sexta-feira, fevereiro 11

Ouvir Toda a Gente


Eu acho, no meu perfeito juízo, que deve ser ouvida toda a gente. Não neste ou naquele processo de inquérito, investigação, auditoria, sindicância, ou outro qualquer procedimento previsto no ordenamento jurídico nacional. Estas acções a que temos assistido, de quando em vez, e que tocam a todos, mais a uns do que a outros, é verdade, nos seus prazos e conforme manda a lei, são de uma vulgaridade, banalidade, insignificância e sacanância que nos coloca mal no concerto das nações.

A acção a que o país aspira é mais ambiciosa. Deve ser ouvida toda a gente. Mesmo toda a gente. São cerca de 10 milhões, retirando os emigrantes, até á terceira ou quarta geração. A maioria, segundo o Dr. Medina Carreira, são velhos e relapsos, mas que importa, são esses, porventura, os mentores da depravação que a Pátria não aguenta mais. Contratem-se os serviços ao estrangeiro. Existem países populosos com gente experimentada na reposição da “ordem” e dos “bons costumes”.

Existem no país infra-estruturas capazes de albergar um exército de inquiridores qualificados. Podem ser utilizados os estádios construídos para o EURO, alguns deles sem fim útil à vista, como o do Algarve, cuja manutenção custa o equivalente a duas equipas na primeira liga. Faça-se um calendário rigoroso dos interrogatórios com tradução simultânea. Toda a gente é obrigada a denunciar toda a gente, a confessar as suas fraquezas, aproveita-se a ocasião para revistar a “coisa pública” e a privada, imaginar os crimes imaginários, adivinhar os sonhos inconfessáveis, espreitar os devaneios erécteis, gozar com a alheia cobiça do corpo inalcançável.

O país precisa de uma limpeza,
de uma devassa a sério,
de um “choque psicológico”
que, ao menos, dê aos cidadãos
aquela sensação de liberdade
de “por enquanto” não serem arguidos
ou, pelo menos, “ainda” não serem suspeitos.

Viva Portugal.

Foto de Helder Gonçalves
"Caídos pelo Caminho" - Chile

Obrigado a Portugal (Fim)


Atento o JPN, do respirar o mesmo ar,
retoma a imagem da capa do programa
do sarau "Obrigado a Portugal" e,
nas tábuas do próprio "Teatro da Trindade",
lugar do seu mister, escreve um belo texto.

As Imagens dos Artistas


Alguns dos artistas refugiados, de diversas nacionalidades, que actuaram no Sarau de 19 de Dezembro de 1940 no Teatro da Trindade.

Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer
-Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

Fernando Pessoa

"Nada Será Esquecido"

O "Público", de hoje, deu-me a ler um relato de campanha do PS, em Lisboa, com duas referências que me tocaram: a energia de Jorge Coelho e as intensas manifestações de afecto dirigidas a Ferro.

O povo não esquece e, como diz Correia de Campos, “nada será esquecido”.

"Semi-Democracia"

Santana Lopes criou uma nova categoria de democracia: "Semi". Desde que as notícias da democracia não lhe sejam favoráveis é semi. Faltam 9 dias.

Líder do PSD diz que Portugal "parece estar a cair numa situação de semi-democracia"
Santana Lopes acusa orgãos de comunicação social de fazerem campanha

quinta-feira, fevereiro 10

Obrigado a Portugal


Estas duas imagens são a minha homenagem à liberdade reconquistada em 1945 com a derrota do nazi-fascismo. E caso algum sobrevivente se reconheça neste programa antigo - tantos eram jovens - maior será a minha felicidade.

Programa


Esta imagem e a anterior são fragmentos
de um programa antigo, de 19 de Dezembro de 1940,
em época de guerra. Refugiados de toda a Europa,
devastada pela ofensiva nazi, procuravam
um porto de abrigo e uma plataforma
de onde embarcar para outras paragens.
Quase todos judeus.

Muitos artistas de todas as artes.
O Teatro da Trindade, que tão bem conheço,
serviu de palco para que os refugiados agradecessem
o acolhimento dos portugueses. Esse espírito solidário
de um povo que nem o regime ditatorial foi capaz de quebrar.

A liberdade acaba sempre por vencer a tirania.
Mas é preciso não vergar a espinha às ameaças
dos novos aspirantes a ditadores.
Eles com os seus cânticos populistas,
quais aves predadoras, volteiam no ar
em torno das nossas cabeças.
O esquecimento é a sua arma.
É preciso lembrar ao povo, sem saudosismo,
o terrível passado das ideologias nacional-populistas.

Populismo em Estado Puro

“CDS, o partido revolucionário do séc. XXI
Pires de Lima responsabiliza esquerda por salários baixos”

Onde é que eu já ouvi isto? Pelo menos os mais velhos conhecem a herança salazarista: ditadura= miséria cívica e material.

Os dirigentes do CDS/PP são os depositários históricos dessa herança e eles sabem que a ditadura salazarista também se apresentou como uma Revolução Nacional.

