quarta-feira, abril 4

A MORAL SEGUNDO A CGTP

Une publicité pour un spectacle du cabaret parisien a été perçue comme "attentatoire à la dignité de la femme" par un syndicat portugais.


Na defesa da moral e dos bons costumes não há como a CGTP!
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POEMA EM SALDO Nº 25


Posted by PicasaFotografia de Hélder Gonçalves

Uma data que regressa sempre
transparente à cabeça
um sino pendular nas cavernas do corpo
e então escrevê-lo é abrir as potências
do sangue, dos pés até à raiz
dos cabelos, deixar crescer
a vida circular dos dias
pelo silêncio poderoso
se fundamenta um olhar
um sonho uma estátua invisível
dentro da memória
ordena-se o esquecimento
mantendo sempre a respiração do Mundo
entre muitos e muitos horizontes.

José Alberto Mar

Gaia, 1999
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terça-feira, abril 3

LIBERDADE

Posted by PicasaFotografia de Victor Valente

Vinha hoje, pela manhãzinha, a descer a Avenida de Ceuta no sentido de Alcântara quando reparei na equipa que tinha acabado de colocar um cartaz grande com esta mensagem: A MEIO CAMINHO DE LADO NENHUM.

Puxa vida! O PSD, num fundo verde, lança uma campanha contra o governo usando uma frase estapafúrdia!

Tomem nota daquela palavra de ordem, espontânea, do dia 25 de Abril: LIBERDADE. Ou daquela outra, do PS de Soares: A EUROPA ESTÁ CONNOSCO, ou daquela que durou meses a fio após o 25 de Abril: O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO ou simplesmente aquela simples legenda, do cartaz do PPD, criada por Augusto Cid: O ABRIR EM PORTUGAL.

A propaganda política, hoje em dia, está pelas ruas da amargura! Mas ao menos que viva a Liberdade!
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PPD - 25 DE ABRIL DE 74

Posted by PicasaCartaz de Augusto Cid

Se fosse hoje o PSD adoptaria, acerca do 25 de Abril, uma palavra de ordem do género: O PRINCÍPIO DO CAMINHO PARA LADO NENHUM. Outro tempo, outro gosto, outras convicções!
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TUPAMAROS

Do dialógica – Documental sobre Raúl Sendic

“Raúl Sendic-Tupamaro”, documental dirigido por Alejandro Figueroa, narra la vida y obra de Sendic, que fue uno de los fundadores del Movimiento de Liberación Nacional (MLN-Tupamaros), una guerrilla urbana que tuvo su principal actividad entre finales de la década de los 60 y principios de la de los 70.
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OS AMANTES OBSCUROS

Posted by PicasaFotografia de Hélder Gonçalves

Nossos sentidos juntos fazem chama:
e as fantasias nossas vão soltar
os desejos desertos de quem ama
e em verso ou coração se quis tornar.

Nossos sentidos são matéria prima
de um canto que é mais leve do que o ar;
o mundo todo não nos adivinha:
somos sombra sem luz, sequer luar.

Que o corpo quebre a noite desolada,
que o corvo ceda a voz à escuridão:
mil luzes são o nome da amada;
quem se perdeu no verso é sem perdão.

Luís Filipe Castro Mendes
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domingo, abril 1

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CIDADE DA AGONIA ou A PROMESSA POR CUMPRIR

Posted by PicasaFotografia de Hélder Gonçalves

Um fulvo rubor, o último
no Tejo a anoitecer.
Que me sagredas,
debruçada da janela,
sobre a água em flor?
Cerram-se os olhos do nosso bairro,
as sombras desencontram-se no escuro
da indiferença e do medo.
A cintilação dos arranha-céus
da nova riqueza
é fria, inexorável.
Fugiram todas as pombas e as gralhas
e os corvos
das artérias nobres da cidade
e das ruas, becos, calçadas onde só restam
corpos estilhaçados como estrelas
e palavras, relâmpagos, lágrimas, silêncios,
fúria, rosas profanadas
e miríades de antenas de televisão,
sobejos de festim,
um campo de derrota.
Será alguma vez o homem
irmão do homem?

