terça-feira, agosto 7

BCP

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Alguns accionistas do BCP consideram que uma «sabotagem» pode ter estado na origem da falha do sistema informático de contagem de votos, que provocou o adiamento da assembleia-geral do banco. Segundo o jornal «Público», o Conselho Geral e de Supervisão analisou a questão.

Ora aqui está um caso extraordinário que se passou numa das mais importantes empresas privadas portuguesas. Se não desse para chorar dava para rir. Imaginem o que teria acontecido se tal desaforo se tivesse passado em qualquer órgão da administração pública! O que seria feito do governo! Dois comentários simples: 1) por que razão não chama a administração do BCP a autoridade pública encarregada da investigação criminal para esclarecer a estranha falha informática; 2) talvez o regresso do excelso ex-director geral dos impostos – Paulo Macedo – à casa mãe possa dar uma ajuda no combate à crise que acometeu o maior banco privado português. Pode ser que a sua experiência na administração pública possa ser útil ...
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HAVANA VELHA - O ENDEREÇO

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Passeio pelo centro - “Havana Velha”. Duas sociedades que convivem: a dos turistas e a do povo cubano. O turismo é uma realidade, ao contrário do que muitos possam pensar, muito recente. O turismo, como actividade económica e social relevante, só emergiu após “a queda do muro”, nos anos 90.

Opulência e pobreza. Mesmo se a simpatia se exibe, com naturalidade, a pobreza não se esconde por detrás dos sorrisos. Está à vista de todos, nos rostos altivos, nas frases desencantadas, nas artimanhas para receber a “propina”, na semi arruinada cidade herdada pela revolução.

Mas “Havana Velha” vive e respira, trabalha e cria, nada tem a esconder, nem carências nem virtudes, nem tristezas nem alegrias, a pobreza não é uma superfície lisa, notam-se diferenças, estatutos e regalias, indecifráveis ao olhar do turista, sendo certo que o estado, que providencia tudo, também não permite a fome.

Dirão, os mais cépticos, se valerá a pena mudar de regime para que a pobreza continue mudando, embora, de qualidade. E a pergunta que me ocorre é: como vencer a pobreza sem mudar de regime? O povo aspira à mudança. É uma evidência. Mas que se desiludam aqueles que pensam como inevitável uma mudança drástica de regime após a morte política (e física) de Fidel.

No entanto impressionou-me a resposta de uma jovem quando lhe pedimos o endereço para lhe enviar uma fotografia: “correio electrónico: não temos!”. Só lhe estávamos a pedir, no entanto, a morada de correio tradicional. E perguntei-me a mim próprio: por quanto tempo será possível a uma sociedade manter os cidadãos afastados do correio electrónico? (Continua).
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segunda-feira, agosto 6

UMA VISITA A CUBA

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Passei uns dias de férias em Cuba, cumprindo um desejo pessoal, e familiar, antigo e deu para entender, ao vivo, o que já sabíamos: o povo cubano tem esperanças numa mudança, expressa as suas opiniões, a título individual, com mil cuidados, evita falar em política mas é capaz de preconizar a necessidade de uma abertura económica. Fiquei com a sensação de ter visitado um museu onde se expõem peças de um modelo de sociedade que nunca existiu. Mas existe! Saindo à rua, convivendo, tanto quanto possível, com a realidade, não nos deixam de encantar as pessoas, evidenciando a expectativa de um futuro melhor, hábeis na arte de sobreviver, carentes de bens de consumo que nos são familiares, rostos sentidos e vozes quentes, por vezes, parecendo gente feliz entre ruínas. Será possível antever a transição pacífica, e gradual, de uma ditadura para a democracia? Uma velha pergunta que já obteve, ao longo da história, as mais diversas respostas. (Continua).
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sábado, agosto 4

