quarta-feira, junho 18

"CUBA ME DÓI"

O Mauro Malin publicou no Museu da Pessoa uma entrevista que Yoani Sánchez lhe concedeu, via telefone. Traduziu-a para português e colocou-a à disposição de todos, com voz áudio. Tendo o Mauro descoberto que me interesso pela realidade de Cuba, e pela sua entrevistada, teve a amabilidade de me enviar uma mensagem de alerta. Obrigada. Vale a pena ler e/ou ouvir pois é uma bela reflexão acerca da vida e da política. Que viva!

Assim fala Yoani Sánchez: “No bairro muito humilde chamado Centro Havana, com uma mistura de marginalidade e gente do povo, onde nasci, cresci até os 15 anos. Tive uma adolescência feliz, tranqüila. Mas o fundamental de minha adolescência foram as aflições materiais, produto da crise econômica cubana.

A faculdade foi um período ao mesmo tempo difícil e lindo. Conheci meu marido, Reinaldo Escobar, e nasceu meu filho, Teo.

Em 2002, a asfixia econômica em Cuba e também a sensação de asfixia pela falta de liberdade me levaram a emigrar para a Suíça. Lá vivi dois anos. Para voltar a morar em Cuba, em 2004, tive que entrar como turista e destruir meu passaporte.

Na minha vida não tenho muitos paradigmas de pessoas importantes ou gente famosa. Ao contrário, sou permanentemente influenciada pelas pequenas pessoas – meus amigos, alguém que compõe uma canção, alguém que me conta algo na rua. E tenho também algumas premissas na vida. Uma delas é cada dia avançar um pouco mais na tolerância. A sociedade cubana necessita que os indivíduos aprendam a tolerar a diferença, as opiniões que não são similares às suas.

Não me agradam os apáticos. Meu país me dói. Se nada me importasse, se eu me alienasse de minha realidade, não escreveria as coisas que escrevo.

Em Cuba, respiramos política, comemos política. Eu me considero uma pessoa que é da sociedade civil, tratando de descrever como vive e de conectar-se com outras pessoas da sociedade civil. Claro, para o governo isso é oposição. Mas eu mesma não me defino como uma opositora.

A questão da comida é, no momento, uma preocupação geral dos cubanos. A maioria dos alimentos necessários para sobreviver não tem um preço correspondente aos salários.

Quase a cada minuto temos que transpor a linha entre a legalidade e a ilegalidade. Em Cuba, o mercado negro é muito importante para sobreviver.

Eu prefiro o anonimato, que nos permite criar com mais tranqüilidade, observar com mais objetividade. E penso que, se os políticos tivessem a intenção de ser mais anônimos, menos espetaculares, os problemas que temos se resolveriam melhor.

Tenho sonhos de viver numa Cuba plural, inclusiva, onde caibamos todos. Quero que meu filho encontre um espaço nesta Cuba onde hoje tantos jovens emigram, que ele não tenha que emigrar para ter uma profissão, para poder ter um teto próprio, manter sua família. Sonho que a sociedade civil cubana desperte, que não se deixe guiar por ideologia nem por líderes carismáticos, e que sinta que o país pertence à sociedade civil, que somos nós os responsáveis pelo que aqui se passa.”

Fiz por telefone uma entrevista de 40 minutos com Yoani Sánchez, no dia 13, depois de ler todos os tópicos de seu blogue. A conversa foi gravada, com autorização dela, e está reproduzida em seguida, dividida em treze partes, para facilitar a audição. Uma tradução para o português acompanha cada parte da gravação.

O segredo do blogue de Yoani Sánchez é que ela tem muito tempo para pensar e pouco tempo para colocar na internet o que escreve. Ou seja, muito tempo para pensar no que publica. Resultado: escreve pouco e bem.

