sábado, julho 25

A confiança

Existem bastantes obras publicadas acerca das instituições, da importância da sua credibilidade e da confiança que geram e inspiram. Este aspeto da vida em sociedade é mais importante para a riqueza das nações do que as riquezas materiais de que possam dispor. Desta forma fica dito o essencial acerca dos acontecimentos que têm marcado a atualidade nacional.

terça-feira, julho 21

O meu exame de filosofia

Kant, "o filósofo dos direitos humanos", morreu a 12 de fevereiro de 1804. Pelo aniversário da sua morte vou voltar a contar uma "pequena história" pessoal na qual Kant tem o lugar de protagonista. "Foi uma das maiores humilhações da minha vida. Explico em duas palavras. No meu 7º ano de liceu, à época, ano terminal do secundário, faziam-se exames finais em algumas disciplinas incluindo filosofia. A nota da prova escrita necessária para dispensar da oral era 16. Obtive, na escrita, 15. Estranho! Na realidade ninguém obtinha, na escrita, 15. Ou se obtinha 14 ou então 16. Fui, assim, "condenado" a ir à oral com 15. Na oral fui confrontado com a primeira (e única) pergunta: fale-me do "imperativo categórico" de Kant. Iniciei uma dissertação acerca do tema! A examinadora considerou a resposta insuficiente. Insistiu no tema. Eu titubeie. Não era (nem sou) um especialista em Kant mas - que diabo - tinha estudado a matéria. Mas a examinadora é que não mudava de tema! Fale-me do "imperativo categórico" de Kant! Se bem me lembro tentei de novo satisfazer a exigência. Em vão! Percebi, então, que nada iria resultar. Estava condenado a chumbar fosse qual fosse o meu desempenho! Levantei-me e saí da sala perante o espanto dos meus colegas que assistiam à cena. Desci a avenida e fui tomar um café na esplanada da Gardy, que ainda lá está apesar dos factos se terem passado à quase 40 anos, na baixa de Faro. O chumbo era certo! Não valia a pena ir ver a pauta. Eu era um pouco irreverente (talvez mesmo bastante irreverente) é verdade! Não dominava de cor as matérias todas! É verdade! Mas na segunda época de exames obtive na escrita a nota de 18 na mesmíssima disciplina de filosofia! Assunto arrumado. A professora que me sujeitou aquela humilhação oral já faleceu. Nunca cheguei a saber, nem saberei, das verdadeiras razões daquele inusitado chumbo! Mas hoje ao ler o trabalho, limpo e clarividente, do Público, acerca de Kant, a minha memória retomou o caminho da explicação para o chumbo: "Com o seu "Imperativo Categórico" Kant estabeleceu um novo princípio ético: introduziu a ideia de que a moral é algo inerente à estrutura da razão, não decorrendo portanto, por exemplo, de imperativos religiosos. Segundo ele, cada homem deverá actuar de forma a que cada um dos seus actos possa ser tomado como princípio universal. Cada um desses gestos é um objectivo e um fim em si mesmo, não um meio para um outro fim (como o "Bem" praticado na religião católica que surge como uma forma de atingir a salvação). Para Kant, o gesto imoral acontece quando alguém tenta estabelecer para os outros um padrão de comportamento diferente daquele que ele próprio adopta." Hoje estou convicto (não me atrevo a dizer: estou certo!) que a razão do chumbo naquela oral está sintetizado neste texto, de Vanessa Rato, no Público, acerca do "imperativo categórico". Hoje, como ontem, o mundo está repleto de "gestos imorais", ou seja, de gente que julga o comportamento do outros por critérios que se dispensam de aplicar a si próprios." (Um post antigo, mas muito atual.)

segunda-feira, julho 20

A revisão das provas

Vivemos tempos estranhos. O país dispõe de uma elite com escassa dimensão e excessivamente exposta à atração externa. O tema atual dos exames do secundário tem sido abordado do lado dos erros politicos e operacionais do governo. Mas ninguém o aborda do lado do prejuizo para a formação de uma elite que este jovens constituem, uma das maiores riquezas do país, que se confrontam numa fase decisiva da sua formação com um processo distópico próprio destes estranhos tempos. Fiquemo-nos pois pelo debate acerca dos 25€ da "taxa moderadora" para fazer a revisão das provas... Nem o PM nem o PR têm uma palavra acerca da forma como a elite jovem do país é tratada!

domingo, julho 19

O colapso?

