Deixar uma marca no nosso tempo como se tudo se tivesse passado, sem nada de permeio, a não ser os outros e o que se fez e se não fez no encontro com eles,
Editado por Eduardo Graça
domingo, março 1
Nada a acrescentar
A guerra progride e intensifica-se entre as grandes potências por interpostas vitimas. Guerras de conquista à maneira clássica por territórios, rotas e riquezas. Por cá vive-se como habitualmnte como se nada fosse, respirando-se o ar do "Estado Novo". Nada a acrescentar à distopia.
quarta-feira, fevereiro 25
Pelo 21º aniversário da morte do meu irmão Dimas
"As voltas da vida levaram a que meus pais viessem a adoptar, antes do tempo, o modelo quase perfeito da família nuclear. Um casal e dois filhos. Mas é interessante que já os pais de meus pais haviam gerado famílias pequenas: os meus avós paternos com três filhos e os maternos com dois. O modelo da família alargada havia ficado pelas gerações anteriores.
O meu irmão Dimas nasceu onze anos antes de mim. Ele é contemporâneo dos inícios da guerra civil de Espanha e eu sou um “baby boomer” típico. Não sou capaz de imaginar a intensidade do impacto do meu nascimento tardio no equilíbrio familiar.
Mas é um facto que o meu irmão não concluiu o liceu tendo os meus pais que buscar uma via alternativa para a sua formação. Por ruas e travessas chegaram a um caminho que deu certo. O meu irmão, ainda antes de 1955, partiu para o Porto para aprender, ao mesmo tempo, dois ofícios: óptico e gravador.
Lembro o dia da sua partida. Naquela época a distância entre o extremo sul de Portugal e o Norte, entre Faro e o Porto, era incomensuravelmente maior do que é hoje. O meu irmão Dimas, com menos de vinte anos, instalou-se no Porto, tendo encetado a sua aprendizagem na “Óptica Retina”.
Aprendeu bem todos os segredos dos ofícios a que se propôs dedicar-se o que lhe permitiu durante quase cinquenta anos fazer um percurso ascendente, à maneira de um “self-made-man”, que lhe havia de granjear prestígio profissional e social além de prosperidade económica.
Como escrevi, por alturas da sua morte, prematura e injusta, é um caso de alguém que subiu a pulso na vida, com o esforço do seu trabalho, o apoio inicial dos pais, e uma forte exigência na qualidade do seu próprio desempenho pessoal e profissional.
Os meus pais, forçados pelas circunstâncias da vida, com alegrias e amarguras, fizeram, em relação ao futuro dos filhos, o melhor que puderam. E, no essencial, acertaram. Ao mais velho uma profissão, ao mais novo um curso superior. Depois cada um que assumisse, com liberdade, o seu próprio futuro."
segunda-feira, fevereiro 23
4 anos de guerra
Amanhã passam 4 anos desde o inicio da guerra na Ucrânia, é impensável 4 anos de guerra, destruição e morte, ódio e retaliação, como sempre a juventude destroçada, e os pobres como vitimas principais. Não acredito nos senhores da guerra, são abomináveis os seus interesses e repugnantes os politicos que se curvam aos designios dos senhores da guerra. Nestes periodos suponho que os defensores da paz, da verdade e da justiça, sempre se revoltaram. Mas no nosso tempo são fracos os sinais dessa revolta.
sexta-feira, fevereiro 20
Os dias que passam
Confuso? De repente ao mesmo tempo que se promove, no desespero, a UGT ao esquerdismo irresponsável, em contramão com o quero posso e mando, abrem-se consultas com tudo e todos para a reconstrução de Portugal. Viva! O manicónio em todo o seu explendor.
quinta-feira, fevereiro 19
René Char - 14 de Junho de 1907/19 de Fevereiro de 1988
Este lugar é só um voto do espírito, um contra-sepulcro./
Na minha terra preferem-se as ternas provas da primavera e os pássaros mal-vestidos aos objectivos longínquos./
A verdade espera pela aurora à luz de uma vela. O vidro da janela não está limpo. Pouco importa ao atento./
Na minha terra não se fazem perguntas a um homem comovido./
Não há sombra maligna no barco soçobrado./
quarta-feira, fevereiro 18
Futebol?
