Deixar uma marca no nosso tempo como se tudo se tivesse passado, sem nada de permeio, a não ser os outros e o que se fez e se não fez no encontro com eles,
Editado por Eduardo Graça
terça-feira, fevereiro 27
BAGDAD
Fotografia daquiIsto é que é um trabalho asseado em prol da pacificação do Iraque. A administração Bush tem feito milagres promovendo as mais imaginosas fórmulas de terrorismo. Um atoleiro. Uma guerra civil. Exagero? Talvez o pior ainda esteja para vir.
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segunda-feira, fevereiro 26
PRESIDENCIAIS FRANCESAS
Fotografia daqui« Le sursaut du patriotisme socialiste » : Jean Daniel analisa a unidade dos principais dirigentes do Partido socialista francês em torno da candidatura presidencial de Ségolène Royal.
No “margens de erro” o quadro actualizado com a cronologia das sondagens confirmando a recuperação de Ségolène Royal.
Quase tudo acerca de Ségolène Royal e das mulheres presidentes.
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25 DE ABRIL DE 1974
Fotografia de Hélder GonçalvesHá dias em que os dentes se descerram
deixa o sangue de correr pelas avenidas
Há dias em que a morte se protege
da fúria desse sangue redivivo
Há dias que nascem sem um nome
e é preciso baptizá-lo sem demora
com um nome de flor ou de miragem
Há dias em que o sol muda de casa
para os bairros silenciados da cidade
Há dias que se tingem de vermelho
com risos e palavras inauditas
Há dias em que as praças se levantam
num tumulto de gestos com sentido
Há dias que se enchem de ambição
civil mas nua como um eco
Há dias em que o silêncio se cala
e uma voz ergue um canto nunca ouvido
João Pedro Mésseder
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domingo, fevereiro 25
FOTOGRAFIA DE FAMÍLIA
Fotografia de FamíliaO meu sobrinho Nuno publica hoje, no “A Defesa de Faro”, o post: “O meu Irmão Dimas Morreu”, assinalando o 2º aniversário da morte do seu pai.
A efeméride é triste, a fotografia é uma preciosidade para mim, o sobrevivente, e o texto que a acompanha revela, de forma breve, o que penso e sinto acerca de meu irmão.
Mas o tempo não para e o mais que valem estas evocações é o que delas poderão beneficiar os mais novos, os nossos filhos, e os filhos de nossos filhos. Eles aí estão, e não são poucos, para prosseguir, ao longo da vida, os valores que lhes sejam legados.
Desses valores prezo, acima de todos, a liberdade, sem a qual a justiça não faz sentido, e a honradez, sem a qual a riqueza é uma miragem.
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SONDAGENS II
Fotografia daquiA última sondagem a respeito das presidenciais francesas, divulgada hoje, aponta para uma aproximação entre os dois principais candidatos: Ségolène Royal et Nicolas Sarkozy:
“Selon l'Ifop, chacun des deux candidats recueillerait 28% des voix au premier tour. Au second, Nicolas Sarkozy l'emporterait par 50,5% contre 49,5%. François Bayrou serait à 17%, Jean-Marie Le Pen à 11,5%. »
A sondagem é divulgada pelo “Journal du Dimanche” com acesso restrito a assinantes. O resultado das sondagens pode ser consultado no “margens de erro”.
Tudo leva a crer que Royal, nos últimos tempos, recuperou terreno mas quer-me parecer que tudo vai depender da capacidade de atracção dos candidatos François Bayrou e Jean-Marie Le Pen, respectivamente, sobre o centro esquerda e a direita.
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SONDAGENS I
Simon GrisO tema foi-me suscitado, tardiamente, pelo artigo de NBS no DN de hoje. Como soe dizer-se as sondagens são o que são, valem o que valem, mas ninguém prescinde delas para tomar decisões.
E além do mais é a chamada gestão das expectativas. O caso em apreço tem sido glosado pelo facto, considerado extraordinário, de um partido de governo, a meio de mandato, subir nas intenções de voto:
“O PS subiu quatro pontos percentuais no Barómetro Marktest para o DN e TSF, hoje divulgado, reforçando a maioria absoluta, enquanto o PSD desceu um ponto percentual e o CDS registou a maior queda, com menos três pontos.”