Os governos adoecam muito rapidamente, o poder tende a enlouquecer os seus titulares, regra geral impreparados para lidar com as matérias que lhes cabe gerir. A ignorância é má conselheira e se lhe juntarmos a desajeitada autoridade que alguns exercitam, está criado o caldo de cultura do desgoverno. É certo que acontece com frequência e hoje mais do que antes pela emergência dos chamados ciclos curtos da governação. Alguma coisa de estranho está a acontecer balanceando cada vez mais o centro do poder para a direira radical populista. Quando os poderes de moderação do sistema falham - no caso o PR - o próprio sistema tende a colapsar.

sexta-feira, julho 17

Um mau lugar

O PR começa a dar sinais de hesitação, omissão, comiseração, com um governo que enveredou por caminhos que denotam incompetência e autoritarismo. Alguma coisa de estranho se passa, ainda dificilmente definivel, que nos vai levar a um lugar de que não vamos gostar - um mau lugar. Não é fenómeno nacional mas é o que nos toca confrontar.

quinta-feira, julho 16

A politica morreu?

Custa dar razão aos descrentes da politica, melhor dito dos politicos, que toda a vida ouvi dizer a alguns que não prestavam por serem venais ou incompetentes. Na verdade sempre houve uma ponta de razão nas opiniões desses cépticos e sabia-mo-lo. Hoje a politica é quase só negócios e quase nada convições, principios e valores. Os exemplos abundam e são esmagadores. Como sair disto? Ninguém sabe!

segunda-feira, julho 13

Os nossos dias

O ambiente é irrespirável, a morte das pessoas tornou-se uma banalidade, a ética um luxo carissimo para os praticantes, as sociedades livres estão cercadas pelas tiranias, os negócios de poucos matam e ameaçam as liberdades.

quarta-feira, julho 8

Futebol

Já o escrevi como me desgosta o negócio do futebol. As opções tomadas em nome do negócio são frustantes para quem gosta acima de tudo do jogo. A multidão que exulta e o adepto que sofre, as conversas de circuantância, um desporto democrático, todos têm opinião, mesmo os que nada sabem dos meandros que são a maioria. Um dia no céu, outro no inferno. Uma grande escola que se aprende a gostar e a detestar. A vida é assim.

domingo, julho 5

Imigração

Sempre observei com curiosidade a contradição entre ser contra a imigração e dela beneficiar. Muitos apoiantes da direita populista anti imigração empregam ou beneficiam do trabalho de imigrantes. Não se trata de um fenómento pontual mas de prática usual e massiva. Sempre me interroguei acerca da origem dos imigrantes sendo percetivel, hoje comprovada por estudos, que a maioria, no caso português, são originários de paises de lingua oficial portuguesa (mais de 50%). Sempre me interroguei acerca da razão de tanta vozearia anti imigração de um povo ele próprio com forte tradição emigrante - ser estrangeiro lá fora - viajante, mestiço, como se dizia no regime celebrado pelos populistas, num pais que "deu novos mundos ao mundo". Sempre me interroguei acerca do que defendem, em termos estratégicos, esses defensores da raça pura que não existe, quais os seus interesses, que alianças internas e externas defendem. Neste contexto como entender a deriva populista dos democratas do PSD?. Como entender as decisões do governo apoiadas em aliança explicita ou implicita com a direita radical populista? Só me ocorrem duas hipóteses de explicação: ou os membros do governo, todos eles de forma flutuante, perfilham o ideário radical populista, usurpando um partido de matriz social democrata, ou, mantendo-se, no essencial fieis a essa matriz, ambicionam combater o radicalismo populista juntando-se taticamente a ele. No primeiro caso é traição, no segundo ingenuidade.

domingo, junho 28

Tragédia

A catástrofe na Venezuela é equiparada às piores de todos os tempos e nem sequer ainda existe o conhecimento da verdadeira dimensão dela. Não estamos livres de sofrer igual sorte e nunca, com poucas exceções, as comunidades se preparam para lhe fazer frente. No caso da Venezuela coincide com o golpe colonialista dos USA de Trump que busca extrair as riquezas naturais da Venuzuela em beneficio próprio. A tragédia fará mudar os planos? Creio que será somente um contratempo com alguns custos para os USA em que todos os apoios serão à conta de empréstimos a pagar no futuro. Aguardemos milhares de mortos.

quarta-feira, junho 24

Esperança

Uma das grandes tragédias do nosso tempo é a normalização do disparate, da maldade e da mentira. O debate politico e social acabou em favor da propaganda sem direito ao contraditório. Neste ambiente a autocracia ganha cada vez mais espaço e a democracia encolhe e duvida de suas virtudes. Não é um fenómeno novo, novos são os meios que o impulsionam. Só a palavra do Papa não é suficiente para aplacar o fenómeno, talvez seja necessário uma nova liderança nos USA, mas depressa. Haja esperança.

domingo, junho 21

Coisas simples

A grande aliança das direitas vai continuar em marcha apesar dos tropeções e correspondente mal estar. Os grandes inimigos das direitas (todas, cada uma a seu modo) são os socialistas, afinal sempre radicais, os sindicalistas, mesmo os "nossos", ou seja, todos aqueles que não alinham. A coisa parece muito rudimentar, sem jeito, nem estratégia, mas o drama é que é mesmo assim. O Congresso deste fim de semana é muito elucidativo.