Urbano Tavares Rodrigues
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BARBEIROS E ACTORES DE LUXO

Ainda a propósito de um comentário, e suas réplicas, a um post no “A Defesa de Faro”

A respeito dos barbeiros da minha terra alguém nos comentários no "A Defesa de Faro" me informou que o filho do "Garrochinho" (filho), meu barbeiro de meninice e árbitro de futebol de certa nomeada, vive em Olhão e é primo irmão do Luís Coelho até há pouco tempo Presidente da Câmara Municipal de Faro. Saravah! “Garrochinho" era, se não erro, alcunha de Pinto Coelho. Mas também mantive ligações com outros barbeiros da minha terra, o Góis, na Rua de Santo António à Pontinha, (não era?), embora quem me cortasse o cabelo não fosse ele mas um rapaz mais novo, de que não me lembro o nome, que trabalhava na cadeira ao lado e, acima, de todos, os saudosos Pavão e Veríssimo. Eu era um jovem à vista deles que tinham “salão”, respectivamente, no Café Aliança e no Jardim da Alagoa. Ambos eram membros do Grupo de Teatro do “Círculo Cultural do Algarve”, por sinal, actores amadores de grande talento. Convivi com eles, vezes sem conta, nas actividades teatrais daquele grupo. Desempenhavam papéis “característicos” dispondo de uma veia humorística extraordinária, em especial, o Veríssimo pela sua figura imponente e voz fora do vulgar. Lembro-me das suas figuras como se fora hoje, dentro e fora do palco, homens de ofício e, afinal, homens de cultura que o Dr. Campos Coroa levou a todos os palco mais prestigiados do país, em particular, por alturas do 1965, representando a Trilogia das Barcas (versão integral) de Gil Vicente. Se bem me lembro (o catálogo da apresentação no S. Carlos está fora de mão) o Pavão, meio corcunda, fazia o “sapateiro” [”Arreganaria eu da festa/ e da puta da barcagem”. …] e o Veríssimo, entrando, logo de seguida, imponente, fazendo o “frade[“Ah, corpo de Deos consagrado/pela fé de Jesu Cristo/que eu nom posso entender isto!...] provocavam, com a sua presença em palco, um sobressalto no público. Enfim, barbeiros de luxo!

QUEM RI NO FIM ...

Le conseiller de Bush rappe

Karl Rove o principal conselheiro político de Bush deu show no jantar dedicado aos correspondentes de imprensa junto da Casa Branca. Ao que dizem, por todo o lado, foi uma festa muito divertida à maneira dos Impérios que se julgam indestrutíveis .. Os americanos são mesmo assim … mas quem ri no fim ...
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sábado, março 31

Posted by PicasaFotografia de Hélder Gonçalves

Uma infância perfurada por zeppelins.
Hoje, de comando na mão, zappas.

És o canhoto de um anjo – melancolia
que te sufoca o amor e as veias,
uma a uma, esvaziadas de Deus.

Mas a que outra luz pode o coração
aceder se o lugar não foi capinado,

se a treva amarinha no imo líquido
das gavinhas sem tu a teres capinado –
e os anjos e os rinos quase extintos?

Vinte unhas: o escuro mate da morte.

António Cabrita
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sexta-feira, março 30

OS GARROCHINHOS

Posted by PicasaA Defesa de Faro

Um comentário que deixei lá a propósito dos barbeiros da minha meninice.

