domingo, outubro 8

CAMUS - MANUSCRITOS E LEITURAS

Posted by Picasa Imagem Daqui

Uma mão amiga fez-me chegar a notícia intitulada “Des manuscrits de Camus chez Sotheby's” publicada, ontem, no “Le Monde”.Os que me visitam aqui, com regularidade, devem estranhar a ausência de referências a Albert Camus. Estou em fase de leituras desde que me chegaram às mãos os dois primeiros volumes das suas Obras Completas. Em breve alinharei os meus sublinhados destas novas leituras.

sábado, outubro 7

LA CASA

Posted by Picasa SONJA THOMSEN

[Para a Monica – Non c’è due senza tre]

L’uomo solo ascolta la voce calma
con lo sguardo socchiuso, quasi un respiro
gli alitasse sul volto, un respiro amico
che risale, incredibile, dal tempo andato.

L’uomo solo ascolta la voce antica
che i suoi padri, nei tempi, hanno udita, chiara
e raccolta, una voce che come il verde
degli stagni e dei colli incupisce a sera.

L’uomo solo conosce una voce d’ombra
carezzante, che sgorga nei toni calmi
di una polla segretta: la beve intento,
occhi chiusi, e non pare che l’abbia accanto.

È la voce che un giorno ha fermato il padre
di suo padre, e ciascuno del sangue morto.
Una voce di donna che suona segreta
sulla soglia di casa, al cadere del buio.

Cesare Pavese
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A CASA

O homem só escuta a voz calma
com os olhos semicerrados, como se um hálito
lhe roçasse o rosto, um hálito amigo
vindo, incrível, dos tempos idos.

O homem só escuta a voz antiga
que os seus pais outrora ouviram, clara
e recolhida, uma voz que como o verde
dos pântanos e das encostas escurece ao anoitecer.

O homem só conhece uma voz de sombra,
acariciante, que brota nos tons calmos
de uma fonte secreta: bebe-a absorto,
de olhos fechados, e não parece tê-la ao seu lado.

É a voz que um dia parou o pai
do seu pai, e todos os do sangue morto.
Uma voz de mulher que ecoa secreta
no umbral da casa, ao cair da noite.

Cesare Pavese
11 marzo – 10 aprile ‘50
Virá a morte e terá os teus olhos
11 de Março – 10 de Abril de 1950
"Trabalhar Cansa"
Tradução de Carlos Leite
Edições Cotovia

"Tel Quel"

Posted by Picasa Fotografia de Cannelle

Ressonância de 7 de Outubro de 2004. De um meu antigo livro artesanal feito de excertos do livro “Roland Barthes por Roland Barthes”.

“O corpo é a diferença irredutível e, ao mesmo tempo, o princípio de toda a estruturação (uma vez que a estruturação é o Único da estrutura (…). Se eu conseguisse falar política com o meu próprio corpo, tornaria a mais chã das estruturas (discursivas) numa estruturação; com a repetição produziria Texto. O problema está em saber se o aparelho político reconheceria durante muito tempo esta maneira de fugir à banalidade militante enfiando nela, vivo, pulsional, gozador, o meu próprio corpo único.”

ESCREVER

Posted by Picasa Fotografia de Cannelle

Não quero escrever nada que vos aborreça
Ou vos faça condoer de mim
Quero que permaneçam tal qual sois iguais
Ao que desejais ser pois sim
A minha escrita é só uma conversa comigo
A sós e com ela não intervim
Só quero escrever o desenho dos silêncios

Lisboa, 5 de Outubro de 2006

sexta-feira, outubro 6

FOTOGRAFIA DE FAMÍLIA

Posted by Picasa Fotografia de Família. Talvez um aniversário ou simplesmente um domingo. Princípio dos anos 50. (Clique na fotografia para aumentar)

Da esquerda para a direita: o meu irmão Dimas de flor na lapela. O meu pai Dimas, vestido a rigor, de fato e gravata. Minha mãe, Tolentina, de fina camisa branca. A avó, Maria da Conceição, já doente, austera no seu vestido preto. A tia Lucília, uma beleza cinéfila, brilha à luz quente que envolve o Algarve de todas as estações. O mais pequeno, eu próprio, circunspecto, talvez, pela contrariedade do traje.