Depois que se ouve essa jovem dizer que tem como premissa avançar a cada dia um pouco mais no caminho da tolerância, não será temerário prever que, seja qual for o desenlace da etapa castrista, Yoani Sánchez terá um papel relevante na sociedade cubana. Boa sorte.
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Parece que Fidel Castro, o próprio, já deu pela existência de Yoani Sanchez en Generación Y e esta, com suprema ironia, considera que a resposta ao dignitário é Cosas de hombres. Vai daí passa a palavra ao marido, o jornalista Reinaldo Escobar, que responde a Fidel: Sobre el tejado de vidrio . Isto está a aquecer!
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Cyd Charisse


Há imagens que habitam a nossa cabeça fazendo parte da nossa vida. Vá lá saber-se porquê a imagem da Cyd Charisse é uma daquelas que, desde há um ror de anos, habita a minha. Acho que sei a razão: sempre gostei de dança e de Music hall e Cyd Charisse fez parte da iniciação ao meu gosto pelo género.
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Bem me parecia que tinha o cromo de Cid Charisse (nº97) da "Colecção de 210 fotografias de artistas de cinema" - Cine-Foto - edição da Editorial Ibis. No verso da fotografia, de época, reza assim: "CID CHARISSE, nasceu em Amarillo, Texas, em 8 de Março de 1930. Fez parte da companhia de Ballet Russo, até que Hollywood a contratou para interpretar "Festa Brava". Foi considerada por Gene Kelly como das mais excepcionais bailarinas de todos os tempos."
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segunda-feira, junho 16

INFLAÇÃO

Blaine Ellis

Poucos se lembrarão de um lema da propaganda do chamado “Estado Novo” que era qualquer como: “A verdade é só uma, Rádio Moscovo não fala verdade”. Vem isto a propósito do modelo de comunicação que, em todos os domínios, empurra a opinião pública num sentido único.

Está na moda assacar ao governo, e a Sócrates, todos os males do mundo e vai daí mesmo as boas notícias, para o país e para o governo, são embrulhadas no pacote único das más notícias. Veja-se o caso da notícia de hoje acerca da inflação. Qual é a notícia? Zona Euro: Inflação sobe em Maio para novo recorde de 3,7%, Portugal tem uma das menores taxas

É claro que tudo é relativo mas no que respeita à inflação, (Annual inflation (%) in May 2008), Portugal apresenta a 2ª mais baixa taxa de inflação (2,8%) de todos os países da UE. Este é um indicador muito relevante para avaliar a política de qualquer governo. Ou por ser favorável ao governo deixa de ser (muito) relevante?
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PORTUGAL 0 - SUIÇA 2

Fotografia daqui

Não posso estar mais de acordo com a opinião de Mourinho. Este jogo com a Suíça não existiu. O República Checa- Turquia é que sim. Scolari, goste-se ou não se goste, não podia fazer outra coisa. Quinta-feira volto ao assunto. Espero que o adversário seja a Alemanha e não a Áustria.
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domingo, junho 15

CAMINHOS DA MEMÓRIA

A partir de hoje foi colocado ao alcance de todos Caminhos da Memória cujo programa está contido, de forma sintética, no post inaugural do qual transcrevo, a seguir, uma parte. Trata-se de um projecto muito interessante com incidência numa área menosprezada e maltratada entre nós: a memória. Os meus agradecimentos pelo convite para colaborar, pontualmente, no projecto, a que acedi com muito gosto, e pelo link.

Caminhos da Memória é um blogue que pretende dar voz a formas de lembrar, de evocar e de interpretar o passado, recorrendo a leituras contemporâneas da história e da memória.

Procurará fazê-lo recorrendo a diferentes formulações que se coadunem com as características específicas da blogosfera e que ajudem a desenhar percursos para redescobrir os legados que recebemos do país e do mundo.

