Deixar uma marca no nosso tempo como se tudo se tivesse passado, sem nada de permeio, a não ser os outros e o que se fez e se não fez no encontro com eles,
Editado por Eduardo Graça
sábado, setembro 26
terça-feira, setembro 22
Jorge Palma
No meio da miséria moral em que nos mergulharam os politicos que nos governam morreu o Jorge Palma. Uma luz bruxuleante, como diria Sena, que se apaga. Um trovador contemporâneo, impulso de felicidade, uma vida inteira a elevar os espiritos mais alto.
segunda-feira, setembro 21
18 anos
Escrevo nas vésperas da mais que provável dissolução da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES) por decisão da Assembleia Geral mas, na verdade, decidida pelo governo, medida tomada no contexto da modernização do Estado, mas cujas verdadeiras razões e alcance não entendo, nem conheço quem as tenha entendido. Esta medida representa, objetivamente, a eliminação de um centro de competências, de natureza pública, na área do cooperativismo, da economia social e do voluntariado que sempre existiu pós 25 de abril de 1974, primeiro sob a forma de instituto público (INSCOOP – 1977-2010) e a partir de 2010 como CASES. A referência a esta questão explica-se pelo facto de o autor destas linhas ter assumido, por decisão de sucessivos governos, a responsabilidade de conduzir o processo criação da CASES e gestão das suas atividades. Por esta razão e, em qualquer caso, estamos em condições de prestar testemunho já que Portugal realizou nos últimos anos um extraordinário progresso na estruturação e desenvolvimento do setor da economia social. (Parágrafo inicial de um longo artigo escrito para uma publicação espanhola, testemunho pessoal acerca de uma longa caminhada de 18 anos. Divulgarei aqui mais alguns excertos.)
sexta-feira, setembro 18
CASES
Hoje a Assembleia Geral da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES), a cuja direção tenho presidido, decidiu pela sua dissolução. Esta decisão vem na decorrência de uma medida do governo que consistiu na designada "exoneração da participação pública" na CASES, ou seja, da saída do Estado. Fui um dos principais construtores deste projeto que alcançou no âmbito das suas atribuições um elevado prestígio nacional e internacional. Ninguém entendeu os fundamentos da decisão do governo. Voltarei ao assunto.
quinta-feira, setembro 17
Crise
O Estado Social tal como o conhecemos está em risco. Por todo o lado em todo o tempo e por todos os meios chovem discursos e informações acerca da queda do Estado Social, uma extraordinária conquista do pós guerra. Os liberais radicias do nosso tempo não toleram a ideia da ascensão social nem querem saber, a não ser por deveres de aparência, dos mais pobres e desfavorecidos. A guerra e os seus negócios fala mais alto e o esbulho dos recursos públicos em beneficio dos privados apresenta-se de forma descarada. A subida vertiginosa dos preços dos combustíveis é uma bomba que, se não for contrariada a tempo, acentuará a crise económica social, abrindo o campo aos mais desvairados movimentos anti democráticos. O resultado das eleições na Suécia é uma luz de esperança neste mundo distópico
segunda-feira, setembro 14
Atoleiro
Estranho mundo em que cada vez mais vigaristas assumem o poder. Por cá a direita clama por reformas, quem as não defende!, o diretor da PJ em funções sob investigação da PGR, um Ministro em funções, anterior diretor da PJ, sob investigação, o atual PM sob investigação, o anterior PM sob investigação (estas meio adormecidas), um grande atoleiro, no entretanto os negócios seguem o seu curso ... e a sociedade civil assiste impávida e serena ...
domingo, setembro 13
sábado, setembro 12
Jornal Esquerda Socialista - 52 anos
Em épocas de revolução o tempo ganha uma dimensão proporcionalmente inversa ao empolgamento dos protagonistas. Quanto mais fervor revolucionário mais o tempo parece escasso. Todos os sonhos parecem realizáveis e as vozes conciliadoras, ou que se atrevam a apelar ao realismo, tendem a ser silenciadas ou desprezadas.
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Apesar do seu temperamento afectuoso e, ao mesmo tempo, irascível, César de Oliveira, uma grande figura de intelectual da esquerda portuguesa do século passado, abandonou a direcção interina do “Esquerda Socialista”, após a edição dos seus seis primeiros números, sob a pressão de uma maioria radicalizada que, considerava o jornal ”politicamente ambíguo”, “graficamente confuso” e “financeiramente desastroso”.
Acusações tanto mais injustas, digo-o hoje sem contemplações, atentas as dificuldades em reunir, à época, as condições para erguer qualquer órgão de imprensa partidária (e mesmo generalista!), fora da esfera de influência do PCP e dos grupos marxistas-leninistas-maoistas, ainda por cima, em oposição, ideológica e política, aos princípios essenciais da orientação político-partidária daquelas organizações.
