Fotografia daqui
As sondagens valem o que valem mas, na verdade, valem muito. É a gestão das chamadas expectativas. Na sondagem ontem divulgada reparei que o PSD subiu mas o dado mais extraordinário é este:
“Com 45,5%, o PS surge meio ponto percentual acima do resultado obtido nas legislativas de há dois anos.”
Partindo do princípio que é uma sondagem séria, considerando a margem de erro, que o PSD sobe mais do que o PS, que a popularidade do PM desce e a do PR também, tudo o que se quiser, o resultado significa que o PS voltaria a obter maioria absoluta.
Isto quer dizer – mesmo com todos os descontos – que as políticas prosseguidas pelo governo, até ao momento, ainda não provocaram uma erosão significativa nas expectativas positivas do eleitorado do partido do governo. Com quase dois anos de exercício do dito é obra!
Ou as medidas ainda não foram efectiva e plenamente aplicadas o que é, em parte, verdade; ou o eleitorado as aprecia mais do que as manifestações de desagrado aparentemente indiciam; ou a gestão politica da sua aplicação tem sido eficaz; ou o primeiro-ministro tem emanado uma imagem de autoridade que supera as fragilidades do governo; ou a “convergência estratégica” com o PR atenua o desgaste ou, o mais provável, um misto de todas estas razões explica a performance.
Vou arriscar fazer um exercício de adivinhação que ninguém vai levar a mal. Se o SIM vencer no “referendo ao aborto”, facto muito provável apesar dos
receios dos apoiantes do SIM, a tendência para a liderança destacada do PS vai manter-se ou reforçar-se; se a presidência portuguesa da UE – no segundo semestre de 2007 – não fracassar, não levando o governo a descurar a politica interna, idem aspas; se o PM fizer uma remodelação governamental, cirúrgica, no início de 2008, idem aspas.
Se, nos inícios de 2008, os resultados das medidas anunciadas e, em parte já implementadas, quer naquelas áreas de que o PR falou no seu discurso, quais sejam economia, educação e justiça, mais o deficit, desemprego, inflação, incêndios de verão, … não desiludirem, mesmo que não encantem, idem aspas.
Se, por fim, a oposição de direita continuar com as mesmas lideranças partidárias, fragilizadas por querelas internas, idem aspas; se a oposição de esquerda continuar a agitar as suas bandeiras tradicionais, idem aspas; se o PS mantiver a unidade política no essencial e a divergência no acessório, idem aspas.
Salvo qualquer cataclismo imprevisível, se tudo isto acontecer, no ciclo eleitoral que vai iniciar-se em 2009 poder-se-á repetir um cenário semelhante ao que já ocorreu no passado quando o PSD de Cavaco apoiou a reeleição de Soares.
Maioria absoluta para Sócrates nas legislativas com o apoio de Cavaco e reeleição presidencial de Cavaco com o apoio do PS. Vamos a ver se um dia, mais tarde, não vou ter que engolir esta sopa de letras. Mas é interessante a percepção de que este cenário se banaliza na opinião pública. À cautela é melhor estarmos preparados!