sábado, abril 18

CUBA: OBAMA CUMPRE


Obama, a respeito das relações com Cuba, anuncia grandes mudanças. Para quem não queria acreditar Obama cumpre. Faz o que tem que ser feito e bem feito. Resta saber o que farão Fidel e Raul Castro!
.
.
.

quinta-feira, abril 16

Global Recession to Be Long, Deep with Slow Recovery


Para que conste a crise está para durar. Nos países democráticos, com eleições à vista, a escolha dos cidadãos será condicionada pela crise: qual o melhor programa de governo para lidar com a crise? O do socialismo democrático ou o da direita liberal? Qual a melhor solução governativa? Maioria de um só partido? Governo minoritário? Ou governo de coligação? Neste caso, coligação de esquerda? De direita? Ou ao centro? O pior cenário possível para um combate eficaz à crise, e para a governabilidade, é o crescimento do poder dos extremos. Quem não entender este detalhe não entende nada! Ou gosta de brincar com o fogo, mesmo que seja para arder com ele!
.

terça-feira, abril 14

CUBA - O REGIME BALANÇA

Alex Webb

Obama avança com medidas concretas, e graduais, para pôr fim ao bloqueio dos USA a Cuba. Fidel responde na defensiva pressentindo o efeito devastador daquelas medidas na opinião pública cubana. Fidel nada pode fazer para contrariar esses efeitos pois Obama não precisa negociar nada de essencial com as autoridades cubanas. Basta-lhe tomar medidas unilaterais de levantamento gradual do bloqueio que todos sabem, dentro e fora de Cuba, corresponderem aos mais profundos anseios do povo cubano. Depois o tempo se encarregará de fazer o resto … Obama foi o pior Presidente americano que Fidel poderia enfrentar. Só pode dizer bem dele, e das suas políticas que, afinal, conduzirão ao fim do regime que criou, dirigiu e ainda dirige. Se Fidel assistir à sua própria queda será uma improvável ironia da história!

Yoani Sanchez en Generación Y diz, acerca da presente situação das relações Cuba/USA, o essencial:

La pelota está en terreno cubano después que Obama la lanzara ayer anunciando nuevas flexibilizaciones en su política hacia Cuba. Los jugadores del lado de acá parecen algo confundidos, dudando entre recoger la bola, criticarla o sencillamente ignorarla. El contexto no podía ser mejor: la fidelidad al gobierno nunca había parecido más dañada y el fervor ideológico no había estado –como ahora- tan en el piso. Encima de eso, pocos se creen todavía el cuento del poderoso vecino que vendrá a atacarnos y la mayoría siente que esta confrontación ha durado demasiado tiempo.

La próxima jugada le toca al gobierno de Raúl Castro, pero presiento que nos quedaremos esperando. Debería “despenalizar la discrepancia política”*, lo que dejaría sin efecto –inmediatamente- las largas condenas de cárcel de quienes han sido castigados por delitos de opinión. La pelota que desearíamos que él lanzara es la de abrir espacios para la iniciativa ciudadana, permitir la libre asociación y –en un gesto de suma honestidad política- poner su puesto a disposición de unas verdaderas elecciones populares. En un osado salto sobre la cancha, “el eterno segundo” tendría que atreverse a dar algo más que un ramo de olivo. Esperamos que elimine las restricciones migratorias, que ponga fin a ese negocio extorsionador en que se ha convertido el permiso para salir o para retornar a la Isla.

El juego se volvería más dinámico si dejaran al pueblo cubano tomar la voluble pelota de los cambios. Muchos la golpearíamos para que termine la censura, el control estatal sobre la información, la selección ideológica para ocupar ciertos empleos, el adoctrinamiento en la educación y el castigo al que piensa diferente. La lanzaríamos para que nos dejen navegar en Internet sin páginas bloqueadas o para que en los micrófonos abiertos podamos decir la palabra “libertad” y no ser acusados -por ello- de hacer “una provocación contrarrevolucionaria”.

Varios nos hemos bajado de las apartadas gradas, desde donde mirábamos el partido. Si el gobierno cubano no recoge la pelota, hay miles de manos dispuestas a usar nuestro turno de lanzamiento.