Foram aliás essas dificuldades que explicam o longo tempo, quatro meses e dez dias (uma eternidade!), que mediou entre o surgimento público do MES, anunciado no pano artesanal que desfilou na grande manifestação do 1º de Maio de 1974, e o dia 11 de Setembro desse ano quando saiu do prelo o nº 0 do “Esquerda Socialista”. O cartaz dizia “Movimento de Esquerda Socialista (em organização) ”, uma fórmula impensável à luz das regras tradicionais do marketing político, mas que explica, em duas palavras, as delongas no surgimento do jornal.
Era preciso dar corpo a uma ideia que andava no ar, ou seja, estabelecer as bases programáticas e organizativas de um partido, criando-o de raiz, a quente, na bigorna da revolução, não deixando perder as energias de tantos e tão promissores movimentos de luta sectorial e o entusiasmo dos militantes que exigiam aderir a um movimento político que nem os seus fundadores sabiam muito bem ao que vinha e nos quais não constava, que me lembre, uma única personalidade relevante ligada à imprensa.
Que experiência mais apaixonante se poderia desejar na volúpia da revolução, que fervilhava nas ruas, do que responder ao desafio de criar um partido de “esquerda socialista” despojado, à partida, de recursos materiais e de apoios internacionais? Mas como encontrar energias para fundar, do nada, o mais depressa possível, um órgão de imprensa que lhe desse rosto e voz?
Ao fim de muitas, e acesas, discussões, nas quais o César de Oliveira se enfurecia amiúde, lançaram-se as bases de uma equipa de trabalho para elaborar o “Esquerda Socialista”, arranjou-se uma sede provisória na Rua Garrett, que a partir do nº 8 passou para a Rua Rodrigues Sampaio e a partir do nº 30 para a Av. D. Carlos I, convenceu-se a Renascença Gráfica a vender “fiado” os trabalhos de edição e impressão, contratou-se uma distribuidora e o “Esquerda Socialista” foi para a rua.
Esta aventura, FAÇA-SE JUSTIÇA, não teria sido possível sem o empenho do José Manuel Galvão Teles e como, ainda hoje, não sei se alguém lhe agradeceu o suficiente daqui lhe envio o meu tardio obrigado!
No decurso da 2ª fase da sua existência, de Dezembro de 1974 a Julho de 1975, a direcção do “Esquerda Socialista” foi atribuída, pela Comissão Política Nacional (CPN) a Augusto Mateus, tendo sido editados mais 27 números, do nº 12 ao 38, com periodicidade semanal, compostos por 12 páginas a 2 cores e ao preço de venda ao público de 3$00. (a única excepção foi um nº especial, a propósito do 11 de Março de 1975, que saiu apenas com 4 páginas ao preço de 1$00).
Se não erro, pois não tenho a colecção completa na minha frente (não sei que é feito dela), foram editados, contando com o nº 0, quarenta números do “Esquerda Socialista”, com uma tiragem, no seu ocaso, entre 17.000 e 20. 000 exemplares, mesmo assim bastante relevante acerca da presença política do MES no processo revolucionário em curso, como era da praxe dizer-se.
O jornal “Esquerda Socialista”, carregando, em particular, nesta derradeira fase, as marcas próprias da sua época, mais criativo e anarquizante, na sua primeira fase, constitui um testemunho interessante para uma análise política, e cronológica, do período revolucionário compreendido entre o 28 de Setembro de 1974 e a aprovação do “Plano Aliança Povo-MFA, em Junho de 1975.
Mas ainda não tinha acabado a aventura do “Esquerda Socialista” e já tinha sido criado o “Poder Popular”, o outro órgão de imprensa do MES, que se pretendia mais próximo da luta das classes populares, porta-voz de um programa político do MES que nunca deixou de reflectir, a partir do final de 1976, embora sem expressão pública, a luta interna entre facções que se digladiavam no seu seio.
PUBLICADO EM 29 DE DEZEMBRO DE 2008
sexta-feira, setembro 11
quinta-feira, setembro 10
Governo?