quinta-feira, junho 18

A grande aliança das direitas

Como todos já devem ter entendido o acordo politico das direitas é mais vasto do que cada uma das leis que vão sendo aprovadas. O acordo visa a revisão constitucional antes que esta maioria perigue, o mais cedo que puder ser. Tudo o resto será acessório restando saber se o PSD mantém o minimo de unidade quando estiverem em causa direitos e garantias, separação de poderes, reforço do papel do PR, colocando em causa o modelo semi presidencial e tantos outros aspetos do edificio constitucional de 1976. As direitas unem-se nas suas diferenças em torno de pontos de comum acordo, o que é natural. Resta saber se o PSD ainda sobreviverá desta aventura ...

segunda-feira, junho 15

Odair

Longe de mim qualquer sentimento ou ideia justicialista. Sempre pensei, na esteira de Camus, que um homem julgar outro homem é uma quase impossibilidade. Mas paira no ar, no caso Odair, que o policia assassino ainda vai acabar condecorado...

sábado, junho 13

..a ditadura

Pois a realidade, que já não passa em claro, é que estamos confrontados com um imperador louco nos USA. Deixou de haver previsibilidade na politica internacional e ao que parece as decisões destinam-se ao enrequecimento próprio e dos amigos apoiantes próximos. Mas a praga estende-se por toda a parte incluindo na praia lusa. O nosso pequeno aspirante a imperador inspira-se nos ideiários e simbolos do salazarismo - Deus Pátria Familia. A seu lado marcham as forças ditas democráticas de direita nas quais afloram e se avolumam sinais de aliança ou mesmo fusão a respeito de muitas politicas com o pequeno aspirante a imperador. Ou bem que as forças democráticas autênticas acordam e se rejuvenescem ou cairemos na mais absurda democracia sem povo, ou seja, sob uma forma nova, a ditadura...

segunda-feira, junho 8

Jogo sujo

A respeito do futebol, que sempre me encantou enquanto jogo, devo dizer que se tornou num jogo sujo. Não acredito em quase nada, a não ser nas peladinhas de rua expontâneas, longe do negócio. É tudo demasiado evidente ...

domingo, junho 7

6 junho 1944

6 de Junho de 1944. Neste dia os aliados desembarcaram nas praias da Normandia. É o princípio do fim da ocupação nazi da Europa. Morrem, em poucos dias, muitos milhares de soldados das forças libertadores e das forças ocupantes. Os relatos, em toda a sua dimensão heróica e trágica, engrandecem os vencedores e os valores da liberdade. Camus por estes dias escreveu no seu Caderno: "Criação corrigida. O carro de assalto que se volta e se debate como uma centopeia. Bob nos prados de Verão da Normandia. O seu capacete coberto de goiveiros e ervas bravas. Cf. Relatório da comissão inglesa no Times sobre atrocidades. O jornalista espanhol de Suzy (pedir o texto) (crianças mostravam-lhe os cadáveres, rindo). Duche frio no coração durante uma hora. Fala-se durante o dia da possibilidade de comer uma sopa de leite à noite porque isto faz urinar várias vezes durante a noite. Que os W.C. ficam a cem metros do prédio, que faz frio, etc. - Ao entrarem na Suíça, as mulheres deportadas dão gargalhadas ao verem um enterro: - "É assim que tratam os mortos, aqui!" - Jacqueline. - Os dois rapazes polacos a quem obrigam a queimar, aos catorze anos, a sua casa, estando os pais lá dentro. Dos catorze aos dezassete anos, Buchenwald. - A porteira da Gestapo instalada em dois andares de um prédio da rua Pompe. De manhã, trata da casa no meio dos torturados. "Nunca me ocupo do que fazem os meus inquilinos." - Jacqueline no regresso de Koenisberg a Ravensbruck - 100 quilómetros a pé. Numa grande tenda dividida em quatro. São tantas as mulheres, que não podem deitar-se no chão, a não ser encaixando-se umas nas outras. A disenteria. Os W.C. a cem metros. Mas é preciso passar por cima dos corpos e até pisá-los. Faz-se ali mesmo. - Aspecto mundial no diálogo entre a política e a moral. Perante esse aglomerado de forças gigantescas: Sintes (…). - X. deportada, libertada com uma tatuagem sobre a pele: serviu durante um ano no campo dos S.S. de …". In "Cadernos II" (Caderno nº 4 - Janeiro 1942 - Setembro 1945), Albert Camus, Edições Livros do Brasil.

quarta-feira, junho 3

Lá vamos cantando e rindo ...