25 de Abril de 1974 - Os Verdadeiros Comandantes da Revolução


Entre a madrugada do dia 25 de Abril e o 1º de Maio de 1974 vivi enclausurado no Quartel do Campo Grande, em Lisboa, onde hoje funciona uma universidade privada e naquela época estava sedeado o 2º Grupo de Companhias de Administração Militar. Lá entrei já a madrugada ia alta, tal conjurado, com o António Dias, após termos perseguido, de carro, a coluna do Salgueiro Maia desde a sua entrada no Campo Grande até ao Terreiro do Passo.

Já contei essa história. De todas as imagens que guardo na memória a mais impressiva é a da fragilidade da coluna revoltosa. Não sabia quem a comandava mas o impensável viria a tornar-se realidade. E a vitória dos mais fracos deveu-se, tão-somente, à justeza das suas razões e à coragem do seu líder. Aos leitores mais ortodoxos do colectivismo assinalo que falo num símbolo. Também sei que, desde sempre, reinou a desconfiança, entre os “donos” da mudança, a respeito de Salgueiro Maia, como hoje reina a desconfiança a respeito de tantos que ousam tomar toda e qualquer iniciativa de mudança (o que é a mudança, hoje?).

Para os “donos” da revolução nem todos devem desfilar na Avenida da Liberdade mas quis o destino – ou a ordem de operações – que quem primeiro nela desfilou fosse Salgueiro Maia que, oferecendo o peito às balas, fez estalar o click que mudou o rumo da história. Olhem com atenção para as imagens que, por vezes, passam na TV. Esse comandante, Salgueiro Maia, era um entre muitos e quem dirigia as operações era um comando com a seguinte constituição: Amadeu Garcia dos Santos, Hugo dos Santos, José Eduardo Sanches Osório, Nuno Fisher Lopes Pires, Otelo Saraiva de Carvalho e Vítor Crespo. O coordenador era Otelo por decisão do Movimento das Forças Armadas. [Ver a “Fita do Tempo da Revolução - A noite que mudou Portugal”.]

O tempo faz esquecer. O tempo é malicioso. O tempo mata a memória. Salgueiro Maia não era um oficial crente nos amanhãs que cantam, dizem até que era conservador mas, perdoem-me o plebeísmo, “tinha-os no sítio”, estão a compreender! Para dar lume a uma revolução mais vale um conservador com “eles no sítio” do que um revolucionário desertor da coragem no momento da verdade.

Quem fez triunfar a revolução não foi Ramalho Eanes, nem Spínola, nem Costa Gomes, não foi nenhum General estrelado pelo Antigo Regime, ou promovido administrativamente pelo novo, quem decidiu o triunfo da revolução foram os “capitães” e o povo, que alargaram à rua o posto de comando e que tomando a rua para si tudo decidiram. Não cito mais nomes, pois todos sabem os nomes, e em nome do povo sempre, à distância de tantos anos, podem caber todos os nomes.

A revolução foi branda para com os seus inimigos, perdoou-lhes os crimes, ofereceu o seu sangue em troca da liberdade, ganhou a admiração do mundo e isso é o seu legado histórico mais valioso. Os antigos carrascos da liberdade: os PIDES, os censores, os legionários, todos os esbirros da ditadura, seus ajudantes e admiradores, ganharam o direito a viver em liberdade, ainda hoje se cruzam connosco nas ruas e nos locais de trabalho, emitem opinião, sendo detentores de todos os direitos cívicos e políticos.

Mas se a nossa revolução foi branda para com os carrascos da liberdade pode orgulhar-se da grandeza de lhes oferecer o bem mais precioso que eles sempre negavam aos seus benfeitores. Os verdadeiros comandantes da Revolução foram generosos. Mas que ninguém, verdadeiro amante da liberdade, espere que os aspirantes a tiranos lhes retribua tanta generosidade. Por isso é prudente que, para preservar a liberdade, a democracia não vacile no combate aos seus inimigos.
.
Comentários deixados nos Caminhos da Memória (somente fiz ligeiras alterações para facilitar a leitura):

Não acredito que ele fosse conservador. Provavelmente Salgueiro Maia era de tal forma apartidário, que os elementos com ligações partidárias (quase todos...) desconfiavam dele. Ainda hoje é assim. Raramente se acredita nas pessoas que dizem não sentir afinidades por qualquer força política (com os clubes de futebol ainda é pior...)