Não brinquem com a memória de um povo que sofreu 48 anos de ditadura, em grande parte, sob a direcção de um "partido revolucionário". São coisas sérias demais!

Veja aqui um exemplo ilustrativo.



A Crise do PSD

Tudo indica que a crise está instalada no PSD. Para lavar e durar.

Ver aqui, aqui e aqui.


quarta-feira, fevereiro 9

Luciana


“Seja como for, hoje rompeu
uma ponta de sol e desço à
beira rio. Levo Luciana comigo.
Conheço-a ainda mal. Cabelo
azulado, um pouco mais claro
do que a asa do corvo, voz
com o toque da tal rouquidão
que excita não há dúvida os
homens. Fala de montanhas
cobertas de neve, uma fonte
para encher a bilha, searas,
fruta, o corpo nu na espuma
duma corrente. Coisas naturais
e ingénuas, o que é, a voz velada
dá-lhes a lentidão, o erotismo,
dos sonhos mais fundos.
Eis o que sei a respeito dela.”

“O Aprendiz de Feiticeiro”
Carlos de Oliveira

Fragmentos – (Chuva)
pag: 15, 16 e 17 (2 de 6)

Marcelo na RTP

Todos sabemos que a política não é um paraíso onde a virtude floresça. Alguns protagonistas distinguem-se, no entanto, pela sua falta de vergonha a confundir as questões e a mentir ao povo. É o caso da tomada de posição do PSD acerca de Marcelo como futuro comentador na RTP.

Sócrates colocou uma questão pertinente. A RTP não é, de facto, uma entidade privada como a TVI ou a SIC. A RTP, pela sua natureza, tem obrigações de serviço público que os canais privados não têm.

Já antes Vital Moreira tinha colocado a questão nos termos em que deve ser colocada.

Tudo mudará de figura se o PSD quisesse privatizar a RTP. Mas para isso precisava ser governo. Como não vai ser deixa o terreno minado. Na RTP e não só...


Imigração nos Programas Eleitorais do PS, PSD e CDS/PP

Finalmente consegui o acesso à leitura do programa eleitoral do CDS/PP. Interessava-me conhecer a abordagem do CDS/PP à questão da imigração. Afinal a posição do CDS/PP é assim como uma espécie de "célula adormecida" usando a linguagem da luta anti-terrorrista tão do agrado da direita radical.

Insere a questão da imigração no capítulo da "Segurança", tal como o PSD, assume a neutralização da natureza "fracturante" da questão e dispersa a sua abordagem em alíneas ao longo daquele capítulo. Ao contrário dos partidos liberais, conservadores e de extrema direita (vejam-se os casos do Partido Conservador Britânico e dos partidos da coligação de direita que acabou de vencer as eleições na Dinamarca) não coloca a imigração como uma questão prioritária nos planos ideológico, social e político.

A imigração para o CDS/PP como que "passou à clandestinidade". Não será, certamente, falta de coragem mas cálculo estratégico tendo em vista eventuais acordos ou alianças com o PSD ... ou o PS.

Por sua vez o PDS resume a questão a dois parágrafos onde se perfilam as mesmas ideias contidas no programa do PS. Pela sua irrelevância (estranha opção da direcção do PSD) não trancrevo esses parágrafos no link abaixo.

Por fim o PS apresenta a questão da imigração num capítulo autónomo, inserindo-a no contexto das políticas sociais, muito bem estruturado, actualizado e completo. As minhas congratulações e esperanças de que, no essencial, caso o PS venha a constituir governo, tal programa seja concretizado.

Ver os programas do PS e do CDS/PP, referentes à questão da imigração, no IRAOFUNDOEVOLTAR.

Chuva

“Temos o inverno à porta. A cidade pressente-o: vai-me cair o céu em cima e o céu agora não é a transparência leve de Agosto ou Setembro, uma coisa de nada, etérea como os escritores dizem, longe disso, é o peso das nuvens carregado de electricidade, a ameaça quase a desabar. Pressinto-o eu também: vai de facto cair não tarda muito. Basta ver como a cidade se tornou um desenho aguado e fusco a tinta da china. O clarão de barro a cozer extinguiu-se nos telhados, desapareceu a chama trémula dos grãos de areia, que me enchia o quarto toda a tarde, vinda de Montes Claros. E a propósito: os escritores já não chamam etéreo a nada nem ao céu de verão.”

“O Aprendiz de Feiticeiro” – Carlos de Oliveira
Fragmentos (Chuva) – pag. 15,16 e 17 (1 de 6)

terça-feira, fevereiro 8

Homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen

A Fundação das Casas de Fronteira e Alorna promove uma homenagem a Sophia que inclui a "leitura integral da sua Obra Poética segundo a edição definitiva da Editorial Caminho, editada em 2004."

