Escolas “boas”/Escolas “más”
Estamos, regra geral, em pleno Outono e, mais dia menos dia, eis que eles surgem, com pompa e circunstância. A comunicação social não o faz por menos. Urge informar o cidadão em geral, os pais e os alunos sobre as “verdadeiras performances” das nossas escolas. Falo-vos dos Rankings, da seriação de escolas que os jornais (Público, Expresso, Diário de Notícias....) encomendam, nunca procurei saber a quem, e que tornam merecedor de notícia.
A forma como essa avaliação é concebida carece de uma panóplia de variáveis caracterizadoras da real identidade, diversidade e complexidade das nossas escolas, (e quanto a isto parece que estamos quase todos de acordo) mas isso parece ser de somenos importância.
Não sei se bem, mas resolvi considerar os rankings como uma espécie de vírus que apelidei de SIDACS (Síndroma de Imune Deficiência Adquirida Comunico-Social ). Pode entender-se como uma variante do SIDA, não tão fatal quanto este mas, se não lhe for dada atenção, pode, a prazo, provocar sérios danos em algumas das nossas escolas.
Um vírus, como o próprio nome indica, é sempre algo de mau e, por isso, melhor fora que não existisse. Mas o que é facto é que existe e quem lhe dá vida, e o torna público, exerce uma influência enorme ao nível da formação das opiniões públicas. Daí que escolas e comunidades educativas não lhe devem ser indiferentes, devem, isso sim, analisá-lo, desmontá-lo e começar a criar verdadeiras alternativas para a avaliação das escolas. Quem anda pelas nossas escolas percebe que se há coisa que não falta é massa pensante, capaz de dar um contributo importantíssimo a este nível. Eu diria que alguns já o estão a fazer por sua conta e risco, logo, importaria tornar esse trabalho igualmente merecedor de notícia. Aqui fica o desafio à nossa comunicação social.
A educação é uma realidade muito complexa devendo ser vista como um sistema global onde cada escola, enquanto subsistema, se insere numa relação de interacção e de singularidade.
Importa transformar mais esta adversidade numa potencialidade, geradora de reflexão, capaz de mobilizar as escolas para a realização de um verdadeiro diagnóstico numa colaboração estreita com os organismos do ME e das forças sociais, económicas e culturais que com a escola interagem.
SR
Deixar uma marca no nosso tempo como se tudo se tivesse passado, sem nada de permeio, a não ser os outros e o que se fez e se não fez no encontro com eles,
Editado por Eduardo Graça
quarta-feira, março 16
terça-feira, março 15
Freitas do Amaral - Um Pensamento Clarividente
Lendo a introdução do livro “Do 11 de Setembro à Crise do Iraque”, de finais de 2002, percebe-se a clarividência das posições de Freitas do Amaral acerca da Europa, dos EUA e da Administração Bush.
Não posso estar mais de acordo. Transcrevo esse texto, na íntegra, no IRAOFUNDO EVOLTAR e aqui deixo um extracto. (O texto de Freitas do Amaral foi retirado do Insurgente. )
“Na verdade, entre a direita pró-americana que aplaude incondicionalmente a política externa e de segurança nacional do presidente Bush, e a esquerda antiamericana que condena irremediavelmente tudo quanto a América faz ou deixa de fazer, tenho-me situado numa linha intermédia (quiçá, centrista) que se caracteriza por dois elementos fundamentais:
– Um sentimento básico, estrutural, permanente, de amizade e admiração pelos EUA;
– Uma atitude crítica bastante forte, na conjuntura actual, contra a política externa e de segurança nacional do Presidente George W. Bush.
Com efeito, pode ser-se estruturalmente pró-americano e conjunturalmente anti-Bush. Pretender, como têm dito alguns dos meus críticos, que rejeitar a política externa e de segurança nacional de Bush é ser antiamericano é uma atitude mental muito próxima daqueles que, durante o Estado Novo, afirmavam que quem era anti-salazarista era necessariamente antipatriota ou mau português.
A verdade é que, em Democracia, pode ser-se, no plano interno, contra um Presidente ou contra um Governo sem se ser antipatriota; e, no plano das relações internacionais, pode discordar-se de certas políticas seguidas por determinados governos sem se ser inimigo ou mau amigo do respectivo país.
O direito à crítica, fruto da liberdade de opinião, e o direito à oposição, corolário da liberdade de posicionamento político, são direitos que não existem em ditadura, mas que fazem parte essencial das liberdades democráticas. É tão legítimo, numa democracia, ser a favor do Governo como ser a favor da oposição: ambas as atitudes são legítimas e contribuem para o bem comum. Ninguém exprime melhor essa filosofia do que os ingleses, que falam em Her Majesty’s Government e na Her Majesty’s Oposition. O que quer dizer que Governo e oposição, como elementos essenciais da democracia, são ambos acolhidos e legitimados como servidores da Coroa, expressão e símbolo da unidade nacional.
O mesmo se passa, mutatis mutandis, no plano internacional. Qualquer pessoa pode criticar a política externa do Presidente norte-americano sem que isso permita dizer, automaticamente, que essa pessoa é antiamericana; não é por se criticar, por hipótese, o liberalismo conservador do Governo francês que se é, necessariamente, antifrancês; nem é ser antigermânico criticar a política europeia do chanceler alemão.
Pode-se gostar muito de um país, do seu povo, da sua história, das suas instituições, dos seus êxitos e vitórias contra a adversidade, e no entanto discordar desta ou daquela política de um ou outro dos seus governos.”
Não posso estar mais de acordo. Transcrevo esse texto, na íntegra, no IRAOFUNDO EVOLTAR e aqui deixo um extracto. (O texto de Freitas do Amaral foi retirado do Insurgente. )
“Na verdade, entre a direita pró-americana que aplaude incondicionalmente a política externa e de segurança nacional do presidente Bush, e a esquerda antiamericana que condena irremediavelmente tudo quanto a América faz ou deixa de fazer, tenho-me situado numa linha intermédia (quiçá, centrista) que se caracteriza por dois elementos fundamentais:
– Um sentimento básico, estrutural, permanente, de amizade e admiração pelos EUA;
– Uma atitude crítica bastante forte, na conjuntura actual, contra a política externa e de segurança nacional do Presidente George W. Bush.
Com efeito, pode ser-se estruturalmente pró-americano e conjunturalmente anti-Bush. Pretender, como têm dito alguns dos meus críticos, que rejeitar a política externa e de segurança nacional de Bush é ser antiamericano é uma atitude mental muito próxima daqueles que, durante o Estado Novo, afirmavam que quem era anti-salazarista era necessariamente antipatriota ou mau português.
A verdade é que, em Democracia, pode ser-se, no plano interno, contra um Presidente ou contra um Governo sem se ser antipatriota; e, no plano das relações internacionais, pode discordar-se de certas políticas seguidas por determinados governos sem se ser inimigo ou mau amigo do respectivo país.
O direito à crítica, fruto da liberdade de opinião, e o direito à oposição, corolário da liberdade de posicionamento político, são direitos que não existem em ditadura, mas que fazem parte essencial das liberdades democráticas. É tão legítimo, numa democracia, ser a favor do Governo como ser a favor da oposição: ambas as atitudes são legítimas e contribuem para o bem comum. Ninguém exprime melhor essa filosofia do que os ingleses, que falam em Her Majesty’s Government e na Her Majesty’s Oposition. O que quer dizer que Governo e oposição, como elementos essenciais da democracia, são ambos acolhidos e legitimados como servidores da Coroa, expressão e símbolo da unidade nacional.
O mesmo se passa, mutatis mutandis, no plano internacional. Qualquer pessoa pode criticar a política externa do Presidente norte-americano sem que isso permita dizer, automaticamente, que essa pessoa é antiamericana; não é por se criticar, por hipótese, o liberalismo conservador do Governo francês que se é, necessariamente, antifrancês; nem é ser antigermânico criticar a política europeia do chanceler alemão.
Pode-se gostar muito de um país, do seu povo, da sua história, das suas instituições, dos seus êxitos e vitórias contra a adversidade, e no entanto discordar desta ou daquela política de um ou outro dos seus governos.”
segunda-feira, março 14

Alguns detalhes da discussão pública acerca da alusão de Sócrates à liberalização da venda de medicamentos - não sujeitos a prescrição médica - é de morrer a rir.