luis eme


Posso confirmar que não era conservador. Conhecíamo-nos de Santarém ele e o major bernardo, marido da felisbela, minha antiga colega de liceu, há muitos anos. Durante a campanha de 1969 , fui eleito membro da comissão executiva da cde de Santarém e por essa altura tive imensos contactos com militares da escola prática. Em 1971 é preso José Jaime Fernandes no quartel de Santarém e depois houve uma grande explosão ainda hoje não explicada. O José Jaime correu Caxias, Peniche e passou pelo presídio militar de Santarém, onde através do apoio de diversos militares amigos fizemos chegar diversos materiais. Em 1972 ele e outros amigos fizeram um relatório sobre o presídio militar de Santarém que publicámos no boletim da comissão de socorro aos presos políticos. Para isso contribuíram vários amigos militares. Antes de Abril desertaram seis capitães de Santarém, entre eles o capitão Vítor Pires, meu antigo colega de liceu, para a Suécia e eu e José Jaime fizemos os contactos para os ajudar a desertar No congresso de Aveiro de 1973 eu era um dos responsáveis do gabinete de imprensa, tendo trabalhado em estreito contacto com a comissão organizadora do congresso. Eu a helena Neves, João Paulo Guerra e Vareda pelo secretariado do MOD. Eu na altura pertenci também ao secretariado do Mod, representandoSantarém, com Tengarrinha . Cardia, Hélder Madeira, Vareda e outros. Nessa qualidade tive contactos com vários militares em Santarém que se queriam informar sobre o congresso de Oposição Democrática, em particular sobre a nossa posição sobre a guerra colonial.Diziam não ter posição política mas queriam compreender a nossa posição. Antes de 25 de Abril fui ainda contactado por um antigo colega de liceu, militar, que me quis informar da amplitude do movimento militar e das suas esperanças. Durante a madrugada do 25 de Abril, fui o primeiro a chegar à redacção do meu jornal ,pelas quatro horas da madrugada e já sabia por um telefonema que me acordou que devia ir para o jornal. Pelas cinco da manhã fui ao rádio clube português por ordem do meu chefe de redacção e lá encontrei alem do meu amigo Filipe costa o capitão da força aérea Vítor Cunha, meu antigo colega de liceu e meu amigo, mais tarde conselheiro da revolução. Ficaram eufóricos quando me viram. Precisamos do apoiodas forças democráticas. Em 28 de Abril levei ao rcp o primeiro comunicado da uec que me foi entregue pelo Edgar Valles. O Vítor Cunha e o sobral Costa cansadíssimos pediram-me um comunicado dos "maioreszinhos". No Carmo durante a manhã de 25 Abril tive todo o apoio de salgueiro maia que falou várias vezes comigo, mas quando Marcelo estava para sair no tanque, pediu-me explicitamente para eu falar à população como representante da oposição democrática. Expliquei-lhe que estava como jornalista e sugeri-lhe o "tareco" da oposição católica progressista que eu vira falar na manifestação que tínhamos feito no patriarcado contra a guerra colonial. Durante a noite de 26, passei a noite junto de Caxias com Helena Pato, minha antiga colega de Coimbra e subi de manhã com os marinheiros para o pátio de Caxias, onde cumprimentei os meus amigos presos e continuei contactos com militares. À tarde abri celas a presos e presidi com um militar de Spínola e outro representando o MFA, por sugestão de advogados democratas presentes, em particular Wengorovius e Galvão Teles à libertação dos presos políticos. Estou a escrever um livro sobre este período histórico mas gostaria de contribuir para mudar a imagem conservadora de Salgueiro Maia.
José João Louro
.

segunda-feira, abril 13

ESTÁ UM POUCO ESCURO LÁ FORA

Kyle Ford

Taxa de variação homóloga do IPC diminui para -0,4% - Março de 2009

A notícia foi divulgada e apresenta uma faceta da evolução da economia nacional. Para não complicar pode dizer-se que a tendência de evolução dos preços no consumidor é para a baixa. Fala-se, com frequência, nos comentários dos especialistas, no fenómeno da deflação. Do que estamos a falar? O contrário da inflação que é na linguagem dos políticos uma coisa má. Será a deflação uma coisa boa? Não parece.

Quando os preços tendem, de forma consistente, no tempo e em todas – ou quase todas - as categorias de bens e serviços, a baixar, gera-se uma dinâmica de contracção do consumo. É fácil de compreender: pois se a expectativa é de os preços baixarem no futuro próximo os consumidores tendem a adiar as suas decisões de compra. “Mais tarde poderei comprar mais barato e/ou em melhores condições.” As famílias com mais poder de compra também são aquelas com mais capacidade para acomodar o adiamento de decisões.