Como está bem à vista de todos, desde há muito, o futebol é uma "escola de virtudes". Um dia alguém, com coragem, terá que pôr cobro ao antro de sujidade em que se transformou o futebol profissional.
domingo, fevereiro 15
Pelo 61º aniversário do assassinato do General Humberto Delgado
O General Humberto Delgado foi um distinto militar de carreira, apoiante do golpe militar do 28 de Maio, e da ditadura entre 1926 e o dealbar dos anos 50, tendo acabado por sacrificar a carreira, e a própria vida, no combate sem tréguas ao regime fascista, após a ruptura política com Salazar, a partir das eleições presidenciais de 1958, às quais se candidatou, como independente, por vontade própria. Foi ele o verdadeiro precursor do 25 de Abril de 1974 pois defendeu (quase sempre) que a ditadura só cairia através da acção militar, que haveria de ser protagonizada pelas forças armadas, apoiadas pelo povo, o que viria, de facto, a acontecer pouco menos de nove anos após o seu assassinato que ocorreu em 13 de Fevereiro de 1965. Delgado foi, politicamente, um liberal democrata, fortemente influenciado pela cultura anglófona, e pela sociedade americana (o que lhe valeu o magnífico epíteto de “General Coca Cola”) influências assumidas ao longo de várias missões profissionais – em representação do estado português - na Inglaterra, Estados Unidos e também no Canadá. Delgado foi um político que nunca deixou de ser General e de cuja áurea anti-salazarista a esquerda, do seu tempo, se quis apropriar sem, na verdade, partilhar das suas ideias e acções, que desprezava apodando-as, pelo menos, de aventureiras. O General Humberto Delgado foi atraído a uma cilada e assassinado pela PIDE, por espancamento, e não a tiro, com conhecimento de Salazar, que sempre encobriu este hediondo crime, sob as mais variadas artimanhas, no plano interno e da diplomacia, entrando, inclusive, em rota de colisão com Franco. O julgamento dos autores materiais do crime – que não dos seus autores morais que sempre foram poupados pela democracia – em Tribunal Militar – foi uma triste farsa que não permitiu apurar a verdade e muito menos punir os criminosos. Todo o processo desde o assassinato de Delgado, passando pelo encobrimento do crime, à descoberta dos corpos, à investigação judicial e perícias forenses, realizadas pelas autoridades espanholas, até à condução do processo judicial em Portugal, julgamento e recursos judiciais, constitui um caso exemplar que permite, nos planos político e judicial, entender muitos aspectos da realidade contemporânea portuguesa e as peripécias de processos que ainda correm os seus trâmites.
sexta-feira, fevereiro 13
Tempos pungentes
As queixas são pungentes, os atingidos diretamente pelas calamidades, as pessoas, não sabem bem como reagir, pedem socorro, o governo mostra surpresa expõe as suas fraquezas. Duvida-se de quando será possível voltar às rotinas. A realidade mostra-se em todo o seu explendor, a miséria expõe-se, na frente ficam as entidades associativas próximas das comunidades, nas quais se incluem os bombeiros que são associações e outras que se reiventam na forma de voluntários. O governo atual, na peugada de outros, não valoriza estas entidades, que integram a economia social, e as organizações informais que todas não buscam lucros com a desgraça alheia (sei do que falo!). Essa realidade do outro lado do discurso moderno das reformas fundadas na inovação e inicitiva empreendedora. E o Estado, que falta faz! É tudo uma questão de equilibrio, do outro lado da propaganda. E reconstruir é uma oportunidade para fazer melhor e diferente. Para isso é preciso visão de futuro, vistas largas e forte vontade. Onde encontrar e como forjar essa força?