É um caso de desespero de uma corporação que resiste a aceitar as mais elementares regras do mercado (concorrência, transparência, acessibilidade, preço...) e tudo o mais que é banal nos países civilizados. E a coisa ainda agora começou...
Todos os problemas sérios que o assunto coloca - segurança, por exemplo - estão resolvidos a montante, ou seja, os medicamentos de venda livre estão embalados e certificados cumprindo regras de segurança pré definidas e fiscalizadas pela entidades competentes.
O Regresso à Normalidade
A decisão de fazer regressar as secretarias de estado “deslocalizadas” a Lisboa teve honras de ser a terceira medida anunciada pelo governo socialista.
Não seria necessário justificar a decisão com a contenção de despesas. É simplesmente o regresso à normalidade. Ponto final.
“Diário do Governo” – 2
Não seria necessário justificar a decisão com a contenção de despesas. É simplesmente o regresso à normalidade. Ponto final.
“Diário do Governo” – 2
Reconhecimento à Loucura
Já alguém sentiu a loucura vestir de-repente o nosso corpo?
Já.
E tomar a forma dos objectos?
Sim.
E acender relâmpagos no pensamento?
Também.
E às vezes parecer ser o fim?
Exactamente.
Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima?
Tal e qual.
E depois mostrar-nos o que há-de vir
muito melhor do que está?
E dar-nos a cheirar uma cor
que nos faz seguir viagem
sem paragem nem resignação
E sentirmo-nos empurrados pelos rins
na aula de descer abismos
se fazer dos abismos descidas de recreio
e covas de encher novidade?
E de uns fazer gigantes
e de outros alienados?
E fazer frente ao impossível
atrevidamente e ganhar-lhe, e ganhar-lhe
a ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito
poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidas
aos que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira para tudo?
Tu só loucura és capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais
Só tu és capaz de fazer que tenham razão
tantas razões que hão-de viver juntas
Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dar
a quem t´as vier buscar
José de Almada Negreiros
Obras Completas – Vol. I – Poesia
Biblioteca de Autores Portugueses
Já.
E tomar a forma dos objectos?
Sim.
E acender relâmpagos no pensamento?
Também.
E às vezes parecer ser o fim?
Exactamente.
Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima?
Tal e qual.
E depois mostrar-nos o que há-de vir
muito melhor do que está?
E dar-nos a cheirar uma cor
que nos faz seguir viagem
sem paragem nem resignação
E sentirmo-nos empurrados pelos rins
na aula de descer abismos
se fazer dos abismos descidas de recreio
e covas de encher novidade?
E de uns fazer gigantes
e de outros alienados?
E fazer frente ao impossível
atrevidamente e ganhar-lhe, e ganhar-lhe
a ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito
poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidas
aos que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira para tudo?
Tu só loucura és capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais
Só tu és capaz de fazer que tenham razão
tantas razões que hão-de viver juntas
Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dar
a quem t´as vier buscar
José de Almada Negreiros
Obras Completas – Vol. I – Poesia
Biblioteca de Autores Portugueses
domingo, março 13
Almada Negreiros
25+1
PANFLETO SOCIAL
Eh comunistas! Eh fascistas!
Eu sei, eu sei:
“Não há esconderijo senão nas massas”!
Assim mesmo necessitais de inimigos
Chamais construir: eliminar inimigos
Almada Negreiros
PANFLETO SOCIAL
Eh comunistas! Eh fascistas!
Eu sei, eu sei:
“Não há esconderijo senão nas massas”!
Assim mesmo necessitais de inimigos
Chamais construir: eliminar inimigos
Almada Negreiros
Einstein em Lisboa
A Pública publica um trabalho extenso acerca de Einstein. Uma das peças intitula-se: "Einstein, as varinas de Lisboa e Gago Coutinho"
A propósito da sua visita a Lisboa ressalta uma descrição, escrita pelo próprio, que ainda hoje, guardadas as distâncias, é bastante concludente assim como a proverbial capacidade dos portugueses para esquecerem ou "passarem ao lado" do que é verdadeiramente importante.
"Tinha o costume de escrever um diário em viagem, por isso conhecemos as impressões com que ficou de Lisboa. Einstein passou só um dia na capital, a 11 de Março de 1925, e comentou a incursão pela cidade:
"Dá uma impressão maltrapilha, mas simpática. A vida parece transcorrer confortável, bonacheirona, sem pressa ou mesmo objectivo ou consciência. Por toda a parte temos consciência da cultura antiga. Graciosa. Vendedora de peixes fotografada com uma bandeja de peixe na cabeça, gesto orgulhoso, maroto."
(...)
A passagem pelo Brasil não podia contrastar mais com a recepção em Lisboa. Tanto quanto se sabe, não foi recebido por ninguém, nem no dia da visita nem depois os jornais publicaram uma linha."
A propósito da sua visita a Lisboa ressalta uma descrição, escrita pelo próprio, que ainda hoje, guardadas as distâncias, é bastante concludente assim como a proverbial capacidade dos portugueses para esquecerem ou "passarem ao lado" do que é verdadeiramente importante.
"Tinha o costume de escrever um diário em viagem, por isso conhecemos as impressões com que ficou de Lisboa. Einstein passou só um dia na capital, a 11 de Março de 1925, e comentou a incursão pela cidade:
"Dá uma impressão maltrapilha, mas simpática. A vida parece transcorrer confortável, bonacheirona, sem pressa ou mesmo objectivo ou consciência. Por toda a parte temos consciência da cultura antiga. Graciosa. Vendedora de peixes fotografada com uma bandeja de peixe na cabeça, gesto orgulhoso, maroto."
(...)
A passagem pelo Brasil não podia contrastar mais com a recepção em Lisboa. Tanto quanto se sabe, não foi recebido por ninguém, nem no dia da visita nem depois os jornais publicaram uma linha."
Mulheres (2)
Muito importante este exercício mais do que imaginário de Mário Mesquita e Ana Sá Lopes: “O Contra-Governo Provocatório”.
Eu próprio seria capaz de formar um outro governo imaginário exclusivamente formado por mulheres técnica e politicamente competentes.
Mas não seria preciso ir tão longe. Para ser razoavelmente fiel à modernidade, de que Sócrates se reclama, num governo de 16 ministros e 35 secretários de estado, Sócrates só teria de ter assegurado, e seria ainda conservador, pelo menos, 25% de mulheres ministras (quatro em vez de duas) e paridade nas secretarias de estado (dezassete em vez de quatro).
A preocupação com a presença feminina no governo teria sido um exercício realmente estimulante.
Eu próprio seria capaz de formar um outro governo imaginário exclusivamente formado por mulheres técnica e politicamente competentes.
Mas não seria preciso ir tão longe. Para ser razoavelmente fiel à modernidade, de que Sócrates se reclama, num governo de 16 ministros e 35 secretários de estado, Sócrates só teria de ter assegurado, e seria ainda conservador, pelo menos, 25% de mulheres ministras (quatro em vez de duas) e paridade nas secretarias de estado (dezassete em vez de quatro).
A preocupação com a presença feminina no governo teria sido um exercício realmente estimulante.
sábado, março 12
Governo Novo
O governo socialista acabou de tomar posse. Gostei da sobriedade da cerimónia e do discurso de Sócrates. Pareceu determinado e seguro da missão que lhe cabe. Tocou todos os grandes temas da governação. Foi bastante clarividente. Abriu caminhos para o futuro.
Anunciou até duas medidas emblemáticas. Uma boa prática nestes discursos de estado. Uma dela deu-me muito prazer. Acabar com o monopólio das farmácias na venda de medicamentos que não precisem de receita médica. Abre-se assim uma batalha na qual os portugueses vão apoiar o governo.
O Dr. Cordeiro, “boticário mor do reino”, vai tremer de raiva. Lembro a campanha que desencadeou contra Ferro Rodrigues nas anteriores eleições a propósito da proposta das farmácias sociais. Espero que este combate pela transparência e concorrência no mercado dos medicamentos não se fique por aqui.