16 de Fevereiro, 2, 16, e 30 de Março, 13 e 27 de Abril,
11 e 25 de Maio, 8, 22 e 29 de Junho de 2005


III CICLO DE MÚSICA E
POESIA PORTUGUESA DO SÉC. XX
HOMENAGEM A SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN


Segundo o programa "Dado o carácter especial de homenagem de que este ciclo se reveste, entendeu a Fundação dar a possibilidade a outras pessoas, para além dos leitores que colaborarão regularmente nas sessões, de a ela se associarem lendo um poema em voz alta. Bastará para isso que nos informe atempadamente, por carta ou e-mail (cristinasousa@ip.pt), do poema que escolheu e que compareça na respectiva sessão. Caso a escolha recaia num poema que esteja “tomado”, será informado do facto e terá a possibilidade de alterar a sua escolha."

Faltam 11 dias

Santana Lopes, com ar displicente, no lugar de “Homem de Estado” chama os jornalistas e dá explicações acerca das questões eleitorais. Acrescenta um passeio com os filhos pelos jardins de S. Bento. Explica porque não faz campanha fazendo-a na residência oficial do primeiro-ministro. À sombra e à conta do Estado. Assim vamos cantando e rindo. Só o tempo resolve a cegeira que o bom senso não é capaz resolver.Faltam 11 dias.

A Hora das Grandes Decisões

A notícia não é inocente. Se for verdade o xadrez eleitoral fica mais claro: PS com maioria absoluta nas legislativas, quer dizer que Sócrates “elimina” Santana, “inibe” Guterres e “impulsiona” Cavaco.

A partir de Janeiro de 2006 à maioria absoluta do PS (8 ano de governo, no cenário mais favorável) corresponderia a presidência de Cavaco (10 anos no cenário mais provável).

É a possibilidade da concretização de um cenário com a obtenção do máximo denominador comum de estabilidade política e autoridade democrática.

Caso o PS não alcance a maioria absoluta nas legislativas tudo será diferente. A ver vamos!



"Olho-te nos olhos e pergunto-me de que côr serão teus sonhos..."


Terça-feira gorda. O Dr. Santana Lopes não faz campanha eleitoral no Carnaval. Mas assinou ontem um protocolo. Com pompa e circunstância. Ainda se fosse a inauguração do novo aeroporto da Ota. Como primeiro-ministro valia a pena o desaforo. Mas não tem obra para apresentar. Uns livros e um protocolo para dar uso civil a um aeroporto militar. Ainda por cima sem a presença do ministro da defesa. Até deu para o Eng.º Sócrates dar um elogio ao Dr. Portas.

Não sei o que se passa na cabeça do dito cujo mas tenho para mim que está a tentar colocar-se no papel do que ele pensa ser o sentimento do cidadão comum. Descrédito nos políticos. Mal por mal antes o Pombal! Esta estratégia do Dr. Santana, e do seu círculo restrito de amigos, ou está muito bem urdida ou está à deriva. Inclino-me mais para a segunda hipótese.

O Dr. Santana entrou naquela fase de roda livre em que tudo se pode esperar. Ou me aceitam como sou ou nada feito! O PSD que se lixe! Acho que o Dr. Santana vai acabar na “Quinta das Celebridades II” a ganhar umas massas e a aproveitar da notoriedade do cargo de “primeiro” e da campanha eleitoral.

De cada vez que lhe vejo o olhar a imagem que dele transparece é o vazio.

Fotografia de Helder Gonçalves- Granada, 2003

segunda-feira, fevereiro 7

Mário de Sá-Carneiro

Quasi

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador d´espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quasi vivido...

Quasi o amor, quasi o triunfo e a chama,
Quasi o princípio e o fim - quasi a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quasi, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos d´alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos d´herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

..................................................................
..................................................................

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Paris, 13-5-1913

Mário de Sá-Carneiro

"Só"

“Estou de facto só. Apesar de tu existires, Gelnaa, rejeito em bloco o passado, o presente, o futuro e escrevo as duas palavras, desolação, desilusão, que tanto ponderei. Para quê afinal se hoje não tenho outras?”

“O Aprendiz de Feiticeiro” – Carlos de Oliveira
Fragmentos – pag. 14 (3 de 3)

"O Chumbo"

Na vida como na política o carácter dos homens determina o essencial da sua acção. Não é possível esconder todo o tempo a perversidade do carácter dos homens públicos. Em democracia essa é mesmo uma tarefa impossível.

Ao fim de algum tempo a propaganda que transformara um político num decisor perfeito como que se desmorona. Isso acontece quando o carácter do homem político se revela vulgar, atreito a preocupar-se com as tarefas mesquinhas, os juízos preconceituosos e as decisões sectárias, quando não persecutórias.

O carácter dos homens é, no fundo, o essencial na política. Bagão Félix é uma expressão da verdadeira natureza do mal na política. A dissimulação levada aos limites torna-se uma obsessão perigosa para a própria democracia. Até Santana Lopes foi obrigado a reconhecer isso quando “dispensou” Bagão Félix de um seu governo virtual que o povo português, por sua vez, também já dispensou.

Estamos a 12 dias das eleições. Santana esbraceja qual naufrago que agarra, desesperado, todos os sobreviventes, arrastando-os para o fundo. Bem vistas as coisas é provável que só venham a sobreviver os que ficaram fora do "barco do santanismo" ou os que se protegeram com o silêncio autentico da vergonha.