BERGMAN

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Não sabia de nada. Obituário muito menos. Acerca desta morte todas as notícias já foram dadas. Mas há algumas notícias que nos impressionam mais que outras. Um dia, muitos anos atrás, um amigo convidou-me a fazer crítica de cinema. Ele há coisas que nos acodem à lembrança com certas notícias. Não cheguei a iniciar a função. Não me interessei. Se me tivesse interessado poderia ter engrossado a legião dos “fazedores de opinião” e ter-me-ia habilitado a expender notícias provavelmente bem informadas. Não sei se vi todos filmes dele mas vi muitos. Alguns, nos primórdios, ajudaram a construir a sensibilidade de gerações. Não tenho muito boa impressão dos suecos. Mas este sueco era um criador do outro mundo.
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sexta-feira, agosto 3

REFERENDO E TRATADO EUROPEU

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A oposição reclama a realização de um referendo acerca do futuro Tratado da União Europeia enquanto Pacheco Pereira apelida de “pequena glória mundana” a eventual designação do mesmo de “Tratado de Lisboa”. No entanto, nenhuma força política, com excepção de algumas luminárias extremistas, põe em causa a vocação europeia de Portugal e os fundamentos da participação de Portugal na UE. A excentricidade iberista de Saramago nada acrescenta ao caso.

[Artigo publicado na edição de hoje do “Semanário Económico” e que também pode ser lido, na íntegra, no IR AO FUNDO E VOLTAR.]
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PÚBLICOS

Posted by PicasaFotografia no A Defesa de Faro

De regresso. após um pequeno interregno estival acerca do qual falarei mais tarde, assinalo a abertura da “Exposição Públicos”.

Gente. Rostos curtidos pelo sol. Adivinham-se nos gestos as emoções, as alegrias pelas vitórias e as agruras pelas derrotas. Festa. Corpos recortados no ambiente meridional. O sol e a sombra, a plateia e o peão, de pé ou sentados, cheiramos a terra, a rua e o pelado. Público. A comunidade reunida em torno da sua paixão, sofrendo pela sorte dos seus ídolos. O indivíduo na multidão partilhando as emoções do jogo, individual ou colectivo, braços no ar, bandeiras desfraldadas, apupos e aplausos. Rivalidades e claques. Hino. O despertar das memórias que são o nosso património comum, imagens que retratam fragmentos da vida de heróis e de gente anónima. Esta exposição é um testemunho simples e autêntico. Cada fotografia é um espelho em que nos revemos na pertença a uma comunidade e nos faz lembrar que não há futuro sem passado.
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quarta-feira, julho 18

EXPERIÊNCIA II

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FIDEL CASTRO

O homem está vivo e, ao que tudo indica, pensa. É saudável, de vez em quando, dar uma olhadela à realidade por mais incómoda que ela possa ser.
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AEROPORTO NA CIDADE

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GOVERNO- RESPOSTA A SARAMAGO: FROUXA E TARDIA

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O governo português resolveu responder à proposta iberista de Saramago. Se me permitem a opinião – tão livre como a de Saramago – tenho dúvidas se Saramago merecia uma resposta a nível de governo.

Curiosamente Saramago opinou contra a independência nacional dias depois de Portugal ter assumido a presidência da União Europeia. Não sejamos ingénuos ao ponto de acreditar em coincidências.

Saramago encontrou uma fórmula para usar o prestígio da sua obra, cujos méritos não discuto, mas que o estado português ajudou a promover, para atacar o seu próprio país e fragilizar o papel político de Portugal na União Europeia.

A resposta política do governo português foi frouxa e tardia. Saramago foi grosseiro e mal agradecido, exibindo um livre pensamento eivado de ressentimentos. Se Saramago tivesse atacado a independência de Espanha, se acaso Espanha fosse a sua pátria, qual pensam que teria sido a resposta da sociedade espanhola e do seu governo central?
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terça-feira, julho 17

FERNANDES, BAGÃO E SARAMAGO, OU VICE VERSA ...