A outra medida concreta anunciada é um desafio à capacidade das instituições do topo da hierarquia do estado para reformar o próprio modelo de actuação do estado. Fazer as eleições autárquicas e o referendo à constituição europeia no mesmo dia parece qualquer coisa fácil de aceitar e concretizar. Ganhamos todos com isso.
E afinal o governo PS não está a empurrar os referendos para 2006 como se queria fazer querer. Vamos ver como Sócrates conduzirá as medidas que forem sendo tomadas. Quais? Como? Em que sentido? Quais os beneficiários? Quais as metodologias?
Para começar não está nada mal. Haja esperança na capacidade dos homens para aprender com a realidade e os seus próprios erros.
Anunciou até duas medidas emblemáticas. Uma boa prática nestes discursos de estado. Uma dela deu-me muito prazer. Acabar com o monopólio das farmácias na venda de medicamentos que não precisem de receita médica. Abre-se assim uma batalha na qual os portugueses vão apoiar o governo.
O Dr. Cordeiro, “boticário mor do reino”, vai tremer de raiva. Lembro a campanha que desencadeou contra Ferro Rodrigues nas anteriores eleições a propósito da proposta das farmácias sociais. Espero que este combate pela transparência e concorrência no mercado dos medicamentos não se fique por aqui.
A outra medida concreta anunciada é um desafio à capacidade das instituições do topo da hierarquia do estado para reformar o próprio modelo de actuação do estado. Fazer as eleições autárquicas e o referendo à constituição europeia no mesmo dia parece qualquer coisa fácil de aceitar e concretizar. Ganhamos todos com isso.
E afinal o governo PS não está a empurrar os referendos para 2006 como se queria fazer querer. Vamos ver como Sócrates conduzirá as medidas que forem sendo tomadas. Quais? Como? Em que sentido? Quais os beneficiários? Quais as metodologias?
Para começar não está nada mal. Haja esperança na capacidade dos homens para aprender com a realidade e os seus próprios erros.
Condecorai-vos uns aos outros
O Dr. Portas condecora os seus na véspera de partir. Só me espanta que Marques Júnior, Capitão de Abril e deputado do PS, tenha aceite ser condecorado por Portas. Temos de estar preparados para tudo…
"Portas condecora Bagão, Adriano Moreira e Frank Carlucci
Paulo Portas condecorou esta sexta-feira, no seu último acto público como ministro da Defesa, o ministro das Finanças, Bagão Félix, o ex-presidente do CDS-PP Adriano Moreira e o antigo embaixador norte-americano em Portugal Frank Carlucci. No total, 12 pessoas foram distinguidas."
"Portas condecora Bagão, Adriano Moreira e Frank Carlucci
Paulo Portas condecorou esta sexta-feira, no seu último acto público como ministro da Defesa, o ministro das Finanças, Bagão Félix, o ex-presidente do CDS-PP Adriano Moreira e o antigo embaixador norte-americano em Portugal Frank Carlucci. No total, 12 pessoas foram distinguidas."
"Diário do Governo"

Vou seguir dia a dia a acção do governo – socialista – que hoje entra em funções. A maioria em que assenta este governo é muito cómoda e vai fazer, por si só, muitos estragos. O diário será constituído por comentários pessoais. Críticos. Curtos e incisivos. Com títulos adequados ao assunto abordado. Nalguns casos com links para notícias e postas de outros blogs. Cada alteração à composição do governo dará origem a um novo governo. Cada erro considerado fatal será também devidamente assinalado. Alguma interrupção forçada na apresentação deste diário será anunciada previamente ou resultará de força maior. Já há muita coisa para contar mas este primeiro dia, o da tomada de posse, será de "folga".
Fotografia de Helder Gonçalves
sexta-feira, março 11
Para não esquecer o Horror
"Creio no homem. Já vi
dorsos despedaçados a chicote,
almas cegas avançando aos saltos
(espanhas a cavalo
de fome e sofrimento). E acreditei.
Creio na paz. Já vi
altas estrelas, recintos chamejantes
e amanhecentes, incendiando rios
fundos, caudal humano
para outra luz: vi e acreditei.
Creio em ti, pátria. Digo
o que já vi: relâmpagos
de raiva, amor em frio e uma faca
chiando, fazendo-se em pedaços
de pão: embora hoje só haja sombra, vi
e acreditei"
[Blas de Otero, Fidelidad, in Pido la Paz y la palavra, 1955, trad. José Bento (1985)]
No almocreve das Petas
dorsos despedaçados a chicote,
almas cegas avançando aos saltos
(espanhas a cavalo
de fome e sofrimento). E acreditei.
Creio na paz. Já vi
altas estrelas, recintos chamejantes
e amanhecentes, incendiando rios
fundos, caudal humano
para outra luz: vi e acreditei.
Creio em ti, pátria. Digo
o que já vi: relâmpagos
de raiva, amor em frio e uma faca
chiando, fazendo-se em pedaços
de pão: embora hoje só haja sombra, vi
e acreditei"
[Blas de Otero, Fidelidad, in Pido la Paz y la palavra, 1955, trad. José Bento (1985)]
No almocreve das Petas
quinta-feira, março 10
Freitas do Amaral - de novo
O mais interessante fenómeno político em Portugal, nos últimos tempos, tem sido o ataque feroz da direita a Freitas do Amaral.
Afinal o PS de Ferro Rodrigues não era assim tão “esquerdista” nas suas opções de política externa. Ana Gomes é, no fim de contas, uma moderada. Somente diz aquilo que muitos pensam, mas calam. (Vide a propósito de outro assunto a sua tomada de posição acerca das mulheres no PS).
Alguns conspiradores profissionais devem estar a pensar que mais valia terem deixado Ferro Rodrigues em paz. Não é? Sempre se poupavam às dores de ter de suportar Freitas do Amaral no MNE.
E o Dr. Portas – chefe do partido que Freitas fundou - não necessitaria de explicar aos seus amigos da administração Bush que este Freitas já não é o mesmo que fundou o CDS, mas outro, sendo, na verdade o mesmo... As voltas da política tem destas curiosas ironias.
O Prof. Freitas do Amaral será um perigo para o prestígio de Portugal no mundo? Freitas do Amaral criticou duramente a administração Bush pela intervenção militar americana – unilateral – no Iraque. Muito bem. Não fez mais do que expressar a opinião da maioria do povo português. A maioria que deu a vitória ao PS. Nada me parece mais coerente.
Quanto à política externa de Portugal, segue dentro de momentos. E vai manter-se, no essencial, fiel ás alianças tradicionais de Portugal.
A diferença estará no tom da afirmação da identidade de Portugal no concerto das nações pela voz prestigiada e lúcida de Freitas do Amaral. É este o verdadeiro problema da direita. Mas este não será, verdadeiramente, um problema para a política externa de Portugal. Veremos.
Afinal o PS de Ferro Rodrigues não era assim tão “esquerdista” nas suas opções de política externa. Ana Gomes é, no fim de contas, uma moderada. Somente diz aquilo que muitos pensam, mas calam. (Vide a propósito de outro assunto a sua tomada de posição acerca das mulheres no PS).
Alguns conspiradores profissionais devem estar a pensar que mais valia terem deixado Ferro Rodrigues em paz. Não é? Sempre se poupavam às dores de ter de suportar Freitas do Amaral no MNE.
E o Dr. Portas – chefe do partido que Freitas fundou - não necessitaria de explicar aos seus amigos da administração Bush que este Freitas já não é o mesmo que fundou o CDS, mas outro, sendo, na verdade o mesmo... As voltas da política tem destas curiosas ironias.
O Prof. Freitas do Amaral será um perigo para o prestígio de Portugal no mundo? Freitas do Amaral criticou duramente a administração Bush pela intervenção militar americana – unilateral – no Iraque. Muito bem. Não fez mais do que expressar a opinião da maioria do povo português. A maioria que deu a vitória ao PS. Nada me parece mais coerente.
Quanto à política externa de Portugal, segue dentro de momentos. E vai manter-se, no essencial, fiel ás alianças tradicionais de Portugal.
A diferença estará no tom da afirmação da identidade de Portugal no concerto das nações pela voz prestigiada e lúcida de Freitas do Amaral. É este o verdadeiro problema da direita. Mas este não será, verdadeiramente, um problema para a política externa de Portugal. Veremos.