O meu pai colocou, certamente, a Kodak no tripé, preparou o enquadramento, premiu o automático e correu para posar a tempo de ostentar um ar natural. Neste caso tudo correu na perfeição e aqui está uma fotografia tomada na casa de família de meu pai que é, ainda hoje, um autêntico palácio onde habita a minha tia.

Aquele lugar reconheço-o de olhos fechados pelo cheiro e adivinho o calor das mãos que, ternamente, acariciaram a minha rebeldia e que, na fotografia, entrelaçam corpos distendidos e felizes. Reparem em todas as mãos e nos sorrisos que, salvo no meu rosto, deixam transparecer uma mensagem de esperança na vida.

De todos somente dois podem testemunhar, hoje, o perfume daquele dia: a minha tia Lucília e o subscritor destas linhas. Para ela, que sei sentir a minha falta, um beijo.

AMÁLIA RODRIGUES

Posted by Picasa Amália Rodrigues

Passa hoje o sétimo aniversário da morte de Amália Rodrigues. Um mito português. Pode ouvir aqui a sua voz.

Ressonância de 6 de Outubro de 2004:

“Amália Rodrigues morreu a 6 de Outubro de 1999. Vejo as imagens de uma homenagem na RTP. Ouço a sua voz e sigo os seus gestos. É um espanto. Um fenómeno arrebatador. Uma voz e uma alma. O melhor de um povo na voz singular de uma mulher do povo.
Em Nápoles canta uma canção napolitana no dialecto local. Em Lisboa, como espectadora, sobe ao palco para abraçar Caetano Veloso. Recebe a mais alta condecoração do Estado português das mãos de Mário Soares. Fez-se justiça a tempo e ficou feliz. Mas confessa que só os aplausos do público lhe davam alegria.
Os aplausos para Amália ainda não se deixaram de ouvir e ecoam na nossa memória colectiva.”

quinta-feira, outubro 5

ENSINO PROFISSIONAL - UMA APOSTA COM FUTURO

Posted by Picasa Fotografia de Angèle

Já está disponível no site do “Semanário Económico” e no IR AO FUNDO E VOLTAR o artigo com o título em epígrafe do qual reproduzo a abertura:

“As questões da educação têm andado nas “bocas do mundo” mas, ao que tudo indica, as reformas necessárias e urgentes de que carece o sistema educativo português, aliás plasmadas no programa do governo, mesmo sem “pacto de regime”, dão sinais consistentes de seguirem em frente.”

TÓCOLANTE

Posted by Picasa Imagem daqui

Por indicação do António Pais. Eis aqui imagens de autocolantes, inclusive, do MES. Existem muitos outros alguns dos quais muito interessantes.

MES - III CONGRESSO

Posted by Picasa Imagem cedida por Margarida Boto
Clicar no cartaz para aumentar

Cartaz do MES – Lisboa, Ano: 1977, Arquivo: BN


O MES (Movimento de Esquerda Socialista), na sua curta existência, realizou quatro Congressos. A sessão de encerramento do terceiro teve lugar em 11 de Fevereiro de 1978, na “Voz do Operário”, em Lisboa, e este foi, na verdade, o Congresso do “canto de cisne”.

Sei que, para alguns, estas referências ao MES, um partido jurídica e politicamente morto, parecem estranhas. Mas acontece que o MES está vivo na memória de muitos de nós. Abordo o tema porque tenho memória, e não a quero alienar, e também porque sei quanto alguns dirigentes políticos e fazedores de opinião contemporâneos desprezam, em conspícuo silêncio, aqueles que não estão dispostos a aceitar os silêncios da memória.

Estou convicto que lembrando alguns símbolos, ideias e acontecimentos do passado do MES, com seus vícios e virtudes, dou um pequeno contributo para a saúde da nossa jovem democracia. E ainda não entrei na parte dura do tema, nem sei se nela um dia entrarei, que estou certo merecia uma mais extensa e profunda abordagem.

É interessante verificar como este cartaz demonstra, graficamente, a perda de claridade da mensagem que era muito evidente nos cartazes da fase inaugural do MES. A imagem obscurece e como que anuncia o ocaso.

