábado, agosto 9
NAGAZAKI - 80 ANOS
BOMBA ATÓMICA: “O mundo é o que é, isto é, pouca coisa é. Eis o que cada um pode concluir depois de ontem, depois de ouvir o formidável concerto que a rádio, os jornais e as agências de informação harmoniosamente acabam de difundir sobre a bomba atómica. Podemos concluir com efeito, entre os numerosos comentários entusiastas, que qualquer cidade de importância mediana pode ser totalmente destruída por uma bomba com o tamanho de uma bola de futebol. Vai ser preciso escolher, num futuro mais ou menos próximo, entre o suicídio coletivo e a utilização inteligente das conquistas científicas.” Albert Camus, in Atuais.
Ser razoável
O mundo está a ferro e fogo. Por estes dias está a vencer a linguagem da força em desfavor do diálogo na busca do consenso. Ser somente razoável tornou-se ato de coragem.
quarta-feira, agosto 6
HIROSHIMA - 80 anos
Em 6 de agosto de 1945 os americanos lançaram a primeira bomba atómica (o Enola Gay), o seu "little boy", sobre Hiroshima. Os assassinos continuam a ensombrar a vida dos povos.
sexta-feira, agosto 1
Desconcerto
É sabido da investigação que quanto mais fracos são os sindicatos, menos frequentes e intensas as greves, maiores as desigualdades. Quando se pretende desiquilibrar o contrato social em beneficio do patronato limitam-se os direitos dos trabalhadores e descredilizam-se os sindicatos. Ou introduzem-se internamente fatores inibidoras da sua ação livre. Parece uma conversa antiga. Vem a propósito das noticias propaladas por dirigentes patronais no sentido de liberalizar os despedimentos e aumentar o horário de trabalho, em algumas condições, para as 60 horas semanais. Um desconcerto em busca de pôr termo à paz social.
quarta-feira, julho 30
Sacanagem
Grande parte das notícias que circulam nas redes e em sites são dirigidas a publicos vulneráveis, sub representados pelas instâncias de poder tradicionais. Não admira que os governos corram atrás desse mundo sem mostras de mudança. Lembrei-me das notícias plantadas para denegrir a imagem pública de Centeno...
quinta-feira, julho 24
Um erro politico monumental
A não recondução de Centeno é um erro politico monumental seja qual for a perspetiva. Em particular para o PSD porque rompe com um preceito não escrito de recondução, ainda para mais libertando Centeno para outras voos que, no futuro, pode sair caro à direita. Para o país porque se desperdiça talento dando um sinal de que a competência não resiste à voragem do poder. Não podemos ficar indiferentes a estes tristes episódios.
quarta-feira, julho 23
GAZA
Uma tragédia humana a que não se pode ficar indiferente. O governo de Israel, com a cumplicidade de boa parte da comunidade internacional, está a pisar todas as linhas vermelhas. É um projeto de expansão que sacrifica todos os principios humanitários.
domingo, julho 20
Venham mais cinco
Extraordinária exposição de fotografias, de fotógrafos estrangeiros, de entre o 25 de abril a novembro de 1975. Muitas delas não as tinha antes visto mas, no conjunto, são um retrato fiel e impressivo dos acontecimentos.
sábado, julho 19
Ordem
Há sempre muita gente bem intensionada, e boa, no dealbar das ditaduras. A narrativa é sempre a da necessidade de pôr ordem na casa. Mas para que essa narrativa colha é necessário que a desordem tome conta das ruas e dos espiritos. Será que hoje para o sucesso da dita basta a desordem instilada nas redes sociais?
quinta-feira, julho 17
Respeito
Chegou-me às mãos este livro versando acerca do campo da morte lenta do Tarrafal. O contato com as biografias breves, e fotografias pessoais, de todos os desterrados para este autentico campo de concentração, é fonte de uma profunda comoção. Os democratas têm que ter muito cuidado quando desconsideram, ou maltratam, as forças politicas que ainda hoje estão presentes na praça pública, em particular, os comunistas. Honra à sua memória.