A barbearia dos meus suplícios juvenis era ali um pouco mais para cima naquela rua que desce no alinhamento da do Alportel paralela à Coelho de Melo onde era a casa de meus pais. A barbearia era dos Garrochinhos (pai e filho). O filho era muito mais alto do que o pai que por sua vez tinha um filho que nunca mais vi. Veio para Lisboa ser enfermeiro parece-me que no Júlio de Matos. O Garrochinho barbeiro filho também era árbitro de futebol e no “corte à escovinha” calhava-me ora o pai ora o filho. Mas não fazia nenhuma diferença o suplício que me causava o exercício do mister. Não gostava de ficar preso na cadeira. Não gostava que pessoas estranhas me mexessem na cabeça. A cadeira era como aquela da fotografia antiga. Foi a maior tortura da minha meninice. Fiquei com fobia às batas brancas. Ainda hoje não me dou bem com a visão delas. O meu dentista amigo e companheiro de escola o Bexiga já sabe e a bata dele é verde. Ao barbeiro deixei praticamente de ir. Também para cortar o quê? Mas vou viver com os Garrochinhos à volta da minha cabeça a vida toda.

O ESPANHOL

Se habla español
Sylvia Colombo

(…)
O espanhol é hoje a quarta língua mais falada no mundo (depois do chinês, do indiano e do inglês). Há quem diga que vai logo competir diretamente com o inglês. O lingüista britânico David Graddol, ouvido pelo "Babelia", já cravou a data: 2050. Não está tão longe. Será que dá tempo para saírmos do arroz-com-feijão do nosso diálogo com os vizinhos?



VAN GOGH

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quinta-feira, março 29

CANÇÃO DO RIO PROFUNDO

Posted by PicasaFotografia de Hélder Gonçalves

Desci o rio profundo
com as sereias cantando
nos rochedos
espelho na mão
penteando
ao pôr-do-sol
os cabelos

E vi o gnomo
escondido
guarda fiel dos segredos
que nenhum canto revela
nenhum pente
nenhum segredo
só o fulgor deste mundo.

Y.K. Centeno
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A IMPORTÂNCIA DAS COISAS

Posted by PicasaFotografia daqui

Uma notícia verdadeiramente importante. Ao menos os tons são fortes e os mitos que encarnam não auguram qualquer herança negra da qual nos tenhamos que apartar. Milhares de imagens de ídolos do passado e do presente poderiam hoje ocupar os ecrãs todos do mundo sem nos causarem calafrios pela lembrança dos pesadelos da história. É a vantagem da beleza mesmo quando a sabemos encenada para consumo corrente.

DIALOGICA

Apresentando dialogica

ILHA DAS FLORES

Este no es un Film de ficción - Existe un lugar llamado Isla de Flores - Dios no existe - Trece minutos que dan lugar a mucho que pensar (un mundo)
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quarta-feira, março 28

EMPATE

Posted by PicasaFotografia daqui

As sondagens dos últimos dias mostram Ségolène Royal e Sarkozi empatados após um longo período em que o candidato da direita surgia na frente. Quererá isto dizer alguma coisa?

Curiosamente Jean Daniel mostra, na sua crónica de ontem, entusiasmo pelo desempenho de Ségolène após ter participado num comício pela primeira vez desde 1981:

“Ségolénistes ou pas, les dernières prestations de la candidate ne devraient ni irriter ni décevoir les Français qui se veulent encore de gauche. Restituer au peuple ses trois couleurs, lui dire que cela le rend plus universel, donc, déjà, plus européen, lui rappeler qu’aimer la France est le meilleur moyen de la faire aimer de ceux que l’on accueille, souligner que pour arracher les conquêtes sociales, il a fallu que la nation eût d’abord, selon le mot de Renan, une « âme », rien de tout cela ne devrait susciter la moindre polémique. J’étais en tout cas sur les lieux du crime. Il ne semble pas qu’à Marseille on ait été choqué ce soir-là par « la Marseillaise ». Il y a longtemps que je ne suis plus familier des meetings. Le dernier était à Toulouse, pour Mitterrand, en 1981. Il s’était surpassé. Il n’en a rien été pour Ségolène, jeudi dernier. Mais c’est précisément ce qui m’a déconcerté : c’est qu’avec une telle économie de moyens elle ait pu si souvent susciter l’enthousiasme.»
(...)
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