Deixar uma marca no nosso tempo como se tudo se tivesse passado, sem nada de permeio, a não ser os outros e o que se fez e se não fez no encontro com eles,
Editado por Eduardo Graça
sexta-feira, janeiro 30
As águas da extrema direita
Uma análise rápida e espero que precipitada. O PSD não apoia nenhum dos candidatos presidenciais em disputa. Um assume-se como social democrata, independente, vindo do PS. Poucas dúvidas existem acerca do seu posicionamento. Outro pertence à área da extrema direita, populista, reconhecidamente integrado na corrente internacional que tem vindo a ganhar cada vez mais relevância. O PSD oficial não apoia nem um, mem outro, afirmando uma posição neutral. Os sociais democratas não apoiam o candidato social democrata, embora oriundo da familia socialista. A conclusão é que o PSD oficial talvez navegue nas mesmas águas da extrema direita populista e há muitas evidências que assim seja. Vamos ver o resultado daqui a uns tempos.
segunda-feira, janeiro 26
Votar é preciso (2)
Tempos estranhos estes em que vivemos. Afinal não serão sempre estranhos todos os tempos? Ofereci no outro dia um exemplar da "Carta do Achamento do Brasil", de Pero Vaz de Caminha, datado de 1 de maio de 1500, a uma pessoa improvável. Tempos estranhos aqueles! Neste tempo o fenómeno Seguro é muito interessante. Os criticos, de direita e de esquerd, veem a sua persona politica como vazia. Sem pensamento, sem obra e sem projeto. Como é possível um vazio preencher um vazio? Seguro surge nesta segunda volta a preencher o espaço vazio da direita democrática, vindo da esquerda democrática. Golpe de sorte? Talvez a necessidade urgente de forjar uma frente de oposição à autocracia emergente. Após o 8 de fevereiro alguma coisa vai mudar. Votar é preciso.
sábado, janeiro 24
Votar é preciso
Quando se fala no regresso ao passado, a metáfora dos 3 salazares, as pessoas da década de 40, os mais velhos, sentem-se enojados salvo os sobreviventes nostálgicos da ditadura. Pela minha parte continuo, sabe-se lá porquê, a enfrentar na ação a mentira, a negação da história e o ódio aos mais fracos, constatando que a extrema direita já está em parte no governo. A segunda volta das presidenciais é um momento histórico de importância não negligenciável para, através do voto em Seguro, reafirmar a recusa de qualquer deriva autoritária que a extrema direita anuncia. Votar é preciso.
sexta-feira, janeiro 23
Terramoto
A direita democrática corre o risco de ser engolida, de forma significativa, pela extrema direita a partir de 8 fevereiro. Fenómeno comum no nosso tempo por esse mundo onde ainda se disputam eleições livres. Com Seguro abre-se uma brecha que, havendo sentido de futuro, pode reconfigurar o panorama político partidário sem ser à custa do PS. Um pequeno terramoto?
terça-feira, janeiro 20
A hora da verdade
Muitas vezes na história os povos escolheram, através de eleições, autocratas, quantas vezes ditadores, que se perpetuaram no poder. Nestas presidenciais os cidadãos posicionam-se, como raras vezes acontece, face ao modelo de sociedade e ao modo de gerir o estado. Liberdade e democracia ou medo e autocracia. Uma escolha decisiva como se fosse um novo 25 de abril. O assunto é sério e julgo não estar a exagerar.
segunda-feira, janeiro 19
Presidenciais - novo capítulo
As presidenciais tiveram ontem o seu grande momento. Vitória folgada de Seguro e derrota pesada de M. Mendes, mal encaixada pela maioria de governo. A segunda volta, salvo aconteciemnto excêntrico, fará de Seguro Presidente. Falta votar e aceitar o declinio das emoções militantes em direção à criação de uma brecha na fortaleza das direitas. Nada pouco!
sexta-feira, janeiro 16
Para reflexão na véspera das presidenciais
"É verdade, o senhor conhece aquela cela de masmorra a que na Idade Média chamavam o «desconforto»? Em geral, esqueciam-nos aí para o resto da vida. Esta cela distinguia-se das outras por engenhosas dimensões. Não era suficientemente alta para se poder estar de pé, nem suficientemente larga para se poder estar deitado. Tinha-se de adoptar o género tolhido, viver em diagonal; o sono era uma queda, a vigília um acocoramento.”
In “A Queda”, Albert Camus.
quinta-feira, janeiro 15
Seguro
O voto é livre, qualquer um que se candidate pode vencer. Foi este o regime que saiu do 25 de abril e quase ninguém, hoje em dia, o contesta. Muitos não participam através do voto. Temo que a taxa de abtenção nestas presidenciais, apesar da oferta, seja elevada. Nas atuais circunstâncias o sistema politico, em defesa dos valores da liberdade e da democracia, carece de ser equilibrado. A direita não pode ficar a dominar todos os órgãos de soberania. Só Seguro está em condições de promover esse equilibrio. Razões há muitas para justificar o sentido de voto mas esta parece-me a mais forte.
terça-feira, janeiro 13
Contra a pena de morte sempre
In O Portal da História - «Vista do Patíbulo que se viu na Praça de Belém, a 13 de Janeiro de 1759». Museu da Cidade, Lisboa, Portugal. Gravura de autor anónimo.