quarta-feira, julho 16
Atenção
Convenhamos: grande parte das notícias que ocupam o espaço público são irrelevantes, evaporando-se passadas 24 horas. Assim com a maioria dos protagonistas politicos que raro deixam marca. Sempre será mais próprio do humano que sobrevive na selva mundana dar atenta primazia, e atenção solidária, aos que sofrem de privação dos meios de sobrevivência.Talvez esteja próximo da doutrina social da igreja, sendo agnóstico.
segunda-feira, julho 14
Resistir
As barreiras ideológicas diluiram-se, parece impor-se o uso da força no jogo da geopolitica, a verdade relativiza-se banalizando a mentira. Quantos dirigentes, militantes, eleitores dos partidos professam dos seus valores e principios fundadores? Quantos sociais democratas sabem do que se fala quando se fala de social democracia? E os socialistas de socialismo? As ideias politicas misturam-se, turvam-se, tornam-se salobras. As ideologias são devoradas pelas imagens instantâneas mas insisto nos livros que sob diversas formas vão resistir. E no culto dos heróis da liberdade.
sábado, julho 12
50 anos
Assinalo com júbilo a presença do PR nas cerimónias dos 50 anos da independência das ex colónias. Ninguém mais honra o compromisso do 25 de abril com o fim das guerras coloniais e a independância das colónias. Bem haja.
quarta-feira, julho 9
Imigração
Chovem os relatórios e estudos de entidades nacionais e internacionais que evidenciam a importância da imigração para a sustentabilidade demográfica e económica do país. Aqui como em todo o mundo. É a mobilidade da força de trabalho que mais contribui para a criação de riqueza. O patriotismo está do outro lado dos populismos.
segunda-feira, julho 7
Liberais
A disputa da liderança da IL anuncia-se com candidata única. Os liberais não sentem a vontade do exercício da plena liberdade de escolha.
sábado, julho 5
Centeno
É voz corrente que Centeno vai sair. Quem decide é o governo. Se Centeno não for reconduzido governador do BP será enviado um sinal errado à sociedade. Mais um.
sexta-feira, julho 4
Presidenciais
Quais os interessses que estão em jogo? Que ideias e valores? Basta que alguém ofereça confiança na defesa da liberdade - das liberdades civis. Não é fácil. Pão sem sal é que não.
terça-feira, julho 1
A propósito da situação atual
"São precisos holocaustos de sangue e séculos de história para provocar uma imperceptível modificação da condição humana. Tal é a lei. Durante anos tombam cabeças em série, reina o Terror, proclama-se a Revolução e consegue-se no fim substituir a monarquia legítima pela monarquia constitucional." Albert Camus, in "Cadernos" - Caderno nº 5 - Setembro 1945/Abril de 1948 - Livros do Brasil.
sábado, junho 28
"PSD deixará o PS escolher próximo Provedor de Justiça"
Esta manchete é uma vergolha no jogo partidário, assinalando a subalternização do PS, como se o futuro fosse unidirecional. Hoje predominam as forças conservadoras radicais, com laivos de extremismo, (onde já assistimos a isto!), amanhã outro galo cantará. Resta o tempo, até quando?, por vezes o tempo encurta ...
