domingo, fevereiro 11

Ségolène Royal

Posted by PicasaFotografia daqui

A candidata presidencial Ségolène Royal lançou hoje, em França, o seu programa eleitoral. A prioridade vai para a “educação, ainda a educação, sempre a educação”. Seja qual for o destino da sua candidatura, bons sinais…

(…) Ségolène Royal a assuré, dimanche 11 février à Villepinte, que "c'est l'éducation qui tient tout l'édifice", promettant qu'avec elle, "ce sera l'éducation, encore l'éducation, toujours l'éducation".

"Tout se tient: l'emploi, la famille et l'Ecole, c'est l'éducation qui tient tout l'édifice, c'est pourquoi, avec moi, ce sera l'éducation, encore l'éducation, toujours l'éducation", a déclaré la candidate sous de forts applaudissements.

"Ce sera au cœur de tout et en avant de tout: l'Ecole est le cœur battant de la République, le lieu où se transmettent tous les savoirs et les valeurs républicaines, le creuset où se forment les futurs citoyens", a-t-elle lancé, constatant que "l'Ecole traverse une crise profonde".


Le discours de Ségolène Royal à Villepinte
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VITÓRIA DO SIM

Posted by Picasasophie thouvenin

O SIM ganhou abrindo o caminho para a despenalização da interrupção voluntária da gravidez.

Mas, por mais que se diga que, neste referendo, a abstenção recuou, a verdade é que foi ainda superior a 50%.

Está, pois, aberta a discussão política acerca da legitimidade de legislar apesar do carácter não vinculativo do referendo.

Ora se a Assembleia da República já tinha legitimidade para legislar, mesmo sem referendo, com a vitória do SIM fica, politica e eticamente, obrigada a legislar no sentido da maioria expressa no referendo.
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SIM

Posted by Picasasophie thouvenin

Fim da manhã. Não chove em Lisboa. Esta deve ter sido a última vez que o meu filho me acompanhou à mesa de voto como espectador. Nas próximas eleições, segundo o calendário normal, ele já votará. O nº da minha mesa baixou drasticamente. O tempo passa.

Daqui a pouco já será possível saber da afluência às urnas. Se estiver disponível a comparação com a afluência no referendo de 1998, às 12 horas, saberemos como vai ser, desta vez, a abstenção.

Podem ver essa informação aqui. Entretanto para quem quiser saber acerca do histórico das sondagens pode ver aqui.
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O METRO DO PORTO VAI SER A DESCOBERTO

Posted by PicasaFotografia de Hélder Gonçalves

À entrada do metro de Lisboa está o cobridor
de damas e cavalheiros
de pé e perna cruzada a coçar os testículos
e a fumar para o chão em escarros
pouco límpidos.
O metro pede que chova em cima
do cobridor
que encena a sua rábula cinéfila
e leva aos tomates uma estranha fome
de afecto
melancólica.
Já viajei de metro cobridor um ror de vezes
e eu próprio já supus
que nos meus testículos
o mundo vinha adormecer
com mãos suadas.
Às vezes trocávamos de papel,
cobertos éramos todos
por uma tristeza
severa
que o metro transporta no ar
irrespirável.
Hoje, tomates são de importação ou virtuais
e os cobridores
uma espécie em vias de extinção
na esquina fluorescente do dia descaído
na cabeça da noite que já nem dá para nada.
E sei que no Porto o metro vai ser a descoberto.

Armando Silva Carvalho

[Encontrei aqui uma variante.]
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sábado, fevereiro 10

ESPLANADA

Posted by PicasaPraia de Faro – Anos 60

A imagem da esplanada é-me familiar. Passei lá muitas horas e lá sonhei muitos sonhos. Tinha ao fundo, junto ao balcão, uma caixa de discos daquelas de moeda. Tocava os êxitos da época, música francesa, Sylvie Vartan, Françoise Hardy, talvez Ray Charles …
O charme dela era o ambiente. Juntávamo-nos na esplanada da praia para trocar roupas, olhares e afectos. Olhando a sua imagem compreendo a razão do seu desaparecimento: era uma estrutura leve que não sobreviveu à selvajaria do betão.

CAMUS - SUBLINHADOS NUM DIA DE REFLEXÃO

Fotografia daqui

Ressonância de 9 e10 de Fevereiro de 2004 respectivamente no absorto e nos Cadernos de Camus. O texto de entrada original é o que agora publico. É interessante assinalar como este conjunto de sublinhados contém referências a diversas questões centrais do pensamento e obra de Camus e, em particular, à questão de Deus abordada, de forma aprofundada, no livro que estou a ler, neste momento: “Camus et l’Homme sans Dieu”, de Arnaud Corbic.

