A B S O R T O
Deixar uma marca no nosso tempo como se tudo se tivesse passado, sem nada de permeio, a não ser os outros e o que se fez e se não fez no encontro com eles,
Editado por Eduardo Graça
sábado, abril 18
25 abril - Capitão Teófilo Bento
Quando eclodiu o 25 de Abril, cumpria serviço militar, como oficial miliciano, desde finais de 1971, no quartel do Campo Grande, em Lisboa. Nunca soube a razão de não ter sido mobilizado para uma das frentes da guerra colonial. O destino reservou-me passar quase três anos a ministrar instrução militar a recrutas de toda a sorte, alguns deles, por sinal, bem ilustres.
Foi o Capitão Teófilo Bento que me contactou no início de 1974 e não sei já como chegou até mim. Talvez tenha sido após o «Golpe das Caldas», em 16 de Março, pois, nesse dia, foi-me dada ordem para permanecer no quarto. Na manhã do dia seguinte, se bem me lembro, lá me mandaram sair. O golpe tinha fracassado.
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Falei, por esses dias, com o Capitão Teófilo Bento num carro estacionado próximo do 2º GCAM, no Campo Grande. Ele queria saber se havia algum oficial miliciano de confiança no Quartel-general de Lisboa.
Tratava-se, pelo que percebi, de um ponto fraco na rede dos militares que preparavam o golpe. Mas não havia um único miliciano de confiança, que eu conhecesse, em serviço no Quartel-general. Após este encontro fiquei com a certeza da inevitabilidade de que algo de sério ia acontecer.
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Estava, de facto, em marcha uma acção de envergadura para derrubar o regime. Mantive a maior descrição. Não falei a ninguém acerca desse encontro. Mas tomei as minhas providências. O ambiente era de medir forças dentro dos quartéis. Após o fracassado «Golpe das Caldas» todos os movimentos eram observados e o ar que se respirava estava povoado de ameaças.
sexta-feira, abril 17
Doadores
Passam-se coisas estranhas na nossa vida pública. O debate acerca da ideia de adoptar o secretismo aos doadores no seu apoio aos partidos é uma delas. A democracia não se compedece com tal ideia além de ser ilegal. Quem não quiser ser escrutinado não se candidate a cargos públicos. O melhor seria mesmo que o financiamento dos partidos fosse exclusivamente público. É o preço da democcracia.
quarta-feira, abril 15
Abril
"Abril.
Primeiros dias de calor. Sufocante. Todos os animais estão deitados. Quando o dia começa a declinar, a natureza estranha da atmosfera por cima da cidade. Os ruídos que nela se elevam e se perdem como balões. Imobilidade das árvores e dos homens. Pelas esplanadas, mouros de conversa à espera que venha a noite. Café torrado, cujo aroma também se eleva. Hora suave e desesperada. Nada para abraçar. Nada onde ajoelhar, louco de reconhecimento."
Albert Camus ---
[Nesta página da edição portuguesa dos Cadernos da "Livros do Brasil" escrevi, à mão, em frente a Abril: “3-1968-Faro-Cais”, datando, com precisão, a primeira leitura. O ambiente da Argélia natal de Camus tem algo a ver com o ambiente de Faro, a minha cidade natal. Devia ser o período das Férias de Páscoa. Curiosamente nas vésperas do “Maio de 68”.]
domingo, abril 12
Seguro - um mês
Seguro será um presidente próximo das pessoas como mostrou neste primeiro mês de exercicio. O comentariado já começou a torcer o nariz. É demasiado pouco mediática esta postura, impacta nas pessoas mas não reverbera com estrondo nos écrans. seguro não deixa por mãos alheias a critica à propaganda do governo introduzindo nela um filtro poderoso de realidade. O magna de interesses que está por detrás da politica do governo tudo tentará para puxar Seguro para a irrelevância. Veremos o que acontece com os inúmeros diplomas que vão passar pela secretária de Seguro.
sábado, abril 11
Sempre a guerra
É horrivel assistir à guerra no sofá, o que nunca aconteceu com tamanha frequência e maldade. Sem falar das tareias de comentadores que nada sabem de guerra, mesmo sendo militares. A sensação é que a guerra não vai acabar mais por jamais o poder vir a ser exercido por pessoas normais.
quarta-feira, abril 8
Guerra sempre guerra
A guerra pode ser justa se servir para nos libertar da servidão. Resta saber o que é servidão, certamente ausência absoluta de liberdade. E o que é liberdade? Questão filosófica sempre discutida por vezes de forma exaltada. Entre uma democracia com defeitos e uma ditadura perfeita, escolho a democracia. Entre a liberdade absoluta própria dos ditadores que a tomam em exclusivo para si, e as escolhas livres do quotidiano do cidadão comum, escolho a vida comum. A questão de fundo da guerra é sempre a mesma com variantes. As oligarquias lutam pelo domínio dos recursos (riquezas) que as beneficiam em desfavor da maioria que morre em seu nome.
sexta-feira, abril 3
Guerra
“É sempre vão pretender quebrar um laço de solidariedade, apesar da estupidez e da crueldade dos outros. Não se pode dizer: “Ignoro-o”. Colabora-se ou combate-se. Nada é menos perdoável que a guerra e o apelo aos ódios nacionais. Mas uma vez surgida a guerra, é vão e cobarde querer afastar-se a pretexto de que se não é responsável. As torres de marfim acabaram. A benevolência é interdita. Por si própria e para os outros. Julgar um acontecimento é impossível e imoral se se está de fora. É no seio dessa absurda desgraça que se mantém o direito de a desprezar. A reacção de um indivíduo não tem qualquer importância. Pode servir para qualquer coisa mas nada a justifica. Pretender, por diletantismo, afastar-se e separar-se do seu ambiente, é dar prova da mais absurda das liberdades. Eis porque motivo era necessário que eu tentasse servir. E se não me quiserem, é igualmente necessário que eu aceite a posição do civil desprezado. Em ambos os casos estou no centro da guerra e tenho o direito de a julgar. De a julgar e de agir.” Albert Camus, in Caderno” n.º 3 (Abril de 1939/Fevereiro 1942). Para que se compreenda a problemática deste fragmento que muito me influenciou. Em Setembro de 1939, Camus está pronto para partir para a Grécia quando eclode a 2ª guerra mundial. Camus não quer escapar à guerra e apresenta-se como voluntário mas não é aceite devido à sua tuberculose.
quarta-feira, abril 1
Cartel
"Governador do BdP admite “comportamento ilícito” no “cartel da banca”, mas sacode responsabilidades para os tribunais", in Expresso. É hilariante próprio de uma boa tirada do Eça. A Banca foi condenada mas prescreveu. Ninguém assume responsabilidades e a banca goza com o pagode.
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