Leia-se: "O Chumbo", de Nicolau Santos, in “Expresso on line” (acesso integral à leitura só para assinantes):

“O Presidente da República vai vetar a nova Lei Orgânica do Ministério das Finanças. Faz Jorge Sampaio muito bem. Sob essa capa, o que o ministro das Finanças pretende é acabar com a autonomia administrativa e financeira de entidades reguladoras, como o Instituto de Seguros de Portugal e a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, e passar a controlá-las do Terreiro do Paço.”

sábado, fevereiro 5

Debate a Dois

Eleições e Debates. Programas e protagonistas. Já temos assistido a muitos. Soares, Cunhal, Freitas, Sá Carneiro, Pintassilgo, Mota Pinto, Eanes, Sampaio, Cavaco, Constâncio, Ferro, Durão.

Santana, Sócrates. Este foi mais um. Mas ficou à vista de toda a gente que um só debate não é suficiente. Seriam necessários dois ou três. A Sócrates não interessavam? Tenho as maiores duvidas. Pois Sócrates os ganharia a todos. Foi um erro da estratégia do PS. Santana não suportaria ser confrontado com as “trapalhadas” e não chegou a sê-lo. Aí saiu beneficiado.

Além do mais, e mais importante, não se abordaram diversas questões centrais da política nacional. Isto é um assunto sério. Salvo alguma referência telegráfica nem uma palavra acerca da educação, saúde, justiça, imigração, demografia, defesa, segurança, Europa, relações externas…A complexidade dos problemas da governação não foram revelados.

Eu vi, na íntegra, um dos debates entre Bush e Kerry. Aí se revelavam, com mais clareza, as diferenças dos programas e das personalidades. Aqui parece um jogo das escondidas. Sócrates acabou por se diferenciar puxando para a primeira linha as questões sociais. Curioso jogo que eu tinha previsto, num post antigo, comentando o Congresso do PS.

Sócrates marcou a diferença onde recusara a diferença no debate interno. Mesmo na questão do que “é vencer” as eleições no discurso de Sócrates aflorou um lapso, ou uma “fraqueza”, quando não atacou, logo na primeira frase: “para o PS vencer é obter a maioria absoluta”. A sua resposta foi um acto falhado lembrando o discurso de Guterres em 1999.

Por outro lado Alegre hoje surgiu em Beja a reforçar a linha da esquerda socialista que Ferro encarnaria com mais autenticidade. Com um PSD desfeito e Santana Lopes desacreditado a maioria absoluta joga-se, afinal, à esquerda. Suprema ironia, com profundas consequências futuras, para Sócrates que surge perante a opinião pública com um programa político de centro-esquerda.

O debate serviu, ao menos, para mostrar, e isso é positivo, que Santana e Sócrates são diferentes.

Ver esta análise bastante interessante.



O Futuro do PSD

A reflexão de Pacheco Pereira acerca do futuro do PSD interessa a todos.

Neruda e Picasso



El viento en la Isla

El viento es un caballo
óyelo como corre
por el mar, por el cielo.
Quiere llevarme: escucha
cómo recorre el mundo
para llevarme lejos

Escóndeme en tus brazos
por esta noche sola,
mientras la lluvia rompe
contra el mar y la tierra
su boca innumerable.

Escucha cómo el viento
me llama galopando
para llevarme lejos.

Con tu frente en mi frente,
con tu boca en mi boca,
atados nuestros cuerpos
al amor que nos quema,
deja que el viento pase
sin que pueda llevarme.

Deja que el viento corra
coronado de espuma,
que me llame y me busque
galopando en la sombra,
mientras yo, sumergido
bajo tus grandes ojos,
por esta noche sola
descansaré, amor mío.

Pablo Neruda

Eleições, continuidade e mudança

O artigo, com o título em epígrafe, publicado ontem no “Semanário Económico”, já está disponível no site daquele Semanário, podendo ser também ser lido no IR AO FUNDO E VOLTAR.

"Para começar o quê?"

"Não compreendo bem. E depois, sem filhos, o rio pára em mim, o fio de aranha quebra-se. Não entro nesta ordenação de factos, de gente, nesta engrenagem que ultrapassa o nascimento e a morte de cada um, ou melhor, termino-a. Para começar o quê?"

“O Aprendiz de Feiticeiro” – Carlos de Oliveira
Fragmentos – pag. 14 (1 de 3)

quinta-feira, fevereiro 3

A Cauda da Serpente

A cauda da serpente rabeia, ainda rabeia. A verdadeira natureza do PP revela-se em toda a sua miséria. Sempre é melhor assim do que a dissimulação como sistema de afirmação das ideologias totalitárias. (Ainda espero saber qual a posição política do PP face à questão da imigração, por exemplo).

