quarta-feira, dezembro 16

EU CONHEÇO UM PAÍS ...


Daqui


Nicolau Santos, Director - adjunto do Jornal Expresso, In Revista "Exportar"

Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade mundial de recém-nascidos, melhor que a média da UE.

Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.

Eu conheço um país que é líder mundial na produção de feltros para chapéus.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende no exterior para dezenas de mercados.

Eu conheço um país que tem uma empresa que concebeu um sistema pelo qual você pode escolher, no seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou um sistema biométrico de pagamento nas bombas de gasolina.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou uma bilha de gás muito leve que já ganhou prémios internacionais.

Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, permitindo operações inexistentes na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos.

Eu conheço um país que revolucionou o sistema financeiro e tem três Bancos nos cinco primeiros da Europa.

Eu conheço um país que está muito avançado na investigação e produção de energia através das ondas do mar e do vento.

Eu conheço um país que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para toda a EU.

Eu conheço um país que desenvolveu sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos às PMES.

Eu conheço um país que tem diversas empresas a trabalhar para a NASA e a Agência Espacial Europeia.

Eu conheço um país que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas.

Eu conheço um país que inventou e produz um medicamento anti-epiléptico para o mercado mundial.

Eu conheço um país que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça.

Eu conheço um país que produz um vinho que em duas provas ibéricas superou vários dos melhores vinhos espanhóis.

Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamento de pré-pagos para telemóveis.

Eu conheço um país que construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade um pelo Mundo.

O leitor, possivelmente, não reconheceu neste país aquele em que vive... PORTUGAL.

Mas é verdade.Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.

Chamam -se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Out Systems, WeDo, Quinta do Monte d'Oiro, Brisa Space Services, Bial, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Portugal Telecom Inovação, Grupos Vila Galé, Amorim, Pestana, Porto Bay e BES Turismo.

Há ainda grandes empresas multinacionais instalada no País, mas dirigidas por portugueses, com técnicos portugueses, de reconhecido sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal e a Mc Donalds (que desenvolveu e aperfeiçoou em Portugal um sistema que permite quantificar as refeições e tipo que são vendidas em cada e todos os estabelecimentos da cadeia em todo o mundo).

É este o País de sucesso em que também vivemos, estatisticamente sempre na cauda da Europa, com péssimos índices na educação, e gravíssimos problemas no ambiente e na saúde... do que se atrasou em relação à média UE...etc.

Mas só falamos do País que está mal, daquele que não acompanhou o progresso.

É tempo de mostrarmos ao mundo os nossos sucessos e nos orgulharmos disso.
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2 comentários:

vai tudo abaixo disse...

A crónica do Nicolau Santos (mais um situacionista do bloco central) é conhecida e saíu há mais de um ano no Expresso. Comida requentada, pois.
De facto é verdade, o que ele escreve. Ainda bem. Senão estávamos ao nível do Burundi ou do Burkina-Fasso.
A pergunta é outra: porque é que um país que consegue estas "performances" todas não consegue erradicar a pobreza absoluta (400.000 dependentes do Banco Alimentar), a pobreza relativa (2 milhões de portugueses a ganharem menos do que 500euros mensais), a iliteracia estrutural (9% da população analfabeta), a iliteracia funcional (45% da população que não entende o que lê), o mais baixo nível de qualificação a nível europeu, o maior índice de absentismo escolar da OCDE, os piores índices em língua materna e ciências ("ranking" do PISA), a quarta maior taxa de desemprego da Europa (10,2%), a maior discrepância salarial da Europa, uma das maiores dívidas externas (81% do PIB), uma das maiores dívidas públicas (112% do PIB) um dos maiores déficits (8,9%), etc.
Então um país que faz 10 estádios novos (metade deles para implodir), auto-estradas e pontes (que não são utilizadas), hospitais e escolas (para os ricos), "dá" computadores às criancinhas e cria "vias-verdes" não consegue resiolver estes problemas de base? Deve haver muita má gestão dos bens publicos, não é verdade? Má gestão, é sinónimo de incompetência e de corrupção (os índices europeus também não enganam. Lá está Portugal a subir, ou a cair, depende da forma como queiramos ver as estatísticas). Ora, ora, o que o Nicolau sabe já a mim me esqueceu. É preciso que digamos bem de muitas coisas, para que fique tudo na mesma. Também já foi escrito, pelo Lampedusa (aquele do Leopardo). Não queiram fazer do pessoal palhaços. Já bastam os da AR. Vocês são mesmo cretinos. Vão dar banho ao cão!

Eduardo disse...

Carríssimos,

embora compreenda a pertinência das críticas apresentadas ao texto de Nicolau Santos, eu sou da opinião de que as notícias positivas sobre o que de melhor se faz em Portugal não deve servir para que tudo aquilo que está mal continue na mesma mas sirva, isso sim, para sermos mais exigentes connosco, na convicção de que somos capazes do melhor. Sejamos pois exigentes para connosco e para com aqueles que nos governam! Esta é, creio, a atitude correcta!
Eduardo Guimarães