Em Lisboa, nos arrabaldes de Belém, o Duque de Aveiro e alguns membros da família dos Távoras foram publicamente executados, em 13 de Janeiro de 1759, por estarem implicados no atentado contra o rei D. José. A sentença foi aplicada de uma forma tão brutal e selvagem que foi muito criticada pela opinião pública internacional. Na gravura vê-se o patíbulo com os condenados a serem sentenciados e os seus carrascos; magistrados com as suas varas encarnadas e tropas de infantaria, com os seus tradicionais uniformes brancos com granadeiros de gorro de pele à direita da bandeira regimental, assim como de tropas de artilharia com os seus uniformes azuis. A legenda da gravura enumera os condenados.
segunda-feira, janeiro 12
Statement by Federal Reserve Chair Jerome H. Powell
Um acontecimento gravissimo para os USA e o mundo. Trump persegue o presidente da FED que se recusa a abdicar da sua liberdade e autonomia.
domingo, janeiro 11
Presidenciais
Uma nota mais acerca das eleições, neste caso presidenciais. Se as eleições forem livres, como ninguém contesta que são as que por cá se praticam, o resultado das mesmas deverá ser aceite por todos. Diferente é o sentido do voto de cada um. Por mim nunca votarei num candidato de direita - o único no qual votei foi em Marcelo para segundo mandato - pelo que, se os dois que passarem à segunda volta forem de direita, não votarei, ou votarei em branco. Neste caso será para mim uma novidade absoluta.
sexta-feira, janeiro 9
Pelo aniversário da morte do meu pai Dimas
Por aqueles dias da primavera de 1958 o meu pai perdeu o medo. Pegou-me pela mão e levou-me a ver a passagem por Faro de Humberto Delgado. Estávamos em plena campanha presidencial. Pela primeira vez, desde o imediato pós guerra, o poder de Salazar tremia.
Delgado era destemido, até à beira da loucura, segundo os seus detractores. A sua candidatura forçou à desistência de Arlindo Vicente, candidato apoiado pelo Partido Comunista. Humberto Delgado fez-se ao caminho e arrastou multidões até às urnas.
Eu também lá estive pela mão do meu pai. Seguimos de Faro para Olhão onde a recepção foi apoteótica. Nunca hei-de esquecer a mão quente de meu pai apertando a minha. Eu não sabia ainda o significado da palavra fascismo. Mais tarde Humberto Delgado foi assassinado pelos esbirros da PIDE.
Os assassinos morreram na cama. É revoltante. Tenho medo de sentir esta sensação de revolta perante a tolerância da democracia. Mas a tolerância, afinal, nunca é excessiva. Aprendi isso com o meu pai. Era um comerciante honrado. Morreu no dia 9 de Janeiro de 1992.
quarta-feira, janeiro 7
Seguro
A maior parte dos amigos com quem troco impressões sobre coisas da vida e da politica sempre acharam um pouco exotérica a minha convição de que Seguro poderá ganhar as presidenciais. Estamos a dez dias do voto e quero crer que essa hipótese está a ganhar terreno.
segunda-feira, janeiro 5
Guerra
Nas vésperas de uma guerra mundial desde há muito anunciada. A primeira ministra dinamarquesa diz que um ataque dos USA para anexar a Gronelândia será "o fim de tudo". Dá para perceber? Será que há margem para negociar?
domingo, janeiro 4
Camus - pelo aniversário da sua morte
Camus trabalhou assiduamente em O Primeiro Homem durante todo o ano de 1959. Em Novembro foi para Lourmarin para aí permanecer ate à passagem do ano; depois, em Paris, queria ficar com um teatro próprio e considerou também a hipótese de desempenhar o papel principal masculino no filme Moderato Cantabile baseado no conto de Marguerite Duras. O Natal passou-o com a família na casa da Provença e a família Gallimard passou com eles a festa do Ano Novo. A 2 de Janeiro a mulher de Camus teve de regressar a Paris com as crianças por causa do recomeço das aulas. Os Gallimard propuseram a Camus regressar de carro com eles no dia seguinte. Queriam ir calmamente e aproveitar para comer bem, pelo que previram dois dias para o regresso. A 4 de Janeiro o grupo em viagem almoçou em Sens, a cerca de cem quilómetros de Paris. Depois prosseguiram viagem pela estrada nacional, passando por uma série de pequenas aldeias. Próximo de Villeblevin, o carro derrapou sem razão aparente e chocou frontalmente contra uma árvore. À excepção de Camus, que ia sentado ao lado do condutor, foram todos cuspidos do carro: Michel Gallimard ficou gravemente ferido e foi levado para o hospital com a mulher e a filha que não mostravam ferimentos visíveis. Morreu poucos dias depois.
Camus fracturou o crânio e a coluna vertebral. Foi um tipo de morte violenta com que já tinha sonhado, uma morte, como Camus escrevera em 1951 nos Carnets, … em que se nos desculpem os gritos contra a dilaceração da alma. A isso contrapõe um fim longo e constantemente lúcido para que ao menos não se dissesse que eu fora colhido de surpresa.
