segunda-feira, julho 4

Europa - a paz?

Trava-se desde há muito uma batalha na Europa mas, desde o referendo no RU, ameaça estalar a guerra. Não, para já, a guerra tal como por duas vezes no século XX destruiu a Europa que, por duas, se reergueu. Da primeira guerra, a de 14-18 (como é conhecida), na qual Portugal participou com botas no terreno, resultou um armistício desastroso que criou as condições para que viesse a eclodir a segunda. As penas infligidas pelos vencedores ao vencido (no fundo, sempre a Alemanha)foram tão desproporcionadas que geraram um sentimento de profundo sentimento de vingança. Nada aprenderam aqueles que hoje, perante o resultado do referendo no RU, extremam os campos. A politica exige, se quisermos viver em democracia, buscar o máximo de acordo possível adaptado a cada circunstância e, no caso do RU, trata-se de uma democracia com longa história que sobreviveu a todas as tiranias e cuja ação foi decisiva, no século XX, para as derrotar no continente europeu. Nada mudou, de essencial, na Europa a não ser a UE ter permitido o mais longo período de paz geral que reina desde 1945. A guerra pelo poder no seio da UE não deixará de fora o RU mesmo que ele tenha ameaçado colocar-se de fora dela. Mas o continente europeu onde (quase) sempre dominou a Alemanha (sob diversos formatos nacionais conforme as épocas)desequilibrou-se acelerando a erupção de dois partidos: o dos burocratas que se foi consolidando no processo de construção da UE que querem "mais Europa" menosprezando o cansaço dos povos face à decadência, ou fracasso, do "estado de bem estar", e o "partido germanófilo", que sempre emerge em épocas de crise, que defende uma "europa a várias velocidades" ou mesmo uma europa expurgada dos "vícios" caros dos países periféricos do sul. Toda uma crise na qual, como sempre, todos os campos, se apresentam com muitas nuances e sem definição instantânea explicita de propósitos de conquista. Mas os demónios do passado de guerra estão vivos, ameaçando um longo reinado de paz.

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