Os sinais são cada vez mais evidentes. Há uma avalanche de politicos, comentadores e tutti quanti, presumivelmente moderados de direita, engolidos pela voracidade populista. É uma tendência antiga que engrossa e toma forma através de alianças cada vez mais explicitas. Aguardemos que a democracia politica perdure e a liberdade não desfaleça para que através do voto os desvios se corrijam sem violência.

terça-feira, junho 2

PSU

Estranha forma de vida (politica). Ninguém pergunta das razões da urgência de certas medidas? Passaram anos conhecendo-se da necessidade! A democracia atropelada pela incompetência. No fim o mais certo é sair disparate.

domingo, maio 31

Falsos absolutos

A coisa é antiga mas persiste e aponta para o fundo. Eleições de lideres partidários por 95% de votos, com 70% de abstenção, um quase deserto de participação. Falsos absolutos. O comentariado omite o definhar da democracia interna dos partidos, a partidocracia vai matar a democracia e a liberdade de escolha. Surgem vozes dissonantes que são interpretadas como mera vontade de participar. Tenham pena dos pensantes. O que nos vale é que a tropa já não tem força, nem de gente nem de armas, pois todas as revoltas, golpes e revoluções sempre a tiveram como ponta de lança. Organizem-se!

sábado, maio 30

Edgar Morin - morreu aos 104

Il n’aura cessé de penser les événements de l’histoire dans un corps-à-corps haletant avec le siècle. Attaché à relier les savoirs afin d’élaborer sa « pensée complexe », cet intellectuel populaire, ancien résistant profondément humaniste, militait pour une insurrection des consciences. Il s’est éteint vendredi 29 mai à Paris. (Le Monde, hoje). A vida é, portanto, um processo de desordem permanente, de desorganização, de desintegração, inseparável da reintegração. A sociedade não é um rochedo num mar de desordem. É antes feita de esforços sempre recomeçados, por parte de indivíduos que, eles próprios, se reorganizam incessantemente. Tudo o que existe deve viver no risco permanente, no limiar da sua própria morte. Devemos adquirir uma concepção pela qual assumamos muito mais o risco, as potencialidades da existência. É esta uma concepção que deve romper totalmente com a visão burocrática e a falsa ideia de segurança contra todos os riscos. Isto não quer dizer que seja preciso suprimir os seguros, a segurança social … É preciso, antes pelo contrário, ter seguranças materiais, mas a nossa vida mental, psíquica, é uma vida decorrida no risco profundo. A criatividade constitui-se nas fronteiras da loucura e da morte. É preciso mudar de visão. Aceitar na vida o risco, o inevitável, porque isso é a oportunidade de criar, de se expandir, de comunicar e de amar. Edgar Morin In “Pensar o Milénio com Edgar Morin” (excerto de uma entrevista antiga de João Fatela).

terça-feira, maio 26

O padeiro de Alcácer

Já passaram uns dias sobre o episódio das crianças francesas lançadas ao abandono "como cães" (dizia-se antigamente). A extrema direita não vociferou pela invasão de estrangeiros, eram caucasianos e não vieram em busca de trabalho que é, no essencial, o que acontece com os estrangeiros que nos procuram. O padeiro de Alcácer fez emergir uma narrativa disruptiva mostrando que a solidariedade e a bondade afinal não morreram.

sexta-feira, maio 22

Governar?

"Governo fez tiro a Seguro, mas não quer hostilizar o Presidente". Esta é muito boa, não é? Através do Expresso o governo faz contenção de danos. Foi um ataque pontual não uma estratégia de ataque! Algumas pessoas nunca serão capazes de governar, não são governantes.

terça-feira, maio 19

Sindicatos

O ataque aos sindicatos é um sinal preocupante da saúde da democracia. No debate acerca das alterações à legislação laboral tem sido recorrente esse ataque por parte do governo e das forças que o apoiam. Sindicatos fortes sgnificam em toda a parte e, em todos os tempos, menos desigualdade. Sindicatos fortes significam maior capacidade para acomodar e enquadrar o descontentamento social logo menos crispação civica. Não nos deixemos enganar deixando passar em claro estes sinais preocupantes originados no ataque ao sindicalismo livre.

domingo, maio 17

Associação livre

Há muitos sinais de tirania no mundo, em cada região e país. As leis são atacadas, as instituições ameaçadas, os pesos e contrapesos que garantem o funcionamente do processo democrático são postas em causa. Entre as instituições denegridas, subalternizadas e atacadas estão os sindicatos e as associações de todos os tipos, pois elas são o substrato e fundamento da liberdade e da democracia autênticas. A tirania odeia a associação livre.

quinta-feira, maio 14

Ivo Rosa

https://expresso.pt/sociedade/2026-05-14-ivo-rosa-escreve-a-seguro-e-descreve-a-perseguicao-de-que-foi-alvo-pelo-mp-como-um-caso-de-estado-de-direito-que-a-todos-diz-respeito-2ebaaa83
Vital Moreira aborda o caso Ivo Rosa a propósito da carta que este dirigiu ao PR, denunciando a perseguição de que foi vitima por parte do MP. É um caso da maior gravidade que deveria acender todas as luzes de alerta para o estado da nossa democracia.