Estamos no terreno em que só pelas margens ou insinuações no discurso os dirigentes revelam as diferenças de políticas e ideologias. Um dia Louçã proscreve Portas por não procriar, no outro Santana afirma-se, perante as mulheres, como “muito homem” colocando Sócrates noutros “colos”, agora Guedes conclamação o povo de Coimbra ao levantamento popular, excluindo Sócrates do “direito à cidade”.

O caminho das eleições, até 20 de Fevereiro, estará pejado de insinuações torpes, ameaças de violência e arroubos de valentia. É assim a nossa direita nacional-populista em democracia. Abençoada União Europeia.

Nobre Guedes apela a levantamento popular para impedir entrada de Sócrates em Coimbra

quarta-feira, fevereiro 2

As cartas

Louçã acusa Portas e Bagão de usarem moradas de ex-combatentes

Agora percebi o des-encantos

"evitar que a tempestade das coisas desencadeadas nos corrompa ou destrua"



“O poema é um objecto de substância especialíssima, com meios de produção adequados, cuja evolução se processa por caminhos muito seus que não admitem, ao que penso, qualquer ruptura na profunda integridade em que fluem. A poesia evolui, experimenta, liberta-se, mas não deixa de ser um produto directo, dilecto, da consciência humana. A verdadeira vanguarda não imita exactamente aquilo que mais precisa de combater, o esquecimento do homem na rápida aridez do mundo, que não advém do progresso mas do seu uso deturpado. Se a poesia é como queria Maiakovski uma “encomenda social”, o que a sociedade pede aos poetas de hoje, mesmo que o peça nebulosamente, não anda longe disto: evitar que a tempestade das coisas desencadeadas nos corrompa ou destrua.”

“O Aprendiz de Feiticeiro” – Carlos de Oliveira
Fragmentos – pág. 13 (3 de 3)

Para Compreender Santana

“Digamos, sucintamente, que o santanismo nos propõe novamente uma cena mediática, imaginária, essencialmente espectacular. Numa mistura de discursos, decisões incoerentes e oportunistas em que se mistura o elogio do 25 de Abril (da democracia, dos valores da liberdade) com a leviandade de iniciativas que parecem caprichos ou nascidos de humores variáveis segundo os momentos, Santana Lopes dá-nos uma imagem da governação – e do comportamento político e cívico de que ele, enquanto primeiro-ministro nos dá o exemplo – que se adequa curiosamente aos antigos comportamentos que herdámos do salazarismo”.

(...) "Docemente sem escrúpulos, suavemente cínico, gozador da vida empírica imediata, amigo dos amigos semelhantes - esta imagem do comportameneto cívico do cidadão não convém como uma luva àquela não-existência que desde sempre devora a nossa vontade de viver de portugueses?"

José Gil – “Portugal, Hoje – O Medo de Existir”

Saraband

Fui ver Saraband. O rosto de Liv Ullmann. A luz. A palavra. As pausas. O não dito. O amor. A raiva. A ternura. A solidão. A morte. A vida. O passado. O futuro. Nós. Ali dentro. Os nossos filhos. Os nossos pais e os pais dos nossos pais. A floresta. O charco. A escada. A lágrima. O sufoco. A música. A amizade. Um dia telefono, passaram 20 anos. Um dia destes vou visitá-lo, nunca mais. Havemos de nos ver... A separação. O esquecimento. O reencontro. O vazio. A lembrança. A nossa vida ali dentro. Todo o tempo. O mais perfeito filme que se pode desejar ver. Ingmar Bergman é uma memória que nos faz reconciliar com a memória. Falando de tudo o que nos rodeia na vida concreta em que se inscrevem os medos e os sonhos, os rancores e as paixões, os filhos, avós, mulheres e amantes, a nossa vida, a doença e a morte, o nosso passado e o nosso futuro. Além do mais Saraband é o reflexo da imagem de Liv Ullmann a fulminar o imaginário de uma geração que é a minha. Tão sobriamente bela hoje como na sua juventude. Puxa, foi duro...

Os Homens do Poder Enlouqueceram

A indignidade é a sua profissão. É disso que vivem. Sócrates está a viver o seu calvário. Era previsível. Outros antes dele já o viveram. Já se esqueceram de Ferro Rodrigues? Passou tão pouco tempo!

Era certo e sabido que seria organizada uma campanha contra o líder do PS. Fosse qual fosse. E essa campanha seria em torno dos mesmos ingredientes que tanto estimula a herança de uma mentalidade fascizante que ainda percorre a sociedade portuguesa.

Quem organiza estas as campanhas sabe o que faz. Não sejamos ingénuos. São os mesmos que querem manter o poder a todo o custo. Não vale a pena dar muitas voltas à imaginação. Só há uma resposta possível: derrotá-los nas urnas.

Há quem se queixe que Santana deu um pretexto para a dramatização da campanha de que o PS precisava para obter a maioria absoluta. Mas o problema não está aí mas na baixeza moral desta gente que pode levá-los ainda mais longe.

O poder, por vezes, corrompe as consciências mas, desta vez, acho que enlouqueceu os homens do poder. A loucura já lá morava mas a expectativa de perder o poder enlouqueceu-os absolutamente.

