sábado, março 28

O Estrangeiro

Hoje fui ver O Estrangeiro filme em exibição que muito me supreendeu pela positiva. Belo, captando o ambiente da obra de Camus na qual se inspira. Vale a pena. Transcrevo excerto de um texto de Maria Luisa Malato em resposta à velha questão de qual o livro que levaria consigo para uma ilha deserta: Ou talvez seja O Estrangeiro. Releio agora sem professor, admirando cada vez mais a conotação indelével das coisas ditas com simplicidade. Disseram-me seca a frase “Hoje, a mamã morreu”. Mas se assim fosse, porquê a ternura da palavra “mamã”? Tento variantes: “Hoje, a minha mãe morreu”, mais seco. “Hoje, a mãe morreu”: mais seco ainda? O que é hoje evidente em Meursault é o percurso iniciático de um homem que aprende a sair da indiferença que nunca foi absoluta. O Estrangeiro é a história do caminho que vai do “para mim tanto faz” ao “não” final, forma extrema de compromisso solitário. Ensinou-me que Camus não é um filósofo do absurdo, mas um filósofo anti-absurdo, na medida em que constrói os sentidos da vida a partir da consciência indelével do absurdo.

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