Os meus avós paternos, Maria da Conceição Neto Graça e Dimas Eduardo Graça, com expressões firmes, serenas e determinadas, numa foto datada de 14 de Novembro de 1911, obtida em Santos, Brasil, por Joaquim Pereira, Rua 15 de Novembro, nº 8, Santos. Dimas se chamou meu pai, Dimas também meu irmão, Eduardo sou eu. Um tributo em memória de meu avô.
O Fim do Pesadelo (quase em forma de diatribe)
No próximo sábado os portugueses vão ver-se livres de um pesadelo. O governo de direita (ou, melhor dito, “das direitas”) vai cessar funções.
Não uso palavras pesadas demais. Tenho até a percepção de que são pesadas de menos. Tenho ouvido, visto e sentido, por toda a parte, gente abandonada e ressentida, à beira da ruína, da marginalidade e do desespero, com fome e sem trabalho, sem futuro e sem esperança. Não só no mundo do trabalho como também no mundo dos negócios.
O pesadelo resultou de muitos e variados factores mas, entre eles, avulta o facto de o governo ter sido “sequestrado” por um partido extremista minoritário que tem um nome, um chefe e um ideólogo. O nome: CDS/PP; o chefe: Paulo Portas; o ideólogo: Bagão Félix.
Aliás a natureza totalitária do CDS/PP, de Paulo Portas/Bagão Félix, ficou bem evidenciada pelo recente episódio do retrato de Freitas do Amaral. Só os partidos totalitários suprimem a figura dos seus pais fundadores. O episódio, aparentemente irrelevante, tem um significado profundo: mostra à evidência que Portugal tem sido governado por uma coligação que integra um partido com vocação totalitária. As consequências desse facto, para o país, foram desastrosas.
Texto integral em IRAOFUNDOEVOLTAR
Não uso palavras pesadas demais. Tenho até a percepção de que são pesadas de menos. Tenho ouvido, visto e sentido, por toda a parte, gente abandonada e ressentida, à beira da ruína, da marginalidade e do desespero, com fome e sem trabalho, sem futuro e sem esperança. Não só no mundo do trabalho como também no mundo dos negócios.
O pesadelo resultou de muitos e variados factores mas, entre eles, avulta o facto de o governo ter sido “sequestrado” por um partido extremista minoritário que tem um nome, um chefe e um ideólogo. O nome: CDS/PP; o chefe: Paulo Portas; o ideólogo: Bagão Félix.
Aliás a natureza totalitária do CDS/PP, de Paulo Portas/Bagão Félix, ficou bem evidenciada pelo recente episódio do retrato de Freitas do Amaral. Só os partidos totalitários suprimem a figura dos seus pais fundadores. O episódio, aparentemente irrelevante, tem um significado profundo: mostra à evidência que Portugal tem sido governado por uma coligação que integra um partido com vocação totalitária. As consequências desse facto, para o país, foram desastrosas.
Texto integral em IRAOFUNDOEVOLTAR
quarta-feira, março 9
Os acasos da Guerra - Nova Actualização
Afinal os governos dos países aliados dos EUA no Iraque tremem perante as suas opiniões públicas. A morte de um agente secreto - um só homem - pode provocar uma viragem política radical em Itália.
Berlusconi pede colaboração dos EUA no inquérito à morte de Calipari
Berlusconi pede colaboração dos EUA no inquérito à morte de Calipari
Devaneio
“Devaneio entre Cascais e Lisboa. Fui pagar a Cascais uma contribuição da patrão Vasques, de uma casa que tem no Estoril. Gozei antecipadamente o prazer de ir, uma hora para lá, uma hora para cá, vendo os aspectos sempre vários do grande rio e da sua foz atlântica. Na verdade, ao ir, perdi-me em meditações abstractas, vendo sem ver as paisagens aquáticas que me alegrava ir ver, e ao voltar perdi-me na fixação destas sensações. Não seria capaz de descrever o mais pequeno pormenor da viagem, o mais pequeno trecho do visível. Lucrei estas páginas, por olvido e contradição. Não sei se isso é melhor ou pior do que o contrário, que também não sei o que é.
O comboio abranda, é o Cais do Sodré. Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão.”
“Livro do Desassossego” – Fernando Pessoa (Bernardo Soares)
O comboio abranda, é o Cais do Sodré. Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão.”
“Livro do Desassossego” – Fernando Pessoa (Bernardo Soares)
terça-feira, março 8
Os acasos da Guerra - Actualização
Ver a confirmação do facto das autoridades militares americanas estarem informadas do resgate da jornalista italiana no Iraque.
segunda-feira, março 7
Colagens
É muito interessante a táctica de colagem dos ministros do PP aos novos titulares das respectivas pastas. Uns dias atrás Paulo Portas desfez-se em elogios ao futuro Ministro da Defesa. Telmo Correia não pode elogiar o Ministro do Turismo porque não há.
Hoje Bagão Félix abençoa o futuro Ministro das Finanças.
Mais vale prevenir do que remediar…
Hoje Bagão Félix abençoa o futuro Ministro das Finanças.
Mais vale prevenir do que remediar…
Sampaio e a Educação
Também estou de acordo com a prioridade política para a educação identificada por Sampaio. Já Guterres tinha, em 1995, identificado a mesma prioridade (“paixão pela educação”), já Cavaco tinha, a partir de finais dos anos 80, lançado programas inovadores para dar corpo à mesma prioridade (“ensino profissional” por exemplo), já Veiga Simão, no início dos anos 70, tinha lançado uma das mais profundas reformas da educação do século XX.
Apesar de todas as paixões e da identificação da prioridade para a educação os indicadores conhecidos de insucesso e abandono escolar, em Portugal, colocam-nos na cauda da Europa dos 25.
Convém, pois, assumir que este é um problema que vem de longe, sendo ainda uma sequela da transição do modelo elitista de escola, próprio da ditadura, para um modelo de escola próprio de uma democracia avançada.
O designado “choque tecnológico”, ou plano tecnológico, aplicado à “educação básica e secundária” é o caminho apontado pelo governo socialista. Como se vai aplicar? É essa a questão que está em aberto.
Sampaio (...) apontou ainda como "a única e decisiva prioridade" do país "o acesso universal à educação básica e secundária de qualidade".
Apesar de todas as paixões e da identificação da prioridade para a educação os indicadores conhecidos de insucesso e abandono escolar, em Portugal, colocam-nos na cauda da Europa dos 25.
Convém, pois, assumir que este é um problema que vem de longe, sendo ainda uma sequela da transição do modelo elitista de escola, próprio da ditadura, para um modelo de escola próprio de uma democracia avançada.
O designado “choque tecnológico”, ou plano tecnológico, aplicado à “educação básica e secundária” é o caminho apontado pelo governo socialista. Como se vai aplicar? É essa a questão que está em aberto.
Sampaio (...) apontou ainda como "a única e decisiva prioridade" do país "o acesso universal à educação básica e secundária de qualidade".
Os acasos da guerra
Como seria de esperar:
“Itália garante que EUA sabiam da libertação de Giuliana Sgrena”
O desmentido da implicação das forças norte americanas no ataque à comitiva que resgatou a jornalista italiana do cativeiro é, em si mesmo, muito significativo.
Neste tipo de situações os acasos e acidentes são uma raridade. Pode parecer uma brutalidade mas é sempre tudo intencional. É difícil entender o desconhecimento dos militares americanos acerca de uma operação de libertação de uma jornalista refém natural de um dos principais países membros da coligação.
As patrulhas militares no Iraque não actuam por conta própria como vulgares bandos de salteadores. São forças de elite que obedecem a um comando sustentado numa forte hierarquia. Depois de premir o gatilho o mal está feito.
Se a guerra fosse feita de acasos e acidentes ainda um dia alguém poderia afirmar que, afinal, a guerra nunca existiu. A democracia vale todos os sacrifícios mas não desculpa nenhum crime que em seu nome seja cometido.
Adenda: a jornalista trabalha para “Il Manifesto” um jornal da esquerda comunista italiana. Com uma linha editorial, certamente, pouco recomendável para as políticas externas das administrações americana e italiana.