Tenho, aliás, na minha posse as fotografias, a preto e branco, que o António Pais fixou da sessão final do III Congresso que constituem uma extraordinária demonstração visual desse ocaso. Em breve publicarei – apesar das dificuldades técnicas – algumas delas.

[A referência, na ficha técnica, ao ano de 1977 deve-se, naturalmente, ao facto do cartaz ter sido produzido na parte final desse ano atenta a data de realização do III Congresso.]

VALHA-NOS MARILYN

Posted by Picasa Marilyn Monroe

O Dr. Souto Moura, tal como Bush, também leu Camus. O que mais me vai acontecer!

quarta-feira, outubro 4

PASSAREI PELA PRAÇA DE ESPANHA

Posted by Picasa Fotografia de sophie thouvenin

[Para a Monica – bis]

Será com um céu claro.
As ruas abrir-se-ão
para a colina de pinheiros e pedra.
O tumulto das ruas
não mudará aquele ar parado.
As flores aspergidas
de cores nas fontes
piscarão os olhos como mulheres
divertidas. As escadarias
as esplanadas as andorinhas
cantarão ao sol.
Abrir-se-á aquela rua,
as pedras cantarão,
o coração baterá sobressaltado
como a água nas fontes –
será esta a voz
que subirá a tua escadaria.
As janelas saberão
o perfume da pedra e do ar
matinal. Abrir-se-á uma porta.
O tumulto das ruas
será o tumulto do coração
na luz extraviada.

Serás tu – imóvel e clara.

28 de Março de 1950

Cesare Pavese
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PASSERÒ PER PIAZZA DI SPAGNA

Sarà un cielo chiaro.
S’apriranno le strade
sul colle di pini e di pietra.
Il tumulto delle strade
non muterà quell’aria ferma.
I fiori spruzzati
di colori alle fontane
occhieggeranno come donne
divertite. Le scale
le terrazze le rondini
canteranno nel sole.
S’aprirà quella strada,
le pietre canteranno,
il cuore batterà sussultando
come l’acqua nelle fontane –
sarà questa la voce
che salirà le tue scale.
Le finestre sapranno
l’odore della pietra e dell’aria
mattutina. S’aprirà una porta.
Il tumulto delle strade
sarà il tumulto del cuore
nella luce smarrita.

Sarai tu – ferma e chiara.

28 marzo ‘50

Cesare Pavese

Verrà la morte e avrà i tuoi occhi
11 marzo – 10 aprile ‘50

Virá a morte e terá os teus olhos
11 de Março – 10 de Abril de 1950

"Trabalhar Cansa"
Tradução de Carlos Leite
Edições Cotovia

terça-feira, outubro 3

PS - CONGRESSO OUTUBRO 2004

Posted by Picasa Imagem das Legislativas de 2005

Ressonância de 3 de Outubro de 2004. Ferro Rodrigues tinha “batido com a porta”. Aplaudi por solidariedade. Neste dia o Partido Socialista acabara de concluir o seu primeiro Congresso da era Sócrates. Colaborei através de um conjunto de textos enviados para o chamado “Fórum Novas Fronteiras”.

O longo post que dediquei à sessão de enceramento daquele Congresso concluía com a frase: “Em política o difícil é fazer os problemas difíceis parecerem simples.” Mas, como o tempo prova, em política, os problemas difíceis resistem a todas as simplificações.

domingo, outubro 1

RESULTADOS - PRESIDENCIAIS NO BRASIL (VAI HAVER SEGUNDA VOLTA)

Posted by Picasa Imagem Daqui

As sondagens à boca das urnas não esclarecem se Lula alcançará a eleição na primeira volta (1º turno).
O apuramento dos votos entrou na fase final. Lula está a menos de 0,5% da eleição. Tudo pode acontecer. Curiosamente nenhum canal de TV português, generalista ou cabo, acompanha o escrutínio. Estranha concepção da chamada lusofonia.

  • É quase certo que Lula não conseguirá a eleição à primeira volta (1º turno). Faltando apurar 10,43% dos votos Lula obtém 49,28%.

Deu mesmo 2ª volta (2º turno). Lula ficou-se nos 48,61% com a contagem quase concluída. Ficou, assim, tudo em aberto para uma segunda volta renhida.