O corpo de Camus foi depositado em câmara-ardente no salão da Câmara de Villeblevin e na manhã seguinte transladado para Lourmarin. Dois dias após o acidente realizou-se o funeral. Na frente do cortejo funerário iam Francine Camus, o irmão de Camus e René Char. Não levaram o caixão para a igreja, mas directamente para o cemitério que ficava a alguma distância, frente à casa de Camus. Aí tem Camus a sua campa entre as dos aldeões, de igual tamanho e com uma simples pedra.”
In Camus, de Brigitte Sändig
Circulo de Leitores
sábado, janeiro 3
quinta-feira, janeiro 1
Presidenciais
Só três candidadtos presidenciais podem aspirar a vencer: Gouveia e Melo, Marques Mendes e A. J. Seguro. Seguro vencerá se os candidatos apoiados pelos partidos de esquerda desistirem ou, melhor para todos, se os eleitores deles desistirem.
segunda-feira, dezembro 29
Conselho de quê?
É no minimo estranho, senão reprovável, a realização de reunião do Conselho de Estado nas vésperas de eleições presidenciais. Seja qual for a agenda o simples facto de 2 dos seus membros serem candidadtos presidenciais bastaria para Marcelo ficar quieto. Temos que estar preparados para tudo...
sábado, dezembro 27
Guerra
A guerra da Ucrânia é uma guerra da rapina através da qual as potências (Rússia e USA aliadas) lutam pelo domínio de territórios e suas riquezas. No meio os pobres morrem na guerra como sempre acontece em todas as guerras. A guerra acabará quando aquela aliança se desfizer pela queda de um dos ditadores... ou dos dois...
quinta-feira, dezembro 25
Ninguém parou
"Ninguém parou. Quatro meses após um vídeo viral de agressão a uma mulher perante o filho, o processo foi suspenso e o agressor libertado. Este é o tema do Além dos Títulos, onde se questiona como o sistema permite que uma vítima desacompanhada juridicamente, sob pressão, apague a indignação coletiva com uma assinatura". Magnifico e corajoso texto de João Massano, bastonário da ordem dos advogados, acerca de um crime de violência doméstica. A mensagem que passa é a de que a justiça funcionou, rápida em todas as instâncias, como se reclama, mas se a vitima perdoar e o criminoso se arrepender, sem mais, o crime passa de público a privado,, com uma criança de 9 anos pelo meio, regressando-se ao velho provérbio, "entre homem e mulher não metas a colher" ...
quarta-feira, dezembro 24
Sena - um episódio
Vim para o algarve neste natal como é costume o equivalente a vir para a terra nesta caso Faro igual a si própria e antes de embarcar fui à estante e tirei um livro ao acaso saiu o "Diários" de Jorge de Sena que de Sena tenho muitos e para surpresa minha vejo-o muito sublinhado a lápis que quer dizer ter sido atentamente lido mas trouxe-o na mesma e a páginas tantas no meio de relatos hilariantes com personagens das nossas artes e também da politca daqueles tempos dou-me conta de no dia 8 de novembro de 1953 Sena relatar a sua ida ao voto pois naquele dia o regime realizou eleições para a AN e ele quiz saber como era "apenas para fazer o número que será necessário falsificar a esta tropa fandanga ..." e mais à frente no dia 21 surge o relato de uma audiência com o ministro do Ultramar pois Sena trabalhava na JAE com cargo de reponsabilidade e meteu na cabeça fazer conferências na India portuguesa claro está e a coisa estava dificil e vai daí para se ver como o manicónio já existia naquele tempo eis este relato da audiência: "Entrámos. Façam favor de se sentar. Sentámo-nos à beira do sofá, entre aqueles apainelados e a pintura do Fausto Sampaio que pende, naquele ministério, de todos os desvãos. Ele, muito napoleónico no tamanho, de poltrona. - Ora façam favor de falar. Entreolhámo-nos e aventámos que estávamos ali para o ouvir a ele. - Não, não [eu] é que estou aqui sentado para os ouvir. Em que pé está o problema? E nós contámos-lhe que nos requisitava para isso e não estava, é claro, em pé nenhum. - Mas que estão os senhores aqui a fazer? E eu: - estamos porque Vexª nos mandou cá vir às 7 para nos receber. O jogo dos disparates kafkianos prosseguiu- - Mas então são ambos da JAE? E das Pontes? Então não há diferença nehuma de especialização? Vão pois os dois para se acompanharem um ao outro? Explicamos as razões pelas quais o Couvreur nos propusera, e eu acresecentei que, salvo erro, ele mesmo fizera a sugestão de uma palestras... E ele, logo: - mas na India não é como cá! Não é um qualquer que vai ali fazer uma conferência! E põs-nos na rua ... " (O Ministro do Ultramar era Sarmento Rodrigues).
terça-feira, dezembro 23
O caminho das figueiras
As figueiras e as suas sombras quentes são um laço que me prende à vida pela memória. Descia o caminho de casa à estrada e passava por elas, umas castelhanas, outras vulgares, de copas grandes e arredondadas, baixas e rasteiras e a todas conhecia de cor.
A minha mãe me ensinou o caminho para lhes chegar. Na época de verão, aí por Julho, os figos eram, quase sempre, suculentos. Arrancava-os com cuidado para uma cesta, primeiro os mais acessíveis, às minhas mãos de menino, depois os das ramadas mais altas, em bicos de pés.