Como li num titulo algures o governo passou à oposição, a propósito de medidas anunciadas recentemente e que implicam aumento da despesa. Parafraseando a senhora Ministra do ambiente a propósito dos combustíveis, um dia acordamos e não há governo ...
segunda-feira, setembro 7
Uma singela nota de descrença
O governo minoritário do PSD odeia os socialistas. Esse ódio dimanado do partido está presente no quotidiano das suas práticas. Pode ser que um dia destes quem conheça os meandros das decisões faça relatos pungentes. Sabemos que o regime politico vigente assenta nos partidos e nas maiorias que se formam em eleições livres. O nosso regime é, pois, um regime de partidos e muito bem. Mas daí até à mais primária das partidocracias vai uma grande distância. Dirão que sempre assim foi e será, mas hoje por hoje é paradoxal que um partido que odeia os socialistas careça do seu apoio para sobreviver. Sempre se suscitarão dúvidas acerca da bondade deste apoio sem que se anteveja a vontade para celebrar um acordo de regime em bases progressistas que minimize a ameaça da extrema direita. O poder presidencial neste regime é fraco por natureza e Seguro pela sua persona não lhe acrescenta força. Receia-se o pior.
domingo, setembro 6
Citações (in) atuais
"O governo está gasto, sem autoridade, sem prestígio, sem crédito, sem vigor, sem alma para actuar com um ar de quem tem as malas feitas, a conta do hotel paga, e aguarda na gare a partida do comboio ..." Franco Nogueira, diário 28 de julho de 1968, in "Os dias e os anos", Marcello Duarte Mathias
quinta-feira, setembro 3
O meu pai Dimas
Amanhã 4 de setembro é o dia de aniversário do meu pai Dimas. Nunca esqueço este dia ao contrário de tantos outros dias. O meu pai nem era homem de muitas conversas e ainda menos de confidências. Guardava prudente reserva dos afetos mas os seus gestos não me enganavam. Levava-me pela mão às mais incriveis aventuras como a de acompanhar o cortejo de Humberto Delgado na sua campanha eleitoral no Algarve. Aspirar à liberdade era um grande e dificil desafio e ele, de diversas e subtis formas, ensinou-me esse caminho.
quarta-feira, setembro 2
Glória
O elevador da glória é toda uma tragédia. O numero de indeminizações entregues às vitimas é minimo. O inquérito está atrasado à espera das atrasadas pericias. O anúncio da entrada em função de um novo aponta para 2029... Parece uma linha de TGV...
domingo, agosto 30
Nepal
As notícias acerca da tragédia do Nepal são abundantes, e justificadas, pela dimensão ambiental e humana. Sabemos da existência no nosso país de uma considerável comunidade nepalesa acerca da qual a opinião geral é muito positiva. No entanto o Estado português face aquela tragédia limitou-se aos minimos protocolares. Talvez um pouco mais de empatia e de apoio concreto, ou seja, mais gestos próprios da solidariedade de um país de emigrantes.
sábado, agosto 29
Assalto em toda a linha
Assistimos a um assalto em toda a linha, o roubo e a pilhagem ganham foros de cidade. A criminalidade vulgar que se apresenta nos grandes meios de comunicação instiga ao discurso securitário, mas os grandes golpes mansos ou rudes não precisam nem desejam divulgação. Regressamos séculos atrás, veja-se o saque do petróleo venezuelano pelos USA, a saque, com governo tutelado e entre nós, a propósito de petróleo, o preço dos combustíveis ...
quarta-feira, agosto 26
A força de uma minoria
Os dirigentes máximos das confederações patronais (exceto a do comércio) ainda não perceberam que perderam todo o crédito para clamar em favor das propostas diretas, ou indiretas, da Ministra do Trabalho? Tudo pode, e deve, ser debatido mas não imposto pela força de uma minoria, suprema ironia, que usa e abusa do "quero, posso e mando", ao arrepio das regras próprias de uma democracia. Vai acabar mal!
terça-feira, agosto 25
Politica menos
Quem buscam influenciar e convencer os discursos dos politicoa tradicionais? E são todos os discursos politicos presentes no mercado. Deixaram de ser criadores de esperança num mundo e numa vida melhor. Anunciam, proclamam ou encobrem guerras e violências, negócios em circuitos curtos e fechados, cada vez mais longe do interesse geral e do bem comum. (Fotografia com vista de Arcos de Valdevez, tirada por mim faz muitos anos.)
quarta-feira, agosto 19
segunda-feira, agosto 10
Politica/negócios
Os negócios estão a atravessar, e condicionar, a politica com cada vez mais intensidade. É verdade que sempre existiram relações intimas entre negócios e politica. Mas os politicos serem eles próprios parte diretamente interessada em negócios que as suas politicas propiciam é um fenómeno novo. Que se estende por todo o lado. ( Na fotografia Eu a Francisca Moura e a Guida, faz tempo, algures no Algarve.)