segunda-feira, fevereiro 9
A direita caótica
As presidenciais foram ganhas por Seguro, candidato improvável, de forma esmagadora. Por todo o mundo a notícia é de vitória do socialista moderado contra o populista candidato da extrema direita. O brilho das eleições que as TVs transmitem dando voz aos candidatos, comentadores e quejandos, colide com o negrume dos destroços e das vozes desesperadas das vitimas das tempestades. Avultam em imagens dois paises igualmente pobres, pequenos e periféricos. Por mais fervor do realismo patriótico de vencedor e vencido, juras de cooperação e apaziguamento, tudo ficará, no essencial, na mesma. Os pobres pagam a fatura da distância e indiferença do Estado, das grandes empresas, da banca, que nem vertem lágrimas, nem anunciam apoios correspondentes à celebrada responsabilidade social. Como na guerra a maiora esmagadora dos que morrem são os pobres. Seguro terá muitas dificuldades em ser ouvido por um governo do quero, posso e mando e ao arrepio do seu desejo de consensos poderá ver-se enredado numa luta de fações da direita, em ambiente de declinio do desempenho económico e financeiro do país. A direita vai entrar num periodo caótico. Logo veremos quem será o lider da direita que a ponha na ordem. Desconfio de quem seja!
Seguro venceu mas ...
Poucos acreditavam e Seguro venceu, como era expetável, por uma larga margem mas a extrema direita continua a subir. Quanto ao resto desde juras de estabilidade até ardores de cooperação a hipocrisia impera. Como é próprio da politica pura e dura nada será como prometido ... estejamos preparados para tudo.
sexta-feira, fevereiro 6
quarta-feira, fevereiro 4
Revolta do Algarve
No dia 4 de Fevereiro de 1927, rebenta a revolta no Algarve. Ao largo de Faro, a canhoneira Bengo, comandada pelo 1º tenente Sebastião José da Costa e tendo a bordo o comité revolucionário constituído ainda pelo Dr. Manuel Pedro Guerreiro e o Dr. Victor Castro da Fonseca, começa a bombardear a cidade de Faro. Estes seriam os principais elementos revoltosos que comandavam alguns militares da marinha, da GNR, elementos do regimento de caçadores nº 4, de Tavira e algumas dezenas de civis.
terça-feira, fevereiro 3
Tragédias
Foi hoje publicada uma Resolução do Conselho de Ministros (16/2026) que me toca particularmemnte. Ela concretiza uma decisão do governo, tornada pública em 28 de novembro, através da qual se procede à "exonoração da participação pública do estado" na CASES (Cooperativa António Sérgio para a Economia Social) a cuja direção tenho presidido. A meu ver um erro politico que deixa, pela primeira vez desde o 25 de abril, o setor cooperativo e social, previsto na CRP, sem uma entidade de natureza pública que lhe seja dedicada. Curiosa a coincidência da publicação desta RCM com a intensa atividade de entidades da economia social e de voluntariado, no apoio às populações após a tragédia dos últimos dias. São muitas tragédias em cadeia! Voltarei ao assunto mais tarde.
segunda-feira, fevereiro 2
Propaganda
A propaganda é também uma catástrofe que se abate sobre os cidadãos; quando os cidadãos sofrem por efeitos de catástrofe real a propaganda torna-se uma infâmia.
domingo, fevereiro 1
A neve
"Noite de 1 para 2 de Fevereiro de 1954. Digo eu que andava na memória à procura desta data há anos. Depois dessa noite nunca mais nevou no Algarve (nem no sul). Foi quando vi pela primeira vez nevar ainda não tinha 7 anos e recordo como se fosse hoje. O meu pai abençoou a neve, o frio, tudo, pois fazia o carvão depositado ao ar livre pesar mais”.