Alguns sempre ficavam inacessíveis. Não me importava com esses. Nunca me importei com o que é inacessível a minhas mãos que não a meus olhos. Leitosos escorriam seiva e, por vezes, ressequidos, abriam fissuras finas por onde se iniciava a retirada da pele. Depois comia-os com prazer.
A apanha, a meio da tarde, era dolorosa. Ia-mos muitas vezes pela força do calor, como lá se diz, e ficava doente. Ou pelo sol que me fazia ferver a cabeça ou pelos figos que me descosiam o intestino. Ainda hoje algumas dessas figueiras estão à beira do mesmo caminho. A mais frondosa resiste defronte do antigo poço, abandonado, mas que noutros tempos alimentava de água o monte.
O prazer da sombra das figueiras, do cheiro ao campo, embebido no ar quente, do sabor dos frutos, colhidos à mão, nunca me deixou por um só momento. Somente, por vezes, descanso dele. É esse prazer físico da memória que me faz amar aqueles que me amam. E resistir às adversidades. (Publicado em 23 dezembro de 2004 no mesmo sitio onde estou agora - Faro, fotografia da minha família do lado materno no lugar onde convivi com as figueiras pela primeita vez.)
domingo, dezembro 21
Voto Seguro
À entrada do inverno e da campanha eleitoral para as presidenciais, lembro-me de ter votado, em anteriores eleições, com convição, em Soares e Sampaio. Nestas vou votar em Seguro. Por duas razões: é o único candidadto da minha família politica e o único que pode, sendo eleito, equilibrar o sistema politico. São muitos os riscos da dirpersão de votos quando, apesar da provável segunda volta, tudo se decide na primeira.
MES
Por estes dias de solstício de inverno passa mais um aniversário do I Congresso do MES, realizado a 21 e 22 de dezembro de 1974. Para quem não saiba, por razões da usura do tempo, trata-se de um pequeno partido político criado, de facto, imediatamente antes do 25 de abril de 1974 mas formalizado somente após a restauração das liberdades, em data imprecisa no plano burocrático, mas precisa no plano político, a meu ver, na manifestação do 1º de maio de 74, em Lisboa, através da inscrição da sua sigla – ainda sem símbolo - num pano que muitas generosas mãos arvoraram.
sexta-feira, dezembro 19
22 anos
No dia 19 dezembro de 2003, pelas 16,20h, foi criado este blog com a seguinte frase: "Estreia absoluta. Um lugar de comunicação. Experiência para a primeira impressão dos outros. Uma primeira audição para inicio de trabalho." Eram tempos em que a chamada blogosfera usufruia de grandes audiências, ao contrário do que acontece hoje. Mas persisto!
quinta-feira, dezembro 18
Manicómio
O manicómio está em efervescente atividade por esse mundo e entre nós também. Os despossuidos de mente sã vão tomando conta do poder e nem os sãos já são capazes de os identificar, tal a normalização do disparate. O rei é Tramp, mas por cá ...
quarta-feira, dezembro 17
Exaustos
O regime politico está exausto. A justiça é o melhor barómetro dessa exaustão. A desigualdade impera e duvida-se se a investigação não cedeu o passo à perseguição. E se as demoras da justiça, fugas de informação e ajustes de contas não são parte de uma estratégia para levar a extrema direita ao poder. Chegamos ao ponto em que quase todos os primeiros ministros julgam ter razões para atacar a justiça assumindo-se como vitimas dela.
terça-feira, dezembro 16
domingo, dezembro 14
5.8 mil milhões
"Portugal vai fazer o maior investimento em Defesa dos últimos 50 anos sem recorrer a concursos públicos ou a processos de escolha transparentes. O Governo já enviou à Comissão Europeia (CE) as propostas para aceder a um empréstimo de €5,8 mil milhões, financiados pelo Instrumento de Ação para a Segurança da Europa (SAFE), um valor que representa 2% do Produto Interno Bruto (PIB)." in Expresso. O governo explicou que o modelo de contratação é uma exigência da UE. Dou por mim a pensar nas preocupações e cuidados em contratar no âmbito das entidades obrigadas às regras da contratação publica... a que a lei obriga conforme regras nacionais, emanadas da UE. Tudo muito estranho...
sexta-feira, dezembro 12
Greve geral - 2
A greve geral aconteceu ontem e pareceu-me, para os tempos atuais, relevante em termos simbólicos que é o que mais interessa. É possível que tenha aberto caminho para uma negociação de fundo acerca da questão do trabalho. A ver vamos.
segunda-feira, dezembro 8
Greve geral
A reforma da legislação laboral é sempre um aspeto critico da politica pública. Ao longo do tempo tem tido muitos episódios. A questão central é a do equilibrio entre a força do trabalho e a do capital. Pode parecer simplista mas é mesmo assim. Claro que ao longo do tempo as relações laborais mudam pois mudam os processos, os meios, os recursos. Hoje são muito evidentes essas mudanças. Mas em democracia, para mudar as regras, são necessários compromissos envolvendo todas as forças e correntes interessadas. Banal. Sem compromisso não há mudança pacifica. A força da democracia está na força do compromisso. Desvalorizar este principio resulta em conflito. A greve geral é uma face desse conflito.