E como tudo isto se interliga com o tema que deveria ter estado em debate a propósito do referendo de amanhã e que somente, aqui e ali, aflorou. Ou de como alguns temas que, por vezes, julgamos ultrapassados estão sempre presentes nos grandes debates acerca do destino do homem: liberdade, revolta, heroísmo, santidade, cristianismo, marxismo, Deus …

Estes são últimos sublinhados do Caderno n.º5. É notória a referência a um conjunto de figuras ligadas ao processo revolucionário na Rússia dos finais do Século XIX e inícios do Século XX que, na maior parte dos casos, caíram no esquecimento para os não especialistas daquele período histórico. No entanto tendo tido a curiosidade de visitar algumas das suas biografias verifiquei a influência e a importância do seu pensamento, e/ou acção, durante aquele período que, nalguns casos, é muito relevante.

““O que existe na Rússia é uma liberdade colectiva “total” e não pessoal. Mas que é uma liberdade total? É-se livre de alguma coisa – em relação a. Visivelmente, o limite é a liberdade em relação a Deus. Vê-se então claramente que essa liberdade significa a sujeição ao homem.””

“Peça Dora: Se tu não amas ninguém, isso não pode vir a acabar bem.”
(Mais uma vez a peça “Os Justos”, assim como nalguns excertos que surgirão a seguir.)

““Quantos eram os membros da “Vontade do povo”? 500. E o Império Russo? Mais de cem milhões.””
(Sublinhei somente “500”)

“” Vera Figner: “Eu devia viver, viver para ser julgada, pois o processo coroa a actividade do revolucionário.””

““Peça. Dora ou outra: “Condenados, condenados a serem heróis e santos. Heróis à força. Por isso não nos interessa, compreendem, não nos interessam nada os sórdidos negócios deste mundo envenenado e estúpido que se pega a nós como visco. – Confessai, confessai-o, que o que vos interessa são os seres e o seu rosto... E que, pretendendo procurar uma verdade, não esperais no fim de contas senão amor.””

“É o cristianismo que explica o bolchevismo. Conservemos o equilíbrio para não nos tornarmos assassinos.”

“Formas e revolta. Dar uma forma aquilo que é informe, é o fim de toda a obra. Não há apenas criação, mas correcção (ver mais acima). Daí a importância da forma. Daí a necessidade de um estilo para cada assunto, não de todo diferente porque a língua do autor é sempre sua. E é justamente esta que fará quebrar não a unidade deste ou daquele livro mas a da obra inteira.”

“Retirei-me do mundo não porque tivesse inimigos, mas porque tinha amigos. Não que eles não me fossem prestáveis como é habitual, mas julgavam-me melhor do que sou. É uma mentira que eu não posso suportar”

“Para os cristãos, a Revelação está no início da história. Para os marxistas, está no fim. Duas religiões.”
(Coloquei? no fim da frase)


“Pequena baía antes de Tenés, na base de uma cadeia de montanhas. Semicírculo perfeito. Ao cair da noite uma plenitude angustiada plana sobre as águas silenciosas. Compreende-se então porque é que os Gregos formaram a ideia do desespero e da tragédia sempre através da beleza e do que nela há de opressivo. É uma tragédia que culmina. Ao passo que o espírito moderno produz o seu desespero a partir da fealdade e do medíocre.
É o que Char quer dizer talvez. Para os Gregos, a beleza é o ponto de partida. Para um europeu, é um fim, raramente atingido. Não sou moderno.”

“Verdade deste século: À força de vivermos grandes experiências, tornamo-nos mentirosos. Acabar com tudo o mais e dizer o que tenho de mais profundo.”

Extractos, in “Cadernos” (1964-Editions Gallimard), tradução de António Ramos Rosa, Colecção Miniatura das Edições “Livros do Brasil”, Caderno nº5 (Setembro de 1945/ Abril de 1948).
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TANGO PESSOAL

Posted by PicasaFotografia de Hélder Gonçalves

Dizem que a memória deixa pegadas
e chamam-lhe as pegadas da memória.
Vou supor que está bem claro (claro que podia ser muito melhor).