Ver aqui um rescaldo.

QUALQUER COISA 9

Posted by Picasa Marilyn Monroe

Tinha acabado de ler a crónica do NBS quando me deparo com este comentário. Ontem ouvi de soslaio as afirmações de JS, íntimo de NBS, acerca de qualquer coisa 9 e apeteceu-me, para manter a compostura, editar mais uma fotografia da Marilyn.

PRESIDENCIAIS NO BRASIL

Posted by Picasa Pesquisas mostram que há chances de 2º turno. As últimas sondagens, divulgadas a poucas horas do início da votação, indicam a forte probabilidade de ser necessária uma segunda volta (2º turno) nas eleições presidenciais. Lula, apesar de ser o provável vencedor, não deverá conseguir a maioria absoluta dos votos.

RELAXAR

Posted by Picasa Fotografia de Ernesto Timor

Ressonância de 1 de Outubro de 2004. Nesse dia publiquei quatro posts, um número acima da média, com a curiosidade de retratarem, quase na perfeição, o perfil do blog como eu o encarava na época que, na sua essência, ainda se mantém. Política, Sociedade, Poesia e Quotidiano. Só falta Camus …

Política. Uma breve referência ao congresso do PS que, em Outubro de 2004, encetava a era Sócrates. O vaticínio estava correcto.

“Teve início o Congresso do PS. Os discursos iniciais são marcantes. Dispenso-me de comentar os rostos cansados das primeiras filas. Sócrates tem todas as condições para ser um vencedor. A personalidade dos líderes é muito importante na luta política. A batalha da comunicação já ele ganhou. Agora falta definir a política. É aqui que bate o ponto.”

Em vésperas de novo Congresso do PS a liderança vai sair reforçada e a política do governo de maioria, com uma ou outra voz crítica, vai ser referendada. Hoje ainda há menos margem de manobra para a afirmação de qualquer tendência verdadeiramente alternativa à actual liderança do PS. É um assunto fechado, pelo menos, por mais dois anos.

Sociedade. Referência à publicação, nesse mesmo dia, de um artigo versando o tema da imigração. Intitulava-se: Imigração – "O problema Social Mais Grave da Europa". Mantém plena actualidade.

Poesia. Publicação de um poema de António Gedeão: “Aurora Boreal”. Belíssimo.

Quotidiano. A descrição de duas “corridas” de táxi em Lisboa. A coincidência dos seus protagonistas, “taxistas”, serem “entrados” - na idade - mas novíssimos no ofício e um conselho ao humaníssimo Bagão Félix: “Aconselho vivamente o Dr. Bagão Félix a tomar, de vez em quando, um táxi, a andar a pé na rua, a viajar na cidade. Assim poderia afinar com mais perfeição os seus discursos de defesa dos pobres e desprotegidos. E a perceber a cor da bonomia que esconde, envergonhada, o vermelho da indignação e da revolta.”

sábado, setembro 30

O DAMIÃO

Posted by Picasa Fotografia de “Sissi”

Quando eu era pequeno em casa de meus pais – ainda na rua Coelho de Melo e redondezas – trabalhava o Damião de que me lembro muito bem de ouvir falar. Um dia o Damião emigrou para a Argentina. Foi um drama. O meu irmão ficou em estado de choque e, ao que contavam os meus pais, eu desfiz-me num mar de lágrimas. Muitos anos mais tarde ao receber um grupo de emigrantes portugueses que visitaram Portugal no âmbito do programa "Portugal no Coração", que o INATEL acolhia, aquando das apresentações, um homem ao ouvir o meu nome soltou um sonoro grito num algarvio espanholado do país das pampas: Graça! Era um farense que tinha largado a cidade, na mesma leva do Damião, quase cinquenta passados. Comovemo-nos. Ele por reconhecer em mim os meus pais e irmão. Eu por reconhecer nele a lembrança do Damião. Fiquei a saber que aquele por quem tanto tinha chorado havia morrido sem nunca mais visitar a sua terra natal. Entendi como é relativo o valor exacto do nosso olhar sobre a evolução da Cidade. Pois a cidade emigrou para a periferia e já há muitos anos que não temos notícias dela.