sábado, dezembro 6
Assim vamos
Os conservadores radicais de direita odeiam socialistas, sindicalistas, cooperativistas, associativistas, tudo o que cheire a associação livre, autonomia autêntica, eivados de revenchismo e nojo próprio das velhas classes possidentes, vamos às arrecuas até não se sabe bem onde...certamente a um novo autoritarismo.
quarta-feira, dezembro 3
Manuel João Vieira
Já em 2005 tinha ameaçado com uma candidatura presidencial. Parece que agora, 20 anos depois, é que vamos ter uma sátira à presidência...
segunda-feira, dezembro 1
Pessoa esquecido
Para dizer que Pessoa não foi lembrado que me tenha dado conta, a propósito dos 90 anos da sua morte, que passou ontem, em qualquer meio de comunicação social. Um pontinho revelador da narrativa dos nosso dias.
domingo, novembro 30
Pelo nonagésimo aniversário da morte de Fernando Pessoa
Autobiografia?
Carta a Adolfo Casais Monteiro
(…)
Mais uns apontamentos nesta matéria... Eu vejo diante de mim, no espaço incolor mas real do sonho, as caras, os gestos de Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Construí-lhes as idades e as vidas.
Ricardo Reis nasceu em 1887 (não me lembro do dia e mês, mas tenho-os algures), no Porto, é médico e está presentemente no Brasil. Alberto Caeiro nasceu em 1889 e morreu em 1915; nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão nem educação quase alguma. Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 (às 1,30 da tarde, diz-me o Ferreira Gomes; e é verdade, pois, feito o horóscopo para essa hora, está certo). Este, como sabe, é engenheiro naval (por Glasgow), mas agora está aqui em Lisboa em inactividade. Caeiro era de estatura média, e, embora realmente frágil (morreu tuberculoso), não parecia tão frágil como era. Ricardo Reis é um pouco, mas muito pouco, mais baixo, mais forte, mas seco. Álvaro de Campos é alto (1,75 in de altura, mais 2 cm do que eu), magro e um pouco tendente a curvar-se. Cara rapada todos – o Caeiro louro sem cor, olhos azuis; Reis de um vago moreno mate; Campos entre branco e moreno, tipo vagamente de judeu português, cabelo, porém, liso e normalmente apartado ao lado, monóculo. Caeiro, como disse, não teve mais educação que quase nenhuma – só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó. Ricardo Reis, educado num colégio de jesuítas, é, como disse, médico; vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico. É, um latinista por educação alheia, e um semi-helenista por educação própria. Álvaro de Campos teve uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Ensinou-lhe latim um tio beirão que era padre.
Como escrevo em nome desses três?... Caeiro, por pura e inesperada inspiração, sem saber ou sequer calcular o que iria escrever. Ricardo Reis, depois de uma deliberação abstracta, que subitamente se concretiza numa ode. Campos, quando sinto um súbito impulso para escrever e não sei o quê. (O meu semi-heterónimo Bernardo Soares, que aliás em muitas cousas se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição; aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afectividade. A prosa, salvo o que o raciocínio dá de ténue à minha, é igual a esta, e o português perfeitamente igual; ao passo que Caeiro escrevia mal o português, Campos razoavelmente mas com lapsos como dizer «eu próprio» em vez de «eu mesmo», etc., Reis melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado. O difícil para mim é escrever a prosa de Reis – ainda inédita – ou de Campos. A simulação é mais fácil, até porque é mais espontânea, em verso.)
Nesta altura estará o Casais Monteiro pensando que má sorte o fez cair, por leitura, em meio de um manicómio. Em todo o caso, o pior de tudo isto é a incoerência com que o tenho escrito. Repito, porém: escrevo como se estivesse falando consigo, para que possa escrever imediatamente. Não sendo assim, passariam meses sem eu conseguir escrever.(*)
Falta responder à sua pergunta quanto ao ocultismo. Pergunta-me se creio no ocultismo. Feita assim, a pergunta não é bem clara; compreendo porém a intenção e a ela respondo. Creio na existência de mundos superiores ao nosso e de habitantes desses mundos, em experiências de diversos graus de espiritualidade, subtilizando-se até se chegar a um Ente Supremo, que presumivelmente criou este mundo. Pode ser que haja outros Entes, igualmente Supremos, que hajam criado outros universos, e que esses universos coexistam com o nosso, interpenetradamente ou não. Por estas razões, e ainda outras, a Ordem Externa do Ocultismo, ou seja, a Maçonaria, evita (excepto a Maçonaria anglo-saxónica) a expressão «Deus», dadas as suas implicações teológicas e populares, e prefere dizer «Grande Arquitecto do Universo», expressão que deixa em branco o problema de se Ele é Criador, ou simples Governador do mundo. Dadas estas escalas de seres, não creio na comunicação directa com Deus, mas, segundo a nossa afinação espiritual, poderemos ir comunicando com seres cada vez mais altos. Há três caminhos para o oculto: o caminho mágico (incluindo práticas como as do espiritismo, intelectualmente ao nível da bruxaria, que é magia também), caminho esse extremamente perigoso, em todos os sentidos; o caminho místico, que não tem propriamente perigos, mas é incerto e lento; e o que se chama o caminho alquímico, o mais difícil e o mais perfeito de todos, porque envolve uma transmutação da própria personalidade que a prepara, sem grandes riscos, antes com defesas que os outros caminhos não têm. Quanto a «iniciação» ou não, posso dizer-lhe só isto, que não sei se responde à sua pergunta: não pertenço a Ordem Iniciática nenhuma. A citação, epígrafe ao meu poema Eros e Psique, de um trecho (traduzido, pois o Ritual é em latim) do Ritual do Terceiro Grau da Ordem Templária de Portugal, indica simplesmente – o que é facto – que me foi permitido folhear os Rituais dos três primeiros graus dessa Ordem, extinta, ou em dormência desde cerca de 1888. Se não estivesse em dormência, eu não citaria o trecho do Ritual, pois se não devem citar (indicando a origem) trechos de Rituais que estão em trabalho.(**)
Creio assim, meu querido camarada, ter respondido, ainda com certas incoerências, às suas perguntas. Se há outras que deseja fazer, não hesite em fazê-las. Responderei conforme puder e o melhor que puder. O que poderá suceder, e isso me desculpará desde já, é não responder tão depressa.