“EUA investigam disparos
Os EUA estão a investigar a actuação da patrulha norte-americana que na sexta-feira feriu a jornalista italiana Giuliana Sgrena, depois de ser libertada de sequestradores no Iraque. A viatura onde seguia, com elementos dos serviços secretos italianos, foi alvejada devido a «um acidente terrível», justificou a Casa Branca.”
“Expresso on line”
“Itália garante que EUA sabiam da libertação de Giuliana Sgrena”
O desmentido da implicação das forças norte americanas no ataque à comitiva que resgatou a jornalista italiana do cativeiro é, em si mesmo, muito significativo.
Neste tipo de situações os acasos e acidentes são uma raridade. Pode parecer uma brutalidade mas é sempre tudo intencional. É difícil entender o desconhecimento dos militares americanos acerca de uma operação de libertação de uma jornalista refém natural de um dos principais países membros da coligação.
As patrulhas militares no Iraque não actuam por conta própria como vulgares bandos de salteadores. São forças de elite que obedecem a um comando sustentado numa forte hierarquia. Depois de premir o gatilho o mal está feito.
Se a guerra fosse feita de acasos e acidentes ainda um dia alguém poderia afirmar que, afinal, a guerra nunca existiu. A democracia vale todos os sacrifícios mas não desculpa nenhum crime que em seu nome seja cometido.
Adenda: a jornalista trabalha para “Il Manifesto” um jornal da esquerda comunista italiana. Com uma linha editorial, certamente, pouco recomendável para as políticas externas das administrações americana e italiana.
“EUA investigam disparos
Os EUA estão a investigar a actuação da patrulha norte-americana que na sexta-feira feriu a jornalista italiana Giuliana Sgrena, depois de ser libertada de sequestradores no Iraque. A viatura onde seguia, com elementos dos serviços secretos italianos, foi alvejada devido a «um acidente terrível», justificou a Casa Branca.”
“Expresso on line”
O Retrato de Freitas do Amaral
O CDS-PP de Paulo Portas, sem esquecer, Bagão Félix, mostra a verdadeira face do seu moralismo. O anúncio devolução do retrato de Freitas do Amaral, pelo correio, para a sede do PS mostra :
1- desprezo pela história e tradição;
2- incivilidade e falta de sentido de estado;
3- ausência de espírito democrático e “mau perder”;
4- radicalismo serôdio;
A gravidade deste gesto ainda é mais acentuada se nos lembrarmos que, até ao próximo sábado, o CDS-PP ainda é governo.
Que surpresas nos reservará ainda o CDS-PP para esta semana? E os seus ministros? Ou, excepto a devolução do retrato, todas as surpresas serão preparadas no recato dos gabinetes?
1- desprezo pela história e tradição;
2- incivilidade e falta de sentido de estado;
3- ausência de espírito democrático e “mau perder”;
4- radicalismo serôdio;
A gravidade deste gesto ainda é mais acentuada se nos lembrarmos que, até ao próximo sábado, o CDS-PP ainda é governo.
Que surpresas nos reservará ainda o CDS-PP para esta semana? E os seus ministros? Ou, excepto a devolução do retrato, todas as surpresas serão preparadas no recato dos gabinetes?
domingo, março 6
Turismo Sem Ministério
Fez bem Sócrates em não considerar na estrutura do governo o Ministério do Turismo. Num artigo que publiquei, uns meses atrás, defendi isso mesmo. O turismo terá direito certamente a uma secretaria de estado. Resta saber qual o ministério em que se vai integrar. Quer-me parecer, atenta a estrutura do governo, que voltará para a Economia. Nesse caso será, apesar de tudo, uma oportunidade perdida.
Eis o que defendi e continuo a defender:
“Sustento que, sendo o turismo uma actividade transversal e multidisciplinar, muito relevante na dinâmica do desenvolvimento integrado da sociedade portuguesa, deveria, no governo, integrar um Ministério que exercesse a tutela dos transportes e do ordenamento do território.
A minha preferência é a do modelo francês (aliás a França é a primeira potência turística mundial) no qual o turismo está integrado, ao nível de secretaria de estado, no “Ministério do Equipamento, Transportes, Ordenamento do Território, Turismo e Mar”. (que diferença em relação à estrutura do governo português actual!)
Aliás, além de Portugal, nos países da União Europeia, só em Malta existe um Ministério do Turismo, no caso, desde 2003, integrando também a cultura. Esse é o modelo adoptado nos países do Norte de África e nalguns outros do chamado “terceiro mundo”.
Não quer dizer que não possa ser uma originalidade bem sucedida no nosso país. Tudo depende do peso político que alcançar, da competência dos seus titulares e do tempo que durar. “
Eis o que defendi e continuo a defender:
“Sustento que, sendo o turismo uma actividade transversal e multidisciplinar, muito relevante na dinâmica do desenvolvimento integrado da sociedade portuguesa, deveria, no governo, integrar um Ministério que exercesse a tutela dos transportes e do ordenamento do território.
A minha preferência é a do modelo francês (aliás a França é a primeira potência turística mundial) no qual o turismo está integrado, ao nível de secretaria de estado, no “Ministério do Equipamento, Transportes, Ordenamento do Território, Turismo e Mar”. (que diferença em relação à estrutura do governo português actual!)
Aliás, além de Portugal, nos países da União Europeia, só em Malta existe um Ministério do Turismo, no caso, desde 2003, integrando também a cultura. Esse é o modelo adoptado nos países do Norte de África e nalguns outros do chamado “terceiro mundo”.
Não quer dizer que não possa ser uma originalidade bem sucedida no nosso país. Tudo depende do peso político que alcançar, da competência dos seus titulares e do tempo que durar. “
Naide Campeã
Um dia escrevi que Naide Gomes era o nosso maior atleta da actualidade. De todos, homens e mulheres.
Falhei o meu prognóstico quando, nos Jogos Olímpicos, ela falhou a medalha no Hepatlo por ter fracassado no seu forte – o salto em comprimento.
Desta vez não falhou. Naide Gomes é campeã da Europa.
Falhei o meu prognóstico quando, nos Jogos Olímpicos, ela falhou a medalha no Hepatlo por ter fracassado no seu forte – o salto em comprimento.
Desta vez não falhou. Naide Gomes é campeã da Europa.
O incómodo da extrema direita
Freitas do Amaral é um espinho cravado na garganta da extrema direita.
Só isso bastava para provar como a sua escolha para o governo é acertada. Freitas do Amaral não caminhou muito para a esquerda, o CDS/PP é que caminhou muito para a direita.
Freitas do Amaral não precisa do governo para nada, Portas precisa do governo para tudo.
Freitas do Amaral nunca perdeu o estatuto de homem de estado, Portas nunca conseguiu, apesar do esforço, ganhar esse estatuto.
Portugal não precisa de se ajoelhar perante os americanos para afirmar a sua vocação atlântica. Antes pelo contrário: para se afirmar como “um entre iguais”, em todas as alianças, carece, absolutamente, de ficar de pé.
Por isso Freitas é uma boa escolha para Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Só isso bastava para provar como a sua escolha para o governo é acertada. Freitas do Amaral não caminhou muito para a esquerda, o CDS/PP é que caminhou muito para a direita.
Freitas do Amaral não precisa do governo para nada, Portas precisa do governo para tudo.
Freitas do Amaral nunca perdeu o estatuto de homem de estado, Portas nunca conseguiu, apesar do esforço, ganhar esse estatuto.
Portugal não precisa de se ajoelhar perante os americanos para afirmar a sua vocação atlântica. Antes pelo contrário: para se afirmar como “um entre iguais”, em todas as alianças, carece, absolutamente, de ficar de pé.