quinta-feira, agosto 6
O bom governo
O que carateriza o bom governo? 1- empatia; 2 - verdade; 3 - justiça; 4 - equidade. Somente um apontamento em tanto que já se escreveu e debateu acerca do tema. Exige-se ao menos a vontade de aproximação aos padrões exigíveis numa sociedade moderna. Na verdade ninguém quer saber acerca da qualidade do governo, ou somente uma infima minoria. (Na fotografia: eu numa equipa de junior de basquete do Farense).
segunda-feira, agosto 3
Deserto
Regressei à terra (Algarve) para quatro dias de férias repartidas. Olhando a rua, e o olhar não engana: sem turistas e imigrantes seria um deserto. (Na fotografia, imagem do interior do café "A Brasileira" na esquina da rua João Lúcio, em Faro, onde os Pides confraternizavam).
sábado, agosto 1
Arquive-se
Tenho uma pessoa conhecida que, por acaso, trabalha comigo (ainda trabalho!), que foi questionada vezes sem conta pelo TC acerca da sua declaração de interesses. Trata-se de alguém com um património reduzido ... e uma só fonte de rendimento ... A cigana vendedeira de rua no café da esquina sociabiliza e o grupo de policias municipais após beberem café ao balcão questionam-na por que lhes pagou o café ... mas pagou, "não posso?", segue... O PR espera o resultado dos inquéritos, espere... "arquive-se"!
quinta-feira, julho 30
As futuras gerações
Não há motivos para preocupação, mais ministro menos ministro nada vai mudar. Tenhamos, no entanto, atenção aos negócios da defesa e das PPPs. As distrações podem ser muito prejudicias para as futuras gerações. (Na fotografia Maria Casarés.)
quarta-feira, julho 29
A mentira
“O privilégio da mentira é de vencer sempre aqueles que querem servir-se dela. (…) A liberdade não é dizer o que nos apetece […] nem instaurar a ditadura em nome de uma liberdade futura. A liberdade consiste, portanto, em não mentir.” - Albert Camus
sábado, julho 25
A confiança
Existem bastantes obras publicadas acerca das instituições, da importância da sua credibilidade e da confiança que geram e inspiram. Este aspeto da vida em sociedade é mais importante para a riqueza das nações do que as riquezas materiais de que possam dispor. Desta forma fica dito o essencial acerca dos acontecimentos que têm marcado a atualidade nacional.
quinta-feira, julho 23
quarta-feira, julho 22
terça-feira, julho 21
O meu exame de filosofia
Kant, "o filósofo dos direitos humanos", morreu a 12 de fevereiro de 1804. Pelo aniversário da sua morte vou voltar a contar uma "pequena história" pessoal na qual Kant tem o lugar de protagonista. "Foi uma das maiores humilhações da minha vida. Explico em duas palavras. No meu 7º ano de liceu, à época, ano terminal do secundário, faziam-se exames finais em algumas disciplinas incluindo filosofia. A nota da prova escrita necessária para dispensar da oral era 16. Obtive, na escrita, 15. Estranho! Na realidade ninguém obtinha, na escrita, 15. Ou se obtinha 14 ou então 16. Fui, assim, "condenado" a ir à oral com 15. Na oral fui confrontado com a primeira (e única) pergunta: fale-me do "imperativo categórico" de Kant. Iniciei uma dissertação acerca do tema! A examinadora considerou a resposta insuficiente. Insistiu no tema. Eu titubeie. Não era (nem sou) um especialista em Kant mas - que diabo - tinha estudado a matéria. Mas a examinadora é que não mudava de tema! Fale-me do "imperativo categórico" de Kant! Se bem me lembro tentei de novo satisfazer a exigência. Em vão! Percebi, então, que nada iria resultar. Estava condenado a chumbar fosse qual fosse o meu desempenho! Levantei-me e saí da sala perante o espanto dos meus colegas que assistiam à cena. Desci a avenida e fui tomar um café na esplanada da Gardy, que ainda lá está apesar dos factos se terem passado à quase 40 anos, na baixa de Faro. O chumbo era certo! Não valia a pena ir ver a pauta. Eu era um pouco irreverente (talvez mesmo bastante irreverente) é verdade! Não dominava de cor as matérias todas! É verdade! Mas na segunda época de exames obtive na escrita a nota de 18 na mesmíssima disciplina de filosofia! Assunto arrumado. A professora que me sujeitou aquela humilhação oral já faleceu. Nunca cheguei a saber, nem saberei, das verdadeiras razões daquele inusitado chumbo! Mas hoje ao ler o trabalho, limpo e clarividente, do Público, acerca de Kant, a minha memória retomou o caminho da explicação para o chumbo: "Com o seu "Imperativo Categórico" Kant estabeleceu um novo princípio ético: introduziu a ideia de que a moral é algo inerente à estrutura da razão, não decorrendo portanto, por exemplo, de imperativos religiosos. Segundo ele, cada homem deverá actuar de forma a que cada um dos seus actos possa ser tomado como princípio universal. Cada um desses gestos é um objectivo e um fim em si mesmo, não um meio para um outro fim (como o "Bem" praticado na religião católica que surge como uma forma de atingir a salvação). Para Kant, o gesto imoral acontece quando alguém tenta estabelecer para os outros um padrão de comportamento diferente daquele que ele próprio adopta." Hoje estou convicto (não me atrevo a dizer: estou certo!) que a razão do chumbo naquela oral está sintetizado neste texto, de Vanessa Rato, no Público, acerca do "imperativo categórico". Hoje, como ontem, o mundo está repleto de "gestos imorais", ou seja, de gente que julga o comportamento do outros por critérios que se dispensam de aplicar a si próprios." (Um post antigo, mas muito atual.)
