terça-feira, setembro 22

Jorge Palma

No meio da miséria moral em que nos mergulharam os politicos que nos governam morreu o Jorge Palma. Uma luz bruxuleante, como diria Sena, que se apaga. Um trovador contemporâneo, impulso de felicidade, uma vida inteira a elevar os espiritos mais alto.

Jorge Palma - RIP

segunda-feira, setembro 21

18 anos

Escrevo nas vésperas da mais que provável dissolução da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES) por decisão da Assembleia Geral mas, na verdade, decidida pelo governo, medida tomada no contexto da modernização do Estado, mas cujas verdadeiras razões e alcance não entendo, nem conheço quem as tenha entendido. Esta medida representa, objetivamente, a eliminação de um centro de competências, de natureza pública, na área do cooperativismo, da economia social e do voluntariado que sempre existiu pós 25 de abril de 1974, primeiro sob a forma de instituto público (INSCOOP – 1977-2010) e a partir de 2010 como CASES. A referência a esta questão explica-se pelo facto de o autor destas linhas ter assumido, por decisão de sucessivos governos, a responsabilidade de conduzir o processo criação da CASES e gestão das suas atividades. Por esta razão e, em qualquer caso, estamos em condições de prestar testemunho já que Portugal realizou nos últimos anos um extraordinário progresso na estruturação e desenvolvimento do setor da economia social. (Parágrafo inicial de um longo artigo escrito para uma publicação espanhola, testemunho pessoal acerca de uma longa caminhada de 18 anos. Divulgarei aqui mais alguns excertos.)

sexta-feira, setembro 18

CASES

Hoje a Assembleia Geral da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES), a cuja direção tenho presidido, decidiu pela sua dissolução. Esta decisão vem na decorrência de uma medida do governo que consistiu na designada "exoneração da participação pública" na CASES, ou seja, da saída do Estado. Fui um dos principais construtores deste projeto que alcançou no âmbito das suas atribuições um elevado prestígio nacional e internacional. Ninguém entendeu os fundamentos da decisão do governo. Voltarei ao assunto.

quinta-feira, setembro 17

Crise

O Estado Social tal como o conhecemos está em risco. Por todo o lado em todo o tempo e por todos os meios chovem discursos e informações acerca da queda do Estado Social, uma extraordinária conquista do pós guerra. Os liberais radicias do nosso tempo não toleram a ideia da ascensão social nem querem saber, a não ser por deveres de aparência, dos mais pobres e desfavorecidos. A guerra e os seus negócios fala mais alto e o esbulho dos recursos públicos em beneficio dos privados apresenta-se de forma descarada. A subida vertiginosa dos preços dos combustíveis é uma bomba que, se não for contrariada a tempo, acentuará a crise económica social, abrindo o campo aos mais desvairados movimentos anti democráticos. O resultado das eleições na Suécia é uma luz de esperança neste mundo distópico

segunda-feira, setembro 14

Atoleiro

Estranho mundo em que cada vez mais vigaristas assumem o poder. Por cá a direita clama por reformas, quem as não defende!, o diretor da PJ em funções sob investigação da PGR, um Ministro em funções, anterior diretor da PJ, sob investigação, o atual PM sob investigação, o anterior PM sob investigação (estas meio adormecidas), um grande atoleiro, no entretanto os negócios seguem o seu curso ... e a sociedade civil assiste impávida e serena ...

