Deixar uma marca no nosso tempo como se tudo se tivesse passado, sem nada de permeio, a não ser os outros e o que se fez e se não fez no encontro com eles,
Editado por Eduardo Graça
terça-feira, outubro 16
ALBERT CAMUS - NOBEL DA LITERATURA EM 1957
Esta é uma efeméride que não podia deixar passar em claro. 16 de Outubro de 1957. Passam hoje 50 anos desde o dia em que Albert Camus tomou conhecimento que lhe tinha sido atribuído o Prémio Nobel da Literatura.
Oliver Todd, autor da que é considerada a melhor biografia de Camus, dedica um Capítulo, sob o título “O preço que há que pagar”, às incidências deste acontecimento na vida de Camus. Começa assim:
“Em 16 de Outubro de 1957, Camus almoça com Patricia Blake no primeiro piso do Restaurante Marius. Desde a véspera circulavam, em Paris, rumores, procedentes de Estocolmo. Um jovem, enviado por Gallimard, afasta um empregado, aproxima-se de Camus, e anuncia-lhe que vai ganhar o Prémio Nobel de literatura. Camus parece “sufocado” e diz, repetidamente, a Patrícia:
– Devia tê-lo ganho Malraux. Tu sabes, Malraux … “ (*)
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No dia seguinte Camus escreveu nos Cadernos:
“17 octobre.
Nobel. Étrange sentiment d´accablement et de mélancolie. À 20 ans, pauvre, et nu, jái connu la vraie gloire. Ma mére.”
Dois dias depois escreveu:
“19 octobre.
Effrayé par ce qui m´arrive et que je n´ai pas demandé. Et pour tout arranger attaques si basses que j´en ai le cœur serré. Rebatet (**) ose parler de ma nostalgie de commander des pelotons d´exécution alors qu´il est un de ceux dont j´ai demandé, avec d´autres écrivains de la résistance, la grâce quand il fut condamné à mort. Il a été gracié, mais il ne me fait pas grâce. Envie à nouveau de quitter ce pays. Mais pour où?
La création elle-même, l´art lui-même, sont détail, tous les jours et la rupture … Mépriser est au-dessus de mes forces. De toutes manières il faut vaincre cette sorte d´effroi, de panique incompréhensible où cette nouvelle inattendue m´a jeté. Pour cela …
(*) – Tradução livre da edição em espanhol de Olivier Todd.
(**) – Crítico de extrema-direita que escreveu no Dimanche matin, a propósito da atribuição do Nobel a Camus, um texto no qual, por exemplo, se podia ler: “Desde a sua alegoria da Peste, já se diagnosticava em Camus uma arteriosclerose do estilo.”
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segunda-feira, outubro 15
MENEZES E A EXTINÇÃO DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL
Elliott Erwitt Podem acreditar que não estou obcecado com o congresso do PSD, nem sequer com a sua nova liderança, e tudo o mais, mas, como cidadão, estou preocupado com o PSD que, no nosso sistema político, é um partido de governo.
Ora os portugueses podem acordar um dia com o Dr. Menezes, não à cabeceira de um filho doente, mas como 1º ministro, acolitado pelo Dr. Lopes, sei lá em que pasta, mais a Dra. Zita, sei lá em que pasta, mais o Bota, sei lá em que pasta, mais, mais … sei lá quem, executando políticas que farão corar de vergonha os mais irascíveis opositores do governo socialista.
Tomem lá como exemplo emblemático a proposta de extinção do Tribunal Constitucional que ajuda a pôr a nu o pensamento político de Menezes e a falta de novidade das suas propostas.
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domingo, outubro 14
BLOG DO MENEZES
GÊNIO #2“Um filho é a idéia de um filho: uma mulher é a idéia de uma mulher. Às vezes as coisas coincidem com a idéia que fazemos delas; às vezes não. Quase sempre não, mas aí o tempo já passou, e então nos ocupamos de coisas novas, que se encaixam em outra família de idéias.”
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MENEZES EM MINORIA
Para que Menezes perca tudo só falta Lopes ser eleito líder do grupo parlamentar. A divisão no PSD ganha contornos institucionais. Temos mais barafunda à vista.
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AL GORE
Al Gore tem dedicado toda a sua vida à luta pelas causas ambientais. Este galardão é um sinal de reconhecimento pelo seu empenho nessa luta que muito ajudou a tornar-se popular. E um sinal de alerta para a ligação intima entre o ambiente e a paz. Pois não vai ser, por exemplo, a disputa pela água potável um dos principais focos de tensões internacionais?
Mas, mais interessante, é verificar como Al Gore ainda suscita um movimento de apoio à sua nomeação como candidato democrata às próximas eleições presidenciais: If you want Gore to run, sign the petition
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sábado, outubro 13
CATÓLICOS FELIZES
“Ao menos os católicos são felizes: fizeram uma patifaria grave, dizem ao padre que pisaram o rabo ao gato, rezam dois padre-nossos, e voltam para casa, para repetir, tranquilos, a patifaria.”
In “ISTO TUDO QUE NOS RODEIA (Cartas de Amor)” – Mécia de Sena/Jorge de Sena –IN/Casa da Moeda – Excerto da carta de Jorge a Mécia, 26/1/47. [Sublinhados de leitura que publicarei aqui a partir de hoje.]