Para quem quiser fazer uma reflexão mais aprofundada sempre pode aceder ao “margens de erro”.
Uma coisa é certa: o PS e o Primeiro-ministro gozam ainda de um razoável “estado de graça”. Mesmo que queiramos descrer das sondagens as tendências são muito marcadamente favoráveis à actual maioria.
Já todos os comentadores deram as suas explicações. O que se passa? Duas palavras e uma frase: credibilidade, “sim” e “o que tem que ser feito tem muita força”.
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AS PALAVRAS
O meu irmão Dimas e meu primo EzequielFotografia de Família
As palavras dão as mãos na roda
Que se forma em torno do poema
Rodopiam à nossa volta e gritam
*
Não sei dizer o que nos dizem
As palavras falam tão devagar
Soltam-se e por vezes choram
*
O caminho se faz caminhando
Foi o que ouvi dizer há muito
Tempo mesmo sem palavras
*
As palavras não fazem falta
A não ser para se gastarem
E nelas desenhar os sonhos
25 de Fevereiro de 2007
[Homenagem ao meu irmão Dimas
no dia do 2º aniversário da sua morte.]
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sábado, fevereiro 24
CAMUS - LEITURAS
“O Primeiro Homem”Por estes dias conclui a releitura de “O Primeiro Homem”, obra póstuma de Camus, a única que escreveu de cariz marcadamente autobiográfico, e provei o gosto da transfiguração.
Com muitas outras leituras de permeio a releitura de uma obra é, afinal, como se fosse uma leitura inaugural. É muito interessante sentir o que designo por transfiguração do entendimento da leitura.
Apesar de se tratar do mesmo texto a última leitura é sentida como substancialmente diferente das anteriores. Desta vez fui capaz de reconhecer, quase ao detalhe, os meandros vida que respira por detrás das palavras.
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DAVID MOURÃO-FERREIRA
David Mourão-Ferreira(24 Fev. 1927 - 16 Jun. 1996)
CERTIDÃO DE NASCIMENTO
Tão regaço estas arcadas
Tão de brinquedo os eléctricos
Vejo a cidade parada
no ano de vinte e sete
Dela por vezes me evado
mas sempre a ela regresso
Bem sei eu que não desato
o cordão com que me aperta
Vejo seus gestos de grávida
medidos cautos imersos
nessa jovem gravidade
que só grávidas conhecem
Que frescor de madrugada
no terror com que me espera
Mães têm sempre a idade
que em sonho os filhos decretam
Recordo melhor a data
Até mesmo a atmosfera
É o dia vinte e quatro
de um mês a tremer de febre
com armas grades e o rasto
de um sangue que nunca seca
Só seis decénios passaram
rápidos como seis séculos
Tão pouco Mas neles cabem
cidade arcadas eléctricos
nesta imensa claridade
irmã gémea do mistério
David Mourão-Ferreira
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LEONEL BRIZOLA
Fotografia daquiNo CATATAU um episódio mesmo muito interessante da política e da comunicação social brasileira:
“Direito de Resposta concedido a Leonel Brizola no Jornal Nacional de 15/03/1994. Em 3 minutos acompanhamos, na leitura tensa de Cid Moreira, um dos momentos mais importantes do jornalismo brasileiro.”
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PALAVRAS (PARA UM PANFLETO)
Fotografia de Hélder Gonçalvesas palavras metem-se por baixo das portas
e são os versos (que medo!) da insubmissão;
as palavras atacam os poderes atravessadas
nos dentes de uma boca que morde, fala, grita.
as palavras carregadas de sentido estão aqui,
estão nestes versos que te aparecem nas mãos,
como um pássaro de asas de lume e olhos grenat,
como um poema que não se conforma nos livros.
as palavras, cortantes como essas lâminas, abrem
os pulsos dos anjos insensatos, erguem-se, foices,
ceifando as cabeças dos burros da cidade fechada,
as palavras preenchem os olhos vazios das pessoas.
as palavras distribuem-se como poemas volantes
nas vésperas de um primeiro de maio, em abril,
para que conste e sirva de aviso aos caducos,
para que em cada manhã sejam o pão e a estrela.
as palavras, acreditem ou não, meus caros senhores,
caem do céu nas nossas mãos e os olhos, doidos!,
não acreditam que os ventos as levem para longe,
as palavras escrevem-se para sempre nestas nuvens.
