A B S O R T O
Deixar uma marca no nosso tempo como se tudo se tivesse passado, sem nada de permeio, a não ser os outros e o que se fez e se não fez no encontro com eles,
Editado por Eduardo Graça
quarta-feira, julho 22
terça-feira, julho 21
O meu exame de filosofia
Kant, "o filósofo dos direitos humanos", morreu a 12 de fevereiro de 1804. Pelo aniversário da sua morte vou voltar a contar uma "pequena história" pessoal na qual Kant tem o lugar de protagonista. "Foi uma das maiores humilhações da minha vida. Explico em duas palavras. No meu 7º ano de liceu, à época, ano terminal do secundário, faziam-se exames finais em algumas disciplinas incluindo filosofia. A nota da prova escrita necessária para dispensar da oral era 16. Obtive, na escrita, 15. Estranho! Na realidade ninguém obtinha, na escrita, 15. Ou se obtinha 14 ou então 16. Fui, assim, "condenado" a ir à oral com 15. Na oral fui confrontado com a primeira (e única) pergunta: fale-me do "imperativo categórico" de Kant. Iniciei uma dissertação acerca do tema! A examinadora considerou a resposta insuficiente. Insistiu no tema. Eu titubeie. Não era (nem sou) um especialista em Kant mas - que diabo - tinha estudado a matéria. Mas a examinadora é que não mudava de tema! Fale-me do "imperativo categórico" de Kant! Se bem me lembro tentei de novo satisfazer a exigência. Em vão! Percebi, então, que nada iria resultar. Estava condenado a chumbar fosse qual fosse o meu desempenho! Levantei-me e saí da sala perante o espanto dos meus colegas que assistiam à cena. Desci a avenida e fui tomar um café na esplanada da Gardy, que ainda lá está apesar dos factos se terem passado à quase 40 anos, na baixa de Faro. O chumbo era certo! Não valia a pena ir ver a pauta. Eu era um pouco irreverente (talvez mesmo bastante irreverente) é verdade! Não dominava de cor as matérias todas! É verdade! Mas na segunda época de exames obtive na escrita a nota de 18 na mesmíssima disciplina de filosofia! Assunto arrumado. A professora que me sujeitou aquela humilhação oral já faleceu. Nunca cheguei a saber, nem saberei, das verdadeiras razões daquele inusitado chumbo! Mas hoje ao ler o trabalho, limpo e clarividente, do Público, acerca de Kant, a minha memória retomou o caminho da explicação para o chumbo: "Com o seu "Imperativo Categórico" Kant estabeleceu um novo princípio ético: introduziu a ideia de que a moral é algo inerente à estrutura da razão, não decorrendo portanto, por exemplo, de imperativos religiosos. Segundo ele, cada homem deverá actuar de forma a que cada um dos seus actos possa ser tomado como princípio universal. Cada um desses gestos é um objectivo e um fim em si mesmo, não um meio para um outro fim (como o "Bem" praticado na religião católica que surge como uma forma de atingir a salvação). Para Kant, o gesto imoral acontece quando alguém tenta estabelecer para os outros um padrão de comportamento diferente daquele que ele próprio adopta." Hoje estou convicto (não me atrevo a dizer: estou certo!) que a razão do chumbo naquela oral está sintetizado neste texto, de Vanessa Rato, no Público, acerca do "imperativo categórico". Hoje, como ontem, o mundo está repleto de "gestos imorais", ou seja, de gente que julga o comportamento do outros por critérios que se dispensam de aplicar a si próprios." (Um post antigo, mas muito atual.)
segunda-feira, julho 20
A revisão das provas
Vivemos tempos estranhos. O país dispõe de uma elite com escassa dimensão e excessivamente exposta à atração externa. O tema atual dos exames do secundário tem sido abordado do lado dos erros politicos e operacionais do governo. Mas ninguém o aborda do lado do prejuizo para a formação de uma elite que este jovens constituem, uma das maiores riquezas do país, que se confrontam numa fase decisiva da sua formação com um processo distópico próprio destes estranhos tempos. Fiquemo-nos pois pelo debate acerca dos 25€ da "taxa moderadora" para fazer a revisão das provas... Nem o PM nem o PR têm uma palavra acerca da forma como a elite jovem do país é tratada!
domingo, julho 19
O colapso?
Os governos adoecam muito rapidamente, o poder tende a enlouquecer os seus titulares, regra geral impreparados para lidar com as matérias que lhes cabe gerir. A ignorância é má conselheira e se lhe juntarmos a desajeitada autoridade que alguns exercitam, está criado o caldo de cultura do desgoverno. É certo que acontece com frequência e hoje mais do que antes pela emergência dos chamados ciclos curtos da governação. Alguma coisa de estranho está a acontecer balanceando cada vez mais o centro do poder para a direira radical populista. Quando os poderes de moderação do sistema falham - no caso o PR - o próprio sistema tende a colapsar.
sexta-feira, julho 17
Um mau lugar
O PR começa a dar sinais de hesitação, omissão, comiseração, com um governo que enveredou por caminhos que denotam incompetência e autoritarismo. Alguma coisa de estranho se passa, ainda dificilmente definivel, que nos vai levar a um lugar de que não vamos gostar - um mau lugar. Não é fenómeno nacional mas é o que nos toca confrontar.
quinta-feira, julho 16
A politica morreu?
Custa dar razão aos descrentes da politica, melhor dito dos politicos, que toda a vida ouvi dizer a alguns que não prestavam por serem venais ou incompetentes. Na verdade sempre houve uma ponta de razão nas opiniões desses cépticos e sabia-mo-lo. Hoje a politica é quase só negócios e quase nada convições, principios e valores. Os exemplos abundam e são esmagadores. Como sair disto? Ninguém sabe!
segunda-feira, julho 13
Os nossos dias
O ambiente é irrespirável, a morte das pessoas tornou-se uma banalidade, a ética um luxo carissimo para os praticantes, as sociedades livres estão cercadas pelas tiranias, os negócios de poucos matam e ameaçam as liberdades.
quarta-feira, julho 8
Futebol
Já o escrevi como me desgosta o negócio do futebol. As opções tomadas em nome do negócio são frustantes para quem gosta acima de tudo do jogo. A multidão que exulta e o adepto que sofre, as conversas de circuantância, um desporto democrático, todos têm opinião, mesmo os que nada sabem dos meandros que são a maioria. Um dia no céu, outro no inferno. Uma grande escola que se aprende a gostar e a detestar. A vida é assim.
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