terça-feira, maio 12

Maio (de novo)

"Maio. Não nos separarmos do mundo. Não se perde a vida quando a colocamos à luz do dia. Todo o meu esforço, em todas as posições e desgraças, as desilusões, é para recuperar os contactos. E mesmo nesta tristeza que há em mim, que desejo de amar e que enebriamento apenas perante a visão de uma colina na aragem do fim da tarde. Contactos com o verdadeiro, a natureza em primeiro lugar, e depois a arte daqueles que compreenderam, a minha arte se a consigo alcançar. De contrário, a luz e a água e a embriaguez estão ainda na minha frente, e os lábios húmidos do desejo. Desespero sorridente. Sem saída, mas que exerce sem cessar um domínio que se sabe inútil. O essencial: não nos perdermos, e não perder aquilo que, de nós, dorme no mundo." (Texto de Maio de 1936) Albert Camus, in Cadernos, "Caderno n.º 1 (Maio de 1935/Setembro de 1937) - Edição Livros do Brasil

sábado, maio 9

Aniversários

Em Maio, o ar dos pobres diabos que deambulam pelos passeios. O pólen que se desprende das flores. As árvores erectas quais bandeiras desfraldadas. As efemérides tristes e empolgantes. A morte e a vida que ganham a cor clara dos longos fins de dia. Maio é uma sinfonia de sentimentos desencontrados. Já não há revoltas e rufam os tambores da guerra. O que escrevem os poetas? Nunca se sabe o que escrevem os poetas mesmo que mostrem o que escrevem. Hoje é o aniversário da morte do Agostinho. No mesmo dia do aniversário de minha mulher. Maio, mês de todas as desilusões e promessas felizes.

Os nazis capitularam

Kapitulation in Berlin-Karlshorst 9. Mai 1945 um 00.16 Uhr: Generalfeldmarschall Wilhelm Keitel unterzeichnet die bedingungslose Kapitulation des Deutschen Reiches. Capitulação em Berlim – 9 de Maio de 1945 – 00,16 horas. O Marechal Wilhelm Keitel assina a declaração de rendição incondicional do Reich. A rendição do Reich deu-se a 7 de Maio de 1945; a Guerra terminou, de facto, a 8 e a capitulação ocorreu a 9. São os detalhes cronológicos de um acontecimento verdadeiramente dramático e fundamental para o futuro da vida dos povos, nações e cidadãos da Europa e do todo o mundo. A barbárie tinha cedido perante a luta determinada dos defensores da liberdade e da democracia.

sexta-feira, maio 8

Solidariedade europeia

Um paquete com cerca de 150 viajantes com vocação de observadores da vida selvagem, a partir de uma morte a bordo, desvalorizada pelo comandante, lança o pânico. Não é preciso muito, basta um virus aliás conhecido, para inundar os serviços noticiosos globais. A OMS assume a liderança da investigação. Mas a Argentina que parece estar na origem do problema, saiu da OMS em 2025, seguindo os USA. Os passageiros que ainda estão a bordo precisam de ser desembarcados mas a solidarieddae europeia mostra-se em todo o seu esplendor... de preferência seria de os deixar no meio do oceano.

quinta-feira, maio 7

IRS Jovem

A tomada de posição do FMI, após uma visita a Portugal, acerca do IRS Jovem é muito relevante. Funciona ao contrário do objetivo traçado, ou seja, estimula a procura, logo os preços por escassez de oferta, é injusto e não desestimula a emigração dos jovens. Nada que não tenha sido apontado em tempo. Ninguém vai ligar coisa nenhuma e a banca sorri.

terça-feira, maio 5

Integração

Estranha dança das medidas e discursos securitários e pró nacionalistas. No caso das sociedades europeias, e não só, se não se cuidar, em primeira linha, da integração dos estrangeiros caminharemos para a irrelevância demográfica. As tarefas da integração nunca, ou raramente, são colocadas na primeira linha das politicas, embora saibamos que são forte preocupação de quem está no terreno. Só a igreja católica assume um discurso coerente na abordagem do tema.