O Dr. Dias Loureiro, o Dr. Marques Mendes, e outros que até são candidatos e que mantêm, certamente, a sua sanidade mental, não dizem nada? Vão ficar associados a esta campanha feita de indignidades?

Faltam 18 dias.

Líder socialista diz estar a ser alvo de "onda de boatos completamente falsos"
Sócrates acusa Santana Lopes de comportamento "indigno"

terça-feira, fevereiro 1

Para mí corazón.../Para o meu coração...


Para mí corazón...

Para mi corazón basta tu pecho,
para tu libertad bastan mis alas.
Desde mi boca llegará hasta el cielo
lo que estaba dormido sobre tu alma.

Es en ti la ilusión de cada día.
Llegas como el rocío a las corolas.
Socavas el horizonte con tu ausencia.
Eternamente en fuga como la ola.

He dicho que cantabas en el viento
como los pinos y como los mástiles.
Como ellos eres alta y taciturna.
Y entristeces de pronto, como un viaje.

Acogedora como un viejo camino.
Te pueblan ecos y voces nostálgicas.
Yo desperté y a veces emigran y huyen
pájaros que dormían en tu alma.

......................

Para o meu coração...

Para meu coração basta o teu peito
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a sua alma.

És em ti a ilusão de cada dia.
Como o orvalho tu chegas às corolas.
Minas o horizonte com a tua ausência
Eternamente em fuga como a onda.

Eu disse que no vento ias cantando
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles tu és alta e taciturna.
E ficas logo triste, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Eu acordei e às vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam na tua alma.

Pablo Neruda

“Vinte Poemas de Amor e
Uma Canção Desesperada”
Tradução de Fernando Assis Pacheco

Publicações D. Quixote

Cobardes e Hipócritas

Os cobardes atiram pedras e recolhem a mão. Insinuam não concretizando as razões das insinuações. Os hipócritas incentivam ao ódio clamando pela justiça, mentem pregando a verdade.

AMAZÓNIA


I

Selva.
O negro, o índio
e o mais que me souber.
O fogo doutro céu,
o nome doutro dia.
Tudo o que estiver
nos nervos
que me deu.

II

Navegação.
O Amazonas
atira os barcos ao mar.

Defende o seu coração
Marca as zonas
de navegar.

III

Fruto.
Minha selva
de nervos.
Potros,
potros na selva.

Maré cheia,
árvores em parto,
ondas sobre ondas
dum inferno farto.
Inferno pleno.
Terras verdes
e céu moreno.

Sol loiro.
Estrídulo, de hastes vermelhas.
Toiro.

Plasma.
Nus, torcidos.
Estrelas, que poucas.
Vento de todos os sentidos.
Bocas.

IV

Céu.
Apalpo e oiço
o silêncio. O silêncio
adensou e rangeu.

V

Anjos
entregam-se a anjos
e caem na terra
embebedados.

A terra
freme,
sabor de sol que lhe ficou
do dia calcinado,
treme
minhas orgias doiradas
enquanto as asas dos anjos
caem maculadas.

Carlos de Oliveira
In "Turismo"

( Ver “Viagens especulares. Imagens de Europa e Brasil em Carlos de Oliveira e Carlos Drummond de Andrade” - Maria Corrêa Silva – UEM)

"Site" do CDS-PP

Queria conhecer o programa do CDS-PP. A comunicação social divulgou-o num destes dias passados. Mas, espanto dos espantos, o site do CDS-PP está em baixo.

Ao contrário do que dizia uma notícia do DN, no passado dia 15 de Janeiro: “Site. «O CDS é o voto útil a Portugal» é também a mensagem com que Paulo Portas abre o novo site do CDS/PP – há anos inactivo, o site dos centristas está desde ontem disponível on-line.” Não, não está. Pelo menos não o encontro activo em lado nenhum.

A sociedade da informação ainda não chegou a um partido que se reclama ser o mais moderno e eficaz na governação. Se não fosse trágico seria cómico.

Ora como a minha curiosidade se centra na questão da imigração, sobre a qual o CDS-PP deverá assumir posições próprias - à semelhança do Partido Conservador Britânico - opostas às dos restantes partidos (incluindo PS e PSD), e não há informação disponível, pergunto-me se estamos mesmo à beira de eleições.

Ou há temas -demasiado ideológicos e embaraçosos - sobre os quais convém ao CDS-PP manter o silêncio?

Ou será mesmo um indício de que o CDS-PP está disponível para em todas as “estações” e “apeadeiros” tentar apanhar o comboio do poder?

Sofia Areal


Recebi hoje um cartão da Sofia Areal com as suas novas moradas.
Aconselho uma visita à sua obra. Uma pausa para descansar. Matar
a sede. Organizar os passeios e seguir caminho. A vida continua.