sábado, setembro 12

Jornal Esquerda Socialista - 52 anos

Em épocas de revolução o tempo ganha uma dimensão proporcionalmente inversa ao empolgamento dos protagonistas. Quanto mais fervor revolucionário mais o tempo parece escasso. Todos os sonhos parecem realizáveis e as vozes conciliadoras, ou que se atrevam a apelar ao realismo, tendem a ser silenciadas ou desprezadas. . Apesar do seu temperamento afectuoso e, ao mesmo tempo, irascível, César de Oliveira, uma grande figura de intelectual da esquerda portuguesa do século passado, abandonou a direcção interina do “Esquerda Socialista”, após a edição dos seus seis primeiros números, sob a pressão de uma maioria radicalizada que, considerava o jornal ”politicamente ambíguo”, “graficamente confuso” e “financeiramente desastroso”. Acusações tanto mais injustas, digo-o hoje sem contemplações, atentas as dificuldades em reunir, à época, as condições para erguer qualquer órgão de imprensa partidária (e mesmo generalista!), fora da esfera de influência do PCP e dos grupos marxistas-leninistas-maoistas, ainda por cima, em oposição, ideológica e política, aos princípios essenciais da orientação político-partidária daquelas organizações. Foram aliás essas dificuldades que explicam o longo tempo, quatro meses e dez dias (uma eternidade!), que mediou entre o surgimento público do MES, anunciado no pano artesanal que desfilou na grande manifestação do 1º de Maio de 1974, e o dia 11 de Setembro desse ano quando saiu do prelo o nº 0 do “Esquerda Socialista”. O cartaz dizia “Movimento de Esquerda Socialista (em organização) ”, uma fórmula impensável à luz das regras tradicionais do marketing político, mas que explica, em duas palavras, as delongas no surgimento do jornal. Era preciso dar corpo a uma ideia que andava no ar, ou seja, estabelecer as bases programáticas e organizativas de um partido, criando-o de raiz, a quente, na bigorna da revolução, não deixando perder as energias de tantos e tão promissores movimentos de luta sectorial e o entusiasmo dos militantes que exigiam aderir a um movimento político que nem os seus fundadores sabiam muito bem ao que vinha e nos quais não constava, que me lembre, uma única personalidade relevante ligada à imprensa. Que experiência mais apaixonante se poderia desejar na volúpia da revolução, que fervilhava nas ruas, do que responder ao desafio de criar um partido de “esquerda socialista” despojado, à partida, de recursos materiais e de apoios internacionais? Mas como encontrar energias para fundar, do nada, o mais depressa possível, um órgão de imprensa que lhe desse rosto e voz? Ao fim de muitas, e acesas, discussões, nas quais o César de Oliveira se enfurecia amiúde, lançaram-se as bases de uma equipa de trabalho para elaborar o “Esquerda Socialista”, arranjou-se uma sede provisória na Rua Garrett, que a partir do nº 8 passou para a Rua Rodrigues Sampaio e a partir do nº 30 para a Av. D. Carlos I, convenceu-se a Renascença Gráfica a vender “fiado” os trabalhos de edição e impressão, contratou-se uma distribuidora e o “Esquerda Socialista” foi para a rua. Esta aventura, FAÇA-SE JUSTIÇA, não teria sido possível sem o empenho do José Manuel Galvão Teles e como, ainda hoje, não sei se alguém lhe agradeceu o suficiente daqui lhe envio o meu tardio obrigado! No decurso da 2ª fase da sua existência, de Dezembro de 1974 a Julho de 1975, a direcção do “Esquerda Socialista” foi atribuída, pela Comissão Política Nacional (CPN) a Augusto Mateus, tendo sido editados mais 27 números, do nº 12 ao 38, com periodicidade semanal, compostos por 12 páginas a 2 cores e ao preço de venda ao público de 3$00. (a única excepção foi um nº especial, a propósito do 11 de Março de 1975, que saiu apenas com 4 páginas ao preço de 1$00). Se não erro, pois não tenho a colecção completa na minha frente (não sei que é feito dela), foram editados, contando com o nº 0, quarenta números do “Esquerda Socialista”, com uma tiragem, no seu ocaso, entre 17.000 e 20. 000 exemplares, mesmo assim bastante relevante acerca da presença política do MES no processo revolucionário em curso, como era da praxe dizer-se. O jornal “Esquerda Socialista”, carregando, em particular, nesta derradeira fase, as marcas próprias da sua época, mais criativo e anarquizante, na sua primeira fase, constitui um testemunho interessante para uma análise política, e cronológica, do período revolucionário compreendido entre o 28 de Setembro de 1974 e a aprovação do “Plano Aliança Povo-MFA, em Junho de 1975. Mas ainda não tinha acabado a aventura do “Esquerda Socialista” e já tinha sido criado o “Poder Popular”, o outro órgão de imprensa do MES, que se pretendia mais próximo da luta das classes populares, porta-voz de um programa político do MES que nunca deixou de reflectir, a partir do final de 1976, embora sem expressão pública, a luta interna entre facções que se digladiavam no seu seio. PUBLICADO EM 29 DE DEZEMBRO DE 2008