sábado, setembro 30

O DAMIÃO

Posted by Picasa Fotografia de “Sissi”

Quando eu era pequeno em casa de meus pais – ainda na rua Coelho de Melo e redondezas – trabalhava o Damião de que me lembro muito bem de ouvir falar. Um dia o Damião emigrou para a Argentina. Foi um drama. O meu irmão ficou em estado de choque e, ao que contavam os meus pais, eu desfiz-me num mar de lágrimas. Muitos anos mais tarde ao receber um grupo de emigrantes portugueses que visitaram Portugal no âmbito do programa "Portugal no Coração", que o INATEL acolhia, aquando das apresentações, um homem ao ouvir o meu nome soltou um sonoro grito num algarvio espanholado do país das pampas: Graça! Era um farense que tinha largado a cidade, na mesma leva do Damião, quase cinquenta passados. Comovemo-nos. Ele por reconhecer em mim os meus pais e irmão. Eu por reconhecer nele a lembrança do Damião. Fiquei a saber que aquele por quem tanto tinha chorado havia morrido sem nunca mais visitar a sua terra natal. Entendi como é relativo o valor exacto do nosso olhar sobre a evolução da Cidade. Pois a cidade emigrou para a periferia e já há muitos anos que não temos notícias dela.

[A propósito das fotografias do Sr. Rodrigues e da sua casa comercial na Rua de Santo António]

2 comentários:

Anónimo disse...

PORTO, 2006.09.30

"DEMOS NOTÍCIAS DA CIDADE RECORDANDO-A"...

A propósito da frase citada no final do texto..."Pois a cidade emigrou para a periferia e já há muitos anos que não temos notícias dela" aproveito para recordar aqui situações do passado e do presente referentes a ela.

Eu era dos que residiam na periferia. A minha residência situava-se na estrada que vai do Patacão para Mar e Guerra, aí a meio caminho encontramos os Braciais. Naquele tempo os acessos à cidade onde íamos para Escola eram maus, especialmente se tomávamos a estrada da Senhora da Saúde. A estrada era de areia e os camions pesados passavam por lá para fugir à polícia, pois geralmente levavam peso a mais, e, se seguissem pela estrada que vem de Loulé,iam à balança e eram multados. Assim não eram. Já agora recordar os polícias de trânsito desse tempo: o Monteiro que ainda me perdoou algumas multas por levar pendura na grelha,(eram vinte escudos) o Marinhas que andava de mota e veio a falecer num desastre com ela e o José Custódio que era das Ferreiras e veio destacado de Loulé para Faro. As covas da estrada eram enormes e no Inverno a Câmara mandava para lá uns tipos tapar as covas e lá se ia vivendo. De referir que estes trabalhadores que iam fazer as reparações eram sempre os mesmos e a gemte já os conhecia. Quem vinha para Faro pela estrada de Loulé já dispunha de uma via razoável.

Se comecei por aqui é para dizer que nesse tempo a cidade se confinava mais ou menos naquele monumento das Figuras e hoje já chega às hortas da minha zona de nascimento, tendo sido sacrificadas algmas para aí surgurem grandes empreendimentos habitacionais.

CONTINUA.

JS

Denise disse...

Adorei o seu blog, que achei ao acaso. Suas palavras e suas imagens anexadas, são muito bonitas.
[]'s
Denise