segunda-feira, julho 20
A revisão das provas
Vivemos tempos estranhos. O país dispõe de uma elite com escassa dimensão e excessivamente exposta à atração externa. O tema atual dos exames do secundário tem sido abordado do lado dos erros politicos e operacionais do governo. Mas ninguém o aborda do lado do prejuizo para a formação de uma elite que este jovens constituem, uma das maiores riquezas do país, que se confrontam numa fase decisiva da sua formação com um processo distópico próprio destes estranhos tempos. Fiquemo-nos pois pelo debate acerca dos 25€ da "taxa moderadora" para fazer a revisão das provas... Nem o PM nem o PR têm uma palavra acerca da forma como a elite jovem do país é tratada!
domingo, julho 19
O colapso?
Os governos adoecam muito rapidamente, o poder tende a enlouquecer os seus titulares, regra geral impreparados para lidar com as matérias que lhes cabe gerir. A ignorância é má conselheira e se lhe juntarmos a desajeitada autoridade que alguns exercitam, está criado o caldo de cultura do desgoverno. É certo que acontece com frequência e hoje mais do que antes pela emergência dos chamados ciclos curtos da governação. Alguma coisa de estranho está a acontecer balanceando cada vez mais o centro do poder para a direira radical populista. Quando os poderes de moderação do sistema falham - no caso o PR - o próprio sistema tende a colapsar.
sexta-feira, julho 17
Um mau lugar
O PR começa a dar sinais de hesitação, omissão, comiseração, com um governo que enveredou por caminhos que denotam incompetência e autoritarismo. Alguma coisa de estranho se passa, ainda dificilmente definivel, que nos vai levar a um lugar de que não vamos gostar - um mau lugar. Não é fenómeno nacional mas é o que nos toca confrontar.
quinta-feira, julho 16
A politica morreu?
Custa dar razão aos descrentes da politica, melhor dito dos politicos, que toda a vida ouvi dizer a alguns que não prestavam por serem venais ou incompetentes. Na verdade sempre houve uma ponta de razão nas opiniões desses cépticos e sabia-mo-lo. Hoje a politica é quase só negócios e quase nada convições, principios e valores. Os exemplos abundam e são esmagadores. Como sair disto? Ninguém sabe!
segunda-feira, julho 13
Os nossos dias
O ambiente é irrespirável, a morte das pessoas tornou-se uma banalidade, a ética um luxo carissimo para os praticantes, as sociedades livres estão cercadas pelas tiranias, os negócios de poucos matam e ameaçam as liberdades.
quarta-feira, julho 8
Futebol
Já o escrevi como me desgosta o negócio do futebol. As opções tomadas em nome do negócio são frustantes para quem gosta acima de tudo do jogo. A multidão que exulta e o adepto que sofre, as conversas de circuantância, um desporto democrático, todos têm opinião, mesmo os que nada sabem dos meandros que são a maioria. Um dia no céu, outro no inferno. Uma grande escola que se aprende a gostar e a detestar. A vida é assim.
