Deixar uma marca no nosso tempo como se tudo se tivesse passado, sem nada de permeio, a não ser os outros e o que se fez e se não fez no encontro com eles,
Editado por Eduardo Graça
quinta-feira, outubro 29
A escassez
Os tempos eram de escassez, hoje à distância de pelo menos uma geração reconheço-o em pequenos estilhaços da memória e por escassas imagens que, entendo-o hoje, eram evitadas em favor das dos dias de festa. O que resta? Os lugares, sol, terra, água, rostos, animais, árvores. A natureza resplandecente povoada a duras penas pelos descendentes dos mouros que ficaram da reconquista. Nunca me libertei dessa memória antes a guardei cultivando-a acima das curvas da vida. E não esqueço o amor que me foi dedicado pelos ancestrais com gestos de profunda humanidade. Como explicar que a bondade não seja um valor reconhecido como inerente à vida, num lugar supremo entre todos os valores.
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