[A propósito das fotografias do Sr. Rodrigues e da sua casa comercial na Rua de Santo António]

sexta-feira, setembro 29

MARILYN MONROE

Posted by Picasa Marilyn Monroe

Ao ler um comentário acerca de um editorial de José Manuel Fernandes acerca de Noronha do Nascimento – novo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça – apeteceu-me publicar uma imagem de Marilyn Monroe.

O TEMPO ...

Posted by Picasa Gisela Cañamero

O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora.

O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.

O tempo o claro dia torna escuro,
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo a tempestade em grã bonança.

Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.

Luís de Camões

[Sonetos. Retirado do livro “Com o Poema no Corpo”, de Gisela Cañamero. Muitíssimo interessante, pode ser encontrado aqui.]

quinta-feira, setembro 28

IN THE MORNING YOU ALWAYS COME BACK

Posted by Picasa Fotografia de sophie thouvenin

[Para a Monica]

A fresta da madrugada
respira pela tua boca
ao fundo das ruas desertas.
Luz gris os teus olhos,
doces gotas da madrugada
nas colinas escuras.
O teu passo e o teu hálito
como o vento da madrugada
submergem as casas.
A cidade arrepia-se,
exalam cheiro as pedras –
és a vida, o despertar.

Estrela perdida
na luz da madrugada,
brisa que zune,
calidez, hálito –
a noite chegou ao fim.

És a luz e a manhã.

Cesare Pavese

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Lo spiraglio dell’alba
respira con la tua bocca
in fondo alle vie vuote.
Luce grigia i tuoi occhi,
dolci gocce dell’alba
sulle colline scure.
Il tuo passo e il tuo fiato
come il vento dell´alba
sommergono le case.
La città abbrividisce,
odorano le pietre –
sei la vita, il risveglio.

Stella sperduta
nella luce dell’alba,
cigolío della brezza,
tepore, respiro –
è finita la notte.

Sei la luce e il mattino.

20 marzo’ 50

Cesare Pavese

In “Trabalhar Cansa”
Tradução de Carlos Leite
Edições Cotovia

28 SETEMBRO - 1974

Posted by Picasa Imagem daqui

28 de Setembro de 1974 – “Em resposta à anunciada manifestação da Maioria Silenciosa são organizadas barricadas populares junto às saídas de Lisboa e um pouco por todo o país. No final dessa noite, os militares substituem os civis nas barricadas. Mais de uma centena de pessoas, entre figuras gratas ao regime deposto, quadros da Legião Portuguesa e participantes activos da manifestação abortada da Maioria Silenciosa, são detidas por Forças Militares.”

In Cronologia do “Centro de Documentação 25 de Abril” da Universidade de Coimbra

Actualização: ver o trabalho de investigação de José Pedro Castanheira.

quarta-feira, setembro 27

"O JUDEU"

Posted by Picasa Imagem Daqui

Ressonância de 27 de Setembro de 2004 (excerto). Na sequência de uma série de posts nos quais, sob o pretexto da arrumação das estantes, enumerei os livros da minha vida. Este é um deles. Ver mais informação aqui.


“O Judeu – Narrativa dramática em três actos”Bernardo Santareno – Edições Ática, edição de 1966; (livro que sempre me acompanhou desde a época das minhas práticas teatrais contemporâneas desta primeira edição).
Para os menos relacionados com o conhecimento do teatro português e com o teor desta obra, que versa o sacrifício às mãos da inquisição de António José da Silva – o Judeu, aqui reproduzo um excerto do final do 3º Acto:

“Olhai que o Santo Tribunal da Inquisição mais não é que o corpo visível, a aparência mortal dum espírito de trevas, e que este espírito … vivo por certo persistirá, neste Nação, muito tempo ainda após a morte do Santo Ofício!”
E, ainda, o último parágrafo da narrativa: “À medida que a obscuridade vai tomando o palco, ilumina-se o vitral de fundo: este deixar-nos-á ver as chamas duma fogueira, cada vez mais altas, até que por inteiro o enchem. Atingem o máximo, o canto inquisitorial e o ódio sanguinário do povo.”
Dedico esta evocação ao meu amigo Eduardo Ferro Rodrigues que, por estes dias, cessou as funções de Secretário-geral do Partido Socialista."

TAILÂNDIA