quarta-feira, junho 25
A propósito de Mark Rutte
"Os holandeses, oh!, são muito menos modernos! Têm tempo, repare neles. Que fazem? Ora bem, estes senhores vivem do trabalho daquelas senhoras. São, de resto, machos e fémeas, umas burguesíssimas criaturas que têm o costume de vir aqui, por mitomania ou estupidez. Em suma, por excesso ou falta de imaginação. De tempos a tempos, estes senhores puxam pela faca ou pelo revólver, mas não julgue que com muito empenho. O papel exige, eis tudo, e morrem de medo, disparando os últimos cartuchos. Posto o que, acho ainda mais moralidade neles que nos outros, aqueles que matam em família, pelo desgaste. Não notou ainda que a nossa sociedade está organizada neste género de liquidação? Já ouviu falar, naturalmente, daqueles minúsculos peixes dos cursos de água brasileiros que se lançam aos milhares sobre o nadador imprudente e o limpam, em alguns instantes, a pequenas bocadas rápidas, não deixando mais que um esqueleto imaculado? Pois bem, é essa a organização deles. «Quer uma vida limpa? Como toda a gente?» Dirá que sim, naturalmente. Como dizer que não? «De acordo. Vai ficar limpinho. Aqui tem um emprego, uma família, lazeres organizados.» E os dentes minúsculos cravam-se na carne até aos ossos. Mas sou injusto. Não é a organização deles que se deve dizer. Ela é a nossa, ao fim e ao cabo: é a ver quem limpará o próximo." Albert Camus, in A Queda
terça-feira, junho 24
Assim começou Portugal
“Na era de 1166 [ano de 1128], no mês de Junho, na festa de S. João Batista, o ínclito Infante D. Afonso, filho do conde Henrique e da rainha D. Teresa, neto do grande imperador da Hispânia, D. Afonso, com o auxílio do Senhor e por clemência divina, e também graças ao seu esforço e persistência, mais do que à vontade e ajuda dos parentes, apoderou-se com mão forte do reino de Portugal. Com efeito, tendo morrido seu pai, o conde D. Henrique, quando ele era ainda criança de dois ou três anos, certos [indivíduos] indignos e estrangeiros pretendiam [tomar conta] do reino de Portugal; sua mãe, a rainha D. Teresa, favorecia-os, porque queria, também, por soberba, reinar em vez de seu marido, e afastar o filho do governo do reino. Não querendo de modo algum, suportar uma ofensa tão vergonhosa, pois era já então de maior idade e de bom carácter, tendo reunido os seus amigos e os mais nobres de Portugal, que preferiam, de longe, ser governados por ele, do que por sua mãe ou por [pessoas] indignas e estrangeiras. Acometeu-os numa batalha no campo de S. Mamede, que é perto do castelo de Guimarães e, tendo-os vencido e esmagado, fugiram diante deles e prendeu-os. [Foi então que] se apoderou do principado e da monarquia do reino de Portugal.” “Anais de D. Afonso, Rei dos Portugueses”, citado por José Mattoso, em “D. Afonso Henriques” que, de seguida, comenta: “Este texto mostra que o seu autor considerava a batalha [de S. Mamede, 24 de Junho de 1128] como o primeiro episódio da história portuguesa."
sábado, junho 21
Distância
Os partidos, todos os partidos, apresentam nas suas lideranças, e na ocupação dos cargos públicos, em exclusivo, homens brancos da classe média/alta. (As exceções são minimas e no presente quase nenhumas). Após as últimas eleições, o peso das mulheres, à revelia da regra estabelecida, diminuiu. Os trabalhadores por conta de outrem, assalariados, quase desapareceram, mesmo nos partidos de esquerda. Não se observa qualquer preocupação com um minimo de diferenciação etnico racial. Esta situação é transversal a todos os partidos. Não nos admiremos que os cidadãos se sintam cada vez menos representados e se alheiem da politica.
sexta-feira, junho 20
O habitual
Coisas simples: o calor aperta, os incêndios alastram; a guerra no médio oriente provoca o aumento do preço dos combustíveis; a banca ganha sempre; as forças de segurança estão infiltradas; a liderança do PS é fraca. O habitual. É quase sempre assim, nada vai mudar.
quinta-feira, junho 19
Degredo
Peguei novamente neste livro que me interessou e o Ludgero Pinto Basto me ofereceu. É extraordinária e emocionante a epopeia da resistência ao fascismo através do conhecimento das vidas, personalidades e experiência dos presos politicos a partir do derrube da 1ª República, com especial intensidade a partir dos anos 30. Aqueles degredados para Angra do Heroismo, cuja lista se apresenta de forma exaustiva, quase todos comunistas, devem estar todos mortos, mas a sua memória deveria ser preservada de forma publica e solene.
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