Incluirá também informação sobre documentos, livros, filmes e eventos relacionados com os objectivos que nos propomos perseguir, bem como ligações a instituições, publicações e blogues que privilegiem temas ligados à memória e à história.
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OS DONOS DO ALHEIO


Dando como verdadeira a notícia estamos perante uma medida que nenhum cidadão de bom senso entenderá. Por este caminho estamos a chegar ao ponto em que a obrigação de pagar as contas se constituirá como um ónus insuportável para os cidadãos cumpridores. A partir daqui é a lei da selva através da qual os vigaristas, por via das entidades reguladoras, alcançam o paraíso. Ou o governo põe cobro, rapidamente, ao dislate ou, em nome da defesa das grandes companhias, se suicidará politicamente.
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sábado, junho 14

O DR. PORTAS E A IMIGRAÇÃO


O Dr. Portas devia estar a referir-se ao Sr. Scolari quando afirmou que “Portugal só deve acolher aqueles que pode integrar”. Em Portugal a imigração não é, ao contrário de outros países, um problema grave o que é um problema para o Dr. Portas.
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sexta-feira, junho 13

REFLEXÃO DE 6ª FEIRA 13


Basta olhar para as medidas que o governo espanhol acaba de tomar. Os portugueses esperam que o governo tome um conjunto de medidas que constituam uma resposta estruturada à crise económico-social que o aumento do preço dos combustíveis está a acelerar e aprofundar. Não basta um plano de investimentos públicos e privados – que tem efeitos de longo prazo – é necessário a tomada de medidas que atenuem, de forma efectiva e imediata, a perda do rendimento disponível das famílias e da liquidez das empresas.

Por muito que o governo possa argumentar que as medidas fundamentais, em particular no plano social, já foram tomadas ninguém as vislumbrará no meio de uma avalanche de movimentos reivindicativos envolvendo todos os sectores da actividade económica. O governo está a ser confrontado com a economia real, através dos seus agentes, e não já pelas chamadas corporações. Se a postura do governo continuar a ser meramente defensiva, face a uma crise de longa duração, como parece ser o caso, está condenado à derrota.

É preciso que o governo passe à ofensiva desenvolvendo um plano de ataque à crise sustentado em medidas perceptíveis como necessárias e justas: para isso talvez seja necessário um novo olhar sobre as contas públicas, a politica fiscal e o modelo de gestão do orçamento; a salvaguarda dos compromissos assumidos, no âmbito da UE, com o máximo aproveitamento das suas margens de flexibilidade e, quiçá, uma remodelação governamental com vista a restaurar a confiança na capacidade do governo para enfrentar uma situação nova com a aplicação de medidas novas.
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FERNANDO PESSOA

Carta a Adolfo Casais Monteiro

Por ocasião da passagem do 120º aniversário do nascimento de Fernando Pessoa transcrevo, no Caderno de Poesia, a parte final da carta de Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro, datada de 14 de Janeiro de 1935. Pode ser lida, na íntegra, no site de poesias coligidas de F E R N A N D O P E S S O A (edição bilingue português/espanhol).
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quinta-feira, junho 12

A PAIXÃO PELO FUTEBOL

Tanta pasión bien merece una recompensa. É com esta frase que fecha o artigo do El Pais que, hoje, retrata a paixão dos portugueses pela selecção. Gosto de saber como nos vêem de fora pois sei como nos vemos, a nós próprios, cá dentro. O tempo de exposição mediática da selecção é excessivo? Talvez! Mas esperem pelos incêndios florestais agora que o calor aperta e os camionistas saíram de cena regressando à estrada. Prefiro ver o ecrã cheio com o sorriso de Ronaldo, depois de marcar um golo, às imagens, repetidas dos crimes, agruras e calamidades que, no nosso tempo, a televisão diviniza. A paixão pelo futebol é uma das últimas muralhas que a comunidade, nos “países do futebol”, é capaz de levantar contra o desespero. Tentar suster ou rasurar essa paixão é uma tarefa inglória e todos sabemos como os excessos da paixão são a sua própria essência.
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O FIM DO DIA

Adam Jahiel

Leio nas notícias e vou consultar a fonte: ANTRAM alcança acordo e apela ao retomar da actividade·

A partir deste momento as acções dos piquetes que promovem a paralisação, a terem continuidade, serão um mero caso de ordem pública.
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quarta-feira, junho 11