sábado, janeiro 31
Desenrasca
Perante o desastre queriam empatia? Ao governo, nem todo para ser justo, não lhe interessa, como primeira prioridade, as pessoas. A reforma do estado impera para o retirar em favor dos privados mas quando a tormenta assoma, ai jesus, o estado, o estado fica curto e grosso. A comunidade suspeita e balança entre a histeria do populismo e o desespero do desamparo. É o desenrasca!
sexta-feira, janeiro 30
As águas da extrema direita
Uma análise rápida e espero que precipitada. O PSD não apoia nenhum dos candidatos presidenciais em disputa. Um assume-se como social democrata, independente, vindo do PS. Poucas dúvidas existem acerca do seu posicionamento. Outro pertence à área da extrema direita, populista, reconhecidamente integrado na corrente internacional que tem vindo a ganhar cada vez mais relevância. O PSD oficial não apoia nem um, mem outro, afirmando uma posição neutral. Os sociais democratas não apoiam o candidato social democrata, embora oriundo da familia socialista. A conclusão é que o PSD oficial talvez navegue nas mesmas águas da extrema direita populista e há muitas evidências que assim seja. Vamos ver o resultado daqui a uns tempos.
segunda-feira, janeiro 26
Votar é preciso (2)
Tempos estranhos estes em que vivemos. Afinal não serão sempre estranhos todos os tempos? Ofereci no outro dia um exemplar da "Carta do Achamento do Brasil", de Pero Vaz de Caminha, datado de 1 de maio de 1500, a uma pessoa improvável. Tempos estranhos aqueles! Neste tempo o fenómeno Seguro é muito interessante. Os criticos, de direita e de esquerd, veem a sua persona politica como vazia. Sem pensamento, sem obra e sem projeto. Como é possível um vazio preencher um vazio? Seguro surge nesta segunda volta a preencher o espaço vazio da direita democrática, vindo da esquerda democrática. Golpe de sorte? Talvez a necessidade urgente de forjar uma frente de oposição à autocracia emergente. Após o 8 de fevereiro alguma coisa vai mudar. Votar é preciso.
sábado, janeiro 24
Votar é preciso
Quando se fala no regresso ao passado, a metáfora dos 3 salazares, as pessoas da década de 40, os mais velhos, sentem-se enojados salvo os sobreviventes nostálgicos da ditadura. Pela minha parte continuo, sabe-se lá porquê, a enfrentar na ação a mentira, a negação da história e o ódio aos mais fracos, constatando que a extrema direita já está em parte no governo. A segunda volta das presidenciais é um momento histórico de importância não negligenciável para, através do voto em Seguro, reafirmar a recusa de qualquer deriva autoritária que a extrema direita anuncia. Votar é preciso.
sexta-feira, janeiro 23
Terramoto
A direita democrática corre o risco de ser engolida, de forma significativa, pela extrema direita a partir de 8 fevereiro. Fenómeno comum no nosso tempo por esse mundo onde ainda se disputam eleições livres. Com Seguro abre-se uma brecha que, havendo sentido de futuro, pode reconfigurar o panorama político partidário sem ser à custa do PS. Um pequeno terramoto?
terça-feira, janeiro 20
A hora da verdade
Muitas vezes na história os povos escolheram, através de eleições, autocratas, quantas vezes ditadores, que se perpetuaram no poder. Nestas presidenciais os cidadãos posicionam-se, como raras vezes acontece, face ao modelo de sociedade e ao modo de gerir o estado. Liberdade e democracia ou medo e autocracia. Uma escolha decisiva como se fosse um novo 25 de abril. O assunto é sério e julgo não estar a exagerar.
