domingo, setembro 9

Movimento religioso feminino

(…) “Com efeito, a partir de 1147, o rei concentra a sua política no povoamento e reestruturação do Entre Douro e Mondego, sobretudo nos territórios recém-conquistados. Nessa altura, os seus principais objectivos orientam-se para a defesa e consolidação do território a fim de evitar a sua recuperação pelos sarracenos. Esta concentração de esforços tinha como contrapartida um certo alheamento para com os territórios de regime senhorial a norte da serra de Estrela. Dir-se-ia, pois, que Afonso Henriques considerava o movimento religioso feminino como um assunto que não lhe dizia respeito a si, mas aos nobres e à Igreja. De facto, eram eles os primeiros interessados em proteger os mosteiros onde podiam professar as viúvas e as filhas excluídas do casamento. Como é evidente, este aspecto da política régia não diminui em nada o importante papel desempenhado pelo nosso primeiro rei na história religiosa do seu tempo: mas mostra quais eram as suas preferências espirituais e, ao mesmo tempo, de que maneira ele as articulava com as suas responsabilidades de soberano. Confirma o que anteriormente vimos acerca da sua progressiva consciência daquilo a que podemos chamar, com evidente anacronismo, as suas funções de chefe de Estado. Foi essa consciência que o levou a tornar-se cada vez mais independente da aristocracia nortenha e que o orientou na escolha dos seus auxiliares, nas suas actividades militares, na política de repovoamento, nas relações com o papa, com os bispos e com os outros soberanos.”

In “D. Afonso Henriques” de José Mattoso, ”8. “Eremitas, cistercienses e monjas”, pg. 97 (23).
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