sábado, maio 30

Edgar Morin - morreu aos 104

Il n’aura cessé de penser les événements de l’histoire dans un corps-à-corps haletant avec le siècle. Attaché à relier les savoirs afin d’élaborer sa « pensée complexe », cet intellectuel populaire, ancien résistant profondément humaniste, militait pour une insurrection des consciences. Il s’est éteint vendredi 29 mai à Paris. (Le Monde, hoje). A vida é, portanto, um processo de desordem permanente, de desorganização, de desintegração, inseparável da reintegração. A sociedade não é um rochedo num mar de desordem. É antes feita de esforços sempre recomeçados, por parte de indivíduos que, eles próprios, se reorganizam incessantemente. Tudo o que existe deve viver no risco permanente, no limiar da sua própria morte. Devemos adquirir uma concepção pela qual assumamos muito mais o risco, as potencialidades da existência. É esta uma concepção que deve romper totalmente com a visão burocrática e a falsa ideia de segurança contra todos os riscos. Isto não quer dizer que seja preciso suprimir os seguros, a segurança social … É preciso, antes pelo contrário, ter seguranças materiais, mas a nossa vida mental, psíquica, é uma vida decorrida no risco profundo. A criatividade constitui-se nas fronteiras da loucura e da morte. É preciso mudar de visão. Aceitar na vida o risco, o inevitável, porque isso é a oportunidade de criar, de se expandir, de comunicar e de amar. Edgar Morin In “Pensar o Milénio com Edgar Morin” (excerto de uma entrevista antiga de João Fatela).

terça-feira, maio 26

O padeiro de Alcácer

Já passaram uns dias sobre o episódio das crianças francesas lançadas ao abandono "como cães" (dizia-se antigamente). A extrema direita não vociferou pela invasão de estrangeiros, eram caucasianos e não vieram em busca de trabalho que é, no essencial, o que acontece com os estrangeiros que nos procuram. O padeiro de Alcácer fez emergir uma narrativa disruptiva mostrando que a solidariedade e a bondade afinal não morreram.

sexta-feira, maio 22

Governar?

"Governo fez tiro a Seguro, mas não quer hostilizar o Presidente". Esta é muito boa, não é? Através do Expresso o governo faz contenção de danos. Foi um ataque pontual não uma estratégia de ataque! Algumas pessoas nunca serão capazes de governar, não são governantes.

terça-feira, maio 19

Sindicatos

O ataque aos sindicatos é um sinal preocupante da saúde da democracia. No debate acerca das alterações à legislação laboral tem sido recorrente esse ataque por parte do governo e das forças que o apoiam. Sindicatos fortes sgnificam em toda a parte e, em todos os tempos, menos desigualdade. Sindicatos fortes significam maior capacidade para acomodar e enquadrar o descontentamento social logo menos crispação civica. Não nos deixemos enganar deixando passar em claro estes sinais preocupantes originados no ataque ao sindicalismo livre.

domingo, maio 17

Associação livre

Há muitos sinais de tirania no mundo, em cada região e país. As leis são atacadas, as instituições ameaçadas, os pesos e contrapesos que garantem o funcionamente do processo democrático são postas em causa. Entre as instituições denegridas, subalternizadas e atacadas estão os sindicatos e as associações de todos os tipos, pois elas são o substrato e fundamento da liberdade e da democracia autênticas. A tirania odeia a associação livre.

quinta-feira, maio 14

Ivo Rosa

https://expresso.pt/sociedade/2026-05-14-ivo-rosa-escreve-a-seguro-e-descreve-a-perseguicao-de-que-foi-alvo-pelo-mp-como-um-caso-de-estado-de-direito-que-a-todos-diz-respeito-2ebaaa83
Vital Moreira aborda o caso Ivo Rosa a propósito da carta que este dirigiu ao PR, denunciando a perseguição de que foi vitima por parte do MP. É um caso da maior gravidade que deveria acender todas as luzes de alerta para o estado da nossa democracia.

terça-feira, maio 12

Maio (de novo)

"Maio. Não nos separarmos do mundo. Não se perde a vida quando a colocamos à luz do dia. Todo o meu esforço, em todas as posições e desgraças, as desilusões, é para recuperar os contactos. E mesmo nesta tristeza que há em mim, que desejo de amar e que enebriamento apenas perante a visão de uma colina na aragem do fim da tarde. Contactos com o verdadeiro, a natureza em primeiro lugar, e depois a arte daqueles que compreenderam, a minha arte se a consigo alcançar. De contrário, a luz e a água e a embriaguez estão ainda na minha frente, e os lábios húmidos do desejo. Desespero sorridente. Sem saída, mas que exerce sem cessar um domínio que se sabe inútil. O essencial: não nos perdermos, e não perder aquilo que, de nós, dorme no mundo." (Texto de Maio de 1936) Albert Camus, in Cadernos, "Caderno n.º 1 (Maio de 1935/Setembro de 1937) - Edição Livros do Brasil

sábado, maio 9

Aniversários

Em Maio, o ar dos pobres diabos que deambulam pelos passeios. O pólen que se desprende das flores. As árvores erectas quais bandeiras desfraldadas. As efemérides tristes e empolgantes. A morte e a vida que ganham a cor clara dos longos fins de dia. Maio é uma sinfonia de sentimentos desencontrados. Já não há revoltas e rufam os tambores da guerra. O que escrevem os poetas? Nunca se sabe o que escrevem os poetas mesmo que mostrem o que escrevem. Hoje é o aniversário da morte do Agostinho. No mesmo dia do aniversário de minha mulher. Maio, mês de todas as desilusões e promessas felizes.

Os nazis capitularam

Kapitulation in Berlin-Karlshorst 9. Mai 1945 um 00.16 Uhr: Generalfeldmarschall Wilhelm Keitel unterzeichnet die bedingungslose Kapitulation des Deutschen Reiches. Capitulação em Berlim – 9 de Maio de 1945 – 00,16 horas. O Marechal Wilhelm Keitel assina a declaração de rendição incondicional do Reich. A rendição do Reich deu-se a 7 de Maio de 1945; a Guerra terminou, de facto, a 8 e a capitulação ocorreu a 9. São os detalhes cronológicos de um acontecimento verdadeiramente dramático e fundamental para o futuro da vida dos povos, nações e cidadãos da Europa e do todo o mundo. A barbárie tinha cedido perante a luta determinada dos defensores da liberdade e da democracia.