domingo, maio 3

Mãe

Reconheço o amor nos olhos que me olham com desmedida atenção enquanto durmo. Os olhos de minha mãe adoravam ter esperança no futuro no qual jogava a sua crença de ir mais longe. A primeira mulher da minha vida. A mais ousada na sua imprevisível arte de romper barreiras e chegar mais além. A fonte da força que me mantém de pé contra todas as adversidades. Uma mulher de um só homem que não era homem de uma só mulher. A fidelidade nascida da tradição que não da fraqueza ou da futilidade. A irreverência herdada da rudeza do campo, das agruras da natureza à força de puxar a besta e de encaminhar a água à raiz certa não fosse perder-se uma gota. A escola da escassez sonhando a fartura que havia de vir fruto do trabalho honrado. Não perder tempo chorando o tempo perdido. Fazer do tempo um passeio para espairecer e voltar ao arado da vida com sonhos lá dentro. A mulher que se fez a si própria descobrindo os outros e o que se pode e se não pode fazer com eles. Aceitar mudar e escolher o caminho da mudança. Tactear o caminho levando ao colo os seus amores. A primeira mulher que acreditou no caminho hesitante que me havia de fazer homem. Sem saber para onde ia ao certo. Nem ninguém sabia, ninguém nunca sabe, mas não duvidou que havia de chegar a um lugar onde brilharia o sol e sou capaz de a lembrar como a minha primeira mulher. Aquela que mais me amou, sempre me amou além do que a vida pode conter de riqueza material. Um dia ao fim de uma longa caminhada sem sequer saber dos meus males escolheu morrer nos meus braços. A mais sublime homenagem que alguém pode prestar a alguém. De súbito suavemente, na alegria da celebração da juventude, deixou para sempre a esfusiante tradição de me abraçar como se fosse a criança que para ela nunca deixara de ser. [21/1/2008]

Transparência

Eis uma causa pela qual vale a pena lutar, sem amarras a ideologias e preconceitos. A transparência. Ou seja, em palavras simples e diretas, à publicitação do património e interesses dos politicos e dirigentes da administração. Assim como do financiamento dos partidos politicos por pessoas e entidades não públicas. Não basta declarar, é necessário assegurar o acesso à informação de forma aberta. A campanha em prol da opacidade diz muito dos perigos da captura de poder por grupos de interesse mas também da erosão da democracia. As pessoas decentes não podem deixar passar em claro as manobras em curso que têm ramificações em todos os níveis do poder.

sábado, maio 2

Maio

Maio. No algarve de visita à terra para uns dias de férias. O jardim está florido de cores fortes, o cheiro ao jeito árabe ateneou por efeito da baixa da temperatura. Nas ruas o tempo corre com aparente calma nas vésperas de tempestades.

sexta-feira, maio 1

1 de maio

Hoje é dia de Maio, dizia-se no campo de meus avós, tão longe no tempo, tão perto na memória. Hoje passam 52 anos sobre a data em que se desfizeram muitas dúvidas acerca da natureza da revolução de Abril. Por toda a parte ressoaram os passos de milhões de manifestantes. Num repente um povo submisso parecia ter-se transformado num povo rebelde. Mas as revoluções só sobrevivem naqueles breves momentos de fusão em que tudo parece ser possível. Torga, apesar do seu cepticismo, vigilantemente crítico, escrevia, pouco tempo depois, no seu Diário: “Aveiro, 9 de Junho de 1974 – A caminho da Costa Nova, com a sensação de que os barcos navegam no meio dos milheirais.” E, ainda antes, a propósito das suas incursões pela política: “Coimbra, 1 de Junho de 1974 – Discurso num comício socialista. Ainda hei-de escrever meia dúzia de linhas a propósito da situação trágico-cómica de um poeta em bicos de pés num estrado cívico, a esforçar-se por estar à altura da sua reputação e ao mesmo tempo a saber que ninguém o ouve.” Jorge de Sena, na América, escreveu em 2 de Maio de 1974 o poema “Com que então libertos, hein?...”: “Falemos de política, / discutamos de política, escrevamos de política, /vivamos quotidianamente o regressar da política à posse de cada um /essa coisa de cada um que era tratada como propriedade do paizinho. /Tenhamos sempre presente que, em política, os paizinhos/ tendem sempre a durar quase cinquenta anos pelos menos. /E aprendamos que, em política, a arte maior é a de exigir a lua/ não para tê-la ou ficar numa fúria por não tê-la, / mas como ponto de partida para ganhar-se, do compromisso, /uma boa lâmpada de sala, que ilumine a todos. (…)". A fotografia, a preto e branco, sobreviveu 52 anos tal como alguns de nós que nela se podem rever. Eu continuei no quartel, como tantos outros, vigilantes, mas hoje arrependo-me de não ter saído à rua num dia assim. QUE VIVA O 1º DE MAIO!

quarta-feira, abril 29

Greve geral - nunca menosprezar

“A revolução de 1905 principiou pela greve de uma tipografia moscovita cujos operários pediam que os pontos e as vírgulas fossem contados como caracteres na avaliação “por peça”. O Soviete de Saint-Peterburgo em 1905 apela para a greve aos gritos de abaixo a pena de morte.”” Albert Camus, in Caderno nº 6.