Por isso Freitas é uma boa escolha para Ministro dos Negócios Estrangeiros.
sábado, março 5
Manuel Alegre acerca de Vítor Wengorovius
No seu artigo de hoje no “Expresso” “Responsabilidade absoluta” Alegre diz o essencial acerca de VW. (Para assinantes)
“Estavam lá todos, os de sempre, os que restam dos de sempre, da campanha de Humberto Delgado, do assalto ao quartel de Beja, dos movimentos estudantis de 62 e 69, dos católicos progressistas, da luta anticolonial, da resistência clandestina e não clandestina, da Capela do Rato, da CDE e da CEUD, de todas as prisões e todos os exílios, de todos os combates que desembocaram no 25 de Abril, de todas as causas e todos os sonhos que foram a vida de Vítor Wengorovius e que, dos anos sessenta até agora, são a história da esquerda portuguesa. Todos, de Jorge Sampaio e Mário Soares a Francisco Fanhais, que admiravelmente cantou a «Canção da Cidade Nova». Ouvimo-lo com um nó na garganta, recordando o Vítor, a sua generosidade, a sua entrega aos outros, a sua grandeza de alma. Naquele tempo em que quase todos se calavam, o Vítor pedia frequentemente a palavra. E quando começava era o cabo dos trabalhos para o convencer a parar. A esta hora já está com certeza no céu e S. Pedro nem sabe o que o espera quando o Vítor pedir a palavra. Ele nunca se calou. Ele nunca se calará.”
“Estavam lá todos, os de sempre, os que restam dos de sempre, da campanha de Humberto Delgado, do assalto ao quartel de Beja, dos movimentos estudantis de 62 e 69, dos católicos progressistas, da luta anticolonial, da resistência clandestina e não clandestina, da Capela do Rato, da CDE e da CEUD, de todas as prisões e todos os exílios, de todos os combates que desembocaram no 25 de Abril, de todas as causas e todos os sonhos que foram a vida de Vítor Wengorovius e que, dos anos sessenta até agora, são a história da esquerda portuguesa. Todos, de Jorge Sampaio e Mário Soares a Francisco Fanhais, que admiravelmente cantou a «Canção da Cidade Nova». Ouvimo-lo com um nó na garganta, recordando o Vítor, a sua generosidade, a sua entrega aos outros, a sua grandeza de alma. Naquele tempo em que quase todos se calavam, o Vítor pedia frequentemente a palavra. E quando começava era o cabo dos trabalhos para o convencer a parar. A esta hora já está com certeza no céu e S. Pedro nem sabe o que o espera quando o Vítor pedir a palavra. Ele nunca se calou. Ele nunca se calará.”
Freitas do Amaral e o Governo do PS
Temos governo. Com16 ministros. Mais pequeno. Sem Ministério do Turismo, o que aplaudo. Com Ministério do Trabalho e da Solidariedade, uma espécie de homenagem, não dita, a Ferro Rodrigues, ao recuperar a designação do ministério que ele dirigiu.
Guardo uma expectativa positiva acerca da acção deste governo. Os tempos são difíceis. A governação será, como todos esperam, difícil.
Freitas do Amaral é uma surpresa para quem não tenha estado atento ao seu percurso pessoal. Quando, em 2001, subiu à cena no Teatro da Trindade a peça "O Magnífico Reitor", de sua autoria, pelo menos eu e o Carlos Fragateiro percebemos a nova postura ideológica e política de Freitas do Amaral. Na estreia a sala estava cheia de dirigentes da direita - o governo era socialista - e raros dirigentes da esquerda. Era um risco tremendo. Mas fez-se e foi um sucesso de público e de bilheteira.
Nesse mesmo dia um jornalista do "Independente" - Pedro Guerra - "ameaçou" com a publicação de uma notícia - a partir de notícias anónimas - contra a minha gestão do INATEL. A notícia não saíu e no seu lugar foram publicadas duas páginas com fotos daquela estreia.
Esse jornalista havia de tomar um lugar de destaque no gabinete do Ministro da Defesa e lider do PP, Paulo Portas. A campanha contra a minha gestão do INATEL havia de seguir mais tarde pelas mãos de Bagão Félix dilecto colaborador de Portas. As coincidências não são um acaso.
Acerca da peça a polémica estalou e a direita torceu o nariz. Mas engoliu. A esquerda oficial também. Em 2002 subiu à cena no Trindade a segunda peça de Freitas - "Viriato" - com menos polémica mas igual sucesso de público.
Tive o privilégio, como presidente do INATEL, do qual o Teatro da Trindade depende, de apoiar Carlos Fragateiro no patrocínio às incursões de Freitas do Amaral pela dramaturgia e de tomar consciência da sua postura de sincera preocupação com a luta pela dignidade, justiça e liberdade do homem.
A entrada de Freitas do Amaral no governo socialista é o facto mais notável deste período da política portuguesa. Mas esse facto não me espantou, antes me deu a certeza de que estamos perante um homem que não tem medo de assumir desafios novos e que não foge perante as dificuldades.
Assim o PS, os socialistas e o seu governo sejam dignos do seu corajoso gesto.
Guardo uma expectativa positiva acerca da acção deste governo. Os tempos são difíceis. A governação será, como todos esperam, difícil.
Freitas do Amaral é uma surpresa para quem não tenha estado atento ao seu percurso pessoal. Quando, em 2001, subiu à cena no Teatro da Trindade a peça "O Magnífico Reitor", de sua autoria, pelo menos eu e o Carlos Fragateiro percebemos a nova postura ideológica e política de Freitas do Amaral. Na estreia a sala estava cheia de dirigentes da direita - o governo era socialista - e raros dirigentes da esquerda. Era um risco tremendo. Mas fez-se e foi um sucesso de público e de bilheteira.
Nesse mesmo dia um jornalista do "Independente" - Pedro Guerra - "ameaçou" com a publicação de uma notícia - a partir de notícias anónimas - contra a minha gestão do INATEL. A notícia não saíu e no seu lugar foram publicadas duas páginas com fotos daquela estreia.
Esse jornalista havia de tomar um lugar de destaque no gabinete do Ministro da Defesa e lider do PP, Paulo Portas. A campanha contra a minha gestão do INATEL havia de seguir mais tarde pelas mãos de Bagão Félix dilecto colaborador de Portas. As coincidências não são um acaso.
Acerca da peça a polémica estalou e a direita torceu o nariz. Mas engoliu. A esquerda oficial também. Em 2002 subiu à cena no Trindade a segunda peça de Freitas - "Viriato" - com menos polémica mas igual sucesso de público.
Tive o privilégio, como presidente do INATEL, do qual o Teatro da Trindade depende, de apoiar Carlos Fragateiro no patrocínio às incursões de Freitas do Amaral pela dramaturgia e de tomar consciência da sua postura de sincera preocupação com a luta pela dignidade, justiça e liberdade do homem.
A entrada de Freitas do Amaral no governo socialista é o facto mais notável deste período da política portuguesa. Mas esse facto não me espantou, antes me deu a certeza de que estamos perante um homem que não tem medo de assumir desafios novos e que não foge perante as dificuldades.
Assim o PS, os socialistas e o seu governo sejam dignos do seu corajoso gesto.
O Sonho e a Acção
“Tenho que escolher o que detesto – ou o sonho, que a minha inteligência odeia, ou a acção, que a minha sensibilidade repugna; ou a acção, para que não nasci, ou o sonho, para que ninguém nasceu.
Resulta que, como detesto ambos, não escolho nenhum; mas, como hei-de, em certa ocasião, ou sonhar ou agir, misturo uma coisa com a outra.”
“Livro do Desassossego” – Bernardo de Passos – (Fernando Pessoa)
Resulta que, como detesto ambos, não escolho nenhum; mas, como hei-de, em certa ocasião, ou sonhar ou agir, misturo uma coisa com a outra.”
“Livro do Desassossego” – Bernardo de Passos – (Fernando Pessoa)
sexta-feira, março 4
Sequência Infernal
Vejam esta sequência infernal dos títulos do “Expresso on line”. Viva o não-governo. A oposição ocupa o espaço todo. No meio uma náufraga. Por enquanto ouvem-se choros e lamentações.
"Liderança do PSD
Ferreira Leite na «reserva»
A ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite não será candidata à liderança do PSD por considerar que isso iria dividir o espaço da candidatura de Marques Mendes."
"Regresso previsto no dia 14
Santana volta à CML"
"Audiência aberta à comunicação social
Catalina Pestana vai ser ouvida
"Marques Mendes
Aposta no Texto da Europa"
"Luís Filipe Menezes
CDS não é «inimigo»"
"Liderança do PSD
Ferreira Leite na «reserva»
A ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite não será candidata à liderança do PSD por considerar que isso iria dividir o espaço da candidatura de Marques Mendes."