domingo, julho 5
Imigração
Sempre observei com curiosidade a contradição entre ser contra a imigração e dela beneficiar. Muitos apoiantes da direita populista anti imigração empregam ou beneficiam do trabalho de imigrantes. Não se trata de um fenómento pontual mas de prática usual e massiva. Sempre me interroguei acerca da origem dos imigrantes sendo percetivel, hoje comprovada por estudos, que a maioria, no caso português, são originários de paises de lingua oficial portuguesa (mais de 50%). Sempre me interroguei acerca da razão de tanta vozearia anti imigração de um povo ele próprio com forte tradição emigrante - ser estrangeiro lá fora - viajante, mestiço, como se dizia no regime celebrado pelos populistas, num pais que "deu novos mundos ao mundo". Sempre me interroguei acerca do que defendem, em termos estratégicos, esses defensores da raça pura que não existe, quais os seus interesses, que alianças internas e externas defendem. Neste contexto como entender a deriva populista dos democratas do PSD?. Como entender as decisões do governo apoiadas em aliança explicita ou implicita com a direita radical populista? Só me ocorrem duas hipóteses de explicação: ou os membros do governo, todos eles de forma flutuante, perfilham o ideário radical populista, usurpando um partido de matriz social democrata, ou, mantendo-se, no essencial fieis a essa matriz, ambicionam combater o radicalismo populista juntando-se taticamente a ele. No primeiro caso é traição, no segundo ingenuidade.
domingo, junho 28
Tragédia
A catástrofe na Venezuela é equiparada às piores de todos os tempos e nem sequer ainda existe o conhecimento da verdadeira dimensão dela. Não estamos livres de sofrer igual sorte e nunca, com poucas exceções, as comunidades se preparam para lhe fazer frente. No caso da Venezuela coincide com o golpe colonialista dos USA de Trump que busca extrair as riquezas naturais da Venuzuela em beneficio próprio. A tragédia fará mudar os planos? Creio que será somente um contratempo com alguns custos para os USA em que todos os apoios serão à conta de empréstimos a pagar no futuro. Aguardemos milhares de mortos.
quarta-feira, junho 24
Esperança
Uma das grandes tragédias do nosso tempo é a normalização do disparate, da maldade e da mentira. O debate politico e social acabou em favor da propaganda sem direito ao contraditório. Neste ambiente a autocracia ganha cada vez mais espaço e a democracia encolhe e duvida de suas virtudes. Não é um fenómeno novo, novos são os meios que o impulsionam. Só a palavra do Papa não é suficiente para aplacar o fenómeno, talvez seja necessário uma nova liderança nos USA, mas depressa. Haja esperança.
domingo, junho 21
Coisas simples
A grande aliança das direitas vai continuar em marcha apesar dos tropeções e correspondente mal estar. Os grandes inimigos das direitas (todas, cada uma a seu modo) são os socialistas, afinal sempre radicais, os sindicalistas, mesmo os "nossos", ou seja, todos aqueles que não alinham. A coisa parece muito rudimentar, sem jeito, nem estratégia, mas o drama é que é mesmo assim. O Congresso deste fim de semana é muito elucidativo.
quinta-feira, junho 18
A grande aliança das direitas
Como todos já devem ter entendido o acordo politico das direitas é mais vasto do que cada uma das leis que vão sendo aprovadas. O acordo visa a revisão constitucional antes que esta maioria perigue, o mais cedo que puder ser. Tudo o resto será acessório restando saber se o PSD mantém o minimo de unidade quando estiverem em causa direitos e garantias, separação de poderes, reforço do papel do PR, colocando em causa o modelo semi presidencial e tantos outros aspetos do edificio constitucional de 1976. As direitas unem-se nas suas diferenças em torno de pontos de comum acordo, o que é natural. Resta saber se o PSD ainda sobreviverá desta aventura ...
segunda-feira, junho 15
Odair
Longe de mim qualquer sentimento ou ideia justicialista. Sempre pensei, na esteira de Camus, que um homem julgar outro homem é uma quase impossibilidade. Mas paira no ar, no caso Odair, que o policia assassino ainda vai acabar condecorado...
sábado, junho 13
..a ditadura
Pois a realidade, que já não passa em claro, é que estamos confrontados com um imperador louco nos USA. Deixou de haver previsibilidade na politica internacional e ao que parece as decisões destinam-se ao enrequecimento próprio e dos amigos apoiantes próximos. Mas a praga estende-se por toda a parte incluindo na praia lusa. O nosso pequeno aspirante a imperador inspira-se nos ideiários e simbolos do salazarismo - Deus Pátria Familia. A seu lado marcham as forças ditas democráticas de direita nas quais afloram e se avolumam sinais de aliança ou mesmo fusão a respeito de muitas politicas com o pequeno aspirante a imperador. Ou bem que as forças democráticas autênticas acordam e se rejuvenescem ou cairemos na mais absurda democracia sem povo, ou seja, sob uma forma nova, a ditadura...
segunda-feira, junho 8
Jogo sujo
A respeito do futebol, que sempre me encantou enquanto jogo, devo dizer que se tornou num jogo sujo. Não acredito em quase nada, a não ser nas peladinhas de rua expontâneas, longe do negócio. É tudo demasiado evidente ...