"Two American Tourists" - 1951
Foto de Mary Angel

segunda-feira, janeiro 31

Indignidade

“1 desonra; baixeza 2 desumanidade; crueldade 3 injúria; ultraje” – Houaiss

Sócrates: reacção do Governo ao apoio de Freitas do Amaral é um "acto indigno"



"O Rigor Poético"


Não me refiro já à brutal aventura da destruição que o 20º aniversário da bomba de Hiroshima, comemorado à pouco, recorda aterradoramente, ou à poluição industrial ameaçando de gangrena a terra, a água, o ar, a flora, a fauna. Refiro-me aos perigos dum outro apocalipse, por dentro, menos espectacular mas também destruidor: a tecnocracia; a habituação passiva ao mecanismo, a uma atmosfera de metal diluído; e a idolatria, a sufocante obsessão dos objectos, fomentada por um aparelho publicitário formidável. É neste ponto que julgo ter a arte um papel de medicina humanista, de contraveneno insubstituível. Sartre diz algures que o "rigor científico reclama em cada um de nós outro rigor mais difícil, que o equilibra: o rigor poético", sublinhando que se trata de duas formas culturais "complementares"".

"O Aprendiz de Feiticeiro" - Carlos de Oliveira

Fragmentos - pág.13 (2 de 3)

Fotografia de Helder Gonçalves - Santiago do Chile, 2003.

Não votem mas depois não se queixem

Freitas falou alguma coisa acerca do desvario desta direita mas sempre o podem acusar de prosseguir inconfessados interesses pessoais. Por mim acredito na sua honradez.

Pacheco Pereira sempre tem falado destes desvarios e abdicou, honra seja feita, de lugares e prebendas.

Na presente campanha eleitoral o que espanta é o espanto de alguns acerca dos métodos de Santana, Portas e Bagão.

Na política portuguesa o que espanta é o espanto de muitos acerca das perseguições movidas por esta maioria aos seus adversários políticos.

O que espanta é que alguns só agora tenham reparado como esta direita no poder tem orquestrado campanhas para liquidar, pessoal e politicamente, os seus adversários. Sem olhar a meios. À bruta ou, de preferência, dissimuladamente.

A verdade é que os que têm tido a coragem de afrontar as políticas e os métodos de Santana, Portas e Bagão têm sido, por diversas formas, perseguidos e humilhados.

Espero que, em breve, todos venhamos a saber a verdade acerca dos métodos e dos resultados para o país desta governação de direita para além do julgamento político que será feito democraticamente nas urnas.

Para compreender este fenómeno é que é muito recomendável ler José Gil (“Portugal, Hoje – O Medo de Existir”).

Os que dizem que não votam nos partidos da direita e, em “alternativa”, não votam mesmo, depois não se queixem.


domingo, janeiro 30

Dignidade


"O que vive em nós mesmo irrealizado precisa nestes tempos dúbios da rijeza da pedra. Orgulho autêntico. Recusa da conivência, do arranjo disfarçado. Dignidade. Elementos de que se faz a vagarosa teimosia dos sonhos. E então a partida está ganha. Pode perdê-la o escritor (por outras razões, aliás) mas o homem vence-a de certeza."

"O Aprendiz de Feiticeiro" de Carlos de Oliveira
Fragmentos - pág. 13 (1 de 3)

Fotografia de Helder Gonçalves
Roma - Janeiro de 2005

Este Homem

Ana Sá Lopes e Vasco Pulido Valente no "Público"

Isto sim, é doença grave!


É este mesmo o caso cuja imagem reveladora fui buscar ao barnabé. Consta-me que já estão várias juntas médicas a analisar o doente. O prognóstico parece ser grave.

sábado, janeiro 29

Santana e a Psicanálise

Vamos assistir, como previsto, a uma deriva populista pura a que Santana Lopes não é capaz de fugir. O primeiro-ministro e candidato a primeiro-ministro, Santana Lopes, entre mulheres, puxa o tema da homossexualidade. A ver se alguém lhe pega.

Já Loução tinha caído na tentação a propósito da questão do aborto no debate com Portas. O objectivo a atingir é de uma baixeza tão triste como os seus autores. A mensagem subliminar é óbvia: na campanha só existe um verdadeiro macho. E quem havia de ser? Santana. O puro macho latino, ou melhor, português, mesmo assim um macho latino de segunda.

Hoje vi o seu novo cartaz de propaganda mas sinceramente não me consigo lembrar da mensagem. Estava a ser colado. Diz qualquer coisa como: “Este sim, sabe quem é”. Ao lado da foto de Santana. (O meu filho deu-me uma ajuda). Terá alguma coisa a ver com o discurso do casamento entre homossexuais? Ou com psicanálise? Não se entende bem o alcance da coisa! Talvez a Clara Ferreira Alves, por exemplo, possa dar uma ajuda na interpretação da mensagem. Parece uma brincadeira. Cara.

O povo, coitado do povo!

sexta-feira, janeiro 28

Carlos de Oliveira


Carlos de Oliveira[Portugal] 1921–1981
The son of Portuguese emigrants to Brazil,
Carlos de Oliveira was born in Belém do
Pará in 1921. Two years later the family
returned to Portugal, settling in a rural
district northwest of Coimbra. It was in
Coimbra that the writer went to high
school and then on to university,
graduating in History and Philosophy
with a thesis titled Contribution to a
Neo-Realist Aesthetics. That was in 1947,
the fifteenth year of the by then firmly
entrenched Salazar dictatorship.