"Regresso previsto no dia 14
Santana volta à CML"
"Audiência aberta à comunicação social
Catalina Pestana vai ser ouvida
"Marques Mendes
Aposta no Texto da Europa"
"Luís Filipe Menezes
CDS não é «inimigo»"
quinta-feira, março 3
Revolta

Durante o mês de Março publicarei um conjunto de 10 posts, ilustrados com imagens, a partir de um texto original – “Fragmentos Autobiográficos” - inspirado nesta citação de Camus:
“Revolta: Criar para chegar mais perto dos homens? Mas se pouco a pouco a criação nos separa de todos e nos empurra para longe sem a sombra de um amor...”
Fotografia de Helder Gonçalves
quarta-feira, março 2
"O Aprendiz de Feiticeiro"

Publico hoje o último post do meu livro artesanal construído a partir de excertos de “O Aprendiz de Feiticeiro”, de Carlos de Oliveira”. A obra, salvo erro, é de 1971 e a minha “edição” ocorreu em 1981, por mero acaso, em coincidência com a morte do autor.
Para quem quiser aqui tem uma edição recente.
"A Última Tília"

“ Tchekov, primeiro acto do “Tio Vânia”. Fala Astrov:
- O homem foi dotado de razão e força criadora para multiplicar o que lhe legaram, mas até hoje não criou, destruiu. Há cada vez menos florestas, os rios secam, a caça desaparece, o clima torna-se mais rude dia a dia, a terra mais pobre e mais feia. Vejo que me olhas ironicamente, tudo o que digo te parece que não é a sério e … e, talvez seja apenas mania minha, mas quando passo por uma floresta que salvei ou ouço o rumor da floresta ainda jovem que plantei com as próprias mãos, torno-me consciente de que o clima depende um pouco de mim e que se o homem dentro de mil anos tiver de ser feliz mo fica também a dever um pouco. Quando planto uma bétula nova e a vejo em seguida cobrir-se de folhas verdes, balançar ao vento, o meu coração enche-se de orgulho …
Pobre Astrov. Os operários derrubam a última tília e partem nos camiões pouco antes de se acenderem as lâmpadas da praça, que são (como os arboricidas gostam) flores de gás.”
“O Aprendiz de Feiticeiro” – Carlos de Oliveira
Fragmentos (Gás) – pág. 17, 18 e 19 (6 de 6)
Fotografia de Helder Gonçalves
terça-feira, março 1
O Meu Irmão Dimas Morreu

O meu irmão Dimas era um “self-made-man”. Pertencia aquela rara plêiade de portugueses que triunfou na vida pelas suas próprias mãos. Com o seu trabalho. Sem golpes nem favorecimentos espúrios. Um artista de fina sensibilidade e operário na sua arte, perfeccionista, preocupado com os detalhes, homem de honra e de palavra.
Sofreu, certamente, em silêncio, os males do nosso tempo e a doença súbita que, em poucos dias, o ceifou para a vida. Eu fui um filho tardio. A sua adolescência coincidiu com a minha meninice. Sempre fui para ele “o meu menino”. O meu irmão Dimas raramente dizia palavras de circunstância. Nem era homem de grandes manifestações públicas de afecto. Mas eu sempre senti o halo da sua secreta afeição e solidariedade.
A imagem que dele guardo, para sempre, está neste retrato a preto e branco. A família completa posa para a Kodak de meu pai. No Jardim da Alameda, em Faro. Respira-se um ar de felicidade e o meu irmão, adolescente, deixa perceber a sua elegância. Eu empoleiro-me no banco na hora do disparo. A máquina, suspensa num tripé, accionada por meu pai, deixa passar aqueles segundos que ainda lhe permitem tomar o lugar no retrato.
Reparo nas roupas domingueiras que todos envergávamos. O meu olhar e o de minha mãe pousam, certeiros, na objectiva. Os olhares de meu pai e de meu irmão pousam em algo, ou alguém, ligeiramente ao lado. Simétricos dois a dois. Reparo na expressão feliz do seu rosto e na sua esguia mão.
Que dia terá sido aquele? Um aniversário? Um dia de festa? Um momento para todo o sempre.
Lusomundo - Negócio Fechado
A notícia aí está. A poucos dias do início da entrada em funções do novo governo. Ninguém questiona nada! Deve ser mesmo assim! Negócio fechado!
Em palavras chãs a PT vendeu aos “Irmãos Oliveira” os órgãos de comunicação social que detinha. Daqui a algum tempo se verão as consequências.
(Afinal o PS já se pronunciou, concordando com a venda, e as "entidades reguladoras" que se amanhem. O problema é que o pronunciamento do PS tem o tom de "fim de festa". Mas qual festa? Ou de alívio! Mas de que dor?)
Em palavras chãs a PT vendeu aos “Irmãos Oliveira” os órgãos de comunicação social que detinha. Daqui a algum tempo se verão as consequências.
(Afinal o PS já se pronunciou, concordando com a venda, e as "entidades reguladoras" que se amanhem. O problema é que o pronunciamento do PS tem o tom de "fim de festa". Mas qual festa? Ou de alívio! Mas de que dor?)
segunda-feira, fevereiro 28
"Aprendizes"

“Passamos duas vezes pela beira-rio, ao sair da cidade e no regresso já com o crepúsculo carregado de estrelas. Jornais. A guerra química. A desfolhagem instantânea das florestas no Vietnam ou, pior ainda, a incubação da doença, que o vento, as folhas caídas, a própria seiva, transmitem de árvore em árvore contaminando o chão, assassinando-o. Nenhuma raíz viverá ali nos próximos cinquenta anos, pelo menos. Afinal estes tipos com as suas serras mecânicas não passam de aprendizes.”
“O Aprendiz de Feiticeiro” – Carlos de Oliveira
Fragmentos (Gás) – pág. 17, 18 e 19 (5 de 6)
Fotografia de Helder Gonçalves
domingo, fevereiro 27
Vítor Wengorovius

Fui hoje confrontado, longe de Lisboa, com a notícia da morte de Vítor Wengorovius. Aqui lhe deixo a minha homenagem. No percurso político comum que fizemos, em certo momento, constituiu-se um grupo que ficou conhecido como "O Grupo dos Cinco".
Hoje o Ferro Rodrigues lembrava-me que eu e ele somos os dois únicos sobreviventes desse grupo: os outros eram o Agostinho Roseta, o Afonso de Barros e o Vítor Wengorovius.
Reparo que os jornais publicam hoje nomes de dirigentes do MES que, em boa parte, não correspondem à realidade mas a uma imagem da realidade que se foi construindo, na comunicação social, ao longo dos anos.
Aqui deixo uma referência a Vítor Wengorovius num texto, elaborado a partir de um post publicado no absorto, que deverá integrar um livro, a editar em breve, no qual publicarei também a lista dos verdadeiros dirigentes (eleitos), fundadores do MES, da qual o Vítor faz parte:
"O mais vibrante activista do MES, oriundo do movimento católico progressista, foi o advogado Vítor Wengorovius.
Tendo desempenhado um papel determinante no movimento estudantil, aquando da crise de 1961/62, é um brilhante orador e conduziu-se, em todas as circunstâncias, como um hábil, infatigável e maduro negociador, capaz de gerar consensos e fazer pontes em todas as direcções.
Foi sempre prejudicado, nos planos pessoal e político, pelo seu excesso de talento para formular propostas e soluções de consenso e pelas manifestações do seu temperamento fulgurante.
A Nuno Teotónio Pereira e a Vítor Wengorovius devemos todos, os jovens quadros que se reuniram, desde os anos 60, até ao início da década de 80, em torno do MES, uma imensidade de ensinamentos, gestos de desprendida solidariedade e contagiante humanidade que jamais poderemos retribuir com a mesma intensidade e sentido de dádiva."
Fotografia de Helder Gonçalves
sábado, fevereiro 26
Termas de Manteigas
Vejo na Lusa uma notícia recorrente. Este projecto que eu conheço bem, é um atentado contra o ambiente, o desenvolvimento sustentável e o interesse público. A não ser que tenha mudado muita coisa desde a minha exoneração de Presidente do INATEL. Mas não mudou certamente. Pelo menos a água de que se fala e que é o mais valioso recurso que é preciso salvaguardar.
