Deixar uma marca no nosso tempo como se tudo se tivesse passado, sem nada de permeio, a não ser os outros e o que se fez e se não fez no encontro com eles,
Editado por Eduardo Graça
sexta-feira, outubro 30
A minha gente
No campo da escassez eu via abundância no cuidado com o que se colhia, punha na mesa, guardava, o pão, mais que tudo o pão, banha, figos, melancia, cavala, brados à estrada para encomendar o peixe, água fresca dos cântaros, de vez em quando caça, perdiz, lebre, coelho, bravos, o meu tio Ventura era um bom caçador, Fernandes todos, José, Rosa, Ventura, Adélia, Ezequiel, Gervásio, avós, tios, primos, das suas mãos provinha o meu céu, minha religião sagrada, terra, céu, sol, lua, estrelas, mar, a natureza derramada em suas vozes temperadas pelas duras tarefas da sobrevivência honrada. A marca do seu nome ficou gravada no meu, todo um mundo de gente com o mundo dentro.
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