Abraça-o o camarada que muito o estima e admira.
Fernando Pessoa
14/1/1935
sábado, novembro 29
O exílio da Corte
Em 29 de Novembro de 1807, após um dia chuvoso, o príncipe d. João, d. Carlota, seus filhos, a rainha d. Maria I, vários outros parentes partiram em meio ao outono lisboeta. Do rio Tejo saíram as embarcações. Seguiram, além da família real, nobres, funcionários da Corte, ministros e políticos do Reino. Cerca de 15 mil pessoas. Os franceses ao chegarem à capital portuguesa em 30/11 ficaram a ver navios, frustrados com a não captura dos governantes lusos. Tudo o que era necessário para permanecer governando foi transportado. Insistia, entrementes, uma sensação dúbia: covardia ou esperteza? D. João estava angustiado. Seu país sendo atacado, o povo morrendo e ele seguindo viagem. Desconfortos psicológicos e físicos. Tormentas nos pensamentos e nos vagalhões dos mares que chegou a atrapalhar a travessia. Escassearam os víveres. Natal, Ano Novo e Dia de Reis se passaram. Então, a terra firme finalmente chegou. Em 22 de Janeiro de 1808 os barcos atracaram na antiga primeira capital do Brasil, a ensolarada Salvador. Porém, o abatido e cheio de dúvidas d. João após 54 dias no mar pisou o solo brasileiro apenas 24 hs depois. Foi o primeiro rei europeu a fazê-lo. Revisões nos navios, um pouco de descanso. Seguiram a viagem em 26 de Fevereiro. Dia 7 de Março a família real chegava ao destino final, a cidade do Rio de Janeiro.
quarta-feira, novembro 26
Abril
O trabalho que o 25 de abril deu a fazer foram anos e sacrificios sem fim de uma multidão de gente que sempre acreditou que a ditadura teria um fim mas não era fácil acreditar e muitos desistiram pois acreditar sempre é dificil, um dia uns dez antes de abril dei por mim sem saber do lado certo da história e tanta coisa me podia acontecer.
terça-feira, novembro 25
As trágicas inundações de 25 novembro de 1967
No dia 25 de novembro de 1967, era sábado, lembro-me de sair, era já tarde/noite, do ISCEF, pouco mais de um ano após ter iniciado os estudos naquela escola. Teria ido, certamente, participar numa reunião ou, mais prosaicamente, jantar na cantina da Associação de Estudantes. Ao sair devo ter feito o caminho de casa, um quarto alugado, ao cimo da Calçada da Estrela. Chovia muito, mas não estranhei porque, ao contrário de hoje, era normal chover nesta época do ano. Não levava qualquer resguardo para a chuva, que nem me pareceu excessiva, e caminhei colado às paredes até chegar ao destino. A minha perceção da chuva que caía naquela hora não me permitiu sequer imaginar as consequências que haveria de provocar. Chovia, simplesmente. Na manhã do dia seguinte, domingo, devo ter feito o caminho oposto, corriam as notícias de inundações em diversos sítios de Lisboa e arredores, e devo ter-me dirigido ao Técnico para me juntar à gigantesca mobilização estudantil que se organizou para avançar para as zonas mais atingidas em socorro das vitimas e no apoio à reparação dos estragos. O quartel general, que me lembre, havia sido montado no Técnico e deve ter sido a primeira vez que, à margem dos poderes instalados, com autonomia e mobilizando recursos próprios, se promoveu uma ação voluntária juvenil de grande envergadura à margem da politica oficial do regime. Foi um processo organizado que enquadrou a vontade espontânea de uma multidão de jovens estudantes ávidos de participação cívica e politica. Fui numa brigada para Alhandra munidos de meios rudimentares e lembro-mo com nitidez de nos afadigarmos a limpar ruas no meio da maior destruição que se possa imaginar. Retenho na memória o ambiente de caos e de tensão pois, afinal, estávamos a participar numa ação voluntária não autorizada que, naquela época, comportava riscos pessoais. Não havia medo, mas necessidade, e vontade de ação. Os meios para o socorro eram escassos, mas o que contava, de verdade, era participar, prestar solidariedade, ver com os próprios olhos in loco o que, de súbito, nos surgiu como uma calamidade de enormes proporções. Uma pá na lama, os destroços, uma palavra de conforto e incentivo, uma força coletiva que enfrentava sem medo a situação dramática de populações desprotegidas e, afinal, um regime decadente acobertado na ignorância, na censura e na repressão. No que me respeita ficou uma experiência sem dissabores. Não poderia imaginar que estávamos nas vésperas da queda de Salazar e da emergência, em 27 de setembro de 1968, do governo de Marcelo Caetano, menos de um ano depois daquelas trágicas inundações. Afinal aquela gigantesca ação voluntária havia de contribuir, de forma relevante, para o início do processo politico que desembocou no 25 de abril de 1974.