domingo, junho 7
6 junho 1944
6 de Junho de 1944. Neste dia os aliados desembarcaram nas praias da Normandia. É o princípio do fim da ocupação nazi da Europa. Morrem, em poucos dias, muitos milhares de soldados das forças libertadores e das forças ocupantes. Os relatos, em toda a sua dimensão heróica e trágica, engrandecem os vencedores e os valores da liberdade. Camus por estes dias escreveu no seu Caderno: "Criação corrigida. O carro de assalto que se volta e se debate como uma centopeia. Bob nos prados de Verão da Normandia. O seu capacete coberto de goiveiros e ervas bravas. Cf. Relatório da comissão inglesa no Times sobre atrocidades. O jornalista espanhol de Suzy (pedir o texto) (crianças mostravam-lhe os cadáveres, rindo). Duche frio no coração durante uma hora. Fala-se durante o dia da possibilidade de comer uma sopa de leite à noite porque isto faz urinar várias vezes durante a noite. Que os W.C. ficam a cem metros do prédio, que faz frio, etc. - Ao entrarem na Suíça, as mulheres deportadas dão gargalhadas ao verem um enterro: - "É assim que tratam os mortos, aqui!" - Jacqueline. - Os dois rapazes polacos a quem obrigam a queimar, aos catorze anos, a sua casa, estando os pais lá dentro. Dos catorze aos dezassete anos, Buchenwald. - A porteira da Gestapo instalada em dois andares de um prédio da rua Pompe. De manhã, trata da casa no meio dos torturados. "Nunca me ocupo do que fazem os meus inquilinos." - Jacqueline no regresso de Koenisberg a Ravensbruck - 100 quilómetros a pé. Numa grande tenda dividida em quatro. São tantas as mulheres, que não podem deitar-se no chão, a não ser encaixando-se umas nas outras. A disenteria. Os W.C. a cem metros. Mas é preciso passar por cima dos corpos e até pisá-los. Faz-se ali mesmo. - Aspecto mundial no diálogo entre a política e a moral. Perante esse aglomerado de forças gigantescas: Sintes (…). - X. deportada, libertada com uma tatuagem sobre a pele: serviu durante um ano no campo dos S.S. de …". In "Cadernos II" (Caderno nº 4 - Janeiro 1942 - Setembro 1945), Albert Camus, Edições Livros do Brasil.
quarta-feira, junho 3
Lá vamos cantando e rindo ...
Os sinais são cada vez mais evidentes. Há uma avalanche de politicos, comentadores e tutti quanti, presumivelmente moderados de direita, engolidos pela voracidade populista. É uma tendência antiga que engrossa e toma forma através de alianças cada vez mais explicitas. Aguardemos que a democracia politica perdure e a liberdade não desfaleça para que através do voto os desvios se corrijam sem violência.
terça-feira, junho 2
PSU
Estranha forma de vida (politica). Ninguém pergunta das razões da urgência de certas medidas? Passaram anos conhecendo-se da necessidade! A democracia atropelada pela incompetência. No fim o mais certo é sair disparate.
domingo, maio 31
Falsos absolutos
A coisa é antiga mas persiste e aponta para o fundo. Eleições de lideres partidários por 95% de votos, com 70% de abstenção, um quase deserto de participação. Falsos absolutos. O comentariado omite o definhar da democracia interna dos partidos, a partidocracia vai matar a democracia e a liberdade de escolha. Surgem vozes dissonantes que são interpretadas como mera vontade de participar. Tenham pena dos pensantes. O que nos vale é que a tropa já não tem força, nem de gente nem de armas, pois todas as revoltas, golpes e revoluções sempre a tiveram como ponta de lança. Organizem-se!
sábado, maio 30
Edgar Morin - morreu aos 104
Il n’aura cessé de penser les événements de l’histoire dans un corps-à-corps haletant avec le siècle. Attaché à relier les savoirs afin d’élaborer sa « pensée complexe », cet intellectuel populaire, ancien résistant profondément humaniste, militait pour une insurrection des consciences. Il s’est éteint vendredi 29 mai à Paris. (Le Monde, hoje).
A vida é, portanto, um processo de desordem permanente, de desorganização, de desintegração, inseparável da reintegração. A sociedade não é um rochedo num mar de desordem. É antes feita de esforços sempre recomeçados, por parte de indivíduos que, eles próprios, se reorganizam incessantemente. Tudo o que existe deve viver no risco permanente, no limiar da sua própria morte. Devemos adquirir uma concepção pela qual assumamos muito mais o risco, as potencialidades da existência. É esta uma concepção que deve romper totalmente com a visão burocrática e a falsa ideia de segurança contra todos os riscos. Isto não quer dizer que seja preciso suprimir os seguros, a segurança social … É preciso, antes pelo contrário, ter seguranças materiais, mas a nossa vida mental, psíquica, é uma vida decorrida no risco profundo. A criatividade constitui-se nas fronteiras da loucura e da morte. É preciso mudar de visão. Aceitar na vida o risco, o inevitável, porque isso é a oportunidade de criar, de se expandir, de comunicar e de amar.