segunda-feira, janeiro 19
Presidenciais - novo capítulo
As presidenciais tiveram ontem o seu grande momento. Vitória folgada de Seguro e derrota pesada de M. Mendes, mal encaixada pela maioria de governo. A segunda volta, salvo aconteciemnto excêntrico, fará de Seguro Presidente. Falta votar e aceitar o declinio das emoções militantes em direção à criação de uma brecha na fortaleza das direitas. Nada pouco!
sexta-feira, janeiro 16
Para reflexão na véspera das presidenciais
"É verdade, o senhor conhece aquela cela de masmorra a que na Idade Média chamavam o «desconforto»? Em geral, esqueciam-nos aí para o resto da vida. Esta cela distinguia-se das outras por engenhosas dimensões. Não era suficientemente alta para se poder estar de pé, nem suficientemente larga para se poder estar deitado. Tinha-se de adoptar o género tolhido, viver em diagonal; o sono era uma queda, a vigília um acocoramento.”
In “A Queda”, Albert Camus.
quinta-feira, janeiro 15
Seguro
O voto é livre, qualquer um que se candidate pode vencer. Foi este o regime que saiu do 25 de abril e quase ninguém, hoje em dia, o contesta. Muitos não participam através do voto. Temo que a taxa de abtenção nestas presidenciais, apesar da oferta, seja elevada. Nas atuais circunstâncias o sistema politico, em defesa dos valores da liberdade e da democracia, carece de ser equilibrado. A direita não pode ficar a dominar todos os órgãos de soberania. Só Seguro está em condições de promover esse equilibrio. Razões há muitas para justificar o sentido de voto mas esta parece-me a mais forte.
terça-feira, janeiro 13
Contra a pena de morte sempre
In O Portal da História - «Vista do Patíbulo que se viu na Praça de Belém, a 13 de Janeiro de 1759». Museu da Cidade, Lisboa, Portugal. Gravura de autor anónimo.
Em Lisboa, nos arrabaldes de Belém, o Duque de Aveiro e alguns membros da família dos Távoras foram publicamente executados, em 13 de Janeiro de 1759, por estarem implicados no atentado contra o rei D. José. A sentença foi aplicada de uma forma tão brutal e selvagem que foi muito criticada pela opinião pública internacional. Na gravura vê-se o patíbulo com os condenados a serem sentenciados e os seus carrascos; magistrados com as suas varas encarnadas e tropas de infantaria, com os seus tradicionais uniformes brancos com granadeiros de gorro de pele à direita da bandeira regimental, assim como de tropas de artilharia com os seus uniformes azuis. A legenda da gravura enumera os condenados.
segunda-feira, janeiro 12
Statement by Federal Reserve Chair Jerome H. Powell
Um acontecimento gravissimo para os USA e o mundo. Trump persegue o presidente da FED que se recusa a abdicar da sua liberdade e autonomia.
domingo, janeiro 11
Presidenciais
Uma nota mais acerca das eleições, neste caso presidenciais. Se as eleições forem livres, como ninguém contesta que são as que por cá se praticam, o resultado das mesmas deverá ser aceite por todos. Diferente é o sentido do voto de cada um. Por mim nunca votarei num candidato de direita - o único no qual votei foi em Marcelo para segundo mandato - pelo que, se os dois que passarem à segunda volta forem de direita, não votarei, ou votarei em branco. Neste caso será para mim uma novidade absoluta.
sexta-feira, janeiro 9
Pelo aniversário da morte do meu pai Dimas
Por aqueles dias da primavera de 1958 o meu pai perdeu o medo. Pegou-me pela mão e levou-me a ver a passagem por Faro de Humberto Delgado. Estávamos em plena campanha presidencial. Pela primeira vez, desde o imediato pós guerra, o poder de Salazar tremia.
Delgado era destemido, até à beira da loucura, segundo os seus detractores. A sua candidatura forçou à desistência de Arlindo Vicente, candidato apoiado pelo Partido Comunista. Humberto Delgado fez-se ao caminho e arrastou multidões até às urnas.