Mas o 25 de Abril de há 25 anos não deixou apenas pegadas retóricas.
As pegadas são nomes de homens concretos à espera da morte
em Peniche ou no Tarrafal.
Das bandeiras em parada de legionários carnavalescos possuo ainda
uma caixa de cinzas.

Mais pegadas:
Os Ladrões de Bicicletas.
Redol a corrigir para os coronéis da censura um livro à pressa.
Júlio Pomar obrigado a comer cal.
Humberto Delgado a ser assassinado.
Soldados forçados a morrer em África.

A cardeala cereijiforme
preocupada com a fímbria da saia
depois de fazer jogging horizontal para baixo e para cima
sobre o cadáver santacombadense.

E, ao mesmo tempo,
eu a corromper-me a dançar o tango nos Fenianos,
o Manuel de Oliveira a fazer jogging transversal
à volta do corpo vivo de Potemkin, disfarçado de couraçado,
enquanto o carro do bebé desce para o seu destino.

Até que deixei uma noite de dançar o tango
e com dois amigos caçadores
(um deles o Alexandre O’Neill)
ferimos, a espingarda caçadeira,
em pleno escuro, no alto da Lixa,
um informador da polícia política.

Nada nos aconteceu
porque éramos tão fixes, gente tão fina,
que dançávamos o tango horizontal para cima e para baixo
em deboche obrigatório com as debutantes do Clube Tripeirense.

Entretanto, apanhávamos chumbos a Matemática.

Mais tarde, chegou-nos a vez de dançar o tango em Caxias
até que o Salgueiro Maia
garantiu de cima do tanque de guerra
que a Liberdade estava garantida.

Pegadas: claro que
esta memória não deixa pegadas de apagar com o vento.
Não são vagas pegadas a cheirar a alfazema rápida.
São antes a própria carne de que vamos vivendo.

E, olarila!,
acabou-se o tango.

Alexandre Pinheiro Torres
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Cardiff, Janeiro 1999
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quinta-feira, fevereiro 8

TARDE DEMAIS


Aznar reconhece, tarde e a más horas, algo que toda a gente já sabia e que os governantes, à época, tinham a obrigação de saber.
Espero, ansiosamente, uma declaração de José Manuel Barroso. São estes “pequenos” atrasos na percepção da realidade, e as suas trágicas consequências, que tornam os políticos desprezíveis quando, em coerência com a gravidade dos seus erros, não têm a coragem de se demitir.

A PRINCESA CHORA

SIM

Posted by PicasaJenny Lynn- Suspension of Disbelief, 1977

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM.

SIMULACRO

Posted by PicasaFotografia de Hélder Goçalves

Um gesto pode ser
um simulacro apenas.
Como quando arrefece
e acendes a lareira
para dar sangue às brasas.
No halo
da chama há sempre
uma voz que cintila
e te agradece.
É isso que se chama
dar voz ao silêncio.

Albano Martins
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quarta-feira, fevereiro 7

TEMOS PORTUGAL

Posted by PicasaFotografia daqui

Portugal 2 - Brasil 0. Ao contrário de todas a aparências este não é um facto rotineiro. Portugal ganhou ao Brasil, se não erro, quatro vezes duas delas com Scolari.

CRIME? QUAL CRIME?

Posted by PicasaFotografia daqui

Pois é! Vivemos num país de brandos costumes e de silêncios cúmplices. Os governos tratam os cidadãos como mentecaptos. Alguém que faça uma “fita do tempo” para que se busquem as “coincidências” entre a luta contra o terrorismo e alguns acontecimentos políticos em Portugal.

Alguém que investigue o período que decorreu entre finais de 2001 (ataque às “torres gémeas” e demissão de Guterres) e inícios de 2005 (fim dos governos Durão Barroso/Santana Lopes/Paulo Portas). Por aqui nos ficamos. Investiguem os meandros, investiguem mesmo.

Não acredito pois como dizia Camus tomando as palavras de Saint-Beuve: “Sempre pensei que se as pessoas dissessem o que pensam durante um minuto apenas a sociedade ruiria.”
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SIM

Posted by PicasaFotografia de sophie thouvenin

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM.

terça-feira, fevereiro 6

CADERNOS DE CAMUS - SUBLINHADOS

Posted by PicasaImagem Daqui

Prossigo com as ressonâncias dos meus sublinhados de juventude nos Cadernos de Camus. Esta é a ressonância de um post publicado em 3 de Fevereiro de 2004. Podem encontrar-se pequenas diferenças nos textos introdutórios mas que em nada influenciam os sublinhados pois esses estão mesmo marcados no próprio livro (e bem marcados).