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sexta-feira, outubro 12
TÃO TARDE
Kerry SkarbakkaEscrevo tão tarde sem antes
me ter dado conta de quão tardia
era a minha vontade de dar forma
de versos ao que do passado havia
feito o labirinto que me habita.
24/7/2007
[“Vinte Poemas de Cuba” (8). Escritos a lápis nas páginas do livro “Poesia III”, de Jorge de Sena, nos dias de uma visita a Cuba. Editado, em simultâneo, no caderno de poesia.]
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ANTÓNIO CHAMPALIMAUD
Fotografia daqui"Fundação Champalimaud " cria hospital de dia e um centro de investigação contra o cancro
Ouvem-se ainda as palavras de ordem contra Champalimaud um símbolo do poder económico que sustentava o “antigo regime”. Quantas vezes a sua palavra foi pronunciada e escrita nas sebentas da oposição e, em particular, no catecismo do PCP. Ele era, para toda a esquerda, um ódio de estimação.
Hoje a Fundação que ostenta o seu nome, e foi criada com o seu dinheiro, é um exemplo de progresso e modernidade. Pelos fins que prossegue, pela excelência que promete, pelos métodos que adopta. Podem os demónios transformar-se em santos? Cuidado, pois, com a propaganda!
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quinta-feira, outubro 11
UM PAR DE BANDARILHAS
Ilustração daqui2007: défice orçamental de 3%
Sócrates crava um par de bandarilhas no cachaço de Menezes. Antecipa objectivos e abre o espaço para inflectir a política fiscal e moderar o “aperto do cinto”. Política, a sério, na véspera do Congresso do PSD!
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DORIS LESSING - NOBEL DA LITERATURA 2007
Ora aqui está a notícia de um prémio que, em mim, despertou uma enorme vontade de ler uma autora que nunca li. É raro acontecer-me.
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quarta-feira, outubro 10
LOBO ANTUNES (ANTÓNIO)
Fotografia daquiAntónio Lobo Antunes: «Estou aqui diante de vós, nu e desfigurado»
Uma dor, um hospital, um exame, um diagnóstico. Uma palavra dita sem eufemismos: cancro. Aconteceu com António Lobo Antunes que, ao publicar o seu novo livro, fala pela primeira vez da doença que aproximou da morte: «Palavra de honra que é muito mais fácil do que se imagina»
A partir de umaetrintaesete mais António Lobo Antunes que vale a pena.
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AJUSTE DE CONTAS
José Rodrigues dos SantosEste caso, como muitos outros casos, remonta a 2004. Eu também tenho um caso que remonta a 2003/2004. Um dia destes também me vou sujeitar a que passe para a opinião pública a ideia que fui perseguido por este governo. Não devia ser necessário dizer isto: os governos da República, entre os inícios de 2002 e 2005, foram formados com base numa maioria de direita, uma coligação PSD/CDS-PP. Os seus chefes foram José Manuel Durão Barroso e Pedro Santana Lopes com o apoio de Paulo Portas. E já agora: quem nomeou esta administração da RTP? Com respeito a perseguições, julgamentos sumários e linchamentos políticos, entorses ao funcionamento de um Estado de Direito, e tudo o mais que, um dia, a história desvendará, a direita, e os seus líderes, não deixam os seus créditos por mãos alheias e … estão todos no activo.
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FAUSTO CORREIA
Escrevo tarde acerca da morte de Fausto Correia. A razão, por ironia, é que escrevo num programa novo que acabou de ser instalado. Tacteio e hesito tal como no epidódio que vou contar.
É que Fausto Correia foi um dos poucos dirigentes socialistas ao qual, um dia, pedi qualquer coisa. Estava para ser assinado um protocolo entre o INATEL, a que presidia, e a Câmara Municipal de Aguiar da Beira, de maioria PSD, tendo em vista preparar as condições para a reabilitação do balneário termal das Caldas da Cavaca e a criação de um estabelecimento hoteleiro que lhe serviria de apoio. Projectos difíceis …
O governo era socialista, a Câmara era PSD, tendo como presidente da Assembleia Municipal Dias Loureiro e vivia-se em véspera de eleições autárquicas. A ideia daquele investimento era antiga e o concelho de Aguiar da Beira, rural e desertificado, mais que justitificava o apoio à reabilitação da sua única infraestrutura que poderia dar origem ao mais importante polo de desenvolvimento socio económico no concelho.
Do lado dos dirigentes socialistas locais, e regionais, a assinatura do protocolo era vista como inoportuna, do lado institucional correspondia a um compromisso assumido que, entre muitas hesitações, julguei dever honrar. Alguém me aconselhou a telefonar ao Fausto Correia – conhecedor dos meandros partidários da região - para ouvir a sua avisada opinião. A resposta, embora afável, foi fulminante, mais ou menos no seguinte tom: “São umas bestas, avança, não tenhas problemas”.
Tomei os meus cuidados e as assinaturas foram apostas no protocolo na sede do INATEL, em Lisboa, na certeza de que a Câmara de Aguiar da Beira havia de ser ganha, de qualquer maneira, naquelas eleições, pelo PSD que se confrontou, imaginem, com uma coligação PS/CDS-PP. ... Nunca mais esqueci o Fausto Correia que, ontem, infelizmente, nos deixou. Honra à sua memória.
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terça-feira, outubro 9
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