Fotografia de Família. Talvez um aniversário ou simplesmente um domingo. Princípio dos anos 50. (Clique na fotografia para aumentar)Da esquerda para a direita: o meu irmão Dimas de flor na lapela. O meu pai Dimas, vestido a rigor, de fato e gravata. Minha mãe, Tolentina, de fina camisa branca. A avó, Maria da Conceição, já doente, austera no seu vestido preto. A tia Lucília, uma beleza cinéfila, brilha à luz quente que envolve o Algarve de todas as estações. O mais pequeno, eu próprio, circunspecto, talvez, pela contrariedade do traje.
O meu pai colocou, certamente, a Kodak no tripé, preparou o enquadramento, premiu o automático e correu para posar a tempo de ostentar um ar natural. Neste caso tudo correu na perfeição e aqui está uma fotografia tomada na casa de família de meu pai que é, ainda hoje, um autêntico palácio onde habita a minha tia.
Aquele lugar reconheço-o de olhos fechados pelo cheiro e adivinho o calor das mãos que, ternamente, acariciaram a minha rebeldia e que, na fotografia, entrelaçam corpos distendidos e felizes. Reparem em todas as mãos e nos sorrisos que, salvo no meu rosto, deixam transparecer uma mensagem de esperança na vida.
De todos somente dois podem testemunhar, hoje, o perfume daquele dia: a minha tia Lucília e o subscritor destas linhas. Para ela, que sei sentir a minha falta, um beijo.