segunda-feira, abril 27

Transparência

Na véspera do meu aniversário com 52 anos de participação em eleições democráticas, tendo votado em todas, ponho em causa futuras participações se o financiamento dos partidos politicos por particulares não for publico, ou seja, se não for conhecida publicamente a identidade dos doadores e o valor das doações, seja qual for a sua natureza. ( A ilustração é um desenho do meu filhe em criança.)

domingo, abril 26

Interesses

Tantos anos após o 25A interrogo-me o que faz com que o debate acerca do património e interesses dos politicos e gestores da coisa pública, esteja tão intenso. E que dizer do financiamento dos partidos sendo o nosso regime de partidos. É irrisório e talvez mesmo grotesco. Tal como os apoios prometidos chegam devagar aos necessitados, quando chegam, (que culpa têm os gestores da coisa pública que sejam necessitados?), os que fazem as leis vacilam e dançam perante as suas próprias necessidades! As suas. Não brinquemos com a maioria que não tem nada para declarar!

sábado, abril 25

25 de abril - Liberdade

No dia 25 de Abril de 1974 em que a história, o imaginário e o simbólico se fundiram, num magna único, as raízes falaram mais alto. Uma das recordações mais fortes do 25 de Abril, que persistem em mim, foi a preocupações em telefonar, naquela manhã, do quartel onde ficara enclausurado, para casa de meus pais. Talvez seja incompreensível a persistência desta memória mas ela explica-se pelo facto de ter vivido, a maior parte da minha vida, longe da família, rodeado pela memória das paredes brancas, da luz do sul, dos cheiros da terra com vista para o mar. Das vozes e dos olhares que me viram crescer. Das ruas que conheço de cor e sou capaz de imaginar ao pormenor. Do rosto daqueles que são o rio no qual desagua o meu imaginário. Naquele momento mágico, a madrugada do 25 de Abril de 1974, em que o sonho de gerações de portugueses se transformou em realidade veio ao cimo das minhas preocupações o que, em regra, nunca constituía preocupação: falar com a família para lhes dar a boa nova, trocar uma palavra de regozijo, ofertar um cravo imaginado, abraçar o futuro, verter uma lágrima, agradecer a liberdade que me tinham oferecido mesmo antes dos cravos brilharem nos canos das espingardas. Reparei então como não somos nada sem as raízes que nos prendem ao chão das nossas origens. O 25 de Abril foi uma vertigem de libertação que ainda mais despertou em mim o gosto da participação cívica. Ganhei esse gosto pela iniciativa do meu irmão Dimas à época em que todos os pais hesitam acerca do destino dos seus filhos. Os gostos não são inatos. Não nascem connosco. São uma construção na relação com o mundo que nos rodeia. Sendo um filho tardio recebi dos meus pais a liberdade de escolher a minha vida e do meu irmão a discreta cumplicidade para que me afirmasse, no que quer que fosse, com respeito pelos princípios da liberdade e da democracia. O 25 de Abril foi a confluência de uma miríade de vontades libertadoras, um momento singular, que honraremos cultivando o gosto da liberdade. (Publicado em 23 abril de 2006).

sexta-feira, abril 24

25 de abril - um percurso singular

O dia 24 de abril de 74 poderia ter sido um dia normal de primavera como o de hoje, mas revelou-se muito original. Eu sabia do que se estava a preparar. No quartel onde passava os dias corriam informações que não dava para desvalorizar. Foi nesse meio que soube que seria na próxima madrugada. Entre nós, milicianos no SMO, acordamos o que havia para acordar, o encontro decisivo seria na casa do António Cavalheiro Dias, com o João Mário Anjos além dos familiares diretos, a partir de determinada hora ao final da tarde. Entretando passei pela casa do Ferro para o avisar (estava a decorrer um jogo do Sporting na Alemanha de Leste), e deixado o aviso segui da Lapa para Benfica na direção do ponto de encontro. Não telefonei para mais ninguém que me lembre. A namorada em Chaves e a família em Faro. Não devo ter querido criar inquietação e falsas expetativas. A certa altura já tarde na noite fui acordado - decidi deitar-me no chão da sala e adormeci - com emoção, já tinha passado a primeira senha. Devemos ter aguardado pela segunda e partimos a caminho da segunda circular com intenção de entrar no quartel do Campo Grande (2ª GCAM). Após algumas voltas, a ver se havia movimento de tropas, formos surpreendidos na entrada do Campo Grande por uma coluna militar que mais tarde soubemos ser a comandada por Salgueiro Maia. Face a essa surpresa exaltante decidimos seguir a coluna tendo deixado o João Mário no quartel. Lá fomos nós até ao fim do percurso dela - Terreiro do Paço/Rua do Arsenal. Aí decidimos não ficar e fazer o caminho do nosso quartel. Fizemos mal. Foi um dia 24 de abril e uma madrugada de 25 singulares, a história é hoje bem conhecida. Que viva o 25 de abril!