Eu também lá estive pela mão do meu pai. Seguimos de Faro para Olhão onde a recepção foi apoteótica. Nunca hei-de esquecer a mão quente de meu pai apertando a minha. Eu não sabia ainda o significado da palavra fascismo. Mais tarde Humberto Delgado foi assassinado pelos esbirros da PIDE.
Os assassinos morreram na cama. É revoltante. Tenho medo de sentir esta sensação de revolta perante a tolerância da democracia. Mas a tolerância, afinal, nunca é excessiva. Aprendi isso com o meu pai. Era um comerciante honrado. Morreu no dia 9 de Janeiro de 1992.
quarta-feira, janeiro 7
Seguro
A maior parte dos amigos com quem troco impressões sobre coisas da vida e da politica sempre acharam um pouco exotérica a minha convição de que Seguro poderá ganhar as presidenciais. Estamos a dez dias do voto e quero crer que essa hipótese está a ganhar terreno.
segunda-feira, janeiro 5
Guerra
Nas vésperas de uma guerra mundial desde há muito anunciada. A primeira ministra dinamarquesa diz que um ataque dos USA para anexar a Gronelândia será "o fim de tudo". Dá para perceber? Será que há margem para negociar?
domingo, janeiro 4
Camus - pelo aniversário da sua morte
Camus trabalhou assiduamente em O Primeiro Homem durante todo o ano de 1959. Em Novembro foi para Lourmarin para aí permanecer ate à passagem do ano; depois, em Paris, queria ficar com um teatro próprio e considerou também a hipótese de desempenhar o papel principal masculino no filme Moderato Cantabile baseado no conto de Marguerite Duras. O Natal passou-o com a família na casa da Provença e a família Gallimard passou com eles a festa do Ano Novo. A 2 de Janeiro a mulher de Camus teve de regressar a Paris com as crianças por causa do recomeço das aulas. Os Gallimard propuseram a Camus regressar de carro com eles no dia seguinte. Queriam ir calmamente e aproveitar para comer bem, pelo que previram dois dias para o regresso. A 4 de Janeiro o grupo em viagem almoçou em Sens, a cerca de cem quilómetros de Paris. Depois prosseguiram viagem pela estrada nacional, passando por uma série de pequenas aldeias. Próximo de Villeblevin, o carro derrapou sem razão aparente e chocou frontalmente contra uma árvore. À excepção de Camus, que ia sentado ao lado do condutor, foram todos cuspidos do carro: Michel Gallimard ficou gravemente ferido e foi levado para o hospital com a mulher e a filha que não mostravam ferimentos visíveis. Morreu poucos dias depois.
Camus fracturou o crânio e a coluna vertebral. Foi um tipo de morte violenta com que já tinha sonhado, uma morte, como Camus escrevera em 1951 nos Carnets, … em que se nos desculpem os gritos contra a dilaceração da alma. A isso contrapõe um fim longo e constantemente lúcido para que ao menos não se dissesse que eu fora colhido de surpresa.
O corpo de Camus foi depositado em câmara-ardente no salão da Câmara de Villeblevin e na manhã seguinte transladado para Lourmarin. Dois dias após o acidente realizou-se o funeral. Na frente do cortejo funerário iam Francine Camus, o irmão de Camus e René Char. Não levaram o caixão para a igreja, mas directamente para o cemitério que ficava a alguma distância, frente à casa de Camus. Aí tem Camus a sua campa entre as dos aldeões, de igual tamanho e com uma simples pedra.”
In Camus, de Brigitte Sändig
Circulo de Leitores
sábado, janeiro 3
quinta-feira, janeiro 1
Presidenciais
Só três candidadtos presidenciais podem aspirar a vencer: Gouveia e Melo, Marques Mendes e A. J. Seguro. Seguro vencerá se os candidatos apoiados pelos partidos de esquerda desistirem ou, melhor para todos, se os eleitores deles desistirem.
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