segunda-feira, novembro 24
25 de abril
Durante todo aquele tempo desde a madrugada de abril os rostos vincados vozes ao longo das ruas incrédulas perdidas nos olhos que sabia me olharem longe sem sabermos como fazer o encontro no dia claro que amanheceu o único que recordo e celebro.
sexta-feira, novembro 21
Os candidatos presidenciais de 2005 - 28 novembro a pensar no 25
Parece ser claro que se desenharam dois nacionalismos na disputa presidencial: um nacionalismo de direita, encarnado por Cavaco Silva, e um nacionalismo de esquerda, o “quadrado vazio” que Manuel Alegre tenta preencher.
Mário Soares, na verdade, o único verdadeiro patriota, com provas dadas, é esconjurado por aqueles que ele próprio defendeu, na primeira linha, no 25 de Novembro.
Falo com à-vontade pois, à época, estava do outro lado. É verdadeiramente vergonhoso o apagamento de Mário Soares da efeméride – mal amanhada – do 25 de Novembro de 1975. O que seria daqueles militares que se pavoneiam como heróis da vitória da democracia representativa – a chamada ala moderada – incluindo a esfinge que dá pelo nome de Ramalho Eanes – não fora o papel político desempenhado por Mário Soares.
Cavaco não desempenhou papel nenhum, em coisa nenhuma, verdadeiramente importante na história recente de Portugal. Governar 10 anos, com 1 milhão de contos a entrar no país, em cada dia, não é glória para ninguém. Sê-lo-ia se Portugal apresentasse, hoje, níveis de desenvolvimento socio-económico, no mínimo, semelhantes à vizinha Espanha cujo deficit das contas públicas anda ao nível dos 0%.
Alegre, além de poeta e deputado, sempre foi um ajudante de Mário Soares e nada mais.
Representa, nestas presidenciais, uma fracção do PS à qual se juntaram algumas personalidades e cidadãos de boa vontade.
O problema de Mário Soares é estar “entalado” entre dois nacionalismos, de sinais contrários, como no 25 de Novembro, estava “entalado” entre dois radicalismos de sinais opostos.
Soares, no fundo, é um internacionalista. Tem uma visão da Europa próxima do federalismo e uma visão do mundo que se opõe à luta entre todos os radicalismos, sejam de natureza económica, religiosa ou militar.
Os políticos paroquiais levam a melhor sobre os políticos universais. A imagem de um presidente messiânico – autoritário ou sonhador – que vende a panaceia da cura dos males da nação tem vantagens na conjuntura actual. A imagem de um velho político lutador pela justiça e liberdade tem a desvantagem de representar a realidade, pura e dura, dos males da nação arrostando com os malefícios dos efeitos imediatos das políticas destinadas a corrigi-los.
Soares é o candidato da situação. Todos os outros são candidatos da oposição. Irónico!
O problema é quando, mais tarde, passados, no máximo, dois anos todos se derem conta que afinal os males são os mesmos e o Messias, vencedor de hoje, amanhã, virou besta.
quinta-feira, novembro 20
AR
Por razões de trabalho fui ontem à Assembleia da República e na entrada lateral, enquanto esperava, pelas 10h da manhã vi sair uma fila interminável de trabalhadoras. Seriam talvez umas trinta que estariam largando o serviço prestado a partir de manhã cedo, para que o edificio possa ser utilizado pelos que lá trabalham. Foi fácil verificar que eram, exceto uma, todas imigrantes.
quarta-feira, novembro 19
Presidenciais - 2
Apesar da maçada estou a assistir aos debates presidenciais, como se fosse um dever, herança de um passado atento à politica. Nada de novo. Pelo que pude verificar há 32 putativos candidadatos e entre eles somente 4 mulheres. Vão restar uns 8 com hipóteses de obterem acima de 0,5%. Nem um fora do caucasiano, branco mais branco não há, apesar da diversidade que se pode observar nas ruas e espaços comuns. Nos dois debates os lugares comuns são mais que muitos. O debate politico está mais pobre. Faltam 26...
segunda-feira, novembro 17
Presidenciais
Vão hoje começar os debates entre candidados nas eleições presidenciais (alguns segundo critério que não entendo), e segundo modelo tradicional. A minha primeira impressão de debates que ainda não vi pois não existiram é: uma grande maçada!