Em Outubro serão as eleições autárquicas. Espero que ninguém tenha a tentação de destruir uma obra moderna e consolidada – As Termas e o Complexo Hoteleiro de Manteigas do INATEL – por um “elefante branco” do qual resultará, mais tarde ou mais cedo, mais despesa pública sem a correspondente contrapartida de serviço público e de impulso ao desenvolvimento regional.
"Covilhã, 25 Fev (Lusa) - A Câmara de Manteigas está a estudar com a iniciativa privada a construção de um complexo lúdico-termal na vila, revelou hoje à agência Lusa o presidente da autarquia, José Manuel Biscaia.
O autarca lamenta, no entanto, "problemas provocados pela burocracia".
Segundo o edil, o investimento previsto "pode ascender a três milhões de euros e está previsto para terrenos junto às termas de Caldas de Manteigas, propriedade do INATEL".
"Queremos construir um espaço com tudo o que está ligado à água, em plena montanha", descreve.
Além das piscinas, "haverá zonas de descanso e lazer em plena água, diferentes tipo de banhos e espaços de hidroterapia", refere o autarca.
A área será complementada com serviços de restauração, comércio e diversão.
"O objectivo é conseguir com as termas cativar mais público, de outras faixas etárias e que não tenha apenas necessidades terapêuticas, mas também de lazer", sublinha José Manuel Biscaia.
Segundo o próprio, a obra está ainda "em fase de anteprojecto", sendo os detalhes acertados com privados com os quais o estudo está a ser desenvolvido.
Apesar de ambicionar arrancar com obras ainda até ao final do ano, o presidente da Câmara de Manteigas queixa-se de excesso de burocracia, que diz estar a atrasar o processo.
"Há um problema burocrático com a identificação de terrenos do INATEL que está a provocar um impasse junto de um dos investidores", descreve.
"Do ponto de vista burocrático, este processo tem sido um rosário de amarguras", classifica.
A estância termal de Caldas de Manteigas, propriedade do INATEL, é alimentada pelas nascentes da Fonte Quente, com água a 42 graus, e da Fonte Santa, com água a 19 graus.
As águas sulfurosas, captadas a 60 metros de profundidade, são indicadas para o tratamento de reumatismo, dermatoses, doenças das vias respiratórias e musco- esqueléticas.
Em pleno Vale Glaciário do Zêzere, as instalações das termas estão situadas a três quilómetros da vila de Manteigas.
LFO.
Em Outubro serão as eleições autárquicas. Espero que ninguém tenha a tentação de destruir uma obra moderna e consolidada – As Termas e o Complexo Hoteleiro de Manteigas do INATEL – por um “elefante branco” do qual resultará, mais tarde ou mais cedo, mais despesa pública sem a correspondente contrapartida de serviço público e de impulso ao desenvolvimento regional.
"Covilhã, 25 Fev (Lusa) - A Câmara de Manteigas está a estudar com a iniciativa privada a construção de um complexo lúdico-termal na vila, revelou hoje à agência Lusa o presidente da autarquia, José Manuel Biscaia.
O autarca lamenta, no entanto, "problemas provocados pela burocracia".
Segundo o edil, o investimento previsto "pode ascender a três milhões de euros e está previsto para terrenos junto às termas de Caldas de Manteigas, propriedade do INATEL".
"Queremos construir um espaço com tudo o que está ligado à água, em plena montanha", descreve.
Além das piscinas, "haverá zonas de descanso e lazer em plena água, diferentes tipo de banhos e espaços de hidroterapia", refere o autarca.
A área será complementada com serviços de restauração, comércio e diversão.
"O objectivo é conseguir com as termas cativar mais público, de outras faixas etárias e que não tenha apenas necessidades terapêuticas, mas também de lazer", sublinha José Manuel Biscaia.
Segundo o próprio, a obra está ainda "em fase de anteprojecto", sendo os detalhes acertados com privados com os quais o estudo está a ser desenvolvido.
Apesar de ambicionar arrancar com obras ainda até ao final do ano, o presidente da Câmara de Manteigas queixa-se de excesso de burocracia, que diz estar a atrasar o processo.
"Há um problema burocrático com a identificação de terrenos do INATEL que está a provocar um impasse junto de um dos investidores", descreve.
"Do ponto de vista burocrático, este processo tem sido um rosário de amarguras", classifica.
A estância termal de Caldas de Manteigas, propriedade do INATEL, é alimentada pelas nascentes da Fonte Quente, com água a 42 graus, e da Fonte Santa, com água a 19 graus.
As águas sulfurosas, captadas a 60 metros de profundidade, são indicadas para o tratamento de reumatismo, dermatoses, doenças das vias respiratórias e musco- esqueléticas.
Em pleno Vale Glaciário do Zêzere, as instalações das termas estão situadas a três quilómetros da vila de Manteigas.
LFO.
Obrigado Irmão
Foi no liceu a primeira vez que pisei o palco. Impulsionado pelo meu único irmão, Dimas, entrei nas aventuras da arte de representar. E assim fiz durante um par de anos. Ir-me-ia fazer bem. Tenho aqui ao meu lado um volume das “Obras Completas de Gil Vicente”, da “Colecção de Clássicos Sá da Costa”. Um livro antigo e muito bonito. Nele leio o primeiro texto com que me defrontei nos preparos da arte de representar.
Diz assim:
“Vem Apariço e Ordonho, moços de esporas, a buscar farelos, e diz logo:
Apa. Quem tem farelos?
Ord. Quien tiene farelos?
Apa. Ordonho, Ordonho, espera mi.
Ó fideputa ruim!
Sapatos tens amarelos,
Já não falas a ninguém.
(…)”
É a farsa “Quem tem farelos?” composta, por Gil Vicente, nos fins de 1508, princípios de 1509.
Ninguém se espante mas em Portugal não existe qualquer companhia teatral dedicada a estudar, divulgar e representar o teatro de Gil Vicente.
Obrigado irmão.
Diz assim:
“Vem Apariço e Ordonho, moços de esporas, a buscar farelos, e diz logo:
Apa. Quem tem farelos?
Ord. Quien tiene farelos?
Apa. Ordonho, Ordonho, espera mi.
Ó fideputa ruim!
Sapatos tens amarelos,
Já não falas a ninguém.
(…)”
É a farsa “Quem tem farelos?” composta, por Gil Vicente, nos fins de 1508, princípios de 1509.
Ninguém se espante mas em Portugal não existe qualquer companhia teatral dedicada a estudar, divulgar e representar o teatro de Gil Vicente.
Obrigado irmão.
sexta-feira, fevereiro 25
Entardecer
"Dêem-me a terra, mesmo poluída."
“Lá em baixo, onde as avenidas desaguam no rio (afluentes de alcatrão em pedra), os esgotos, o lixo pela água dentro. Mais adiante cemitérios de comboios, a ferrugem cor de chocolate espesso e uma tímida erva selvagem nos reiles carcomidos. O hidrovião, de súbito, poisado a meio da estrada marginal, com gaivotas sobre as asas desmanteladas. Outros dois suspensos nas breves rampas de lançamento, enquanto a aragem fluvial lhes desenha manchas de óxido na fuselagem, esquecidos à beira do cais cheio de lodo, limos, detritos encrostados na alvenaria, e apesar disso a água dum azul claríssimo. Por enquanto. Depois o extenso gradeamento do parque militar. Mais detritos. A manhã desolada. Centenas de viaturas podres, jipes, tanques, milhares de pneus abandonados, pirâmides negras de borracha, e (ao voltarmos) milhões de estrelas no firmamento. Dêem-me a terra, mesmo poluída. Este carbono pulmonar, onde contudo adeja ainda a nossa ração de oxigénio. Toda a tarde o calor turvo no horizonte, que nos lembrava o halo silencioso de um incêndio. Árvores em fogo. Três nuvens rectilíneas de céu a céu, três traços de fumo deixados pelos jactos de uma patrulha. Urbanização nas alturas. Como é que a tua beleza, Gelnaa, há-de sobreviver sem uma máscara antigás?”
“O Aprendiz de Feiticeiro” – Carlos de Oliveira
Fragmentos (Gás) – pág. 17, 18 e 19 (4 de 6)
“O Aprendiz de Feiticeiro” – Carlos de Oliveira
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