quinta-feira, abril 23

25 de abril - Vitor Wengorovius

O mais brilhante tribuno do movimento estudantil durante a crise académica de 1961/62. Eu não tinha idade para o conhecer nessa época mas os testemunhos dos seus contemporâneos são eloquentes. Só o conheci como veterano no processo de criação do MES bastante antes do 25 de Abril. Era uma figura pujante de energia e criatividade, prolixo, solidário e desprendido. Era a personificação do excesso para seu prejuízo pessoal e benefício da comunidade. Um socialista católico puro e impoluto, crente e destemido, desprendido do poder e amante da partilha. Privei com ele, nele confiava em pleno, com ele aprendi a confiar, talvez a confiar demais. Não me arrependo de ter acreditado na luz que emanava da sua dedicação às causas utópicas que as suas palavras nunca eram capazes de desenhar até ao fim. As suas palavras perseguiam a realidade que se escapava como um permanente exercício de criação. Com ele fui a encontros clandestinos com o Pedro Ramos de Almeida, representante do PCP, buscando as alianças necessárias ao sucesso da luta anti fascista e nunca fomos apanhados pela polícia política. Ouvi horas das suas conversas, intervenções e discursos, aprendi a ouvir, aprendi a faceta fascinante do excesso da palavra (não só com ele) e sofri, em silêncio, o lancinante drama do seu percurso pessoal perdido no labirinto das rupturas intelectuais e sentimentais. Morreu a 27 de Fevereiro de 2005 mas viverá para sempre no coração daqueles que, verdadeiramente, o conheceram.

quarta-feira, abril 22

25 de abril - António Santos Júnior

No movimento operário de base destacou-se, emergindo das lutas da TAP, que antecederam o 25 de Abril, António Santos Júnior. Ele liderou um movimento de novo tipo, associando as reivindicações tradicionais do operariado urbano com os novos desígnios da participação do movimento operário na acção política. Era um admirável homem de acção e de organização, persuasivo e generoso. Aliás Santos Júnior deveria ter discursado na grande manifestação, em Lisboa, do 1º de Maio de 1974, em representação do MES, mas foi boicotado em cima da hora (não sei ao certo o que se passou nos bastidores). Foi nessa manifestação que surgiu, pela primeira vez, em público a sigla MES inscrita num pano onde se podia ler "Movimento de Esquerda Socialista - em organização". Outros dois destacados activistas do movimento operário e sindical, com relevante participação no MES, foram Manuel Lopes (sindicalista que aderiu à CGTP) e o ideólogo das lutas da TAP, Jerónimo Franco. (António Santos Júnior morreu no dia 27 de Janeiro de 2017. Segundo um camarada seu do movimento sindical de então, Jerónimo Franco, "sob a direcção de Santos Júnior as transformações atingiram tal amplitude que se iniciou uma nova era no sindicalismo português".)

terça-feira, abril 21

25 de abril - Mário Viegas

Mas o oficial miliciano mais fascinante do meu Quartel era o Mário Viegas. O seu estatuto no serviço militar era apropriado ao seu talento de actor. Vivemos em comum aqueles momentos inesquecíveis em que a liberdade foi devolvida aos portugueses. Tinha por ele um natural fascínio que sempre me retribuiu até à sua morte prematura. Por um daqueles dias entre o 25 de Abril e o 1 de Maio de 1974, se não erro, no Quartel do Campo Grande, assisti ao espectáculo mais extraordinário de toda a minha vida. Havia que festejar o que agora comemoramos com nostalgia. O refeitório foi transformado numa sala de espectáculos. Nele se reuniu toda a gente de serviço no quartel. Imaginem o elenco daquela festa improvisada: Carlos Paredes, Zeca Afonso e Mário Viegas. Todos mestres geniais na sua arte. A certa altura o Mário Viegas subiu para o tampo de uma mesa e a poesia brotou, em palavras ditas, como se diante de nós se revelasse um novo mundo ou tivéssemos da vida renascido.

segunda-feira, abril 20

25 de abril - Salgueiro Maia

Afinal o Capitão Salgueiro Maia era um homem de coragem. No confronto decisivo da Rua do Arsenal foi o sangue frio de Salgueiro Maia que tornou vitoriosa a revolução. A sua serenidade face à força inimiga obrigou a que o soldado atirador, sob ordens de um subordinado do brigadeiro, não fosse capaz de premir o gatilho. A serenidade do Capitão Salgueiro Maia, sabendo que tinha a sua cabeça na mira do atirador, congelou a situação. Acredito pelo que presenciei que só a conjugação da coragem do Comandante da força revoltosa de Santarém, o desespero do comandante da força do regime e a recusa do soldado em disparar permitiram o desenlace feliz daquela situação que, no plano militar, era absolutamente desfavorável aos revoltosos. Assim se decidiu o destino da revolução