Estes não são os derradeiros sublinhados no Caderno n.º5. O conjunto era demasiadamente longo e por essa razão dividi-o em duas partes. Como em anteriores excertos há casos de citações de citações. Tentei sempre ser o mais claro possível colocando-me do lado do leitor destas notas. Omito, nesta série de sublinhados, a transcrição de um excerto por ser demasiado extenso e apresentar uma configuração que não se enquadra neste formato. O Caderno n.º5, do volume Cadernos III (edição portuguesa), respeita ao período Setembro de1945/Abril de 1948:

“Palante diz com razão que se há uma verdade una e universal, a liberdade não tem razão de ser.”

“É como se fosse absolutamente necessário escolher entre o aviltamento e o castigo.”

“Mas ninguém é culpado absolutamente, não se pode pois condenar ninguém absolutamente I) aos olhos da sociedade 2) aos olhos do indivíduo.”

““Sócrates atingido por um pontapé. “Se um burro me tivesse batido iria porventura apresentar queixa?” (Diógenes Laércio, II, 2I)””

““Para Schopenhaurer: a existência objectiva das coisas, a sua “representação” é sempre agradável, ao passo que a existência subjectiva é sempre dor.
“Todas as coisas são belas à vista e terríveis no seu ser, donde a ilusão, tão corrente e que sempre me impressiona, da unidade exterior da vida dos outros.””

““Problema da transição. Deveria a Rússia passar pelo estádio da revolução burguesa e capitalista, como o exigia a lógica da história? Neste ponto só Tkatchev (com Netchaev e Bakunine) é o predecessor de Lénine. Marx e Engels eram mencheviques. Eles só tinham em vista a revolução burguesa futura.
As constantes discussões dos primeiros marxistas sobre a necessidade do desenvolvimento capitalista da Rússia e a sua tendência para acolherem esse desenvolvimento. Tikhomirov, velho membro do partido da vontade do povo, acusa-os de se fazerem “os paladinos das primeiras capitalizações.””

“Finalmente, á a vontade do proletariado que transforma o mundo. Há por conseguinte verdadeiramente no marxismo uma filosofia essencial que denuncia a mentira da objectivação e afirma o triunfo da actividade humana.”

“Em russo volia significa igualmente vontade e liberdade.”

“Lénine afirma a primazia do político sobre o económico (a despeito do marxismo).”

“Lucaks: O sentido revolucionário é o sentido da totalidade. Concepção do mundo total em que a teoria e a prática são identificadas.
Sentido religioso segundo Berdiaev.”
(Andava eu, certamente, a ler Lucaks)

Extractos, in “Cadernos” (1964-Editions Gallimard), tradução de António Ramos Rosa, Colecção Miniatura das Edições “Livros do Brasil”, Caderno nº5 (Setembro de 1945/ Abril de 1948).
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1927 - REVOLTA NO ALGARVE

Leia-se no Almanaque Republicano o relato breve da revolta de Fevereiro de 1927 no Algarve. Da lista dos revoltosos presos, após o fracasso, ressoam na minha cabeça alguns apelidos conhecidos.

No dia 4 de Fevereiro de 1927, rebenta a revolta no Algarve. Ao largo de Faro, a canhoneira Bengo, comandada pelo 1º tenente Sebastião José da Costa e tendo a bordo o comité revolucionário constituído ainda pelo Dr. Manuel Pedro Guerreiro e o Dr. Victor Castro da Fonseca, começa a bombardear a cidade de Faro. Estes seriam os principais elementos revoltosos que comandavam alguns militares da marinha, da GNR, elementos do regimento de caçadores nº 4, de Tavira e algumas dezenas de civis.

OBRA E GRAÇA DE ABRIL

Posted by PicasaFotografia de Hélder Gonçalves

Algo semelhante
e de repente um empurrão
da ponte abaixo.

Ou uma bala que voa
ao teu encontro, vinda
de nenhures, assobiando.

Ou tu algemado e
no gume de baionetas.

Ou seres nomeado
da forma mais vil.

Ou conheceres o cárcere
na vastidão das ruas.

Vícios, défices,
ultrajes
que já só de memória.
já só nos alforges
da memória. Por
obra e graça de Abril.

A. M. Pires Cabral
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segunda-feira, fevereiro 5

SIM

Posted by PicasaFotografia de sophie thouvenin

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM. SIM.