José Viale Moutinho
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sexta-feira, fevereiro 23
LUZIM
Ainda a propósito do Entrudo em Luzim, aqui deixo o comentário da anfitriã, ilustrado por uma fotografia da paisagem no enquadramento de uma magnífica janela cujas portadas ostentam as cores autênticas que julgávamos só encontrar num cenário de filme. Mas a realidade, por vezes, ultrapassa a ficção!
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Este foi um entrudo diferente, inesquecível, já que nas minhas memórias ficará gravado o vosso entusiasmo e o meu prazer, M.A.
quinta-feira, fevereiro 22
CLARIDADE
Philippe PacheA claridade aflorava por debaixo das portas
Uma nesga horizontal floria a horas mortas
E os sons longínquos das vozes ressoavam
E sorriam à luz dos rostos que me amavam
15/02/2007
[Aqui deixo um “comentário” que a Helena
transformou num post. O poema dela que
o suscitou é que, na verdade, vale a pena.]
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REFER
Fotografia daquiEsta já é a segunda notícia, em poucos dias, da mesma natureza a respeito da REFER. E não se pode extingui-la? Privatizá-la? Fundi-la? A reforma da administração pública não passa por ali? Se isto é tudo verdade o que haverá mais? Que tal mandar fazer contas? Qual o prejuízo da REFER nos últimos cinco (5) anos? E da REFER e CP juntas? Faça-se um inquérito público que possa ser entendido pelos cidadãos! Estas notícias dão conta de uma situação degradante. Em particular para todos aqueles que ao longo dos anos trabalharam, de forma séria e empenhada, na administração pública. E ainda mais para todos aqueles aos quais foram levantados processos de toda a ordem por nada, nada … Como dizia Maria José Nogueira Pinto com razão, a propósito da CML, basta de brincar ao quarto escuro!... Isto é que é uma verdadeira Urgência!
O QUE AQUELA NOITE ME QUIS DAR
Fotografia de Hélder GonçalvesEu não estava em casa nessa noite, filho,
nem podia estar. Estava nas ruas com os soldados
que rumavam às rádios e aos quartéis, engalanados
de sombra e de júbilo, a ver o que aquela noite
ia dar, o que a nossa liberdade prometia ser.
E tu, filho, tinhas a idade rumorejante
desse Abril embalado por uma canção do Zeca.
Como posso eu explicar-te tudo aquilo
que tu nasceste para aprender, para viver?
Eu estava aquartelado no meu silêncio
de pétalas, sílabas e marés, no meu dédalo
de vozes embriagadas pelo vento,
na coragem errante das pelejas da infância
e pouco ou nada sabia do mistério desse mês
capaz de transformar em assombro as nossas vidas.
Sim, sou eu neste retrato antigo,
a receber em festa os exilados, os que chegavam
com grinaldas de cantigas e a flor de uma ilusão
bordada a sangue e espuma no capote das nocturnas caminhadas.
Sim, sou eu a escrever a primeira reportagem
do primeiro de muitos dias em que o tempo
deixou de contar, em que os relógios
se tornaram corolas de paixão e riso
na lapela larga da alegria desta pátria.
Eu não estava em casa nessa noite, filho,
estava a afinar o coração pelo tom
das mais belas melodias que alguém pode aprender
para dar a quem ama a paz de um sono sem tormento.
José Jorge Letria
Dezembro de 1998
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quarta-feira, fevereiro 21
DN
Fotografia daquiO Diário de Notícias em deriva tablóide não é novidade. António José Teixeira foi um intervalo e a sua demissão prova como a liberdade de expressão tem custos pesados. A queda de audiências do DN – inevitável – não passou de um mero pretexto para afastar a direcção do DN.
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Ségolène Royal sobe
Ségolène Royal/Nicolas Sarkozy Ségolène Royal sobe nas sondagens depois do programa “Royal face aux français”: Parte 1 e Parte 2.
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