Posted by PicasaSaramago

Não sei se repararam, embora isso não tenha importância nenhuma, que, no domingo passado, votei, fui dar uma volta, fora de Lisboa, onde só agora regressei. Entretanto deu para ver os resultados eleitorais e, de notícias, pouco mais.

Hoje, no regresso, vi, numa “área de serviço”, a manchete do Público: “Vitória foi curta”, pois do JM Fernandes já tudo se pode esperar. O JM Fernandes, quem lhe paga e quem com ele colabora, sabe muito bem que, em democracia, não há vitórias curtas ou longas mas, simplesmente, vitórias ou derrotas. Mas a vida está difícil para todos …

Também me sobressaltei pelo facto de não ter visto o mandatário de Telmo Correia – Bagão Félix – em lado nenhum nas minhas curtas incursões pelas notícias da noite eleitoral. Agora fiquei mais tranquilo pois afinal também se apresentou no velório. Devo deixar cair um desejo, porventura um pouco mórbido, mas que os meus amigos compreendem: que não tenha sido o último e que haja coragem pois, apesar de tudo, o Telmo conseguiu ficar à frente do Garcia Pereira!

Também só agora li os comentários ao meu post acerca do delírio iberista de Saramago. Obrigada pois sempre é melhor, em tal matéria, ser questionado do que silenciado. Mas, deixando para depois um eventual retorno ao assunto, sempre quero reafirmar o que escrevi e confessar que me apetecia zurzir o homem até me doerem as mãos. Mas como entretanto, na viagem, ouvi o Jardim, apaziguei-me um pouco. Os castelhanos também levavam a Madeira? Boa!
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CASTRO MARIM - ALTURA

Posted by PicasaImagem Daqui

Fui um frequentador bastante assíduo da praia da Altura para férias em família mas, desde há dois anos, acabou. Nada justifica que a Câmara Municipal de Castro Marim, que tem uma configuração física excêntrica, para dispor no seu território de uma praia, a de Altura, não tenha resolvido uma questão básica: a do saneamento básico

E, ainda mais estranho é o silêncio, envolvendo esta grave situação, que agora foi quebrado com uma tomada de posição clara. É evidente que sempre se pode dizer que todos são responsáveis, blá, blá ,blá, ... mas a verdade é que, nos últimos anos, os empreendimentos turísticos cresceram como cogumelos, a Câmara é de maioria PSD, e os esgotam continuam a vazar na praia ….
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domingo, julho 15

Balanço possível dos resultados eleitorais de Lisboa. A abstenção, esperada, foi, apesar de tudo, demasiado alta; o PS (Costa/Sócrates), apesar de ser governo, ganhou, sozinho pela segunda vez na história; o PSD (Negrão/Marques Mendes) perdeu em toda a linha; os independentes (Carmona, em especial, e Roseta) ganham e, mais importante do que possa parecer à primeira vista, o PP (Telmo/Portas) é varrido para fora da área do poder. Daqui a dois anos logo se verá se a estratégia previsível de Costa - alianças flutuantes - sairá vitoriosa!

JUÍZO?

Posted by Picasa"Portugal acabará por integrar-se na Espanha"

José Saramago, "Diário de Notícias", 15-07-2007

Eu que estou quase no fim da leitura de “Afonso Henriques”, de José Mattoso, posso atestar o reforço da minha convicção profunda de que tal nunca acontecerá, pelos menos, nos próximos séculos. Saramago é um prodígio em declarações políticas excêntricas e, quiçá, auto promocionais. É um daqueles casos em que se poderá, com propriedade, dizer: “que já tem idade para ter juízo” caso não o tenha, de vez, perdido. Adiante!
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LEITURAS

Posted by PicasaLinha de Cabotagem

A Helena não se esqueceu e deixa-nos as suas últimas leituras e, entre elas, uma, pelo menos, já, há muito tempo, despertou a minha curiosidade:”A Memória dos Outros”.
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sábado, julho 14