PORTUGAL 3 - REPÚBLICA CHECA 1

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GUARDIOLA

No post O jogador de futebol, no Auto-retrato, faz-se referência a Pep Guardiola, que foi um grande jogador e, ao mesmo tempo, ao que parece, um leitor de livros. Talvez valha a pena lembrar que Guardiola acaba de ascender a treinador principal do Barcelona. A propósito reparei que, naquelas reportagens que a SIC dedicou aos jogadores da selecção, Cristiano Ronaldo, ou a produção, fez passar uma sequência em que mostra o seu recente interesse pela leitura de livros…. Aquela pequena sequência vale por todo um programa de promoção da leitura!

Guantánamo

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FRANCISCO MARTINS RODRIGUES (CONT.)

In Memoriam de Francisco Martins Rodrigues – IV e V Partes
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MAIS UM DIA

CAVALOS À SOLTA


A vida em comunidade nem sempre é um mar de rosas. Certamente que ninguém, em seu perfeito juízo, prefere a guerra à paz, a confrontação à concórdia. Mas a democracia representativa, regime em que vivemos, após décadas de ditadura e duros confrontos, no período pós 25 de Abril, foi uma escolha consciente do povo português através de eleições livres. Nada obsta, no entanto, a que hajam manifestações de divergência e descontentamento, no pleno exercício da liberdade a duras penas conquistada.

Convém, no entanto, que todos os cidadãos, no exercício da liberdade, passado o período de aprendizagem das regras do regime democrático, respeitem a liberdade dos outros. Banal! Acontece que, a propósito do caso da paralisação dos camionistas, em noticiários e debates, através de comentaristas encartados, como é o caso do inefável Luís Delgado, se ouvem as maiores barbaridades.

Os camionistas de que se fala são, em primeiro lugar, os patrões e não os trabalhadores; a paralisação da frota não é, portanto, uma greve mas antes, pelas suas características, um lockout; o lockout é proibido pela constituição da república; as manifestações pró paralisação, a que temos vindo a assistir, são levadas a cabo à revelia da ANTRAM, associação patronal representativa do sector; a paralisação, goste-se dela ou não, tem os seus fundamentos, quais sejam, genericamente, o agravamento das condições de exploração do negócio do transporte rodoviário de mercadorias.

Apesar das variadas razões que assistem aos seus promotores, particularmente originadas no aumento do preço dos combustíveis, esta paralisação enquadra-se na categoria das manifestações “selvagens”, ou seja, realiza-se fora de qualquer enquadramento legal e associativo; trata-se, portanto, de uma paralisação ilegal que visa impedir a livre circulação de pessoas e bens ameaçando, como é público e notório, além do regular funcionamento da economia do país, a liberdade e a integridade física dos próprios promotores e daqueles que não queiram aderir à paralisação.

À direita reina um discreto regozijo, espécie de vingança póstuma face ao chamado buzinão da ponte 25 de Abril, de 1994; à esquerda, no campo do PCP e do BE, balbuciam-se umas vacuidades a meio caminho entre o apoio à paralisação e o receio das consequências futuras desse apoio. (O que pensará Manuel Alegre disto tudo?) Se não for alcançado, rapidamente, um acordo razoável, que ponha fim às manifestações “selvagens”, não pondo os contribuintes a pagar a ineficiência da maior parte da indústria de transporte de mercadorias, vamos ter um problema complexo, nos planos político e logístico. E, provavelmente, pancada da grossa.

Aí os que, hoje, clamam contra a passividade do governo face aos desordeiros, contra a incapacidade de Sócrates, (afinal um fraco!) para impor o cumprimento das leis do estado democrático de direito, vão virar-se contra ele apelidando-o de autoritário, quiçá, uma vez mais, de fascista. Se o que estiver em causa forem mesmo, comprovadamente, as liberdades públicas ao governo não restará outra alternativa senão tratar de as repor. Mas, neste conflito, como em todos os outros, mais vale um mau acordo do que uma boa demanda. É o que se deseja que aconteça, com razoabilidade, nas próximas 48 horas!
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