sexta-feira, novembro 6

O Estado do Estado

Compreendo a ideia de "bloco central" que poderia ser concretizada sob diversos formatos, tendo subjacente a manutenção do acordo de regime que vem da Constituição de 76. Mas... tudo aponta para que PSD e PS sejam hoje partidos com programas aparentemente irreconciáveis com as atuais lideranças. Repare-se como o PSD e o governo que nele assenta tem vindo sistemáticamente a responsabilizar o PS por todos os males do país rompendo com qualquer ideia de continuidade de politicas centrais na governação. A parte social democrata do PSD perdeu influencia no próprio partido que guinou para a direita, sendo hoje dominado por ideias e interesses liberais e nalguns aspetos ultramontanos em coincidência com ideias de extrema direita. Além do mais a respeito do pessoal dirigente da administração pública, a todos os níveis, o PSD executou, num curto periodo de tempo, uma purga que deixa um lastro de ressentimento dificil de tornear, viabilizando no terreno qualquer aliança PSD/PS. Só mesmo através de mudanças profundas nos próprios partidos (todos), desde logo nas suas lideranças, o que está longe do horizonte, a não ser os movimentos sociais em fase de ensaio, como aconteceu diversas vezes ao longo da história se apresentem de forma poderosa. Ao contrário de algumas inefáveis vozes de democratas de vários quadrantes não está em curso nem se vislumbra qualque revolução. Em Portugal todas as revoluções, desde, pelo menos, 1640, tiveram sempre na sua génese, e modo operacional, os militares. Hoje a tropa não tem massa critica para mexer um dedo. Assim fiquem descansados...o Estado vai continuar na sua profunda letargia e os grandes interesses economico/finaceiros prosperarão.

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