A economia tende a reagir com cortes na capacidade produtiva, redução de custos, em mão-de-obra, em aquisição de matéria-prima e serviços …. É um cenário desolador. Mesmo aqueles, como os funcionários públicos, que obtiveram aumentos salariais acima da inflação esperada, neste contexto, serão prejudicados a médio prazo. As contas do estado vão degradar-se pela acção conjugada da queda de receitas e aumento da despesa. Mais tarde o estado vai acertar as contas. É inevitável.

Numa situação de crise aguda mais vale distribuir os sacrifícios, entre todos, de forma o mais equitativa possível, ao longo do tempo. Mas o pior cenário é o da conjugação da deflação, da escassez do crédito e do crescimento da dívida externa. Não andamos longe desse cenário a nível mundial. E em Portugal também. Ver o caso japonês.

Verdadeiramente curioso é que até este momento não sejam conhecidas reacções substanciais dos partidos à divulgação deste indicador. Devem estar a estudar a matéria. Na verdade é uma matéria complexa. Mas assim se vê quem tem unhas para apresentar alternativas, quer de política económica, quer de governo.
.
.

quarta-feira, abril 8

PLURALISMO E DEMOCRACIA

Kyle Ford: Second Nature

Sócrates apoia Durão Barroso porque considera que fez um bom trabalho

Nada mau para um partido que alguns democratas de velha cepa têm apelidado de monolítico, submetido ao jugo do pensamento único, enfim, uma bela desmontagem prática da colagem do rótulo de partido estalinista ao PS. Ou, se quisermos, de como o governo pode divergir do PS, partido maioritário que o apoia ou, ao menos, da posição de Vital Moreira, seu cabeça de lista às eleições para o Parlamento Europeu. Oportunismo? Pluralismo e democracia em qualquer caso. Olaré!
.
A posição de Vital Moreira:
Em relação à especulação indevidamente feita à volta das minhas declarações, ontem no Porto, sobre a eleição do presidente da Comissão Europeia, importa clarificar o seguinte:
a) Entendo que, de acordo com as regras comuns da democracia eleitoral, deve ser o partido mais votado nas eleições europeias a indigitar o presidente da Comissão Europeia, o qual tem de ser aprovado pelo Parlamento Europeu ;
b) Assim, se o PPE for de novo o partido mais votado, cabe-lhe obviamente indigitar o Presidente da Comissão, para o qual aliás já aprovou oficialmente a candidatura do actual presidente, Durão Barroso;
c) Nesse caso, sendo ele naturalmente o nome proposto pelo Conselho ao Parlamento Europeu, não tenho nenhuma razão para não votar a favor, respeitando o voto dos cidadãos europeus, tratando-se além disso de um cidadão português;
d) Caso, porém, seja o PSE a ganhar as eleições, é lógico que, mesmo sem um candidato pré-eleitoral, seja ele a propor o candidato a presidente da Comissão.
e) Não desconheço a posição oficial do PS de apoio à recandidatura de Durão Barroso, mas também é público e notório que o PS respeita as posições individuais dos seus deputados ao PE nesta matéria.
.

EXERCÍCIO DO PODER


O boticário mor do reino continua a fazer das suas. Depois de fazer gato-sapato de governos, ministros e candidatos a primeiros-ministros, não admitindo qualquer tipo de concorrência no negócio das boticas, ameaça o Estado com a justiça, ou seja, ameaça morder a mão do dono. Pois retirem os dinheiros públicos do circuito do negócio das farmácias e logo terão uma pequena lição do como o mercado, no caso em apreço, é uma falácia. Dizem que as farmácias são um sector que se modernizou e parece ser verdade. Mas também se dizia o mesmo da banca! E, se?
.

segunda-feira, abril 6

NÁUSEA


Toda a gente fala mesmo os que sempre mostraram que não têm vocação para falar, sem uma palavra autêntica de arrependimento, ou de auto-crítica sincera, antecipando juízos que não lhes competem e sem deixar chegar ao fim os julgamentos de cujos processos foram tristes protagonistas. Até aos limites da náusea, sem carisma, nem dignidade institucional.
.
.