COIMBRA

A mudança de residência de Afonso Henriques de Guimarães para Coimbra em 1131 constitui, no entanto, um facto da maior importância histórica, pelo seu significado próprio e pelas consequências que teve na vida nacional.
(…)
Assim a instalação de Afonso Henriques em Coimbra, ao mesmo tempo que confere uma força enorme à corrente cultural e institucional de carácter mediterrânico, encaminha o futuro país para a síntese que absorve não só a separação entre o condado de Portucale e o de Coimbra mas também a oposição cultural entre o Norte e o Sul, para os integrar numa só entidade política, apesar de nela continuarem a existir regiões com características bem diferentes umas das outras. As duas grandes regiões do Norte e do Sul, porém, tornam-se verdadeiramente complementares. Agem e reagem uma sobre a outra, como dois pólos opostos, mas indissoluvelmente ligados entre si por uma corrente que se alimenta da sua própria diferença.

In “D. Afonso Henriques” de José Mattoso, ”6. Coimbra”, pgs. 75/79 (20).
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sexta-feira, julho 13

VOTO NO COSTA (II)

Volto a uma questão que já anteriormente abordei no início desta campanha eleitoral para a Câmara Municipal de Lisboa.

Trata-se da ideia, expendida por Vasco Pulido Valente, citada pelo Da Literatura, da derrota inexorável de António Costa e, por arrastamento, de Sócrates e do PS. E o que diz VPV, entre considerações próprias da vulgata populista anti partidos:

“A campanha para a câmara também é um aviso para o PS e o PSD. Por mal que se pense de Helena Roseta, o facto subsiste que ela revelou uma incomodidade básica do eleitorado socialista com o governo de Sócrates. Se o resto da esquerda aguentar o voto, o resultado provável de António Costa é uma derrota de consequência: e não exclusivamente para ele.”

A resposta a esta ideia, luminosa, de que o vencedor mais do que provável é o perdedor inevitável, pode resumir-se à consulta do histórico das eleições autárquicas em Lisboa no decurso da III República.

O PS só ganhou, concorrendo a solo, a Presidência da Câmara Municipal de Lisboa, nas primeiras eleições autárquicas, em 1976, elegendo Aquilino Ribeiro Machado. Nunca, em qualquer outra eleição, para a Câmara Municipal de Lisboa, no pós 25 de Abril, o PS ganhou a Presidência concorrendo sozinho.

Quer Jorge Sampaio, quer João Soares, foram eleitos presidentes da CML apoiados por coligações de esquerda, congregando o eleitorado do PS e do PCP, o que permite retirar a conclusão, simples e directa, que, caso António Costa, como todas as sondagens indicam, obtenha a maioria, simples ou absoluta, nestas eleições, será a segunda vez, que um candidato socialista é eleito presidente da CML apoiado, a solo, pelo PS.

Não enxergo onde se pode vislumbrar a derrota na vitória seja de quem for e muito menos em eleições democráticas que, caso sejam limpas, permitem ser declarado um vencedor nem que seja pela diferença de um voto. Ora, neste caso, o que é notável, quer pela história quer pela conjuntura política, é a unanimidade das sondagens apontando para uma vitória folgada de António Costa.

Onde está o problema? Vão proclamar a vitória da abstenção? Vão proclamar a vitória dos derrotados através da adição dos seus votos? O melhor é votar e esperar pelo resultado!
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NÃO QUERER

Posted by PicasaBill Kane - USA, b.1951

No Caderno de Poesia, da série Primeiros Poemas, Não Querer, com um poema de Jorge de Sena.
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António Costa sobe na última sondagem conhecida. Só há uma certeza: Costa vai ganhar, resta saber qual a expressão dessa vitória que depende, no essencial, da taxa de abtenção. Acrescento uma reflexão de bom senso acerca das sondagens em Lisboa.