sexta-feira, março 5

SONETO POR OCASIÃO DA ASCENSÃO
DOS DOIS AERONAUTAS
MR POITEVIN E UM JUMENTO
NO PORTO, A 23 DE AGOSTO DE 1857


Intrépido francês! - Bem mal conheces
A terra onde aumentar tentas a glória!
Não deixarás aqui longa memória,
Nem aplausos terás - que os não mereces!

Se, um burro ao ar erguendo, te engrandeces,
Lá na França, onde tens fama notória,
Basta que esse país te dê na história
O lugar que te deve, e que apeteces:

Embora um asno aqui suba contigo,
Só porque vais com ele, exposto aos ventos,
Entre essas multidões achas abrigo:

Vai mais longe mostrar os teus inventos,
Que é costume, no Porto, muito antigo,
Subirem, mais que os homens, os jumentos.

epigrama


Um sujeito, em mim atento,
ver um mau homem, dizia.
- Reflectiam, como espelhos,
certos botões que eu trazia.

outro epigrama


Certo adorador de Baco
mandou fazer seu retrato
por afamado pintor.
para adorno de uma casa
de que ele era benfeitor.

"Percebo - lhe diz o artista
com afectados carinhos -
"Quer colocá-lo na sala
da Companhia dos Vinhos!"

de:
SÁTIRAS, de Faustino Xavier de Novais. Organização e prefácio de José Viale Moutnho. Lisboa: Ulmeiro, 1998.

(Poemas gentilmente enviados por José Viale Moutinho)






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