A B S O R T O
Deixar uma marca no nosso tempo como se tudo se tivesse passado, sem nada de permeio, a não ser os outros e o que se fez e se não fez no encontro com eles,
Editado por Eduardo Graça
sexta-feira, março 27
Dia Mundial do Teatro
O dia 27 de março é consagrado como Dia Mundial do Teatro. Sempre assinalo esta data não por mera celebração de uma efeméride mas porque o teatro desempenhou um papel muito importante na minha vida. Na alta adolescência, por altura do meu 6ª ano do liceu, num tempo de trevas culturais, o meu irmão deve ter impulsionado a minha aproximação à atividade teatral. As relações com o Dr. Emílio Campos Coroa haviam sido estreitadas e daí deve ter resultado a minha integração no Grupo de Teatro do Circulo Cultural do Algarve - mais tarde "Teatro Lethes" - após ter já sido iniciado pelo Dr. Joaquim Magalhães nas atividades teatrais do liceu. Foi uma oportunidade de intensa sociabilização, aprendizagem da arte do teatro e exigente exercício de enfrentamento dos públicos. Muita entrada em cena, muito palco e fala e necessário conhecimento de dramaturgos de referência. Somente a minha saída da cidade de Faro para Lisboa me separou desta experiência que marcou a minha formação pessoal e cultural para sempre. Bem hajam aqueles que me impulsionaram e acompanharam nessa formalizável experiência teatral.
quarta-feira, março 25
Nos limites ...
A situação do mundo (e da politica no mundo) é catastrófica, no limiar da destruição fisica e dos valores humanistas. Como bem sabemos pairam no ar ventos de guerra com ameaças de generalização e quem sabe com utilização de armas de destruição em massa. A crise económica é inevitável cuja profundidade está por ver onde chega e como se estende no tempo. Ao contrário de todas as aparências admiro Guterres que mantem em final de mandato um discurso claro em defesa da paz. E já agora de condenação do esclavagismo. Honra lhe seja feita.
sábado, março 21
sexta-feira, março 20
Felicidade
Depois de concluída a especialidade fiquei a dar instrução militar, o tempo todo, no 2º GCAM, no Campo Grande, em Lisboa. Passaram-me pelas mãos muitas centenas de jovens soldados recrutas aos quais industriei, o melhor que sabia, na área da administração militar. Foram sucessivas "semanas de campo" e incessantes sessões de instrução de tiro na Carregueira. Estas davam-me um prazer especial com excepção do "lançamento de granadas". Assim correu o tempo, desde meados de Abril de 1972, até ao 25 de Abril de 1974. A minha vida fazia-se entre o quartel e encontros de conspiração com os amigos e activistas que haveriam de confluir no MES (Movimento de Esquerda Socialista). Tinha a cabeça povoada de todas as ilusões que resultavam das leituras libertárias e marxistas, liberais e heróicas, sonhadoras e utópicas de Huxley, Camus, Gramsci, Luckac, Lenin, Marx, Rosa Luxemburgo, Mao, José Gomes Ferreira, Aquilino, António José Saraiva... As ideias da democracia directa, das comunas, da plena participação popular, tinham-se sobreposto à realidade, bem mais prosaica, da democracia representativa. Os ecos próximos da experiência do Maio de 68, em França, tinha dado asas à utopia de que o caminho para a felicidade se poderia encontrar na revolta contra o poder burguês. O tempo das ilusões...
quinta-feira, março 19
Pai
O meu pai Dimas era pessoa vertical e proba, assim o vejo tanto tempo passado. As gerações sucedem-se e hoje de madrugada nasceu a minha segunda neta que se vai chamar Mar. Uma notícia feliz no meio da desordem no mundo. Haja saúde.
domingo, março 15
Seguro (uma semana)
Estou convicto que Seguro presidente estará atento à questão social e que buscará informar-se para melhor avaliar e agir no âmbito das suas competências. Aliás somente com uma semana em funções já tomou iniciativas nesse sentido. Auguro que será consequente com as suas próprias convições colocando os seus poderes em defesa das causas e instituições desconsideradas e desvalorizadas pela direita conservadora ultraliberal. Aí encontrará muitas subtis reservas, senão oposição frontal, no sentido de tornar irrelevantes as suas palavras e ações. Reclama-se coragem!
quarta-feira, março 11
Seguro (2º dia)
O estado de graça de Seguro durou um dia. Exagero à parte, logo no ponto em que tinha tomado posição nos dias da campanha, diga-se "pacote laboral", lhe servem o dissenso. O governo, salvo se alguém enlouqueceu, reune os parceiros, no dia da sua posse, para tornar público o desacordo. Ou por outras palavras, os patrões, leia-se CIP, marcaram a agenda e hoje o primeiro encosta a CGTP à extrema direita que anunciou que vota contra e reduz a UGT a uma espécie de grupo anarco sindicalista. Para quê? Não se sabe. Talvez para mostrar que o PR não manda nada...
terça-feira, março 10
Seguro (1º dia)
O discurso de Seguro, em quem votei por convição, é próprio de um politico tradicional. Marcelo também o era à partida mas desmentiu rapidamente essa versão. A realidade vai impor limites à sua estimável vontade de consensos politicos alargados. Mas a afirmação dessa vontade conta muito e limita o impulso partidário para o dissenço e o ónus para a futura ausência de consensos fica do lado partidário. A sua afirmação critica face ao excesso de eleições em curto espaço de tempo é um risco se eleições forem precisas. É muita promessa de estabilidade e muitos se perguntam: estabilidade para quê? (Continua)
Subscrever:
Comentários (Atom)