"Santana admite dívidas"

Pois é! Pode acontecer a qualquer um, menos ao primeiro-ministro! Eu recebi, como relatei há pouco tempo, uma cartinha das finanças com a ameaça de penhora de bens por uma “divida” de 88 euros!

Pode parecer estranho ao Dr. Santana Lopes mas o primeiro-ministro não é um cidadão como outro qualquer! O Dr. Santana Lopes se ainda não percebeu que é primeiro-ministro não vai chegar a ter tempo para o perceber.

Mas o senhor ministro das finanças, Bagão Félix, não conhecia a situação fiscal do primeiro-ministro? Eu acho que muita gente sabia! Porque não pediu a demissão do primeiro-ministro? Não faria sentido, não é? Então porque não se demitiu ele próprio?

Finalmente qual a sua “ética” para pedir a demissão de Freitas do Amaral? Faltam 22 dias…

“O primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, admitiu hoje que teve dívidas às Finanças relativas a juros e justificou que isso pode acontecer a qualquer cidadão que vive do seu salário.

«Às vezes pode haver uma questão de juros, como com todos os cidadãos que vivem dos seus salários», disse Santana Lopes depois de ter sido questionado sobre quando é que regularizou as dívidas ao fisco hoje noticiadas por um jornal.”

Expresso on line

Com Freitas contra a política do medo

Sei do que fala Freitas do Amaral. Bagão Félix gosta de se apresentar como o “guru” da ética, sob cuja fina capa se esconde a continuação da política do medo que, sob outras formas, se perpectua desde a ditadura de Salazar. (Ver anteriores citações de José Gil).

Bagão Félix é o soprano dessa hipocrisia de proclamar a ética e praticar o seu contrário. Conheço os seus truques. A festa está a acabar. Perseguição política, é isso! Até aos limites da insanidade mental. As faces que, ontem, apresentavam os dirigentes do PP, atacando Freitas, tresandavam a ódio e Bagão Félix é o seu mensageiro mais refinado.

“Freitas do Amaral recusa demitir-se da presidência da assembleia geral da Caixa Geral de Depósitos (CGD), como sugeriu o ministro das Finanças, por ter feito um parecer contra a transferência do fundo de pensões do banco para o Estado.

"Não renuncio ao cargo, como é óbvio", garante Diogo Freitas do Amaral, em comunicado hoje divulgado.

"Se o senhor ministro quiser demitir-me, ele que assuma a responsabilidade", acrescenta.

"Não será a primeira vez, nem provavelmente a última, que este Governo faz perseguição política aos seus adversários", insinua.

No comunicado, Freitas do Amaral questiona o facto de o ministro das Finanças, António Bagão Félix, só ter reagido hoje, três dias depois de divulgado o parecer.

"Lamento e estranho que o senhor ministro das Finanças só tenha reagido contra mim, não quando o meu parecer foi tornado público (terça-feira, dia 25 de Janeiro), mas apenas hoje (sexta-feira, dia 28 de Janeiro), logo que foi conhecido o meu apoio público ao PS nas próximas eleições", afirma o jurista.
(…)
"Dificilmente se percebe como é que Freitas do Amaral não renuncia ao lugar de presidente [da mesa da assembleia geral da CGD] depois de discordar tão frontalmente da posição do accionista que o nomeou e representa", acrescentou (Bagão Félix).


Na resposta a estas declarações, Freitas do Amaral afirma que é um jurisconsulto independente, diz que não existe qualquer incompatibilidade entre ter feito o parecer e presidir à assembleia geral da CGD e garante que não renuncia ao cargo.

"Sou um jurisconsulto independente e, para dar os meus pareceres, não falo com ninguém antes, como a pedir licença, e muito menos ao Governo", aponta Freitas do Amaral, defendendo a inexistência de qualquer incompatibilidade.

"Eu não dei um parecer contra a Caixa, mas sim a favor dos seus trabalhadores e, portanto, a favor da própria Caixa", sustenta.

Lusa



Sondagens - e não se pode exterminá-las?

Santana Lopes, derrotado em todas as sondagens, ameaça com os tribunais. Nunca se tinha visto uma iniciativa política que evidenciasse tanto desespero.

As sondagens podem estar erradas mas apontam todas no mesmo sentido: a vitória dos socialistas. O indicador mais eloquente é o que respeita à convicção esmagadora de que o PS vai ganhar. Depois resta somente a dúvida acerca da dimensão da vitória do PS que depende do sentido de voto dos indecisos.

Breve síntese do dia:

Correio da Manhã
Sondagem: diferença do PS para o PSD aumentaMaioria na mão dos indecisos


Diário de Notícias
PSD com mínimo histórico, socialistas menos absolutos...

Público
PS com maioria absoluta mas há um terço de indecisos