Edgar Morin In “Pensar o Milénio com Edgar Morin” (excerto de uma entrevista antiga de João Fatela).
terça-feira, maio 26
O padeiro de Alcácer
Já passaram uns dias sobre o episódio das crianças francesas lançadas ao abandono "como cães" (dizia-se antigamente). A extrema direita não vociferou pela invasão de estrangeiros, eram caucasianos e não vieram em busca de trabalho que é, no essencial, o que acontece com os estrangeiros que nos procuram. O padeiro de Alcácer fez emergir uma narrativa disruptiva mostrando que a solidariedade e a bondade afinal não morreram.
sexta-feira, maio 22
Governar?
"Governo fez tiro a Seguro, mas não quer hostilizar o Presidente". Esta é muito boa, não é? Através do Expresso o governo faz contenção de danos. Foi um ataque pontual não uma estratégia de ataque! Algumas pessoas nunca serão capazes de governar, não são governantes.
terça-feira, maio 19
Sindicatos
O ataque aos sindicatos é um sinal preocupante da saúde da democracia. No debate acerca das alterações à legislação laboral tem sido recorrente esse ataque por parte do governo e das forças que o apoiam. Sindicatos fortes sgnificam em toda a parte e, em todos os tempos, menos desigualdade. Sindicatos fortes significam maior capacidade para acomodar e enquadrar o descontentamento social logo menos crispação civica. Não nos deixemos enganar deixando passar em claro estes sinais preocupantes originados no ataque ao sindicalismo livre.
domingo, maio 17
Associação livre
Há muitos sinais de tirania no mundo, em cada região e país. As leis são atacadas, as instituições ameaçadas, os pesos e contrapesos que garantem o funcionamente do processo democrático são postas em causa. Entre as instituições denegridas, subalternizadas e atacadas estão os sindicatos e as associações de todos os tipos, pois elas são o substrato e fundamento da liberdade e da democracia autênticas. A tirania odeia a associação livre.
quinta-feira, maio 14
Ivo Rosa
https://expresso.pt/sociedade/2026-05-14-ivo-rosa-escreve-a-seguro-e-descreve-a-perseguicao-de-que-foi-alvo-pelo-mp-como-um-caso-de-estado-de-direito-que-a-todos-diz-respeito-2ebaaa83
Vital Moreira aborda o caso Ivo Rosa a propósito da carta que este dirigiu ao PR, denunciando a perseguição de que foi vitima por parte do MP. É um caso da maior gravidade que deveria acender todas as luzes de alerta para o estado da nossa democracia.
terça-feira, maio 12
Maio (de novo)
"Maio.
Não nos separarmos do mundo. Não se perde a vida quando a colocamos à luz do dia. Todo o meu esforço, em todas as posições e desgraças, as desilusões, é para recuperar os contactos. E mesmo nesta tristeza que há em mim, que desejo de amar e que enebriamento apenas perante a visão de uma colina na aragem do fim da tarde.
Contactos com o verdadeiro, a natureza em primeiro lugar, e depois a arte daqueles que compreenderam, a minha arte se a consigo alcançar. De contrário, a luz e a água e a embriaguez estão ainda na minha frente, e os lábios húmidos do desejo.
Desespero sorridente. Sem saída, mas que exerce sem cessar um domínio que se sabe inútil. O essencial: não nos perdermos, e não perder aquilo que, de nós, dorme no mundo." (Texto de Maio de 1936)
Albert Camus, in Cadernos, "Caderno n.º 1 (Maio de 1935/Setembro de 1937) - Edição Livros do Brasil
sábado, maio 9
Aniversários
Em Maio, o ar dos pobres diabos que deambulam pelos passeios. O pólen que se desprende das flores. As árvores erectas quais bandeiras desfraldadas. As efemérides tristes e empolgantes. A morte e a vida que ganham a cor clara dos longos fins de dia. Maio é uma sinfonia de sentimentos desencontrados. Já não há revoltas e rufam os tambores da guerra. O que escrevem os poetas? Nunca se sabe o que escrevem os poetas mesmo que mostrem o que escrevem. Hoje é o aniversário da morte do Agostinho. No mesmo dia do aniversário de minha mulher. Maio, mês de todas as desilusões e promessas felizes.
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