sábado, novembro 15
1867
Deparei-me hoje com um artigo na revista do Expresso acerca de António Pereira de Figueiredo que foi o tradutor da bíblia para português. Nunca tinha dado atenção à personagem mas recebi de herança uma bíblia editada em 1867 que ostenta o seu nome. Curioso este ano de 1867 pois nele foram aprovados o Código civil, o Código cooperativo e abolida a pena de morte. Um ano de grandes reformas que, no essencial, perduraram até ao presente.
sexta-feira, novembro 14
Justiça
O tema é um clássico, tão antigo quanto o homem em sociedade. Um homem a julgar outro homem. Quem nos defende da violência silenciosa dos atrasos da justiça? Ou da sua ação tendenciosa eivada de preconceitos e mal entendidos. Tantos erros de comunicação que escondem outros que nunca saberemos dos seus segredos. Quem nos defende?
quarta-feira, novembro 12
Greve Geral
Compreendo a perplexidade de muita gente com a convocação da greve geral de 11 dezembro. Uma greve geral é um último recurso dos trabalhadores, através das suas organizações de classe, os sindicatos, em situações limite nas quais se incluem a perda total de direitos dos trabalhadores, tentativa de derrube do regime democrático, iminência de guerra com mobilização militar... A maioria pode ter interiorizado que nenhuma destas situações está, no presente, em causa. Mas têm mesmo a certeza?
Camus lembra que "A revolução de 1905 principiou pela greve de uma tipografia moscovita cujos operários pediam que os pontos e as vírgulas fossem contados como caracteres na avaliação "por peça"." Hoje uma greve geral pode nem sequer desencadear qualquer movimento do mesmo tipo, mas pode ser desencadeada por um processo silencioso de descontentamento com a intransigência na defesa de valores absolutos, dispensando o debate autentico em prol de acordos equilibrados. E mais não digo.
terça-feira, novembro 11
A nova linha editorial do CM
"A greve geral marcada para dezembro foi diminuída pelo primeiro-ministro com a velha tese de que as centrais sindicais estão ao serviço do PS e do PCP. A velha cassete da manipulação política do movimento sindical que dá para tudo, incluindo para algumas tragédias históricas, como aconteceu nos anos 70 na América do Sul, quando a CIA fomentava golpes de Estado com a cartilha anticomunista. Os tempos são diferentes, obviamente, mas a estratificação social e económica mudou pouco. Temos um Governo próximo dos patrões, fraco na sensibilidade social, agarrado a chavões como a competitividade, que olha para o trabalho como um mero instrumento do seu próprio poder, quanto mais barato e descartável, melhor. Uns têm cada vez mais poder e dinheiro, outros vivem vidas marcadas pela falta de casa, saúde, educação. No meio, Governos, como o atual, incapazes de impor a sua própria visão sobre a economia à bolha a empresários que andam, há uns bons trinta anos, a produzir impunemente escaldões no erário público, de que o Novo Banco e o BPN são ainda trágicos exemplos e despesa pesada. Tudo por conta do Zé pagante, apesar de cada vez mais precário, mais endividado, menos valorizado e menos no centro da política."
Eduardo Dâmaso, in Correio da Manhã
domingo, novembro 9
Benfica
Uma formidável lição de associativismo foi a que resultou das eleições no Benfica - enquanto clube com a forma de associação. Sabiam que integra a economia social? Pois sim. Até se discutiu, de forma aberta, acerca dos modelos de representação pelo voto, neste caso fora do principio basilar de "uma cabeça um voto". Em todo o caso uma lição de associativismo.
sábado, novembro 8
Um caso notável
Um muçulmano foi eleito em Nova York. Trata-se de um acontecimento notável. Podia um cristão ser eleito num país muçulmano? Primeiro era necessário que a democracia existisse, segundo que a tolerância religiosa o admitisse.
quarta-feira, novembro 5
Saúde (2)
Ainda a saúde. Continuo sem médico de família, pago impostos e muito, todos pagamos muito, conforme as nossas possibilidades, e conforme as expetativas, e as regras gerais, temos direito a médico de família. O que aconteceu, recentemente, é bastante inqueitante. A mais alta responsável pela saúde no governo, que não conheço, e mostra ser uma pessoa diligente, fez afirmações inaceitáveis, embora na corrente dos tempos atuais. Como tem sido muito comentado mas receio não seja apreendido pela maioria entrou no terreno da xenofonia e do racismo. Sim os pobres que são, com os remediados, a maioria da população tem direito ao SNS. Em igualdade com os ricos que dele beneficiam sempre que os privados se deparam com situações complexas e de dificil abordagem e resolução. Tenho experiência familiar do que afirmo. O processo que está em curso, próprio de um governo com o perfil do atual - nada de estranhar - é a privatização da saúde alavancada pela degradação do SNS. Negócios, negócios... é uma banalidade o que digo mas é o que é... e não sei que esperar deste governo com outra ministra, ou de governo diverso deste, com equilíbrio, justiça e compaixão.
domingo, novembro 2
Maria João Pires, Pierre Boulez, BPO - Mozart piano concerto No. 20
Um anúncio de retirada de uma estrela maior da nossa cultura. Ninguém dos poderes públicos se comoveu!
sábado, novembro 1
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